Coberturas
Lembro que pus as matérias originais, mas não lembro se tinha colocado junto os links.
Então, com atraso, seguem alguns:
Beynac (Pérolas da Europa) – http://www.proximaviagem.com.br/revista/104/imagens/9344
http://www.proximaviagem.com.br/revista/104/textos/2793
Paris em Vélib - http://www.proximaviagem.com.br/revista/103/textos/2730 (eles só me citam, não põem o texto. Mas tudo bem, este aqui está no blog)
Matérias do Tenisbrasil
Entrevista Bellucci – http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/entrevista/thomazbellucci3.html
Especiais Fim de Ano – Tênis Masculino http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/especial/2009.htm
Tênis Feminino - http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/especial/2009feminino.htm
Masters Series Paris – Bercy – 2008 – http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/entrevista/brunosoares.htm
http://www2.uol.com.br/tenisbrasil/diaadia/ult138u38208.htm
L’Opéra Garnier
Nada confortável, diga-se de passagem. Um casal do lado reclamava que estávamos numa “boite de sardines“. Eu diria ao menos de salmão, ou caviar, porque o lugar era chique. Independentemente do peixe ou de suas ovas, praticamente não tínhamos como ficar sentados retos sem dar leves joelhadas no incomodado espectador da frente. Era achar uma posição e aguentar o máximo até trocar sem fazer estardalhaço. Mas valeu a pena. No intervalo, em mais uma idéia brilhante e ousada da Manue, descemos e achamos lugares vazios na frente do palco. Ninguém falou nada e pudemos até ver as expressões e os verdadeiros rostos dos personagens.
A ópera, em si, foi muito boa. A história da “Noiva Vendida” lembra outras clássicas de Molière, bem cômica: um casal apaixonado é obrigado a se separar porque a família da Marenka quer que ela se case com um homem rico. Um negociador então propõe uma verba ao Jenik para liberar sua amada. Ele aceita, mas faz uma contra-proposta: que a Marenka possa se casar apenas com o filho do casal X. Tudo certo, o rico casal X aceita o casamento da Marenka com seu filho, Mischa…Mas no fim, uma surpresa! Este casal na verdade tinha dois filhos e um, que havia fugido no passado reaparece e é ninguém menos que o próprio Jenik. Moral: de pessoa horrível e sem coração por vender sua amada, ele termina com a grana do acordo, com a novamente apaixonada Marenka e ainda ridiculariza o negociador. Malandro esse Jenik!!
E em termos de estilo, vestimentas, nada de século XV e clássico. Pelo contrário, roupas normais, cenário simples e nada de exuberante a não ser as vozes dos atores/cantores/dançarinos. E como eles cantavam em tcheco, um grande telão com a legenda acompanhava e direcionava a história. Excelente.
Algumas imagens:
PS: Pro inferno o wordpress e o sistema de postar fotos.
- Uma das salas da Opéra
- A entrada principal
- O teatro, visto do alto
- Vista da platéia
- A lata de sardinha
- A despedida dos atores
Allez Tsonga!
Nunca a França mereceu tanto um título no tênis. Talvez na época do Grosjean, em Bercy mesmo, mas não recentemente com os talentosos, mas pouco carismáticos Gasquet e Simon. Na última semana, Tsonga fez tremer o ginásio desde o jogo contra o Roddick, nas quartas-de-final de sexta-feira, quando os relógios bateram 23h30. Foram 10 breaks-points salvos no 2° set e uma virada emocionante.
No sábado, vitória de rotina contra o esforçado Blake e, no domingo, 25 aces e show contra o habilidoso e atual campeão Nalbandian. Maior título da carreira, vaga garantida no Masters, melhor tenista da França e 7° do mundo. E lágrimas em frente à imprensa. Parafraseando meu amigo português Miguel Seabra, independentemente do talento, hoje não tem ninguém no circuito como o Tsonga.
Dicas para melhor usar o Vélib
Aproveitando que eu voltei a fazer do vélib meu transporte número 1 e que o Jamal me avisou sobre algumas novidades que não sabia, resolvi juntar alguns conselhos práticos para você usar melhor o sistema de bicicletas públicas de Paris.
- Começando pela dica do Jamal, pegar uma bicicleta no plano e devolver no alto garante 15 minutos grátis na próxima locação. Para ganhar o bônus, basta devolver a bicicleta nas estações marcadas com V+ (no 5°, 9°, 13°, 14°, 15°, 16°, 18°, 19° e 20° arrondissements). Essas estações estão localizadas no mínimo a 60 metros de altitude.
- Se os 30 minutos do aluguel estiverem acabando e você só encontrar estações lotadas, pare e passe seu cartão ou credite o número do bilhete. Aparecerá no visor a opção: “Validar seus 15 minutos gratuitos“. Você valida e ganha um tempinho a mais para achar outra estação.
