França, um país do futuro

Abril 30, 2008 at 10:54 pm (Casa e Familia) (, , , , , , )

Passei hoje na banca pra saber se tinha saído aquela página de protesto no Le Monde ou se eles estavam em greve. Acabei não achando o jornal desta quarta, mas arregalei os olhos quando vi o de sexta !!! Peguei, analisei bem, olhei pra cima pra ver se não tinha uma câmera do Sergiô Malandrô querendo me pegar, mas acabei não resistindo e perguntei pra vendedora :
- Olá, esse jornal é mesmo de sexta-feira ?
- Isso.
- Sexta-feira, dia 2 de maio ?
- Isso.
- Mas hoje é quarta, dia 30 de abril.
E veio a explicação (ou não).
- Certo, é que amanhã é dia 1° de maio, o único dia do ano que nenhum jornal sai. Aí eles aproveitaram e adiantaram o de sexta.

Bom, comprei o jornal mais por curiosidade de saber o que ia acontecer no futuro. Vai que eles já haviam conseguido um furo de reportagem e divulgado o número da loteria que ainda ia ser sorteado. Mas não, o máximo que daria para falar com certeza era que na sexta ia chover e fazer frio.

 O Le Monde de sexta

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Parisiense, mal-humorado por natureza

Abril 27, 2008 at 9:49 am (Brasil - França) (, , , , , , )

Seja em posts de outros blogs, seja em conversas “secretas”, os brasileiros que moram aqui acabam uma hora concordando que parisiense é um povinho chato que vive mal-humorado. Eu não fujo da regra, tenho a convicção de que falta um pouco de vida nos coraçõezinhos dos meus vizinhos, talvez em parte pela falta de sol.

Para corroborar essa tese, uma propaganda da Citroën me chamou a atenção, porque resume bem esse estilo. Num posto de gasolina, dois homens enchem o tanque de seus carros, um chique e outro bem simples. O dono do carro pequeno canta sem parar e encerra a tarefa bem antes. É quando o outro solta aquela bufada típica do francês emburrado: “Pffff, ça va, c’est bon….p**tain!“, deixando claro que, aqui, ninguém tem direito de estar feliz e de cantar sozinho.

Em outra série, agora do jornal Le Parisien, eles próprios tiram sarro de tal chatice. Pra entender o comercial, é bom explicar apenas a frase final, em que o locutor diz: “Parisien, vale mais ter em jornal”. Cliquem e vejam.

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Mise à jour

Abril 10, 2008 at 5:29 pm (Brasil - França) (, , , , , , , , )

Alguns dos posts que escrevi no passado já merecem atualização. É o caso daquele sobre o show do Radiohead, que está esgostado há meses. Conversando com o Daniel ”Chéri à Paris”, descobri que vou tentar a tática dele e de um amigo de entrar em shows que já têm ingressos esgotados. É o básico de comprar com cambista, mas se aproveitando do desespero dos caras em ficar com um ingresso caro na mão. Ele fez isso no Gilberto Gil da última semana e deu bem certo.

Naquele outro sobre as gafes, um amigo me disse que passou uma incrível vergonha ao entrar numa loja especializada em cinema e pedir um pôster do filme “La Honte” (A vergonha), enquanto ele queria mesmo dizer “La Haine” (O ódio). O vendedor ainda tentou consertar, fez cara de dúvida e perguntou gentilmente se não era a segunda opção. “Quel honte !”, como eles dizem aqui.

Já para lista das coisas que não vivo mais sem, incluo a biblioteca pública. Como é bom ter uma dessas perto de casa e ir lá ler ou alugar livros, quadrinhos e até cds e dvds. Na última vez, fiz a rapa e peguei dois filmes “Intervention Divine” e “Meu nome é Tsostie”, além de cds do Gil, Siba e a Fuloresta e Toquinho.

Outra é mais obre a série polêmica de comentários de um post do Paris Saint Germain. Falaram mal do meu São Paulo e o time está melhorando, mesmo que ainda sem brilho. Podemos até levar outra piaba do Palmeiras, mas pelo menos chegamos à semifinal do Paulixão.

Por fim, o do cotidiano non sense mal entrou e já merece atualização. É que o tempo anda non sense aqui. Semana passada quis melhorar, fez dois dias de sol, quinta e sexta, 16 graus, mas no final de semana caiu a temperatura e choveu. No domingo, piorou e chegou ao cúmulo de nevar. Por isso, repito : haja saco pra aguentar o clima aqui.

Neve no telhado da frente

Mais neve nos carros

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São as águas de março, fechando o inverno…

Março 10, 2008 at 6:02 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , , )

Cheguei a uma constatação interessante hoje: independentemente de ser inverno ou verão no mundo, março é mês de chuva. No Brasil teve até música pra isso, afinal, a gente samba e toma uma gelada pra celebrar ou afogar mágoas. Aqui na França, as pessoas apenas sabem desta condição de março e se deprimem calados. E eu me integro nesta lista.

E ainda olho os sites e vejo que a parte norte da França está em estado de atenção por causa das tempestades que vêm da Inglaterra (malditos ingleses). Chuva forte e ventos de 140 km/h que assustam. No meu caso, só me deixou ainda mais frustrado, para não dizer outra coisa.

