Paris tem 7 entre os 50 melhores restaurantes do mundo

Maio 5, 2008 at 9:59 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Foi divulgada no início da semana a lista dos 50 melhores estabelecimentos gastronômicos do mundo feita pela tradicional Restaurant Magazine, de Londres. No pódio, nada de mudanças, sendo que o El Bulli, de Barcelona, segue intocável pelo segundo ano consecutivo. Logo atrás aparecem o inglês The Fat Duck e o parisiense Pierre Gagnaire.

Paris, aliás, segue prestigiada, com 7 indicações entre 50 primeiros. A boa notícia foi a subida de 10 posições do L’Astrance, agora o 11° colocado. O restaurante vem em alta, um ano após ser finalmente contemplado com a terceira estrela do Guia Michelin. Mais abaixo, o L’Atelier de Joël Robuchon caiu uma, mas vem em 14°. Curioso é que no mesmo Guia Michelin, ele acabou de ganhar “apenas” a segunda estrela.

A lista segue com o Alain Ducasse (18°), Le Cinq (24°), Les Amabassadeurs (45°) e L’Aperge (46°). Ainda na linha de comparações com o Michelin, Paris possui nove três estrelas no tradicional Guia Vermelho, sendo que o Le Meurice, o Le Pré Catelan, o Ledoyen, o Guy Savoy e o L’Ambroisie não chegaram no top 50 da revista inglesa. Do lado contrário, o Le Cinq e o Les Ambassadeurs são top 50, mas não têm três estrelas.

Nesta importante listagem, o Brasil não fica de fora. Mesmo que os europeus menosprezem o título de “capital gastronômica do mundo” obtido por São Paulo há alguns anos, a cidade é a única da América do Sul a colocar um estabelecimento, com o Dom, hoje o 40° melhor do mundo, queda de duas posições em relação ao ano passado. Por outro lado, em 2007 ele havia dado grande salto, do 50° ao 38°.

Clique AQUI e confira a lista completa da Restaurant Magazine.

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Le Salon, clima romântico e boa comida

Abril 20, 2008 at 10:02 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

De fora, a impressão é a de que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa se volta a mim e à minha parceira com um largo sorriso, como se pressentisse a chegada de alguém importante. “Ah, o casal da mesa especial!”

Descubro, então, que o homem é ninguém menos que o dono do Le Salon e que ataca de cozinheiro e garçom. O acúmulo de funções não lhe tira o sorriso do rosto e ele nos leva à sala reservada, passando por outra muito mais ampla. Ficamos separados dos demais, em espaço bem confortável, com a mesa e ainda um pequeno divã ao lado. A decoração é sóbria e a música lounge é perfeita para o clima romântico que já estava criado.

Recebemos também um sino, no caso de sermos “esquecidos” pelos garçons. Mas nem o usamos, pois o atendimento é preciso: sem longas esperas, nem muita intromissão. Pedido feito, vinho no copo e aproveitamos o tempo para sentarmos no divã e conversar, como se estivéssemos numa festa tranqüila na casa de amigos.

Em seguida chegam os pratos, com boa apresentação, e a comida completa o clima. Como já conhecia a “especialidade” em carne bovina da casa, ataco de Faux Fillet Henri VIII, com duas guarnições e um molho de queijo roquefort. Uma delícia. E na frente, olho também com água no boca o tagliatelle com salmão da minha parceira. Comemos bem, bebemos bem e talvez a única coisa que atrapalhe um pouco seja a repetição ininterrupta do mesmo cd de quando chegamos. Mas tudo bem, a boa impressão já havia ficado.

Para fechar, a sobremesa é o tradicional moelleux au chocolat, mas muito bem servido. Na conta, 27 euros por pessoa, com o prato a 15 euros em média, a sobremesa a 7,50 e mais um pichet de vinho.

Ao final de quase duas horas, nos levantamos e nos damos conta de que o restaurante já está vazio. O dono, então, se aproxima e nos surpreende com sua franqueza: “Ufa! Fiquei com medo de ir até a sala porque achei que vocês poderiam estar pelados!“. Frase um tanto quanto bizarra, mas até que a pedida não era uma má idéia. Afinal, a noite romântica no Le Salon ficaria ainda melhor.

