Rápido adendo
Estive bem ausente do blog por uma série de razões. A principal delas é que meus pais estiveram por aqui e fizemos uma bela viagem para que eles vissem coisas que só conheciam por fotos. Mas infelizmente eles tiveram que voltar às pressas ao Brasil por conta de um problema de saúde na família, o que também me deixou sem motivação para escrever.
Para complicar ainda mais, começou Roland Garros e estou fazendo a cobertura in loco do encerramento da carreira de Gustavo Kuerten para o Tenisbrasil. Anda tudo uma correria, mas estou tentando ao menos reencontrar o rumo.
Ainda publicarei quando der o terceiro passeio para fechar a série do que está publicado na revista. Talvez mais tarde coloque um roteiro do que fiz com meus pais também, o que recomendo enormemente para um viajante com um pouco mais de folga e vontade de não ficar apenas em Paris. Para ressaltar, a Próxima Viagem com minha matéria dos passeios ainda deve estar nas bancas, com texto diferente, mas meu.
Os passeios de Velib por Paris - 1
Como citei rapidamente há um bom tempo, fiz mais uma matéria para a revista Próxima Viagem, desta vez com percursos de bicicleta por Paris. Posto, então, a primeira parte do texto original, bem modificado pelo editor da revista. É um percurso que sai de Montmartre, passa pelo Arco do Triunfo, vai ao Bois de Boulogne, Torre Eiffel, Hôtel des Invalides e termina no Petit Palais, na Champs Elysées. Eu mesmo cirei o trajeto e o fiz. Quem quiser ver a revista, ela está nas bancas neste momento. As fotos são minhas também.
Pegar uma Velib é fácil e barato
Desde o dia 15 de junho de 2007, o viajante ganhou mais uma forma de conhecer Paris. Através do sistema Velib, é possível alugar bicicletas e partir sem preocupações pelas ruas da cidade-luz. Com a diminuição da poluição, a prefeitura resolveu levar à frente o projeto, que foi bem recebido tanto pela população quanto pelos turistas. Para o lançamento, foram construídas 750 estações, com pouco mais de 10 mil bicicletas. No início de 2008 e com sucesso garantido, outros 250 postos e quase 15 mil bicicletas já eram oferecidos aos “clientes”.
A idéia, segundo a prefeitura, é ter uma base de Velib a cada 200 metros e também levar em breve a iniciativa para as cidades vizinhas a Paris. O resultado, no entanto, já é visível: hoje as milhares de bicicletas cinzas fazem parte da paisagem local e servem de transporte, para uns, e de lazer, para outros.
Para o visitante, pegar uma bicicleta é tarefa tranqüila e barata, basta encontrar uma estação e seguir os procedimentos, que podem ser lidos em 8 línguas, entre elas francês, inglês, espanhol e chinês, mas não em português. O aluguel é feito exclusivamente por cartão de crédito. Após escolher uma senha e a opção por passe de 1 dia (1 euro) ou 7 (5 euros), recebe-se um cartão e o passo seguinte é indicar a bicicleta livre (vale checar anteriormente se ela está em bom estado) e a retirar ao sinal do bipe.
Cabe, então, ao viajante regular a altura do assento, colocar seus pertences na cestinha e prestar atenção nas regras de trânsito, que valem igualmente para as bicicletas. E aproveite: são 371 quilômetros de ciclovias e, salvo raras exceções como Montmartre e os 19º e 20º arrondissement, ambos ao norte, a cidade é praticamente toda plana.
Ainda em relação às tarifas, além do cartão, paga-se 1 euro a cada meia hora de utilização, mas o usuário pode driblar este gasto devolvendo a bicicleta antes dos 30 minutos e a retirando novamente após digitar o código do cartão. Se está difícil achar uma estação ou se preferir mantê-la por todo dia, entre 5 a 10 euros deverão ser descontados na fatura do cartão. Nada assutador. E melhor: todas as Velibs vêm com cadeado e podem ser presas em postes e entradas de parques. Bom passeio!
Passeio 1: de Montmartre à Champs Elysées
Que tal conhecer o lado chique e até sair de Paris quase sem perceber?
Uma das boas dicas para iniciar passeios de bicicleta em Paris é partir de uma das poucas partes altas da cidade: Montmartre. Afinal, como diz o ditado, “para baixo, todo santo ajuda”. E se o turista está longe de ser um maratonista, nada melhor que descer tranqüilo, quase sem pedalar. Antes de iniciar o trajeto, porém, vale a pena conferir no topo do “monte” a linda e imponente Basílica de Sacre Coeur. Logo ao lado fica a Praça des Abesses (1), ponto inicial do percurso.
