Mise à jour

Abril 10, 2008 at 5:29 pm (Brasil - França) (, , , , , , , , )

Alguns dos posts que escrevi no passado já merecem atualização. É o caso daquele sobre o show do Radiohead, que está esgostado há meses. Conversando com o Daniel ”Chéri à Paris”, descobri que vou tentar a tática dele e de um amigo de entrar em shows que já têm ingressos esgotados. É o básico de comprar com cambista, mas se aproveitando do desespero dos caras em ficar com um ingresso caro na mão. Ele fez isso no Gilberto Gil da última semana e deu bem certo.

Naquele outro sobre as gafes, um amigo me disse que passou uma incrível vergonha ao entrar numa loja especializada em cinema e pedir um pôster do filme “La Honte” (A vergonha), enquanto ele queria mesmo dizer “La Haine” (O ódio). O vendedor ainda tentou consertar, fez cara de dúvida e perguntou gentilmente se não era a segunda opção. “Quel honte !”, como eles dizem aqui.

Já para lista das coisas que não vivo mais sem, incluo a biblioteca pública. Como é bom ter uma dessas perto de casa e ir lá ler ou alugar livros, quadrinhos e até cds e dvds. Na última vez, fiz a rapa e peguei dois filmes “Intervention Divine” e “Meu nome é Tsostie”, além de cds do Gil, Siba e a Fuloresta e Toquinho.

Outra é mais obre a série polêmica de comentários de um post do Paris Saint Germain. Falaram mal do meu São Paulo e o time está melhorando, mesmo que ainda sem brilho. Podemos até levar outra piaba do Palmeiras, mas pelo menos chegamos à semifinal do Paulixão.

Por fim, o do cotidiano non sense mal entrou e já merece atualização. É que o tempo anda non sense aqui. Semana passada quis melhorar, fez dois dias de sol, quinta e sexta, 16 graus, mas no final de semana caiu a temperatura e choveu. No domingo, piorou e chegou ao cúmulo de nevar. Por isso, repito : haja saco pra aguentar o clima aqui.

Neve no telhado da frente

Mais neve nos carros

Permalink 2 Comentários

Entrevista com “Som Barato”

Janeiro 30, 2008 at 6:02 pm (Brasil - França) (, , , , )

Segue abaixo a entrevista recente que eu fiz com o criador do blog “Som Barato“, Bruno Rodrigues, de Recife. Para quem não conhece, o site tem um repertório incrível de música nacional, com raridades de grandes grupos e cantores ou pérolas não tão conhecidas. Recentemente descobri o Siba e a Fuloresta do Samba que é genial, indicação do próprio Bruno e também do meu grande amigo Pensa (que poderia muito bem abrir outro site desse, mas de rock).Aliás, Siba, Jorge Ben, Chico (Science e Buarque), Mutantes, Gil entre outros são os grupos prediletos da Manue, que não pára de dançar aqui em casa e dizer que um dia ainda será passista da Portela.

Som BaratoA entrevista foi para mais uma edição da Revista Brazuca :

Como, quando e por que surgiu o site?
O sombarato surgiu exatamente no dia 16 de janeiro de 2007. Até hoje não sei o motivo que me fez criar o blog, mas não tinha pretensão que ele ficasse tão popular. Eu tinha um bom acervo de discos em meu HD, sempre gostei bastante de música e comecei a ter acesso a alguns discos raros, que me deixavam com vontade de passar pra amigos. Foi aí que veio a idéia de colocar no ar e, depois, de um mês, os acessos começaram a aumentar, então resolvi adicionar 2 amigos como colaboradores. Mais dois meses, adicionei um quarto colaborador, de Natal, mas que nunca conheci pessoalmente. Esse colaborador me mandou uma lista com mais de 50 mil álbuns nacionais digitalizados e eu não poderia deixar passar (risos). Ele contribuiu bastante, mas atualmente não está mais conosco e começou um outro blog, para restringir as postagens ao seu próprio gosto musical.

- Quantos acessos diários você tem em média?
Atualmente contamos com 10 mil acessos diários e 600 downloads por disco, em média. Ela está estabilizada há alguns meses, acho que não aumenta mais do que isso, mas já é bastante gente.