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Two days in Paris e as gafes

Março 19, 2008 at 8:50 am (Casa e Familia) (, , , , , , , )

Esses dias vimos o filme aí do título do post, uma história água-com-açúcar da Julie Delpy sobre um casal de namorados, ela francesa e ele americano, que passam por Paris antes de voltar a Nova York. Nem entrarei em méritos sobre a qualidade do filme, porque nem vale tanto a pena. A moça quis fazer uma mistura de Amélie Poulin com Antes do Pôr-do-Sol mas errou a mão e exagerou absurdamente nos clichês sobre os parisienses. Dá realmente a impressão de que ela não gosta do país-natal.

Mas o que quero ressaltar são algumas situações que o cara passa e compará-las, porque acabei vivendo algo parecido no início, quando ainda não falava nada de francês. Uma delas por exemplo, é clássica: a apresentação aos pais e o primeiro almoço de família. E não sei todos sabem, mas aqui almoço é coisa séria, demora 2h, tem entrada, primeiro vinho, prato, segundo vinho, pão, queijo, sobremesa…Enquanto isso, o papo vai rolando na mesa (felizmente os pais da Manue são bem mais normais que os da moça do filme). Naquela ocasião, em dezembro de 2006, eu suava e minha cabeça doía porque mal compreendia o que eles falavam e as perguntas continuavam. Um sofrimento.

E nem podia ser diferente: eu era a “atração”, o namorado brasileiro num vilarejo de 350 habitantes. O problema é que fazia 2 meses que havia começado o curso básico de francês. Numa dessas perguntas veio uma das gafes que eu nunca esqueço. Ao ser questionado se no Brasil havia coelho, ou LAPIN, eu pensei, pensei, olhei feliz feliz pra Manue e disse: “Ah, pão (pain, som parecido). Claro que a gente tem. Fala pra ele, Manue. Explica que você comeu pão lá”.

Em seguida vieram as risadas e o comentário como se eu fosse um bebê: “Ai que bonitinho, ele achou que ‘lapin’ fosse ‘le pain‘” e mais risadas. Hmmmm…primeiro encontro e uma vergonha enorme, mas tudo bem, melhorei depois. Melhorei e ganhei tanta confiança que no final do ano passado já sentava na poltrona da sala com o sogrão pra assistir rúgbi ou jogo de futebol. E, confiante, saía discutindo sobre contratações, atuações e lances polêmicos.

No entanto, era começar a explicação e eu parava: “Sem dúvida que…(foi falta pra cartão…cacete, como eu digo isso?!)”…e ficava queito, ou apenas gesticulava. “Sim, o Juninho…(bate bem na bola e todas as faltas pro Lyon na entrada da área são perigosas)”…Ou então: “O goleiro do meu time é o…(que mais marca gols de falta e pênaltis no mundo, mas obviamente que aqui na Europa ninguém conhece o Rogério)”…e no final, virava a cabeça e tentava apenas aprender os termos escanteio, falta perigosa, defesa, lateral-direito, impedimento, “é teste para cardíaco, amiiiiigo” e por aí vai.

Mas segui melhorando e também evoluí nas gafes. Outro dia, assistindo a outro jogo, entendi algo bizarro e olhei pra Manue, que seguia impassível. “Manue, ele disse Faux Fillet (algo em torno de fofilê, que nada mais é que um bife como Entrecôte, Fillet Mignon)?” E ela respondeu sim. “Mas faux fillet não é uma carne?” E ela, em meio a risos: “Sim, mas nesse caso não é faux fillet, mas faufiler (fofilê), que é se esquivar, passar pelo meio de duas pessoas“…e mais risos. Não, não é fácil.

PS: nem sei se o meu blog é tão lido por quem está aqui na França, mas se alguém se interessar em mandar algum outro “causo”, publico mais tarde. Enviem aqui: eloisilveira@hotmail.com

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Vivendo bem e barato (Parte 3)

Março 14, 2008 at 5:35 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Sigo nas recordações do ano passado para exemplificar como podemos fazer muito com pouco dinheiro aqui na França. No mesmo período em que fomos a Reffannes em julho, de carona, aproveitamos para conhecer não apenas a Île d’Oléron, mas também a linda região do Perigord, no centro do país, a umas 3h de carro da mansão Monnet. Fomos para um final de semana também, mas aproveitamos tão bem que voltamos com a impressão de ter passado uma semana inteira.

