Passeio 2: de La Vilette ao Sena

Maio 26, 2008 at 9:43 am (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Que tal descobrir a Paris do dia-a-dia e ainda curtir um maravilhoso pôr-do-sol no Sena?

Falar de Paris é pensar automaticamente na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame e nos cafés e prédios construídos na metade do século 19 pelo Barão de Haussmann. Com este novo passeio, porém, o visitante é convidado a conhecer uma parte nova da capital francesa, dois bairros periféricos e de certa forma segregados. Pelo caminho, teremos a chance de ver o dia-a-dia de um parisiense de classe média e ainda assim encontrar um charme bem diferente daquele do centro.

E se o trajeto for feito no verão, a dica é sair no início da tarde, para que ainda seja possível apreciar um lindo pôr-do-sol em nosso ponto de chegada.

Para partir, proponho uma estação de Velib na Rue d’Hautpoul, próximo à Avenue Jean Jaurès e à estação Ourcq. O local não chega a ser dos mais bonitos da cidade, mas fica bem no coração do 19° arrondissement, um dos que foram anexados a Paris apenas em 1860. Certamente um lugar deixado de lado pelo visitante “comum”. Entre os prédios altos, de arquitetura típica dos anos 70, está o Canal de L’Ourcq, primeira parada interessante do percurso.

Antes mesmo de pedalar tranquilamente pela ciclovia ao lado do córrego, é possível avistar à direita o Parque de La Villete, onde fica a enorme Cité des Sciences (1). Já à esquerda, sempre pela pista exclusiva para as bicicletas, passe pelo Bassin de La Vilette, ainda mais charmoso que o primeiro e com área para jogos de pétanque - uma espécie de bocha francesa -, mesas de pingue-pongue e cinemas.

Ao fim, encontra-se novamente a Avenue Jean Jaurès, mas o caminho segue logo ao lado, pela Rue Armand Carrel, que termina no lindo Parque des Buttes Chaumont (2), maior área verde dentro de Paris. Lá, assim como no Parque Monceau, do passeio anterior, não é permitido andar de bicicleta, mas a parada é obrigatória, principalmente por conta de sua geografia curiosa: misturam-se partes baixas e subidas enormes, um pequeno lago e uma rocha gigante ao centro, com um mirante e vista para a Sacre Coeur.

Ao sair, marcha leve na Velib para subir a Rue Manin, ao lado do parque, até a Rue Simon Bolivar, que muda de nome para Rue des Pyrenées, numa homenagem adequada à cadeia de montanhas que separa a França e a Espanha. No melhor espírito “Bicicletas de Belleville”, cruze o tradicional bairro (3) com suas ruas em sobe-e-desce e encontre o tal parisiense “normal”, além de mercearias, açougues, pequenas feiras e, claro, lojas de vinhos. Tudo sempre a bom preço.

Após o pequeno morro da Simon Bolivar, descer a Rue des Pyrenées em alta velocidade é um alento, mas vale o cuidado pelo fato de não haver ciclovia na região. Ao fundo, a Place Gambetta representa bem o 20° arrondissement, com o movimento intenso de carros e ônibus que chegam das cidades vizinhas. Mantenha-se à direita e, já na Avenue Gambetta, passe ao lado do famoso Cemitério du Père Lachaise (4), que aos olhos de um viajante descuidado mais parece um parque.

Aqui, ao contrário do Buttes Chaumont, a parada fica ao gosto do freguês. Se a opção for pela continuação, a descida ainda pela Avenue Gambetta é longa e em altíssima velocidade. Vale checar bem os freios anteriormente. Sempre reto, a Rue du Chemin Vert traz restaurantes do mundo todo (que tal uma cozinha afegã na Rue Saint Maur, uma de suas travessas?) e intensa atividade cultural. Siga por ela e vire à esquerda no Boulevard Richard Lenoir, numa ciclovia que vem desde o Bassin de La Vilette.

Bem ao centro da avenida, vê-se a coluna da Bastilha (5), no local da antiga prisão que se tornou símbolo da Revolução Francesa. Pelo caminho, outro agitado mercado aberto todos os dias vale como parada antes de chegar à praça principal, que separa nada menos que quatro arrondissements (3, 4, 11 e 12). Após contornar, o percurso continua ao lado do charmoso Bassin de l’Arsenal (6), com seus barcos-casas já ao lado do Sena, um indício do fim do trajeto.