Após pegar a bicicleta, suba um pouco pela Rue des Abesses e vire à esquerda na Germain Pillon, uma descida brusca até o Boulevard de Clichy. À direita, atravesse a rua com cuidado e siga tranqüilamente pela ciclovia, passando pelas curiosas casas de Pigalle, entre elas o famoso Moulin Rouge. Ao fim, contorne à esquerda, atravesse a sempre animada Place de Clichy e desça por outra ciclovia no meio do Boulevard des Batignoles (2). O caminho é agradável, quase uma alameda exclusiva para ciclistas, e vai tranqüilo e sinalizado até o metrô Villiers.
Sempre reto, chega-se ao coração do 17º arrondissement, um dos mais chiques de Paris. Ao lado esquerdo, o belo Parque Monceau (3), que vale uma espiada, mas com a bicicleta ao lado: lá a preferência é dos pedestres. Ao seguir pelo Boulevard de Courcelles, o lado chique mostra suas caras, principalmente próximo à Praça de Ternes, de onde já é possível avistar o Arco do Triunfo (4). Por ali, aliás, o momento é propício a uma pausa em algum gostoso café com terraço da região, algo que não se encontrará tão facilmente mais à frente.
Na seqüência, a pausa é rápida para fotos do Arco e da Torre Eiffel, bem ao fundo. No entanto, a continuação exige cuidado, pois a rotatória da Praça Charles de Gaulle talvez seja uma das maiores e mais complexas do mundo. Se o viajante é do tipo prudente e não gosta de se arriscar, não tenha vergonha e cruze pelas faixas de pedestres da Avenue de Wagram até a Avenue Foch, onde se segue numa ciclovia até o Bois de Boulogne, atravessando o ainda mais chique 16º arrondissement.
No fim da larga avenida, chega-se ao interessante contraste do passeio: enquanto atrás ainda é possível avistar o Arco do Triunfo e a movimentação do centro, à frente cruzamos os limites da capital e fazemos uma pequena “viagem” até Boulogne Billancourt, uma das cidades da Grande Paris. É lá que passaremos pelo Bois de Boulogne (5), um dos pulmões da metrópole juntamente com o Bois de Vincennes. Ao passar pela Porte de Dauphine e seguir pela Route de Suresnes, já é possível respirar um ar mais puro e sentir a tranquilidade do campo.
O ciclista aqui é chamado a curtir o momento, a sentar perto do lago e a ver os pequenos barcos singrarem o espelho d´água. Igualmente agradável é prosseguir o passeio com calma, em ziguezague pelas alamedas, tendo como base a volta a Paris pela Porte de la Muette. Novamente dentro da capital, o caminho é a longa Avenue Henri Martin, que ainda mistura um clima bucólico com o vaivém de carros e ônibus. Num dos pontos mais chiques do percurso, passa-se pela Mairie do 16°, uma espécie de sede de regional, e chega-se à praça do Trocadero.
O endereço é famoso e a vista talvez seja uma das mais belas do planeta: entre o Palais de Chaillot e o prédio que abriga o Museu do Homem aparece a Torre Eiffel (6), com seus 320 metros de altura, monumento mais visitado do mundo. E fica uma dica importante ao cruzar a praça: mesmo que o momento seja de contemplação, não perca de vista a rua, afinal, os parisienses que avançam em carros não parecem se importar muito com a grandeza do que está ao lado.
Na Praça do Trocadero, duas opções para descer até as margens do Sena: uma delas é pelo próprio parque ao lado, passando pelas pequenas rampas nas extremidades de cada lado. Outra é seguir as ruas que contornam o Palácio, chegando na mesma Praça de Varsovie, à frente da Torre. Cruzando o rio, contorne pela parte esquerda, mais agradável, e avance devagar pelo Champs de Mars, sempre tomando cuidado com os milhares de turistas que estarão olhando para cima.
Após paradas - e muitas fotos -, vá ao fim do parque, à frente da Ecole Militaire, e vira à esquerda, onde já será possível ver a maravilhosa cúpula dourada do Hôtel des Invalides (7). No cruzamento, siga pela Avenue de Tourville até mais um dos prédios de cair o queixo de Paris. Lá, por exemplo, pode-se visitar o museu do Exército e a sala com as cinzas de Napoleão. Já na Rue de la Tour Maubourg, deve-se parar em uma das boas brasseries do 7° arrondissement, caso a fome esteja apertando. Mas não se preocupe: o passeio está quase no fim.
Um pouco à frente, a dica é virar à direita na Rue Saint Dominique e atravessar a Esplanade des Invalides. Subindo em direção ao Sena, chegamos à famosa Ponte Alexandre III, com seus ornamentos dourados, e passamos em seguida entre o Grand e o Petit Palais (8 ). Neste último, a visita das exposições permanentes é gratuita e um gostoso café perto do jardim serve como ótima pedida para encerrar a tarde. E para devolver a bicicleta, é só contornar o prédio à direita: já na Champs Elysées há uma estação. Nada mais prático.
1 - Place des Abesses

