Cuidado: brasileiro esquiando!

Abril 1, 2008 at 10:04 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Não chegou a ser um sucesso minha “estréia” no esqui. E por “não chegou a ser um sucesso”, por favor não leiam fracasso. Fracasso é uma palavra pesada, usada apenas em casos extremos. Aqui, prefiro ressaltar termos técnicos como “erro de cálculo”, “crise de pânico” e “tentativa abortada”. Pois é, minha primeira vez foi meio caótica e só mesmo paisagens maravilhosas, a neve (ela mesmo!) e um tal de Mont Blanc me fizeram voltar pra casa feliz da vida.

Por que esquiar que é bom, isso ficou como promessa de ano novo, mesmo faltando praticamente um ano para que essa mesma época de 2009 chegue. Mas vamos aos fatos. Fomos para St Gervais, uma cidadezinha ao pé dos Alpes, quase na divisa entre França-Itália-Suíça. Ali, atrás do nosso hotel, desde o início da nossa estada, o Mont Blanc ficou parado, lindo, com mais de 4.800 metros, soberano em toda Europa.

Na chegada, sexta à noite, ainda tivemos um pouco de tempo para ver o centrinho da cidade, comer um fondue e descansar para a jornada do dia seguinte, que prometia ser longa. E seguindo milimetricamente o planejamento feito pela Manue, partimos sábado cedo para a montanha, subimos o teleférico e enfim vimos a neve. Mas vimos de passagem, porque logo subimos de novo, já com esquis em mãos, até o topo do monte.

E é aí que volto aos termos do primeiro parágrafo. Talvez por não ter explicado direito para a Manue a importância da neve e de uma montanha toda branca para um brasileiro, ela achou que eu realmente já sairia fazendo manobras radicais com aquelas pranchas estranhas e assustadoras. De jeito nenhum. No momento em que subíamos e que comecei a entender que teríamos que descer tudo aquilo deslizando, a tal “crise de pânico” me acometeu.

E olha que ainda tentei, domei a fera, peguei impulso com os bastões, fui para frente e busquei frear no tal “chasse neige”, movimento básico que as crianças francesas aprendem logo após perceberem que engatinhar é coisa para bebês. Mas como um bom brasileiro, meia-esquerda e adorador do mar, o tal “chasse neige” não funcionou. A montanha descia muito e a neve derrapava mesmo, numa relação proporcional ao quanto minhas pernas bambeavam.

Suei, suei e cheguei à conclusão que seria melhor descer de teleférico. Um acidente sério colocaria em risco todo o final de semana. A Manue, coitada, ficou frustrada porque havia pensado em tudo exaustivamente desde dezembro e queria mesmo esquiar comigo. Mas entendeu que aquilo que nos cercava já era o suficiente para me deixar boquiaberto e celebrou atacando bolas de neve em mim. Com volta, é claro.

O passeio de raquetes
Então descemos. E chegamos de teleférico, para surpresa de muitos. Afinal, por que raios não descemos esquiando ? E mesmo que minha auto-confiança tenha ido para o espaço ao ver a vovó deslizar suave, o menininho dar piruetas com o esqui maior que ele, saí feliz para fazer um tranquilo passeio de raquetes até um vilarejo vizinho. Para dar nome aos bois, fomos de Bettex a St Nicolas, em cerca de 5 quilôemtros.

Pelo caminho, tivemos sempre a companhia do Mont Blanc, às vezes à frente, em outras à esquerda. Mas sempre imponente e branco. Paramos para comer, me joguei na neve, fizemos bolas e soltamos montanhas abaixo, mas elas incrivelmente não cresceram. Ao final do trajeto, teleférico aberto para o vilarejo e volta para o hotel, onde uma jacuzzi no terraço e a 40 graus nos esperava. Que mamata!

A festa da neve
O domingo começou mais tranquilo, afinal não iríamos mais esquiar o dia todo como havíamos programado. Subimos desta vez só até a primeira parte da montanha, onde nos divertimos fazendo um boneco de neve. A Manue levou na boa a iniciativa madura e ficava olhando com cara de cachorro pidão sempre que passava algum louco a 100 por hora na pista de esqui ao lado. Mas eu estava empenhado e pouco me importei. Afinal, aos 27 anos, fabricava meu primeiro Abominável Homem das Neves.