A saída foi no sábado às 6h, com tempo nublado, mas agradável. Novamente havíamos preparado os ítens básicos para uma viagem a baixo custo: a geladeira térmica repleta de guloseimas e a barraca, tudo bem guardado no porta-malas da Titine. Após longa viagem, parada para cafés, começamos a avistar a região, com cidadelas no topo ou no meio de enormes rochedos, grutas e indicações de que estávamos perto da primeira parada: Lascaux II.

Não fazia a menor idéia da existência dessa gruta, mas aparentemente ela é uma das mais conhecidas e importantes do mundo, por causa do número impressionante e pela qualidade dos desenhos ruprestes nela encontrados. De cair o queixo, mesmo sabendo que ela se chama Lascaux II por ser uma cópia da Lascaux original, que foi fechada e preservada para que os desenhos feitos há 17, 20 mil anos antes de Cristo ficassem para a eternidade.

Partindo dali, pausa para o almoço simples e mais cidadelas em topo de rochedos. Desta vez, estacionamos e subimos para ver o castelo de Beynac, às margens do Dordogne, um enorme rio que corta o meio da França. Paisagem linda do vale que ele formou durantes os séculos, ruas estreitas, casas antigas e fachadas floridas. O castelo, aliás, um dos muitos que encontramos num raio de 10, 20 quilômetros.

Depois de passar por La Roque Gageac, outra cidade incrustada em montanha, paramos no nosso camping, um centro equestre, aparentemente um dos mais baratos da região: 4,50 por pessoa. Dos lados do cavalos e perto da piscina, armamos a barraca, tomamos um banho e partimos para outra cidade da região: Sarlat, onde comemos um tradicional Foie Gras do Perigord e ainda conhecemos um centrinho agitado, medieval e com muito teatro de rua.

No dia seguinte, aproveitamos ao máximo novamente. Parada inicial em Rocamadour, vilarejo construído numa rocha altíssima e que abriga igrejas e faz parte do caminho de Santiago de Compostela. Simplesmente impressionante! Descemos, subimos, pegamos a estrada à frente para tirar fotos e partimos para almoçar num Logis de France que encontramos no caminho.

O selo Logis de France indica qualidade e como estávamos numa cidadezinha pequema, pagamos apenas 15 euros o menu completo, com buffet de saladas, queijo, sobremesa e mais vinho. Quase morremos de comer. E mesmo estufados e loucos de vontade de fazer uma sesta, seguimos para a Gouffre de Padirac, a mais profunda e larga da região, com salões de estalagmites e estalactites, lagos enormes e um passeio de barco dentro dela. Ufa!

Teve de tudo, do começo ao fim. Não paramos, mas é assim que se faz uma boa viagem. Na volta ao camping ainda resolvemos dormir mais uma noite por lá, a Manue caiu na piscina, ficamos tranquilos e só voltamos a Reffannes no dia seguinte, antes parando para comprar um vinagre típico da região e outros presentinhos.

Tem fotos no link do finado fotolog, com a mesma indicação de clicar em proxima (http://www.fotolog.com/eloisilveira/19469676). Mas seguem outras abaixo.

O vilarejo de Beynac

O Dordogne e o vale

As ruas estreitas e as belas casinhas de Beynac

O camping dos cavalos. Ao fundo, Titine e a barraca.

A parada no pôr-do-sol antes de Sarlat

A linda Rocamadour, pena foi o dia nublado.

Rocamadour, vista de frente.

A Gouffre de Padirac, enorme!

Um dos salões da gruta.

O passeio da balão, que ainda vamos fazer um dia.

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Vivendo bem e barato (Parte 2)

Março 9, 2008 at 3:42 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Quase dois meses depois do primeiro post, retorno com a “seção” Bom e Barato, revivendo algumas das trips de 2007 pela França. Depois de Rennes, St. Malo e Mont St. Michel, concentramos nossas caronas para ir a Reffannes, na gloriosa mansão Monnet. E nestes trechos, encontramos gente de todos os tipos e apenas uma vez tivemos que voltar pra casa porque realmente ninguém parou para nos ajudar.

Entre os personagens curiosos, o senhor rico num Audi, que nos levou até o pedágio e ia escutando nossas histórias com atenção e soltando a cada cinco minutos : “Puxa, parabéns, muito legal o que vocês fazem”. E detalhe que ele morava em Chartres, perto da maravilhosa catedral, e tinha uma casa na Córsega. Cheio da grana. Outro bem bacana foi o romeno que passou todos os 45 minutos da ida de Paris ao pedágio dando uma aula de história e política do país dele.