Se a tarde já estiver caindo, melhor ainda. Por ciclovias bem sinalizadas, vire à esquerda na avenida Quai de la Rapée e cruze o Rio Sena pela Ponte d’Austerlitz. Ali, ele praticamente divide a cidade: à direita, o centro e a imagem da Notre Dame. À esquerda, o bairro de Bercy, com prédios enormes e até mesmo usinas e fumaça no céu. Por tudo isso, prefira o caminho que leva à famosa igreja.

Logo em frente à Ponte d’Austerlitz aparece o Jardin des Plantes. O ciclista, porém, segue pelo Quai Saint Bernard e desce bem ao lado do rio, onde certamente verá passar alguns bateaux mouches repletos de turistas. A vista já enche os olhos e, por isso, é hora de curtir o momento. Ao ver a Île Saint Louis à direita, suba novamente em direção ao Quai Saint Bernard para devolver a bicicleta na estação do Boulevard Henri IV, próximo ao Instituto do Mundo Árabe, e volte por ele mesmo, agora sob a Ponte Sully.

O pôr-do-sol (7) é o grand finale já na Paris tradicional e romântica desenhada, fotografada e descrita em milhares de livros e poemas. Dali, boas opções para o jantar não faltam. Afinal temos à esquerda a região de Saint Germain e dezenas de bons restaurantes.

1 - Parque de La Vilette

Cité des Sciences, em La Vilette

2 - Parque des Buttes Chaumont

 As flores e a imensa rocha no meio do parque

3 - Belleville

Feira em Belleville

4 - Cemitério Père Lachaise

Cemitério do Père Lachaise

5 - Bastilha

Bastilha

6 - Bassin de l’Arsenal

Bassin de l\'Arsenal

7 - Notre Dame

Com o pôr-do-sol nas costas da Notre Dame

Mapa do trajeto

Rota do passeio 2

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Os passeios de Velib por Paris - 1

Maio 13, 2008 at 12:32 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Como citei rapidamente há um bom tempo, fiz mais uma matéria para a revista Próxima Viagem, desta vez com percursos de bicicleta por Paris. Posto, então, a primeira parte do texto original, bem modificado pelo editor da revista. É um percurso que sai de Montmartre, passa pelo Arco do Triunfo, vai ao Bois de Boulogne, Torre Eiffel, Hôtel des Invalides e termina no Petit Palais, na Champs Elysées. Eu mesmo cirei o trajeto e o fiz. Quem quiser ver a revista, ela está nas bancas neste momento. As fotos são minhas também.

Pegar uma Velib é fácil e barato

Desde o dia 15 de junho de 2007, o viajante ganhou mais uma forma de conhecer Paris. Através do sistema Velib, é possível alugar bicicletas e partir sem preocupações pelas ruas da cidade-luz. Com a diminuição da poluição, a prefeitura resolveu levar à frente o projeto, que foi bem recebido tanto pela população quanto pelos turistas. Para o lançamento, foram construídas 750 estações, com pouco mais de 10 mil bicicletas. No início de 2008 e com sucesso garantido, outros 250 postos e quase 15 mil bicicletas já eram oferecidos aos “clientes”.

A idéia, segundo a prefeitura, é ter uma base de Velib a cada 200 metros e também levar em breve a iniciativa para as cidades vizinhas a Paris. O resultado, no entanto, já é visível: hoje as milhares de bicicletas cinzas fazem parte da paisagem local e servem de transporte, para uns, e de lazer, para outros.

Para o visitante, pegar uma bicicleta é tarefa tranqüila e barata, basta encontrar uma estação e seguir os procedimentos, que podem ser lidos em 8 línguas, entre elas francês, inglês, espanhol e chinês, mas não em português. O aluguel é feito exclusivamente por cartão de crédito. Após escolher uma senha e a opção por passe de 1 dia (1 euro) ou 7 (5 euros), recebe-se um cartão e o passo seguinte é indicar a bicicleta livre (vale checar anteriormente se ela está em bom estado) e a retirar ao sinal do bipe.

