Le Salon, clima romântico e boa comida

Abril 20, 2008 at 10:02 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

De fora, a impressão é a de que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa se volta a mim e à minha parceira com um largo sorriso, como se pressentisse a chegada de alguém importante. “Ah, o casal da mesa especial!”

Descubro, então, que o homem é ninguém menos que o dono do Le Salon e que ataca de cozinheiro e garçom. O acúmulo de funções não lhe tira o sorriso do rosto e ele nos leva à sala reservada, passando por outra muito mais ampla. Ficamos separados dos demais, em espaço bem confortável, com a mesa e ainda um pequeno divã ao lado. A decoração é sóbria e a música lounge é perfeita para o clima romântico que já estava criado.

Recebemos também um sino, no caso de sermos “esquecidos” pelos garçons. Mas nem o usamos, pois o atendimento é preciso: sem longas esperas, nem muita intromissão. Pedido feito, vinho no copo e aproveitamos o tempo para sentarmos no divã e conversar, como se estivéssemos numa festa tranqüila na casa de amigos.

Em seguida chegam os pratos, com boa apresentação, e a comida completa o clima. Como já conhecia a “especialidade” em carne bovina da casa, ataco de Faux Fillet Henri VIII, com duas guarnições e um molho de queijo roquefort. Uma delícia. E na frente, olho também com água no boca o tagliatelle com salmão da minha parceira. Comemos bem, bebemos bem e talvez a única coisa que atrapalhe um pouco seja a repetição ininterrupta do mesmo cd de quando chegamos. Mas tudo bem, a boa impressão já havia ficado.

Para fechar, a sobremesa é o tradicional moelleux au chocolat, mas muito bem servido. Na conta, 27 euros por pessoa, com o prato a 15 euros em média, a sobremesa a 7,50 e mais um pichet de vinho.

Ao final de quase duas horas, nos levantamos e nos damos conta de que o restaurante já está vazio. O dono, então, se aproxima e nos surpreende com sua franqueza: “Ufa! Fiquei com medo de ir até a sala porque achei que vocês poderiam estar pelados!“. Frase um tanto quanto bizarra, mas até que a pedida não era uma má idéia. Afinal, a noite romântica no Le Salon ficaria ainda melhor.

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Presente de primeiro ano

Março 8, 2008 at 11:42 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , )

Talvez em outras épocas fosse motivo para comemorar em grande estilo, mas acabei simplesmente esquecendo que completei um ano aqui na França nesta semana. E só fui lembrado pelo post do Daniel, o Chéri à Paris, que curiosamente aterrissou por aqui três dias depois de mim.

E se ele fez uma bela duma retrospectiva em números, eu fico pensando aqui sozinho porque é que esqueci da data. Será que pela semana atribulada que passou? Ou talvez pelo fato de eu me sentir realmente em casa por aqui…Mas quem sabe mesmo porque havia acabado de celebrar o “nada” com a Manue e a levado num restaurante chique do lado da Torre Eiffel.

Enfim, o fato é que passou e agora não vou ficar lembrando de cada dia maravilhoso ou de sol. Muitas das coisas estão pingadas por aí no site e amanhã posto outro bom momento. E mesmo sem festa, ganhei um baita de um presente de mim mesmo: uma passagem para o Brasil. Mais do que certo, eu e a Manue desembarcaremos em São Paulo no dia 29 de junho, para ver se ainda encontro tempo de comemorar o meu aniversário de dois dias atrás (indireta aos amigos). E ficamos 1 mês e meio, sendo que por duas semanas encararemos outra empreitada pelo nosso paízão lindo, certamente à procura do verão fora de época do Nordeste.

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Escargot show!

Março 4, 2008 at 5:46 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Duas citações rápidas. Primeiro respondo ao Lello que sim, o Nazista do couscous estará na matéria da Próxima Viagem. E antes que as pessoas me crucifiquem e resolvam nunca mais ler a revista ou meu blog, digo que a idéia do editor era exatamente mostrar dois lados de Paris: o chique e três estrelas no Guia Michelin e o mais toscão do dia-a-dia. E volto a ressaltar: o Nazista é todo bizarrão, mas a comida é bem decente.