Já não tão memorável foi a ida com o pai playboy e suas duas filhas de 13 e 10 anos que em breve se tornarão outros exemplares dos típicos franceses chatos e arrogantes. Tinham acabado de voltar do Senegal, de safáris, iam ver a vovó no campo. O pai, chefão de uma importante cadeia de celulares, falava com um empregado no viva-voz, mesmo estando em férias. E ainda quis contratar a Manue para trabalhar de vendedora, mas ela rejeitou.

Entre boas e más companhias, ao menos nunca chegamos atrasados em nosso destino. Falávamos pro senhor Jack Monnet: “Devemos aparecer por aí por volta das 21h”. Et voilà, 21h15 lá estávamos. Em julho, passamos três semanas na mansão e aproveitamos para fazer duas belas viagens em finais de semana. Conto uma delas, para a Île d’Oléron, a cerca de 1h30 de viagem de Reffannes, ilha no litoral centro-oeste da França perto da linda La Rochelle, pra quem quiser tentar se aventurar.

Aproveitando mais uma vez da geladeira repleta de guloseimas, preparamos nossa comida para 2 dias, colocamos dentro daquelas enormes geladeiras térmicas e partimos na finada Titine, o Peugeot 107 verde-escuro da Manue, que foi vendido recentemente. Saímos cedo e encontramos um bom sol pelo caminho, chegamos à ilha no horário previsto e fomos procurar o camping para montar nossa barraca. Tão organizado o sistema que parecia até hotel, com mapa dos espaços vazios e as árvores embaixo das quais poderíamos nos abrigar.

Calejados do trauma de tentar montar a barraca no escuro e quase sem lanterna (o que contarei em outro post), desta vez quebramos o recorde francês de instalação. E fomos felizes dar uma volta pelas redondezas, aproveitando aquele sol lindo e os quase 23 graus de intenso verão. Entrar na água, só pra refrescar depois do frescobol, porque a maré era ainda mais fria.

Mas valeu. No camping ainda jogamos a partida decisiva do playoff melhor-de-sete de pétanque (a bocha francesa), que me rendeu o título e o jantar na faixa. A noite fomos comer no centrinho típico de cidadezinha à beira-mar, que me lembrou um pouco o de São Sebastião no início dos anos 90. No dia seguinte, café-da-manhã na praia, com nossos cereais preferidos, um toddynho ainda fresco do bom armazenamento e uma vista sensacional.

À tarde, passeio pelo outro lado da ilha, almoço com arroz, atum, salada e ovo das galinhas da mansão Monnet e um sol desta vez mais intenso e que até deu pra bronzear. Pra fechar, banho num camping que não era o nosso, mas cujo o segurança nem se deu conta da na nossa entrada. E volta triunfal a Reffannes no cair da noite.

Mais abaixo seguem as fotos. E em breve falo sobre outro lugar, outra viagem a preços baixos e novamente partindo de caronas.

O porta-malas da Titine bem guarnecido para o final de semana

A barraca bem montada

A ilha

O café-da-manhã na praia

o vilarejo de pescadores

A longa praia deserta

A praia, de mais perto

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Escargot show!

Março 4, 2008 at 5:46 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Duas citações rápidas. Primeiro respondo ao Lello que sim, o Nazista do couscous estará na matéria da Próxima Viagem. E antes que as pessoas me crucifiquem e resolvam nunca mais ler a revista ou meu blog, digo que a idéia do editor era exatamente mostrar dois lados de Paris: o chique e três estrelas no Guia Michelin e o mais toscão do dia-a-dia. E volto a ressaltar: o Nazista é todo bizarrão, mas a comida é bem decente.

 A outra citação é uma foto enviada pelo meu grande amigo Jamal, o francês da minha rua. Ele encarou a pizza de escargot que vai na foto aí embaixo. Esse cara é corajoso!! 

A pizza de escargot

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O Restaurante Chartier

Fevereiro 3, 2008 at 9:07 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Depois do passeio a Versailles, o último sábado foi encerrado com a ida ao Restaurante Chartier, um dos mais tradicionais de Paris e aberto desde 1896. Curioso é que toda essa longevidade não significa abuso de preços, pelo contrário. O Chartier é, por tradição, um restaurante barato, que serviu operários e mantém até hoje um estilo cantina, enorme, com mil garçons que trombam e servem 10 pratos ao mesmo tempo, como nas casas do Bexiga ou nos Demarchi de São Bernardo. Ou seja, tudo o que você nunca imaginou encontrar em Paris.