Cabe, então, ao viajante regular a altura do assento, colocar seus pertences na cestinha e prestar atenção nas regras de trânsito, que valem igualmente para as bicicletas. E aproveite: são 371 quilômetros de ciclovias e, salvo raras exceções como Montmartre e os 19º e 20º arrondissement, ambos ao norte, a cidade é praticamente toda plana.

Ainda em relação às tarifas, além do cartão, paga-se 1 euro a cada meia hora de utilização, mas o usuário pode driblar este gasto devolvendo a bicicleta antes dos 30 minutos e a retirando novamente após digitar o código do cartão. Se está difícil achar uma estação ou se preferir mantê-la por todo dia, entre 5 a 10 euros deverão ser descontados na fatura do cartão. Nada assutador. E melhor: todas as Velibs vêm com cadeado e podem ser presas em postes e entradas de parques. Bom passeio!

Passeio 1: de Montmartre à Champs Elysées
Que tal conhecer o lado chique e até sair de Paris quase sem perceber?

Uma das boas dicas para iniciar passeios de bicicleta em Paris é partir de uma das poucas partes altas da cidade: Montmartre. Afinal, como diz o ditado, “para baixo, todo santo ajuda”. E se o turista está longe de ser um maratonista, nada melhor que descer tranqüilo, quase sem pedalar. Antes de iniciar o trajeto, porém, vale a pena conferir no topo do “monte” a linda e imponente Basílica de Sacre Coeur. Logo ao lado fica a Praça des Abesses (1), ponto inicial do percurso.

Após pegar a bicicleta, suba um pouco pela Rue des Abesses e vire à esquerda na Germain Pillon, uma descida brusca até o Boulevard de Clichy. À direita, atravesse a rua com cuidado e siga tranqüilamente pela ciclovia, passando pelas curiosas casas de Pigalle, entre elas o famoso Moulin Rouge. Ao fim, contorne à esquerda, atravesse a sempre animada Place de Clichy e desça por outra ciclovia no meio do Boulevard des Batignoles (2). O caminho é agradável, quase uma alameda exclusiva para ciclistas, e vai tranqüilo e sinalizado até o metrô Villiers.

Sempre reto, chega-se ao coração do 17º arrondissement, um dos mais chiques de Paris. Ao lado esquerdo, o belo Parque Monceau (3), que vale uma espiada, mas com a bicicleta ao lado: lá a preferência é dos pedestres. Ao seguir pelo Boulevard de Courcelles, o lado chique mostra suas caras, principalmente próximo à Praça de Ternes, de onde já é possível avistar o Arco do Triunfo (4). Por ali, aliás, o momento é propício a uma pausa em algum gostoso café com terraço da região, algo que não se encontrará tão facilmente mais à frente.

Na seqüência, a pausa é rápida para fotos do Arco e da Torre Eiffel, bem ao fundo. No entanto, a continuação exige cuidado, pois a rotatória da Praça Charles de Gaulle talvez seja uma das maiores e mais complexas do mundo. Se o viajante é do tipo prudente e não gosta de se arriscar, não tenha vergonha e cruze pelas faixas de pedestres da Avenue de Wagram até a Avenue Foch, onde se segue numa ciclovia até o Bois de Boulogne, atravessando o ainda mais chique 16º arrondissement.

No fim da larga avenida, chega-se ao interessante contraste do passeio: enquanto atrás ainda é possível avistar o Arco do Triunfo e a movimentação do centro, à frente cruzamos os limites da capital e fazemos uma pequena “viagem” até Boulogne Billancourt, uma das cidades da Grande Paris. É lá que passaremos pelo Bois de Boulogne (5), um dos pulmões da metrópole juntamente com o Bois de Vincennes. Ao passar pela Porte de Dauphine e seguir pela Route de Suresnes, já é possível respirar um ar mais puro e sentir a tranquilidade do campo.

O ciclista aqui é chamado a curtir o momento, a sentar perto do lago e a ver os pequenos barcos singrarem o espelho d´água. Igualmente agradável é prosseguir o passeio com calma, em ziguezague pelas alamedas, tendo como base a volta a Paris pela Porte de la Muette. Novamente dentro da capital, o caminho é a longa Avenue Henri Martin, que ainda mistura um clima bucólico com o vaivém de carros e ônibus. Num dos pontos mais chiques do percurso, passa-se pela Mairie do 16°, uma espécie de sede de regional, e chega-se à praça do Trocadero.

