O horário de inverno

Abril 3, 2008 at 9:38 pm (Brasil - França) (, , , , , , , )

Entramos no horário de verão no último sábado, mas aqui o termo serve mesmo para indicar que as luzes das ruas serão acesas mais tarde, lá por volta das 20h30. Porque de verão, esse horário não tem nada. Conversando com amigos brasileiros igualmente decepcionados com o clima aqui, chegamos à conclusão que faz frio e tempo ruim há 6 meses, desde meados de outubro. Duro de aguentar.

Para mim, a situação tem um agravante. Nesta semana tenho que entregar mais um texto para a Próxima Viagem, com rolês de bike pela cidade, e desta vez eles precisam de fotos. Já não sou profissional e o material que tenho não é assim uma Brastemp, e para piorar só nesta quinta o sol resolveu aparecer depois de muita garoa, nuvens e céu cinza. O jeito, então, foi correr pra tentar tirar o máximo de fotos possível, mas é complicado.

Pelo que vi na previsão, a trégua de hoje é passageira e dura só até amanhã. No final de semana e na semana que vem deve voltar a chover. Não dá pra acreditar, o sentimento é de derrota em final de Copa do Mundo. Meu Deus, mande sol pra gente aqui!

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São as águas de março, fechando o inverno…

Março 10, 2008 at 6:02 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , , )

Cheguei a uma constatação interessante hoje: independentemente de ser inverno ou verão no mundo, março é mês de chuva. No Brasil teve até música pra isso, afinal, a gente samba e toma uma gelada pra celebrar ou afogar mágoas. Aqui na França, as pessoas apenas sabem desta condição de março e se deprimem calados. E eu me integro nesta lista.

E ainda olho os sites e vejo que a parte norte da França está em estado de atenção por causa das tempestades que vêm da Inglaterra (malditos ingleses). Chuva forte e ventos de 140 km/h que assustam. No meu caso, só me deixou ainda mais frustrado, para não dizer outra coisa.

Ontem, pela segunda vez na semana, resolvi sair de bicicleta num dos poucos momentos em que o mau tempo deu trégua. Resultado: cinco minutos depois de sair com céu azul e escalar o morro de Montmartre, veio um pé d’água que me fez dar meia-volta e descer voando, quase sem conseguir frear. E mais uma vez cheguei molhado e de mau-humor triplicado. Haja paciência pra tanto tempo ruim.

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A procura do inverno perfeito

Dezembro 16, 2007 at 2:35 pm (Brasil - França, Dicas e Passeios) (, , )

Foi logo ao sair do aeroporto, no fim de novembro, que percebi que as coisas haviam mudado aqui em Paris. O relógio marcava 15h30 e o sol já dava sinais de que tinha cumprido sua meta diária e começava a se esconder atras dos prédios, baixinho e fraco. Abraços, beijos, trem e metrô - que demoraram no total uns 45 minutos - e eu saía novamente nas ruas, à noite, com um forte frio que atravessou sem dó a blusa que eu até então considerava suficiente.

Lembrei que um mês antes, quando partia para o Brasil, ainda era possível se aventurar num parque, correr na pista de atletismo ou fazer compras com luz natural por volta das 18h. Agora não mais. Para um primeiro dia, tudo bem. No segundo, de volta ao trabalho, acompanhei atento a chegada da noite pela janela de casa, mas olhava cético para o relógio da sala às 16h, 16h15, luzes acesas na rua, 16h30, 16h45, estrelas…

E admito que fiquei um pouco deprimido, tentando encontrar soluções para otimizar meus curtos dias e não bater a cabeça numa das paredes do meu apartamento de 27 metros quadrados. Ficava imaginando como as pessoas encontravam motivação para sair, fazer compras, passear com o cachorro…E é obvio que não há comparação com o verão, mas com o passar dos dias, fui me inspirando nos chavões para tentar encontrar ânimo e, voilà, funcionou !

Passear em Paris no frio e no escuro pode sim ser especial. Na Champs Elysées, as decorações de Natal enchem os olhos, assim como na Galerie Lafayette. E desculpem-me se estou sendo esnobe, mas uma simples andada pelos dois lugares ainda é gratuito. Fica ao seu cargo gastar muito, pouco ou nada.

E se você economizou, melhor ainda. Você pode parar num café e « torrar » 4, 5 euros num chocolate viennoise e sentir seu pé derreter como o chantilly dentro da caneca. Aquecido e protegido com luvas, ceroula, meias de lã, cachecol, gorro e algo que proteja o nariz, hora de pegar a bicicleta pública e dar uma volta na beira do Sena, que mostra bem por que Paris é a Cidade-Luz. Por fim, novamente congelado, patinar no gelo na frente do imponente Hôtel de Ville é um espetáculo.

Fazendo tudo isso, lembrei do verão com um pouco menos de peso na consciência. Tudo bem que o passeio de bicicleta é menor que o de 60 quilômetros que fiz com a Manue num dia de 28 graus ao longo do Sena e do Marne (um afluente). E claro que tomar um sorvete sentado na beira do Rio, às 20h, de bermuda, com a Notre Dame ao fundo, é demais. Mas agora, volto mais cedo pra casa, aproveito o quentinho da cama para escrever e estudar, sinto o cheiro da sopa reforçada prestes a sair e me alegro de vez ao preparar o áudio e legendas do dvd que vou ver. Porque lá fora deve estar um frio horroroso!

Champs Elysées decorada

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