- Você coloca no ar algo novo praticamente todos os dias. Da onde você pega esse material (incluindo histórico dos grupos)? Tem “estoque” até quando?
No começo do blog, eu disponibilizava apenas coisas que eu tinha no meu próprio computador, mas um dia acabou o acervo, então comecei a pesquisar música na internet. Aprendi muito, reciclei meu gosto musical e comecei a escutar bastante coisa boa e que é pouco consumida pela massa. Depois dessa fase, entrou o colaborador de Natal, que postava 10 discos por dia, e isso deu uma alavancada no sombarato. Depois que ele saiu, entraram dois amigos, um de Recife e uma de São Paulo, e o nível se manteve alto. É importante falar que, atualmente, a popularidade do blog faz com que recebamos bastante contribuição de links prontos para serem postados, enviados inclusive por músicos, e isso poupa bastante nosso trabalho no dia a dia, já que cada um tem sua vida profissional. Mas graças a todas as pessoas que fazem música no Brasil, o estoque é para o resto da vida.

- Tem ajuda que você corta e existe algum critério para postagem?
A maioria das contribuições são sempre bem-vindas. Posto sim coisas que não condizem com meu gosto musical, porque acho que quanto mais conteúdo, melhor. É claro que não vamos postar o disco do Belo ou Dado Dolabela, tudo tem limite (risos). Também acontece de mandarem gravações demos de bandas adolescentes, que querem divulgar o som, mas filtramos um pouco o que colocamos, para não virar bagunça. Sou de Recife e dou prioridade para coisas daqui também.

- Você ouve tudo que entra no site?
Não, é impossível! Às vezes eu passo quatro dias viajando e, quando volto, tem quase 10 discos novos postados pelos outros colaboradores. Não dá para baixar todos e sair escutando, mas quando algo me chama a atenção, principalmente lançamentos, aí vou ver.

- Por que, por exemplo, o Zé Geraldo tem mais postagens que o Chico?
O nosso ex-colaborador de Natal, fazia parte do fã-clube de Zé Geraldo e uma das primeiras coisas que ele fez ao entrar no blog foi publicar todo o acervo que ele possuía do cara, quase 30 discos, se não me engano. Eu, particularmente, não escuto Zé Geraldo, mas não posso querer interferir no gosto dos outros colaboradores. Confio neles.

- Você recebeu algum tipo de ameaça e resistência de gravadoras e artistas ou seu trabalho, em geral, é bem visto por todos?
Por incrível que pareça, aconteceram pouquíssimas vezes. O primeiro incômodo surgiu quando recebemos ameaças de um dono de loja de discos da Galeria do Rock, em São Paulo. Ele nos encaminhou, inclusive, denúncias feitas por ele a algumas entidades de defesa de direitos autorais, alegando que estávamos desrespeitando a obra dos artistas. Em pouco tempo descobrimos que era apenas um vendedor de discos frustrado e preocupado unicamente com o futuro dos seus negócios. Para piorar, recebemos comentários de que ele vendia discos piratas em sua loja, o que o tornava mais ilegal do que nós. Um outro fato interessante foi o de um funcionário de uma gravadora de São Paulo, que nos mandou um email bastante educado, pedindo pra retirarmos um disco recém-lançado por eles, prevendo um fracasso de vendas. Retiramos na mesma hora. Um outro probleminha surgiu dias atrás. Foi um comentário de Lúcio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, que declarou ao Jornal do Comércio, de Pernambuco, que a postagem do disco novo da banda antes de sair nas lojas havia sido uma atitude “babaca e infantil”. Dias depois, o vocalista da banda mandou nos mandou um email agradecendo pela divulgação do novo disco.

Geladeira Metal- Encontramos posts muito interessantes e diferentes. Tem alguma história curiosa sobre bandas “perdidas”? Aliás, quais para você foram as mais estranhas até agora?
Existe uns artistas pocuo convencionais na cidade de Olinda, que fazem trabalhos experimentais com música. Tive contato com eles e me passaram um cd com dezenas de gravações amadoras, para que eu pudesse publicar no sombarato. O resultado foi o menor índice de download da história do blog, além de uma chuva de críticas. O nome da banda é Geladeira Metal e é realmente difícil de engolir.

- E qual foi o disco/projeto que você mais gostou?
Essa é uma pergunta impossível de se responder. Tenho um gosto bastante eclético, me interesso por música em geral. Porém, tenho uma tendência natural de gostar de coisas mais modernas e isso não quer dizer que sejam apenas novas. Tem gente que fazia som moderno há dezenas de anos atrás. Só pra dar exemplos, de artistas que escuto e admiro bastante cito Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Naná Vasconcelos, Itamar Assumpção, Jards Macalé, Tom zé, Walter Franco, Chico Science e Nação Zumbi. Tenho um carinho especial pela música de Pernambuco, por ser minha terra natal e notavelmente rica em sons.

Permalink 2 Comentários