O endereço é famoso e a vista talvez seja uma das mais belas do planeta: entre o Palais de Chaillot e o prédio que abriga o Museu do Homem aparece a Torre Eiffel (6), com seus 320 metros de altura, monumento mais visitado do mundo. E fica uma dica importante ao cruzar a praça: mesmo que o momento seja de contemplação, não perca de vista a rua, afinal, os parisienses que avançam em carros não parecem se importar muito com a grandeza do que está ao lado.

Na Praça do Trocadero, duas opções para descer até as margens do Sena: uma delas é pelo próprio parque ao lado, passando pelas pequenas rampas nas extremidades de cada lado. Outra é seguir as ruas que contornam o Palácio, chegando na mesma Praça de Varsovie, à frente da Torre. Cruzando o rio, contorne pela parte esquerda, mais agradável, e avance devagar pelo Champs de Mars, sempre tomando cuidado com os milhares de turistas que estarão olhando para cima.

Após paradas - e muitas fotos -, vá ao fim do parque, à frente da Ecole Militaire, e vira à esquerda, onde já será possível ver a maravilhosa cúpula dourada do Hôtel des Invalides (7). No cruzamento, siga pela Avenue de Tourville até mais um dos prédios de cair o queixo de Paris. Lá, por exemplo, pode-se visitar o museu do Exército e a sala com as cinzas de Napoleão. Já na Rue de la Tour Maubourg, deve-se parar em uma das boas brasseries do 7° arrondissement, caso a fome esteja apertando. Mas não se preocupe: o passeio está quase no fim.

Um pouco à frente, a dica é virar à direita na Rue Saint Dominique e atravessar a Esplanade des Invalides. Subindo em direção ao Sena, chegamos à famosa Ponte Alexandre III, com seus ornamentos dourados, e passamos em seguida entre o Grand e o Petit Palais (8 ). Neste último, a visita das exposições permanentes é gratuita e um gostoso café perto do jardim serve como ótima pedida para encerrar a tarde. E para devolver a bicicleta, é só contornar o prédio à direita: já na Champs Elysées há uma estação. Nada mais prático.

1 - Place des Abesses

o ponto inicial do percurso

2 - Boulevard des Batignoles

a descida na alameda exclusiva para bicicletas

3 - Parque Monceau

cruzando a região chique do 17º arrondissement

4 - Arco do Triunfo

vista da Avenue Foch, em direção ao Bois de Boulogne

5 - Bois de Boulogne

o pulmão de Paris

6 - Torre Eiffel

nada melhor que contornar o incr�vel monumento numa bicicleta

7 - Hôtel des Invalides

com sua cúpula inconfund�vel. Dentro, as cinzas de Napoleão.

8 - Grand Palais

parada final. Na frente, o Petit Palais tem um café agradável.

Mapa do Trajeto

Mapa do trajeto

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Cotidiano non sense

Abril 9, 2008 at 10:53 pm (Brasil - França) (, , , , , , )

- Estava voltando de bicicleta para casa, lentamente porque conversava com um amigo, quando avisto não tão longe um grupo de manos ao redor de um banco. E percebo que um deles vem em minha direção, me encarando, situação que eu já considero bastante estranha e um tanto perigosa. Afinal, estou de bicicleta e eles são uns 8. O mano então pede para que eu pare, eu finjo que não escuto e ele finalmente me segura e interrompe minha passagem. E eu penso : “F… !”

Mas nos dois segundos que se seguiram - e que foram suficientes para lembrar de dois roubos de bicicleta em São Paulo - tudo mudou. O mano me pergunta com um grande sotaque típico de mano: “Te dou 100 conto se você arrebentar aquele cara”, apontando para outro mano, logo à sua frente, que sorria.

Ainda com a adrenalina em alta, mas já bem mais tranquilo, digo que “sem chance, mano”, enquanto o outro me propõe “mesmo 1.000″ . Eles riem, eu rio, meu amigo ri e todos continuam o que faziam antes da intervenção. Conclusão: mano de primeiro mundo é outra coisa.