2 - Boulevard des Batignoles

3 - Parque Monceau

4 - Arco do Triunfo

5 - Bois de Boulogne

6 - Torre Eiffel

7 - Hôtel des Invalides

8 - Grand Palais

Mapa do Trajeto

As listas dos percursos
Terminei nesta sexta os três percursos de bike por Paris que eu mesmo criei para a matéria que estou escrevendo. Não foi fácil, porque ao mesmo tempo em que pedalava, tinha que ir parando para tirar fotos, gravar comentários e tentar não ser atropelado. Graças aos céus que meu pedido surtiu efeito e consegui correr nos dois únicos dias de sol dos últimos 6 meses para aproveitar.
E graças aos céus também que meu Ipod renasceu das cinzas após um blackout da última semana. Eu andava tristonho, mas ele voltou a funcionar e pude sair pimpão pelas ruas ouvindo minhas músicas preferidas. Dito tudo isso, sigo abaixo com uma pequena lista do que aconteceu nestes últimos e como foram meus passeios.
- Cinco sessões de rolê, sendo quatro de manhã/tarde e uma de noite. Ao todo, 15 horas gastas e não faço idéia de quantos quilômetros, porque sempre que acabava um percurso tinha que voltar pra casa de bicicleta também. Um saco.
- Mais de 500 fotos, sendo que muitas delas inaproveitáveis. Quatro pares de pilhas.
- Três recargas do Ipod, com uma lista enorme de bandas ouvidas. Destaco minha lista com 52 preferidas (ou as que consegui dar nota e que ficam rodando no shuffle). Entre elas, destaco as “óperas” Thick As Brick, do Jethro Tull, Stairway to Heaven e Achiles Last Stand (do Led), duas do Scenes From a Memory, do Dream Theater, e The End, do The Doors. Todas com cerca de 10 minutos pra mais.
- Menções também para Refazenda, Construção, Killers, muitas do Mates of State, Everlong e I’ll Stick Around, do Foo Fighters, um monte do Dave Matthews, Dave Brubeck, Moacir Santos (e a expecional Rota), The Smiths e até Faith No More, com Digging a Grave.
- Mas no último dia, em particular, larguei de Saint Lazare com White Album, dos Beatles (com ressalvas para minhas favoritas Helter Skelter, Everybody’s Got Something to Hide Except For Me And My Monkey e Rocky Racoon. Sendo que um francês me olhou de forma bizarra quando gritei o refrão de “Why Don’t We Do It In The Road“. Ao menos fosse uma francesa…). Teve também The New Pornographers e discografia de Los Hermanos, porque estava sem criatividade e não queria ficar trocando de grupo.
- A lista de monumentos / parques / lugares também não é pequena. Resumo por passeio: 1 - Sacre Coeur, Parque Monceau, Arco do Triunfo, Bois Boulogne, Torre Eiffel, Hôtel des Invalides, Grand e Petit Palais. 2 - La Vilette, Parque Buttes Chaumont, Cemitério Père-Lachaise, Bastilha, Instituto do Mundo Árabe e Sena. 3 - Madeleine, Place de la Concorde, Pont Neuf, Notre Dame, Ile Saint Louis, Place des Vosges, Le Marais, Hôtel de Ville, Louvre, Place Vendôme, Opera.
- Uma tentativa bizarra de “assalto“. Uma moça (muito provavelmente romena) veio me oferecer um anel, eu disse que não era meu, ela insistiu, disse que minha bicicleta era bonita e perguntou se podia andar nela. É mole?
- Um momento bizarro. Estava eu andando tranquilamente nas proximidades da Place de Clichy, ouvindo música, quando uma mulher na calçada se aproxima aos gritos: “Você está procurando emprego ?” … “Péra, eu estou andando de bicicleta e ouvindo música, o que leva a crer que eu esteja procurando emprego?…Mas mesmo assim, obrigado pela oferta” .
- 127 avanços de semáforos vermelhos, mas NENHUMA perseguição de policial dessa vez. Mandei bem.
- Cada vez conhecendo melhor Paris, mas cada vez mais triste pelo clima aqui.
Em breve posto aqui o texto final também.