Ontem, pela segunda vez na semana, resolvi sair de bicicleta num dos poucos momentos em que o mau tempo deu trégua. Resultado: cinco minutos depois de sair com céu azul e escalar o morro de Montmartre, veio um pé d’água que me fez dar meia-volta e descer voando, quase sem conseguir frear. E mais uma vez cheguei molhado e de mau-humor triplicado. Haja paciência pra tanto tempo ruim.

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Dois anos e um turbilhão de memórias

Fevereiro 2, 2008 at 11:21 pm (Casa e Familia) (, , , , , )

Depois de planejar bastante, somos abençoados com um lindo sol neste sábado e saímos felizes e radiantes rumo ao Château de Versailles. O sol está lá, mas o frio também: 4 graus. Ainda assim, preparamos a mochilinha e tentamos aproveitar esse raro momento no inverno europeu. O rascunho desse texto eu escrevi no trem (e talvez por isso ele seja um turbilhão de idéias desorganizadas), porque minha mente transbordava de memórias.

Na semana passada, exatamente no dia 29 de janeiro, eu e a Manue completamos 2 anos de relacionamento, mesmo que picados, mas foi apenas agora, aqui no trem, que me dei conta desse fato e passei a fazer uma retrospectiva de olhos fechados (e também sem muita ordem) de como tudo começou. Ele, por sinal, tem papel importante, porque lembro imediatamente da viagem na Europa entre dezembro de 2005 - logo após ter conhecido a Manue e tentado, em vão, fazê-la sair comigo - e janeiro de 2006, quando voltei a Londres - e, enfim, consegui convencê-la.

Neste meio tempo, estive sempre ao lado do meu brother Cadu, em vários trens, sendo o primeiro entre Porto e Lisboa. Seguimos da mesma forma para Barcelona, Madri e Paris, já em janeiro de 2006. Fomos a La Defense, que cito agora apenas por que acabamos de avistá-la…e antes que ela se distancie, olho e constato que ela segue feia, com os mesmos arranha-céus modernos e espelhados.

E mesmo que a arquitetura não me empolgue, fico contente por ter passado por aqui novamente e por seguir “viagem”, sabendo que faltam menos de 20 minutos para o ponto final. O sol também me conforta, assim como o fato de olhar para frente e ver que o parceiro não é o mesmo careca baixinho de barba mal-feita, mas sim uma bela baixinha de cabelos ruivos-à-henna e que lê um jornal.

O turbilhão continua porque sigo cruzando o mundo: de Paris a Bruges, de Bruges a Amsterdã, de Amsterdã a Berlim, de Berlim a Praga (já sem o Cadu), de Praga a Viena, de Viena a Berna, de Berna a Veneza, de Veneza a Florença e, finalmente, de Florença a Roma. Versailles se aproxima e a Manue me pergunta o que tanto eu escrevo, e eu respondo: “Lembranças”, mas sou obrigado a parar.

O que vem depois já não tem mais a ver com a viagem de 2006, mas sim com momentos com ela aqui na França: um castelo, uma floresta, fotos, um pão com queijo local, um frio cada vez mais forte, a volta, um restaurante, um filme…muitos elementos de outra parte da nossa vida, em dezembro de 2007, quando, juntos, decidimos que eu iria pedir demissão da Gazeta Esportiva e vir pra cá.

E já no outro dia, evocando mais memórias que nem coloco aqui, senão me estenderia demais, fecho também um balanço extremamente positivo desse período. E que venham outras viagens no Brasil, na Tailândia, na Turquia ou para Reffannes. De trem, de avião ou de carona, mas sempre com a mesma parceira.

PS: o fotolog está atualizado (http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres/)

Escondendo o castelo

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Natal em Reffannes

Dezembro 23, 2007 at 6:21 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , )

Hoje saímos de Paris cedo e viemos para a casa dos pais da Manue, na gloriosa Reffannes, um vilarejo de 350 habitantes no belo interior da França. Agora, além do inverno, sigo à procura do Natal perfeito, aquele a que nos acostumamos a ver nos filmes da Disney, com muita neve e Papai Noel descendo pela chaminé…

E pelo fato de ser no campo, sustentei por alguns momentos a esperança de que aqui fizesse ainda mais frio que em Paris, que chegou a ter dias com temperaturas negativas na semana anterior. Mas a decepção foi considerável assim que saí do carro, já no belo jardim da Mansão Monnet: 7º no termômetro, com um sol lindo e uma alegria enorme nos rostos dos sogrões.

Não ia me atrever a cortar o barato do momento e perguntar : “mas que m… de tempo é esse ? Cadê a p… da neve ?”. Enfim, aguentei calado e ainda ouvi, insatisfeito, a brincadeirinha de que “passaríamos um Natal com clima do Brasil”, sonhando com uma mudança súbita no clima e a chegada de uma frente fria terrîvel e tempestades de neve.

Exageros à parte - Admito que as considerações acima são um pouco fortes, mas tudo faz parte do show. O fato é que está bem frio, a ponto de os pequenos lagos seguirem congelados, como mostram as fotos em seguida.

Laguinho congelado na Mansão Monnet                                Lagão congelado                             Elói em cima do lago

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