- Essa outra dica é do Daniel. De tempos em tempos, novas bicicletas são colocadas à disposição. E como elas são numeradas, dá para ter uma idéia de quais são as mais novas e, em teoria, têm maior possibilidade de estarem em bom estado. Assim, procure sempre as de número acima de 20 mil.
- Existe uma linguagem de sinais entre usuários de vélib. Se a bicicleta está ruim, devolva-a e vire o assento para trás.
- Alguns passos são importantes pouco antes de pegar a bicicleta. Primeiro, verifique se os pneus não estão furados, dê leves chutes nas rodas. Em seguida, passe ao assento, verifique se ele tem o regulador de altura. É válido ainda levantar a bicicleta e dar uma pedalada para ver se as correntes e as marchas funcionam. Por fim, mas menos importantes, cheque a “buzininha”.
- Na teoria, as regras para carros são as mesmas para as bicicletas. Ou seja, se você passar um sinal vermelho, multa. Eu já fui parado algumas vezes, mas na “hora H” os policiais nunca me obrigaram a pagar. Por isso, o que vale mesmo é verificar se não existem guardas ao redor, se carros não estão cruzando e passar. A estratégia é a mesma para quem está acostumado a dirigir em São Paulo à noite.
- Verifique bem o caminho a ser percorrido antes de se aventurar por aí. Existem mapas com as ciclovias. Outro dia eu fui cruzar Paris achando que sabia tudo de cabeça, errei inúmeras vezes e quase estourei o tempo em algumas ocasiões.
- Já o que não é mentira é sinalizar. Isso vale e é importante para a segurança. Se for cruzar uma avenida, uma rua, não tenha tanto medo, mas gesticule, erga o braço indicando para qual lado você vai virar e vá aos poucos.
- Na época de frio, proteja-se extremamente bem, sobretudo com algo para pescoço e mãos. Como diz o Jamal, apague o cigarro e deixe o celular quietinho. Em relação a ouvir música, tem gente que não se sente segura e prefere prestar atenção no caminho. Para mim, saída sem música é tão ruim quanto cruzar Paris de metrô sem ter nada para ler.
- Claro que tem que entender francês, mas o blog do vélb é bem legal e prático. Dêem uma olhada: http://blog.velib.paris.fr/blog/
Outros momentos…
Na última Festa da Colheita das uvas de Montmartre, o bairro ficou cheio. E claro que enfrentar uma multidão nunca é algo agradável. Mas aqui no quartier nem isso chega a incomodar tanto. Ao contrário, quanto mais visitante, mais artista de rua, mais festa, mais alegria…
Entrevista 2
Faço uma pausa nos posts de Montmartre para colocar a entrevista que eu dei para o site Entrevistando Expatriados, da Mirella. Segue o link http://expatriados.wordpress.com/2008/10/20/dissecando_franca/
As escadarias de Montmartre
Montmartre é o ponto mais alto de Paris, com 130 metros de altura. Logo, para chegar até o topo do morro e apreciar uma das mais belas vistas da cidade, você é obrigado a subir incontáveis degraus nas diversas escadarias espalhadas pelo quartier. E mesmo que você seja um daqueles que pega elevador pra descer do térreo ao subsolo, vai adorar sofrer um pouquinho e chegar lá em cima ofegante, mas feliz.

Restaurantes de Montmartre: Le Cépage e Le Maquis
Os restaurantes Le Cépage e Le Maquis não são nem de longe os melhores exemplos da excelente gastronomia francesa. Ainda assim, merecem destaque por outro fator: a localização. Ambos estão na Rue Caulaincourt, uma das mais típicas do charmoso quartier de Montmartre, e são separados por alguns poucos metros. Neles, a comida é o de menos. Já o simples fato de ir e observar o estilo local pode ser um momento muito mais marcante.
Há décadas, o Le Cépage faz parte do cotidiano dos moradores do bairro, servindo de simples cafés a refeições completas e até ostras, a especialidade da casa (encontradas entre março e outubro). Eventualmente, concertos de jazz movimentam às noites no amplo salão interno e dão o toque requintado da região dos artistas de Paris.
Comum também é ver em suas mesas espalhadas pela calçada uma mistura de franceses e turistas. Para descobrir o primeiro é simples: basta verificar se à sua frente existe uma pequena xícara de café vazia já há um bom tempo e se um jornal aberto esconde devidamente seu rosto. O segundo é reconhecido pelos cliques que dá em sua câmera e pelo olhar curioso para as famosas escadarias ao lado.
Exatamente por estar localizado entre estações de metrô e o caminho que leva ao topo do monte e à Sacre Cœur, o Le Cépage é ponto obrigatório de parada e certamente está retratado em milhares (talvez milhões) de fotos de viajantes que pelo menos por um dia se apaixonaram pelas ruas de Montmartre.
Logo ao lado, o Le Maquis também traz esta característica de mistura. Possivelmente um turista não receberá o tratamento caloroso que um antigo morador da região terá. Por outro lado e, levando em consideração que os franceses são conhecidos mundialmente pela impaciência com visitantes, isto não chega a ser um ponto que impeça a ida ao restaurante.