 A outra citação é uma foto enviada pelo meu grande amigo Jamal, o francês da minha rua. Ele encarou a pizza de escargot que vai na foto aí embaixo. Esse cara é corajoso!! 

A pizza de escargot

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O Restaurante Chartier

Fevereiro 3, 2008 at 9:07 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Depois do passeio a Versailles, o último sábado foi encerrado com a ida ao Restaurante Chartier, um dos mais tradicionais de Paris e aberto desde 1896. Curioso é que toda essa longevidade não significa abuso de preços, pelo contrário. O Chartier é, por tradição, um restaurante barato, que serviu operários e mantém até hoje um estilo cantina, enorme, com mil garçons que trombam e servem 10 pratos ao mesmo tempo, como nas casas do Bexiga ou nos Demarchi de São Bernardo. Ou seja, tudo o que você nunca imaginou encontrar em Paris.

Manue e o vizinhoComo está nos principais guias de Paris, o Chartier é tomado por turistas, principalmente num sábado à noite, exatamente quando resolvemos ir. O resultado óbvio é uma fila enorme, uma espera considerável e um atendimento nas coxas. Mas vamos aos fatos por partes, como diria Jack.

Eu a Manue estávamos num bom dia, então esperamos pacientemente e até fomos recompensados: como éramos dois, furamos bem a fila, já que as mesas para casais vagavam mais rapidamente. E ao entrar a impressão é ótima: decoração em estilo antigo, cadeiras de boteco e toalhas de papel. O metre nos leva à nossa mesa e pedimos licença ao casal ao lado, que participaria de toda nossa conversa caso entendessem francês, porque não há qualquer divisão ou espaço entre nós.

Devidamente sentados, recebemos o menu, também em papel, impresso no dia mesmo. Escolhemos uns pratos até baratos, um pichet de vinho a 3 euros e vimos outro casal, desta vez italianos, sentarem ao nosso lado. O garçom chega, fazemos o pedido e ele anota tudo em caneta Bic na toalha ao meu lado. Eu estava para o Entrecote, mas optei na “Hora H” pelo Pavé de Rumsteack, sábia decisão que perceberia mais tarde.

Cronometrados 2 minutos após o pedido e os pratos chegam, juntos com os dos vizinhos. Acho estranho, mas aceito, o clima ainda é bom. Mas a carne vem grelhada por fora e fria por dentro e questiono se elas não estariam lá prontas antes mesmo do pedido, resposta que me parece um tanto óbvia. Sem me indignar, peço ao garçom para repassar a carne enquanto olho ao lado os Entrecotes dos vizinhos, também vermelhos, provavelmente frios, mas muito, muito mais engordurados e feios. A cara deles também não é nada boa.

O pedido na toalhaComo bons “franceses”, abusamos, pedimos pão, água, recebo de volta minha carne em bem melhor estado e a Manue até que gosta do choucroute alsacien. Mas os vizinhos…eles seguem lutando com a carne, lamentando a má escolha e a falta de um tradutor para que eles possam xingar o último dos quatro donos que o Chartier teve em mais de 100 anos.

Os italianos terminam (ou desistem), pedem a conta e o garçom soma tudo na toalha, com a mesma Bic. Eles desembolsam 27 euros visivelmente contrariados e, antes de saírem, balbuciam algo em nossa direção e entendemos que eles queriam alguns pedaços de pão, que oferecemos sem hesitar. A Manue conclui: “Sorte dos donos que eles eram estrangeiros, porque se servissem isso pro meu pai, nossa… !”

Seguimos até o fim, nem tão satisfeitos, mas também não tão tristes como os vizinhos que partiram. Vale mais para observar aquele mundo de gente e pensar como os donos conseguem arrancar grana servindo algo meio tosco. E por fim, exatamente como no Nazista do couscous, acho que vale recomedar. Afinal, nada lá é como nos outros restaurantes de Paris, seja no preço, no estilo da decoração ou na qualidade da comida.

Reforçando a idéia, mais fotos do Chartier estão no fotolog (http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres/)

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