Le Salon, clima romântico e boa comida
De fora, a impressão é a de que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa se volta a mim e à minha parceira com um largo sorriso, como se pressentisse a chegada de alguém importante. “Ah, o casal da mesa especial!”
Descubro, então, que o homem é ninguém menos que o dono do Le Salon e que ataca de cozinheiro e garçom. O acúmulo de funções não lhe tira o sorriso do rosto e ele nos leva à sala reservada, passando por outra muito mais ampla. Ficamos separados dos demais, em espaço bem confortável, com a mesa e ainda um pequeno divã ao lado. A decoração é sóbria e a música lounge é perfeita para o clima romântico que já estava criado.
Recebemos também um sino, no caso de sermos “esquecidos” pelos garçons. Mas nem o usamos, pois o atendimento é preciso: sem longas esperas, nem muita intromissão. Pedido feito, vinho no copo e aproveitamos o tempo para sentarmos no divã e conversar, como se estivéssemos numa festa tranqüila na casa de amigos.
Em seguida chegam os pratos, com boa apresentação, e a comida completa o clima. Como já conhecia a “especialidade” em carne bovina da casa, ataco de Faux Fillet Henri VIII, com duas guarnições e um molho de queijo roquefort. Uma delícia. E na frente, olho também com água no boca o tagliatelle com salmão da minha parceira. Comemos bem, bebemos bem e talvez a única coisa que atrapalhe um pouco seja a repetição ininterrupta do mesmo cd de quando chegamos. Mas tudo bem, a boa impressão já havia ficado.
Para fechar, a sobremesa é o tradicional moelleux au chocolat, mas muito bem servido. Na conta, 27 euros por pessoa, com o prato a 15 euros em média, a sobremesa a 7,50 e mais um pichet de vinho.
Ao final de quase duas horas, nos levantamos e nos damos conta de que o restaurante já está vazio. O dono, então, se aproxima e nos surpreende com sua franqueza: “Ufa! Fiquei com medo de ir até a sala porque achei que vocês poderiam estar pelados!“. Frase um tanto quanto bizarra, mas até que a pedida não era uma má idéia. Afinal, a noite romântica no Le Salon ficaria ainda melhor.

Como está nos principais guias de Paris, o Chartier é tomado por turistas, principalmente num sábado à noite, exatamente quando resolvemos ir. O resultado óbvio é uma fila enorme, uma espera considerável e um atendimento nas coxas. Mas vamos aos fatos por partes, como diria Jack.
Como bons “franceses”, abusamos, pedimos pão, água, recebo de volta minha carne em bem melhor estado e a Manue até que gosta do choucroute alsacien. Mas os vizinhos…eles seguem lutando com a carne, lamentando a má escolha e a falta de um tradutor para que eles possam xingar o último dos quatro donos que o Chartier teve em mais de 100 anos.