Manue e o vizinhoComo está nos principais guias de Paris, o Chartier é tomado por turistas, principalmente num sábado à noite, exatamente quando resolvemos ir. O resultado óbvio é uma fila enorme, uma espera considerável e um atendimento nas coxas. Mas vamos aos fatos por partes, como diria Jack.

Eu a Manue estávamos num bom dia, então esperamos pacientemente e até fomos recompensados: como éramos dois, furamos bem a fila, já que as mesas para casais vagavam mais rapidamente. E ao entrar a impressão é ótima: decoração em estilo antigo, cadeiras de boteco e toalhas de papel. O metre nos leva à nossa mesa e pedimos licença ao casal ao lado, que participaria de toda nossa conversa caso entendessem francês, porque não há qualquer divisão ou espaço entre nós.

Devidamente sentados, recebemos o menu, também em papel, impresso no dia mesmo. Escolhemos uns pratos até baratos, um pichet de vinho a 3 euros e vimos outro casal, desta vez italianos, sentarem ao nosso lado. O garçom chega, fazemos o pedido e ele anota tudo em caneta Bic na toalha ao meu lado. Eu estava para o Entrecote, mas optei na “Hora H” pelo Pavé de Rumsteack, sábia decisão que perceberia mais tarde.

Cronometrados 2 minutos após o pedido e os pratos chegam, juntos com os dos vizinhos. Acho estranho, mas aceito, o clima ainda é bom. Mas a carne vem grelhada por fora e fria por dentro e questiono se elas não estariam lá prontas antes mesmo do pedido, resposta que me parece um tanto óbvia. Sem me indignar, peço ao garçom para repassar a carne enquanto olho ao lado os Entrecotes dos vizinhos, também vermelhos, provavelmente frios, mas muito, muito mais engordurados e feios. A cara deles também não é nada boa.

O pedido na toalhaComo bons “franceses”, abusamos, pedimos pão, água, recebo de volta minha carne em bem melhor estado e a Manue até que gosta do choucroute alsacien. Mas os vizinhos…eles seguem lutando com a carne, lamentando a má escolha e a falta de um tradutor para que eles possam xingar o último dos quatro donos que o Chartier teve em mais de 100 anos.

Os italianos terminam (ou desistem), pedem a conta e o garçom soma tudo na toalha, com a mesma Bic. Eles desembolsam 27 euros visivelmente contrariados e, antes de saírem, balbuciam algo em nossa direção e entendemos que eles queriam alguns pedaços de pão, que oferecemos sem hesitar. A Manue conclui: “Sorte dos donos que eles eram estrangeiros, porque se servissem isso pro meu pai, nossa… !”

Seguimos até o fim, nem tão satisfeitos, mas também não tão tristes como os vizinhos que partiram. Vale mais para observar aquele mundo de gente e pensar como os donos conseguem arrancar grana servindo algo meio tosco. E por fim, exatamente como no Nazista do couscous, acho que vale recomedar. Afinal, nada lá é como nos outros restaurantes de Paris, seja no preço, no estilo da decoração ou na qualidade da comida.

Reforçando a idéia, mais fotos do Chartier estão no fotolog (http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres/)

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Dois anos e um turbilhão de memórias

Fevereiro 2, 2008 at 11:21 pm (Casa e Familia) (, , , , , )

Depois de planejar bastante, somos abençoados com um lindo sol neste sábado e saímos felizes e radiantes rumo ao Château de Versailles. O sol está lá, mas o frio também: 4 graus. Ainda assim, preparamos a mochilinha e tentamos aproveitar esse raro momento no inverno europeu. O rascunho desse texto eu escrevi no trem (e talvez por isso ele seja um turbilhão de idéias desorganizadas), porque minha mente transbordava de memórias.

Na semana passada, exatamente no dia 29 de janeiro, eu e a Manue completamos 2 anos de relacionamento, mesmo que picados, mas foi apenas agora, aqui no trem, que me dei conta desse fato e passei a fazer uma retrospectiva de olhos fechados (e também sem muita ordem) de como tudo começou. Ele, por sinal, tem papel importante, porque lembro imediatamente da viagem na Europa entre dezembro de 2005 - logo após ter conhecido a Manue e tentado, em vão, fazê-la sair comigo - e janeiro de 2006, quando voltei a Londres - e, enfim, consegui convencê-la.