- Hoje, saindo da biblioteca, vejo uma família simpática falando com seus filhinhos e os amiguinhos deles. O Jean Pierre, um gordinho com seus 10 anos, queria ir para a casa dos amiguinhos, mas o problema é que ele já tinha almoçado e os amiguinhos não.

Então o pai, obviamente, disse que o Jean Pierre poderia esperar e ir mais à tarde. E o Jean Pierre fala: “Mas eu podia realmoçar com eles”. Conclusão: Gordinho é gordinho em qualquer lugar do mundo e inventa até palavras para comer mais.

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Necessidades primárias

Março 11, 2008 at 1:07 am (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , , , , )

Curiosamente, foi a Manue que voltou a citar meu aniversário de um ano aqui em Paris. Ontem, quando falei que nem havia me dado conta do fato, ela me exigiu uma lista curta e sem muita enrolação das coisas que eu não conseguiria mais viver sem. Então, sem enrolação, reproduzo-a:

1 - O metrô parisiense (acho que nem preciso explicar o porquê, certo?)
2 - Bicicleta. E aqui, adoraria ter escrito Velib, mas como vocês sabem, acabei de comprar uma novinha e ando todo pimpão. O fato de Paris ser plana, pequena, ter bastante ciclovias e ser linda me deu uma motivação incrível e fez com que eu conseguisse esquecer daquele tal de carro, tão fundamental no Brasil.
3 - A maneira de comer. Claro que eu ainda choro quando vejo feijão, mas nunca pensei que fosse mudar tanto meu jeito de comer. E também de montar o prato, a mesa, o vinho, de exigir um pedaço de pão…hmmm, deu fome.
4 - Falando nele, o pão. Não dá, pão francês é só na França. Aqui, aliás, até português come baguete e não ousa abrir padaria.
5 - Queijo de cabra. A Manue tem ciúme de queijo de cabra desde o tempo em que eu disse que a verdadeira razão de eu estar aqui não era ela, e sim esta maravilhosa iguaria.
6 - Futebol brasileiro. Eu estou tentando ver os jogos aqui, mas com exceção do Lyon, o resto é sofrível. Foram mais quatro 0 x 0 na última rodada e o PSG que tá seguindo os mesmos passos do Curíntia. E antes de mais nada, outro viva aos criadores do SopCast e da AJTV.

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Le truc

Fevereiro 27, 2008 at 11:49 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , )

Em uma semana completarei um ano aqui em Paris e posso dizer que sigo cada vez mais tranquilo na língua. Afinal, troquei de vez o inglês pelo francês com a Manue em setembro do ano passado e o progresso foi visível. Obviamente que nada é tão perfeito assim e de vez em quando solto pérolas ou engasgo em simples descrições ao me deparar com palavras bizarras para alguém que não cresceu na França (ou você acha que te ensinam nas escolas como dizer pia, panela de pressão, ralador, tomada…e por aí vai).

Mas tal como no Brasil, aqui na França existe um termo que quer dizer tudo (e às vezes nada): truc, que é nada mais, nada menos que treco, coisa. E isso é de uma valia enorme para o dia a dia, acreditem em mim. Foi assim que hoje consegui encher o pneu da minha nova bicicleta.

Ao perceber que ele estava meio murcho, fui a uma bicicletaria e, ao entrar, no meu já bom nível, soltei com toda a pompa: “Bonjour, vous avez le truc-là pour gonfler le pneu?” (Bom dia, você tem aquele treco para encher o pneu?) Reparem que “le truc-là” é um linguajar chulo, de malandro, embora o “vous” tenha caráter de educação ao falar com alguém que você não conhece.

O homem obviamente estranhou e me respondeu com cara feia: “Le truc?“. Envergonhado, voltei ao meu mundo de estrangeiro e admiti sem problemas: “Desculpa, eu não sou francês. Não sei como se fala ‘le truc pour gonfler le pneu‘”. No final, tudo deu certo, falei que era brasileiro, ele ainda brincou com nosso futebol e voltei para casa com pneu cheio. Ah, e “le truc-là” se chama pompe, como bomba.

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