Mas a vontade dela era tanta que conseguiu me convencer a tentar de novo, desta vez o esqui de fundo, aparentemente mais tranquilo, e numa pista nível fácil-sorvete-na-testa. E conhecia o tal esporte de jogos de Olimpíadas de Inverno do Mega Drive, mas não sabia que era uma prática para sexagenários. Logo na saída, ao colocar o equipamento, recebemos uma vaia de um playboy loiro e arrogantemente francês que descia com toda pompa uma pista nível eu-me-acho-profissional.

E nem demos bola. Saímos aos trancos e barrancos, caindo e lavantando, para o outro lado da estação, num caminho de 7 quilômetros até Princesses. Mas como disse o assistente da loja, era questão de “pegar o ritmo” e lá pelo quilômetro 2 já estávamos bem melhores, deslizando pelos traços já definidos e curtindo bastante a paisagem diferente do dia anterior.

Curtimos tanto que a Manue se deslumbrou em certo momento. Ao tirar o esqui e se virar para fazer algo, ela não percebeu que um deles começava a escapar. E quando nos demos conta, o esqui pegou velocidade e desceu livre, leve e solto montanha abaixo, deixando apenas um leve traço na neve fofa. Ele havia desaparecido! O esqui era alugado e custava ao menos uns 80 euros, então tivemos que sair atrás.

E fomos no desconhecido, a Manue desesperada e se xingando por todo caminho, enquanto eu tentava manter a tranquilidade para organizar a busca. E descemos, depois escalamos a quase 75 graus, com neve até os joelhos, fomos por dentro de umas árvores e eis que o encontramos, de cabeça para baixo, fincado no terreno, numa sensação de vitória inigualável. E comemoramos com um almoço numa cabana perdida, pão, queijo e presunto e muita satisfação.

Era hora de partir e retornamos tranquilamente até o nosso vilarejo para devolver os esquis, ainda mais afiados que antes e felizes da vida pelas aventuras. O final de semana já estava no fim, incrível como passou rápido. Logo depois já estávamos na cabine do trem, com mais dois barulhentos casais, que ao menos não me impediram de dormir até a moça anunciar : “Gare d’Austerlitz, parada final”.

E assim como havíamos previsto, de longe não foi uma viagem barata, mas talvez a que tenha trazido mais momentos marcantes e fotos impressionantes. Elas seguem no fotolog atualizado. http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres:99

Teleférico de St Gervais

O topo da montanha

A festa da neve (Parte 1)

As paisagens durante a caminhada de raquete

A escalada

A jacuzzi na volta

O Abominavel Homem das Neves

A vista no passeio de esqui de fundo

O as (no) esqui

Mais paisagens

Na região de Princesses

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Batismo de gelo

Março 25, 2008 at 11:53 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Em 3 dias, Elói vai ver a neve. Elói viu a neve duas vezes em sua vida, a primeira em Gramado, em 1990, mas que nem chegou a ser uma neve, neve. E outra em Berlim, no dia 17 de janeiro de 2007. Aquela sim foi uma nevasca. Agora, Elói vai (tentar) esquiar, numa viagem que tem tudo para ser inesquecível, porém nada barata. Assim, ele trará certamente belas fotos, mas não dicas de como pagar pouco ou pegar carona em estação de esqui. Isso, ao que lhe parece, é impossível.

Nevou bastante em toda a França nas últimas semanas, obviamente que não em Paris. Assim, Elói espera não afundar nos flocos brancos e não estar no caminho daquelas bolas de neve que rolam desde o pico da montanha e vão crescendo, crescendo, tal como…bolas de neve. E para isso, ele promete não assobiar, não estourar uma garrafa de champagne e nem uma banana de TNT.

Pelo cronograma, serão duas rodadas de esqui, uma no sábado de manhã, seguido por um passeio de raquetes (provavelmente não as de tênis), e outra no domingo, dia inteiro, até o trem sair. Pelo que contaram, esquiar é mais fácil que patinar no gelo, coisa que o Elói fez uma vez só, recentemente, e achou bem difícil: ele tomou um baita tombo e quase quebrou o joelho e a cabeça. Por isso tudo, vamos torcer por ele.

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A boa e a má do início do ano

Janeiro 3, 2008 at 11:45 pm (Casa e Familia, Dicas e Passeios) (, , )

A boa - Se a neve não vem ao Eloi, o Eloi vai à neve…hoje fechei passagens pra (tentar) esquiar no final de março. Cidadezinha perto do Mont Blanc. Genial!

 A má - Descobri que o Radiohead vem a Paris em julho para dois dias de shows. Detalhe: ingressos esgotados.

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