Vivendo bem e barato (Parte 2)

Março 9, 2008 at 3:42 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Quase dois meses depois do primeiro post, retorno com a “seção” Bom e Barato, revivendo algumas das trips de 2007 pela França. Depois de Rennes, St. Malo e Mont St. Michel, concentramos nossas caronas para ir a Reffannes, na gloriosa mansão Monnet. E nestes trechos, encontramos gente de todos os tipos e apenas uma vez tivemos que voltar pra casa porque realmente ninguém parou para nos ajudar.

Entre os personagens curiosos, o senhor rico num Audi, que nos levou até o pedágio e ia escutando nossas histórias com atenção e soltando a cada cinco minutos : “Puxa, parabéns, muito legal o que vocês fazem”. E detalhe que ele morava em Chartres, perto da maravilhosa catedral, e tinha uma casa na Córsega. Cheio da grana. Outro bem bacana foi o romeno que passou todos os 45 minutos da ida de Paris ao pedágio dando uma aula de história e política do país dele.

Já não tão memorável foi a ida com o pai playboy e suas duas filhas de 13 e 10 anos que em breve se tornarão outros exemplares dos típicos franceses chatos e arrogantes. Tinham acabado de voltar do Senegal, de safáris, iam ver a vovó no campo. O pai, chefão de uma importante cadeia de celulares, falava com um empregado no viva-voz, mesmo estando em férias. E ainda quis contratar a Manue para trabalhar de vendedora, mas ela rejeitou.

Entre boas e más companhias, ao menos nunca chegamos atrasados em nosso destino. Falávamos pro senhor Jack Monnet: “Devemos aparecer por aí por volta das 21h”. Et voilà, 21h15 lá estávamos. Em julho, passamos três semanas na mansão e aproveitamos para fazer duas belas viagens em finais de semana. Conto uma delas, para a Île d’Oléron, a cerca de 1h30 de viagem de Reffannes, ilha no litoral centro-oeste da França perto da linda La Rochelle, pra quem quiser tentar se aventurar.

Aproveitando mais uma vez da geladeira repleta de guloseimas, preparamos nossa comida para 2 dias, colocamos dentro daquelas enormes geladeiras térmicas e partimos na finada Titine, o Peugeot 107 verde-escuro da Manue, que foi vendido recentemente. Saímos cedo e encontramos um bom sol pelo caminho, chegamos à ilha no horário previsto e fomos procurar o camping para montar nossa barraca. Tão organizado o sistema que parecia até hotel, com mapa dos espaços vazios e as árvores embaixo das quais poderíamos nos abrigar.

Calejados do trauma de tentar montar a barraca no escuro e quase sem lanterna (o que contarei em outro post), desta vez quebramos o recorde francês de instalação. E fomos felizes dar uma volta pelas redondezas, aproveitando aquele sol lindo e os quase 23 graus de intenso verão. Entrar na água, só pra refrescar depois do frescobol, porque a maré era ainda mais fria.

Mas valeu. No camping ainda jogamos a partida decisiva do playoff melhor-de-sete de pétanque (a bocha francesa), que me rendeu o título e o jantar na faixa. A noite fomos comer no centrinho típico de cidadezinha à beira-mar, que me lembrou um pouco o de São Sebastião no início dos anos 90. No dia seguinte, café-da-manhã na praia, com nossos cereais preferidos, um toddynho ainda fresco do bom armazenamento e uma vista sensacional.

À tarde, passeio pelo outro lado da ilha, almoço com arroz, atum, salada e ovo das galinhas da mansão Monnet e um sol desta vez mais intenso e que até deu pra bronzear. Pra fechar, banho num camping que não era o nosso, mas cujo o segurança nem se deu conta da na nossa entrada. E volta triunfal a Reffannes no cair da noite.

Mais abaixo seguem as fotos. E em breve falo sobre outro lugar, outra viagem a preços baixos e novamente partindo de caronas.

O porta-malas da Titine bem guarnecido para o final de semana

A barraca bem montada

A ilha

O café-da-manhã na praia

o vilarejo de pescadores

A longa praia deserta

A praia, de mais perto

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Vivendo bem e barato (Parte 1)

Janeiro 14, 2008 at 6:14 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

A idéia do post surgiu ontem, depois de uma ótima noite com teatro e restaurante e pouco dinheiro gasto, mas na verdade desde março a política do bom e barato é a que predomina aqui em casa. Primeiro por motivos óbvios: meu salário brasileiro do Tenisbrasil é meio pequeno. Segundo por questões hereditárias e de princípios: sempre fui e sempre serei um grande mão-de-vaca (né mãe, né pai?).

Sei que não é das minhas “qualidades” preferidas, mas não tenho como escapar. Felizmente, nas idas e vindas dessa vida encontrei alguém que não me deixa sozinho: a Manue, parceiraça na busca de prazeres a baixo custo. Já havia percebido isso na viagem de 1 mês e meio pelo Brasil. Com exceção dos aviões São Paulo-Fortaleza e Salvador-Rio de Janeiro, passamos por 10 capitais e Chapada Diamantina de ônibus, parando em pousadas xexelentas e comendo em média 7 PFs por semana (talvez seja por isso que quando cito a palavra “feijão” ela dê pulos de medo).