Neste meio tempo, estive sempre ao lado do meu brother Cadu, em vários trens, sendo o primeiro entre Porto e Lisboa. Seguimos da mesma forma para Barcelona, Madri e Paris, já em janeiro de 2006. Fomos a La Defense, que cito agora apenas por que acabamos de avistá-la…e antes que ela se distancie, olho e constato que ela segue feia, com os mesmos arranha-céus modernos e espelhados.

E mesmo que a arquitetura não me empolgue, fico contente por ter passado por aqui novamente e por seguir “viagem”, sabendo que faltam menos de 20 minutos para o ponto final. O sol também me conforta, assim como o fato de olhar para frente e ver que o parceiro não é o mesmo careca baixinho de barba mal-feita, mas sim uma bela baixinha de cabelos ruivos-à-henna e que lê um jornal.

O turbilhão continua porque sigo cruzando o mundo: de Paris a Bruges, de Bruges a Amsterdã, de Amsterdã a Berlim, de Berlim a Praga (já sem o Cadu), de Praga a Viena, de Viena a Berna, de Berna a Veneza, de Veneza a Florença e, finalmente, de Florença a Roma. Versailles se aproxima e a Manue me pergunta o que tanto eu escrevo, e eu respondo: “Lembranças”, mas sou obrigado a parar.

O que vem depois já não tem mais a ver com a viagem de 2006, mas sim com momentos com ela aqui na França: um castelo, uma floresta, fotos, um pão com queijo local, um frio cada vez mais forte, a volta, um restaurante, um filme…muitos elementos de outra parte da nossa vida, em dezembro de 2007, quando, juntos, decidimos que eu iria pedir demissão da Gazeta Esportiva e vir pra cá.

E já no outro dia, evocando mais memórias que nem coloco aqui, senão me estenderia demais, fecho também um balanço extremamente positivo desse período. E que venham outras viagens no Brasil, na Tailândia, na Turquia ou para Reffannes. De trem, de avião ou de carona, mas sempre com a mesma parceira.

PS: o fotolog está atualizado (http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres/)

Escondendo o castelo

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Brasil para estrangeiro ver

Janeiro 28, 2008 at 7:28 pm (Brasil - França, Política) (, , , , , )

Sinto informar, mas este post não é mais um da seção “Bom e Barato“. Na verdade, encaixa-se apenas no “Barato”, afinal neste final de semana fomos ver de graça um espetáculo que chegou bem cotado aqui em Paris, o Balé de Rua, com integrantes de um projeto social de Minas Gerais. Fui na esperança de encontrar algo semelhante ao Samwaad, que entre 2003 e 2005 lotou os teatros dos Sesc de São Paulo e tocou até para o Lula. Mas infelizmente a decepção foi enorme.

SamwaadAntes, para situar, falo mais do Samwaad, projeto que teve como idéia central mostrar a música brasileira e indiana ao mesmo tempo, conduzida pelo pianista Benjamin Taubkin, por um grupo de percussão nos moldes de uma escola de samba e por músicos indianos. A dança, com adolescentes oriundos de ONGs, uma delas a Gol de Letra, entrou mais tarde e deu corpo (literalmente), fazendo o que já era bom ficar completo.

No longo tempo em que permaneceu em cartaz, o Samwaad foi um sucesso, de levar os mais sensíveis às lágrimas, de fazer muita gente voltar. Deu tão certo que ele expandiu seus limites e veio para a Europa em 2005, passando alguns dias na França. Como na época eu morava na Inglaterra, vim a Paris por um final de semana e aproveitei para conferir e constatar que o show continuava de altíssimo nível. O único problema foi a sala de apresentações: pequena e afastada do centro, o que acabou deixando muita gente frustrada por não ter conseguido ingresso.

Tudo diferente do Balé de Rua, destaque atualmente no Trianon, grande e conhecido teatro em Pigalle, para “temporada” de quase um mês. Em cena, a principal mudança: ao invés da sutileza dos jovens dançarinos e da boa música, um espetáculo para estrangeiro ver, velho retrato estereotipado do Brasil, com trilha mal produzida e enorme falta de criatividade na representação do país. Aliás, os cerca de 20 dançarinos nem espetaculares eram e traziam uma característica que muito me incomodou: todos adultos, homens (apenas uma mulher no meio) e, claro, negros.

