A educação do presidente

Fevereiro 25, 2008 at 4:26 pm (Política) (, , , )

Mais uma do Monsieur le président de la République, Nicolas Sarkozy. Precisa dizer o burburinho que está isso aqui…?

Hoje cedo, na padaria, um senhor comenta o caso e volta a tocar no ponto “crucial” da questão: “Não existe mais a educação de outrora, ninguém mais fala bonjour, merci, ou te trata com respeito”. E não é com o Sarkozy que isso vai voltar.

Como tradução do que se passou, Sarkozy vai ao Salão da Agricultura, distribui sorrisos falsos e apertos de mão até que um homem se recusa a retribuir o gesto e diz: “Não me toque, você me suja”. É então que ele responde: “Saia daqui, pobre bastardo!” (ou algo com ainda maior desprezo que a censura desse blog vetou).

 

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Viva a Revolução!

Fevereiro 12, 2008 at 2:37 pm (Política) (, , , , )

Só reportando um trecho extraído do Le Monde, de entrevista com um analista político sobre o presidente: “Hoje, ele (Sarkozy) está sendo posto à dura prova em um país acostumado aos sistemas tradicionais e sólidos e que pode não tolerar a frivolidade de seu novo presidente da República“.

E outro do Libération, de esquerda, com a palavra do líder do Partido Socialista, François Hollande: “Sarkozy nos expõe sua vida, ele a exibe, obriga os jornalistas a seguirem seus passos, ele me faz tecer comentários sobre isso…Eu não estou nem aí para seu casamento, para suas viagens, para seu relacionamento com a Carla Bruni. Peço meu direito de não saber nada sobre o assunto“. Detalhe importante: François Hollande se separou da Ségolène Royal logo depois das eleições de 2007, mas o assunto foi bem tratado de forma bem mais moderada que a separação de Sarkozy e Cecilia.

Isso tudo no mesmo dia em que um importante instituto de pesquisa aponta a queda do nível de satisfação da população em relação ao governo de Sarkozy ao patamar mais baixo desde a eleição: 39%. Viva a Revolução! Viva Maio de 68!!

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Carla Bruni e a noiva do vampiro

Janeiro 16, 2008 at 4:07 pm (Política) (, , , , , )

A noiva do vampiroComo estou fazendo uma seção de notícias curtas para a Revista Brazuca, ando fuçando em sites de tudo quanto é tipo, sejam eles bons ou ruins. E entre os da França que mais se orgulham em postar fofocas e notícias quentes dos chiques e famosos está o da Paris Match, uma das publicações mais importantes do mundo no gênero desde 1945.

E a última do tema mais badalado do momento aqui na França, o noivado do presidente Sarkozy com Carla Bruni, é a reprodução do anel de compromisso que ele deu à italiana. Trata-se de um Dior de valor simbólico de 20 mil euros chamado de “A Noiva do Vampiro“.Abaixo a reprodução do texto da Paris Match.

“É um presente que pode ser gótico e romanesco e que Nicolas Sarkozy ofereceu ao seu grande amor Carla Bruni: uma pedra Dior em ouro branco, diamantes e turmalina rosa. No valor aproximado de 20 mil euros, foi criada por Victoire de Castellane para a coleção “Noiva do Vampiro” e traz esta idéia: ‘Amor eterno entre um vampiro e uma jovem filha’. Sabíamos que o presidente tinha origem húngara, mas não conhecíamos suas raízes na Transilvânia“.

Coincidentemente ou não, essa última frase resume bem o governo do Sarkozy por enquanto.

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O cigarro fora de moda

Janeiro 5, 2008 at 1:32 pm (Política) (, , , )

mhhxi15qwt545q4ii6unawqx0zrclx6.pngTinha em mente fazer um texto jornalistico para abordar o tema, mas não consegui conter a adjetivação logo no inicio. Então vai ai uma mescla. É que o cigarro foi finalmente banido dos lugares publicos, incluindo bares, cafés, restaurantes e danceterias. A medida, que ja havia sido aprovada no meio do ano passado, entrou em vigor agora no dia 1° de janeiro e trouxe polêmica em Paris.A principal diz respeito ao lugar do cigarro na cultura francesa.

Um artigo do Le Monde baseado em repercussões internacionais, ressaltou que literatura, musica e cinema daqui não seriam os mesmos sem eles, ja que eram parceiros inseparaveis de nomes como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Serge Gainsbourg, Jean-Paul Belmondo, Edith Piaf, Jeanne Moreau entre outros. Gainsbourg, alias, teria imortalizado o Gauloise sem filtro, enquanto Moreau fazia apologia aos lights americanos.

Outros dois pontos foram trazidos à tona pela BBC e pelo Washington Post. A primeira se pergunta como ficara a situação dos pequenos bares do interior francês, que se tornaram, ao longo dos anos, centros de reuniões amigaveis dos habitantes locais. Ja o segundo aborda a saida das companhias de cigarro para paises agora mais rentaveis em termos de vendas e com mão-de-obra mais barata, como Espanha e Portugal.

Por outro lado, a passagem da lei é considerada uma vitoria importante do governo. Logo no dia 1° (apesar de eu mesmo ter presenciado dois cafés com gente fumando dentro), a ministra Roselyne Bachelot, seguindo os moldes da politica espalhafatosa do Sarkozy, fez um tour pelos cafés e restaurantes de Paris cercada de jornalistas e câmeras interpelando alguns clientes. Para um deles, perguntou : “Não acha que esta melhor assim? Não é melhor respirar e sentir o cheiro da comida? Ah, você fuma? Então faça de 2008 o ano em que você deixara de fumar. Você vera como a vida é mais saudavel”.

Em Lyon, a policia entrou no show e fez nesta sexta-feira uma batida com direito a policiais à paisana e diversas viaturas, numa operação digna de BOPE em dia de baile funk nas favelas do Rio de Janeiro. Tudo isso para multar um unico cidadão em 68 euros por estar fumando dentro do bar. O dono, que se prontificou a pagar a taxa, correu o risco de desembolsar 750 para cada cinzeiro encontrado nas mesas e mais 135 por ter permitido o fumo, mas escapou ileso sob a condição de não repetir o erro.

Em pesquisas em sites daqui, a recepção da lei foi positiva para mais de 80% dos votantes, enquanto outra enquete aponta que 97% dos estabelecimentos ja respeitam a medida. Por fim, a Espanha aproveitou o embalo e divulgou numero interessante: 1.2 milhão de pessoas deixaram de fumar apos a proibição de 2006. E a Alemanha também deve aderir completamente à nova onda até o meio do ano.

Experiência propria - Andando pelas ruas de bairros calmos como Montmartre, a cena mais marcante é o acumulo de pessoas nas portas de bares e cafés. Todas fumando, amontoadas e encarando um frio nada acolhedor. So faltava agora essas mesmas pessoas cortarem o alcool e voltarem para casa nas bicicletas publicas. Ai ja é pedir demais.

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