Mas aqui em Paris, a coisa se acentuou - se é que isso é possível - e só não foi tão ruim se comparada à minha estada em Londres, onde os negócios são feitos em libra, a moeda do Satã, como diria o Fernão. Por outro lado, o terrível medo de acabar na sarjeta que me acomete constantemente acabou “nos” levando a alternativas interessantes para gastar menos.

E antes que eu comece a me estender demais, entro em seguida com uma retrospectiva “Bom e Barato“, com variações entre viagens de caronas, passeios de bicicleta no frio para não pagar ônibus e entrada em castelos pulando o muro de proteção.

Indo diretamente ao assunto que mais me orgulha, foram quatro as viagens de carona até agora, sendo a melhor delas, disparada, para Rennes/St. Malo/Mont St. Michel, em abril de 2007. Melhor porque os lugares são sensacionais e fizemos tudo que havíamos planejado em um mísero final de semana e sem desembolsar tanto, a não ser com o inevitável albergue e com os maravilhosos e tradicionais crepes locais.

Então vamos ao itinerário. Deixamos nossa casa na sexta-feira à tarde, com o albergue da sexta para o sábado já pago em Rennes. Uma besteira, diga-se de passagem. Nem sabíamos por onde nos aventuraríamos para tentar a tal carona e por isso penamos um pouco. Foram dois, três lugares errados nas saídas para as estradas e perguntas imbecis para transeuntes do tipo: “Por favor, você sabe onde é o melhor lugar para pegar carona para Rennes?”. Óbvio que não.

Mais depois de uma hora andando, resolvemos estabelecer base em Porte d’Orleans, extremo-sul de Paris. Lá, paramos no farol, tiramos a plaquinha escrita “RENNES” bem grande e esperamos. Esperamos….e esperamos mais um pouco. Ficamos bem 1h30 lá, desiludidos, achando que havíamos entrado pelo cano, até que por volta das 19h30 uma boa alma resolveu nos ajudar.

E foi uma ajuda parcial, mas importantíssima para todas as outras empreitadas do futuro, porque ele nos deixou em um pedágio que serve como junção de todas as estradas que vão ao Sul e ao Oeste da França (onde está Rennes). Após a primeira parte, de uns 45 minutos, nos vimos num ponto sem volta, parados no pedágio, à noite. Mas garanto que foram apenas 5 minutos de incerteza, tempo máximo que a Manue tem como limite para tudo nesta vida acontecer.

Com a agilidade de uma raposa nos jardins de Versailles, ela praticamente se jogou para cima de um belo Peugeot com placa de Rennes e o pobre motorista praticamente foi obrigado a nos aceitar. Entramos e 2h30 e muito papo furado (porque na época eu não entendia e nem falava francês tão bem ainda) depois, estávamos no centro de Rennes, a alguns passos do albergue.

Eram umas 11h da noite e ainda tivemos tempo de deixar as coisas no albergue, comer nosso sanduba na praça da cidade e dar um belo rolê até 1h, 1h30. Rennes na lista! Na manhã seguinte, passeio no mercado local e mais uma visita no famoso centro estudantil antes de ir à estação e pegar o ônibus para Mont St. Michel. Neste caso, seria arriscado tentar carona.

O lugar é dos mais lindos que já vi, uma ilhota com uma abadia do século 12 no topo, que só tem acesso quando a maré está baixa. Ou seja, tem que sair correndo e tirar seu carro do estacionamento quando o mar começa a voltar. Impressionante. A abadia reserva imagens lindas e teria custado 7 euros o passeio caso a gente não tivesse entrado pela saída (e saído pela entrada) sem ninguém perceber que fazíamos o tour no sentido contrário.

No fim da tarde, outro ataque de caronas, desta vez mole, mole. Na única estradinha que sai do Mont St. Michel, uma moça que tinha morado no Brasil nos deixou num ponto estratégico para pegar outra carona para St. Malo. Tão estratégico que foram precisos 2 minutos após ela nos deixar para que um trailler bonitão parasse e nos indicasse para subir.

Era uma família que viajava pela costa Oeste e fomos superbem recebidos na “casa” deles. Descemos em St. Malo e rapidamente nos encantamos. Linda, chique, no melhor estilo Cannes do Norte. E curtimos ao máximo, um bom restaurante à noite, um albergue da juventude dos mais decentes e no dia seguinte um passeio de 3h pela costa de Bretagne.

Na volta de Cancale, a cerca de 45 minutos de St. Malo, outra carona com um casal de fotógrafos, albergue e, tristes, saímos com destino a Paris. A aventura da volta ainda nos reservou mais 3 caronas: de St. Malo a um ponto da estrada perto de Rennes, com um cara que fumava um bequezinho enquanto ouvia um black metal feroz; de Rennes a um posto de gasolina perto de Orleans, onde a Manue correu e, na cara dura, pediu a um casal de senhores que nos levasse embora. E eles nos levaram. 22h do domingo estávamos em casa, são e salvos e cheio de histórias para contar e fotos para mostrar.

O saldo, como vocês podem ver, foi extremamente positivo, tanto que lembro de cada detalhe ainda hoje, quase 8 meses depois. E positivo em questões financeiras, de aventuras, de troca de experiências…claro que continuo recomendando o trem, mas vale a dica que na França, com pouco, dá para ir longe.

Para ver algumas fotos (infelizmente não todas porque eu mudei o fotolog), vejam esse link: http://www.fotolog.com/eloisilveira/16842678 
É só ir colocando “próxima” para ver as próximas. E aí embaixo um exemplo.

O caroneiro

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