No primeiro ato, que até se salvou em relação ao resto, o grupo se apresenta vestido no estilo dos anos 40, com cartolas e sapatos brancos, mostrando alguns passos de samba e batucando pandeiros. A partir daí, show de obviedades e mau gosto. Na sequência, os dançarinos aparecem em shorts curtos e apertados (para não dizer cuecas) e se complicam ao tentar passos de dança clássica, incondizentes aos seus músculos. A cena beira o ridículo quando eles começam a soltar gritos (numa demonstração de poder do macho?) e a convidar o público a entrar na dança. E pior: o publico aceita com um sorriso de orelha a orelha.

Balé de RuaPouco a pouco perdi a paciência, fiquei extremamente chateado e só não saí após 10 minutos em respeito à minha namorada e porque incomodaria toda uma fila que mantinha os olhos fixos à frente. Entre outras coisas ruins que se seguiram, um funk cantado ao vivo e ressaltando a dureza da vida na favela, mais gritos estúpidos e inoportunos, a trilha que seguia com a variação de apenas uma música (e só podia ser Aquarela do Brasil), mais obviedades sobre nossas origens africanas e nada nem tão bonito visualmente, a não ser umas rosas gigantes fosforescentes e um canhão de luz.

Tudo para mostrar um Brasil escravo, negro, batalhador, de forma extremamente arrogante (”sim, somos fortes, temos ginga e cor e vocês são brancos, duros e infelizes”) e extremamente racista, que não contribui em nada para a divulgação da nossa cultura. Ao fim, fiquei sentado em protesto enquanto o público aplaudia de pé (!!!) e saí indignado, lamentando o fato de o Samwaad não ter tocado aqui por um mês e de não terem sido eles nossos verdadeiros representantes.

Triste também é saber que muita coisa boa do país não se fixa ou nem chega aqui justamente por causa de grupos oportunistas que continuam divulgando imagens como esta. A culpa, então, não é dos europeus, mas nossa mesmo.

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Vivendo bem e barato (Parte 1)

Janeiro 14, 2008 at 6:14 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

A idéia do post surgiu ontem, depois de uma ótima noite com teatro e restaurante e pouco dinheiro gasto, mas na verdade desde março a política do bom e barato é a que predomina aqui em casa. Primeiro por motivos óbvios: meu salário brasileiro do Tenisbrasil é meio pequeno. Segundo por questões hereditárias e de princípios: sempre fui e sempre serei um grande mão-de-vaca (né mãe, né pai?).

Sei que não é das minhas “qualidades” preferidas, mas não tenho como escapar. Felizmente, nas idas e vindas dessa vida encontrei alguém que não me deixa sozinho: a Manue, parceiraça na busca de prazeres a baixo custo. Já havia percebido isso na viagem de 1 mês e meio pelo Brasil. Com exceção dos aviões São Paulo-Fortaleza e Salvador-Rio de Janeiro, passamos por 10 capitais e Chapada Diamantina de ônibus, parando em pousadas xexelentas e comendo em média 7 PFs por semana (talvez seja por isso que quando cito a palavra “feijão” ela dê pulos de medo).

Mas aqui em Paris, a coisa se acentuou - se é que isso é possível - e só não foi tão ruim se comparada à minha estada em Londres, onde os negócios são feitos em libra, a moeda do Satã, como diria o Fernão. Por outro lado, o terrível medo de acabar na sarjeta que me acomete constantemente acabou “nos” levando a alternativas interessantes para gastar menos.

E antes que eu comece a me estender demais, entro em seguida com uma retrospectiva “Bom e Barato“, com variações entre viagens de caronas, passeios de bicicleta no frio para não pagar ônibus e entrada em castelos pulando o muro de proteção.

Indo diretamente ao assunto que mais me orgulha, foram quatro as viagens de carona até agora, sendo a melhor delas, disparada, para Rennes/St. Malo/Mont St. Michel, em abril de 2007. Melhor porque os lugares são sensacionais e fizemos tudo que havíamos planejado em um mísero final de semana e sem desembolsar tanto, a não ser com o inevitável albergue e com os maravilhosos e tradicionais crepes locais.

Então vamos ao itinerário. Deixamos nossa casa na sexta-feira à tarde, com o albergue da sexta para o sábado já pago em Rennes. Uma besteira, diga-se de passagem. Nem sabíamos por onde nos aventuraríamos para tentar a tal carona e por isso penamos um pouco. Foram dois, três lugares errados nas saídas para as estradas e perguntas imbecis para transeuntes do tipo: “Por favor, você sabe onde é o melhor lugar para pegar carona para Rennes?”. Óbvio que não.

Mais depois de uma hora andando, resolvemos estabelecer base em Porte d’Orleans, extremo-sul de Paris. Lá, paramos no farol, tiramos a plaquinha escrita “RENNES” bem grande e esperamos. Esperamos….e esperamos mais um pouco. Ficamos bem 1h30 lá, desiludidos, achando que havíamos entrado pelo cano, até que por volta das 19h30 uma boa alma resolveu nos ajudar.

E foi uma ajuda parcial, mas importantíssima para todas as outras empreitadas do futuro, porque ele nos deixou em um pedágio que serve como junção de todas as estradas que vão ao Sul e ao Oeste da França (onde está Rennes). Após a primeira parte, de uns 45 minutos, nos vimos num ponto sem volta, parados no pedágio, à noite. Mas garanto que foram apenas 5 minutos de incerteza, tempo máximo que a Manue tem como limite para tudo nesta vida acontecer.

Com a agilidade de uma raposa nos jardins de Versailles, ela praticamente se jogou para cima de um belo Peugeot com placa de Rennes e o pobre motorista praticamente foi obrigado a nos aceitar. Entramos e 2h30 e muito papo furado (porque na época eu não entendia e nem falava francês tão bem ainda) depois, estávamos no centro de Rennes, a alguns passos do albergue.

Eram umas 11h da noite e ainda tivemos tempo de deixar as coisas no albergue, comer nosso sanduba na praça da cidade e dar um belo rolê até 1h, 1h30. Rennes na lista! Na manhã seguinte, passeio no mercado local e mais uma visita no famoso centro estudantil antes de ir à estação e pegar o ônibus para Mont St. Michel. Neste caso, seria arriscado tentar carona.

O lugar é dos mais lindos que já vi, uma ilhota com uma abadia do século 12 no topo, que só tem acesso quando a maré está baixa. Ou seja, tem que sair correndo e tirar seu carro do estacionamento quando o mar começa a voltar. Impressionante. A abadia reserva imagens lindas e teria custado 7 euros o passeio caso a gente não tivesse entrado pela saída (e saído pela entrada) sem ninguém perceber que fazíamos o tour no sentido contrário.

No fim da tarde, outro ataque de caronas, desta vez mole, mole. Na única estradinha que sai do Mont St. Michel, uma moça que tinha morado no Brasil nos deixou num ponto estratégico para pegar outra carona para St. Malo. Tão estratégico que foram precisos 2 minutos após ela nos deixar para que um trailler bonitão parasse e nos indicasse para subir.

Era uma família que viajava pela costa Oeste e fomos superbem recebidos na “casa” deles. Descemos em St. Malo e rapidamente nos encantamos. Linda, chique, no melhor estilo Cannes do Norte. E curtimos ao máximo, um bom restaurante à noite, um albergue da juventude dos mais decentes e no dia seguinte um passeio de 3h pela costa de Bretagne.

Na volta de Cancale, a cerca de 45 minutos de St. Malo, outra carona com um casal de fotógrafos, albergue e, tristes, saímos com destino a Paris. A aventura da volta ainda nos reservou mais 3 caronas: de St. Malo a um ponto da estrada perto de Rennes, com um cara que fumava um bequezinho enquanto ouvia um black metal feroz; de Rennes a um posto de gasolina perto de Orleans, onde a Manue correu e, na cara dura, pediu a um casal de senhores que nos levasse embora. E eles nos levaram. 22h do domingo estávamos em casa, são e salvos e cheio de histórias para contar e fotos para mostrar.

O saldo, como vocês podem ver, foi extremamente positivo, tanto que lembro de cada detalhe ainda hoje, quase 8 meses depois. E positivo em questões financeiras, de aventuras, de troca de experiências…claro que continuo recomendando o trem, mas vale a dica que na França, com pouco, dá para ir longe.

Para ver algumas fotos (infelizmente não todas porque eu mudei o fotolog), vejam esse link: http://www.fotolog.com/eloisilveira/16842678 
É só ir colocando “próxima” para ver as próximas. E aí embaixo um exemplo.

O caroneiro

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