No menu, pratos típicos, com massa e carne (o tradicional ossobuco italiano foi testado e aprovado) e preços variando entre 14 e 16 euros para o sistema entrada + prato ou prato + sobremesa. Se conseguir levar o patrão na lábia, pode ganhar de presente um aperitivo simples. Certamente uma experiência mais cultural do que gastronômica.
Impressões de Montmartre
No inicio do século 20, também por causa do vinho, instalaram-se em Montmartre os cabarés como o Moulin Rouge, Au Lapin Agile e alguns outros. Artistas montaram por lá seus ateliês e o bairro ganhou fama mudial. Mais tarde, François Truffaut virou morador do “quartier“, perto da Place de Clichy, e o gravou em alguns de seus grandes filmes. Ele morreu jovem, infelizmente, e foi enterrado no cemitério de Montmartre. No século 21, uma moça boazinha, sonhadora e apaixonada imortalizou de vez a região ao mostrar o que de tão fabuloso seu destino havia reservado.
Na minha primeira vinda a Paris, em 1998, guardei boas memórias do bairro. Após 10 anos, posso dizer que sou um de seus felizes moradores. Neste último final de semana, aqui também, aconteceu a Festa da Colheita, no topo da montanha. Na verdade, a colheita da uva já havia acontecido em setembro, mas a festa foi somente agora. Nestes dias, o bairro fica mais cheio do que o normal, mas ainda assim não perde seu charme.
Abaixo, algumas impressões do bairro (observação: o WordPress é o pior lugar do mundo pra postar foto):
Paris tem comida japonesa acessível. Só não tem rodízio.
A primeira experiência não foi das mais bem-sucedidas. Resolvi testar um restaurante japonês ao lado da minha casa e, para meu dissabor, tudo que havia ouvido sobre eles em Paris fez sentido: paguei caro e comi pouco. Exatamente o contrário do que acontece no Brasil, país da fartura, até em se tratando de comida japonesa.
Mas se por aqui não existem os maravilhosos rodízios, ao menos em alguns restaurantes pode-se comer extremamente bem. Insistindo, encontrei boas opções. O melhor na relação custo-benefício entre o 17º e 18º arrondissement fica no metrô La Fourche, o Thé Vert. A decoração é de bom gosto, moderna e com mesas, talheres e copos de qualidade (provavelmente comprados na Ikea). Os banheiros são limpos e os garçons dão “oi” e “tchau” quando você entra e sai. Algo que até mesmo os franceses estranham.
No Thé Vert o cardápio é ao menos bem variado. E os clássicos menus dominam os pedidos. Para o leigo, em um restaurante japonês de Paris, pedir um menu significa ter como entrada uma sopa de peixe, com tofu e algas, além de uma saladinha de repolho com tomate e pepino antes do prato. Uma porção de sashimi com arroz custa 10,50 euros. Por um prato com 12 sushis, sendo 6 de abacate, salmão e ovas de peixe, o tal california, 6 de cream-cheese e salmão e mais dois espetos de salmão na chapa, paga-se 15,00.
Tudo, porém, é bem preparado, em bom tamanho, o que deixa ao menos a impressão de que o número limitado não é tão pouco quanto você pode imaginar.
Existem outros restaurantes mais chiques – e caros – e com muito mais variedade. Um dos mais conhecidos é o Matsuri, que foi pioneiro no estilo balcão e esteira rolante. Ou seja, você se senta à frente do sushiman e ao lado passa uma esteira com todos os pratos e tipos de comidas, seja o sushi básico, sashimi, hot-rolls, tempurás, saladas, sobremesas e outros. Cada prato tem uma cor, cada cor tem um preço. E você paga pelo que come.
A idéia é excelente e funciona bem, tanto que diversas outras casas copiaram o formato. O problema é que a cor mais barata, a do prato com 6 sushis básicos, por exemplo, custa 4 euros. Hot-rolls estão na faixa dos 5 euros. Outros pratos mais incrementados, entre 6 e 7.
Vale a pena pela experiência, por ver o trabalho do sushiman e porque o restaurante é superbem frequentado (os endereços variam entre as proximidades da Champs Elysées, a Bolsa de Paris e o 16° arrondissement). Em relação aos valores totais, dificilmente o cliente desembolsará menos de 40 euros. Dependendo do apetite, aliás, a conta pode aumentar consideravelmente.
E que tal fazer em casa ?
Fazer uma “soirée sushi” também não é uma má idéia na França. Basta apenas conhecer as técnicas, ter bons aparelhos – sobretudo uma boa faca – e escolher um bom lugar para comprar o peixe. O quilo do salmão escocês custa entre 18 e 20 euros. O pavê de salmão, que se encaixa melhor para as “brochettes” e pratos quentes, entre 10 e 12. O atum é caro : cerca de 30 euros o quilo.
De resto, algas, molhos, arroz, vinagre e outros aparatos são relativamente baratos. No geral, um jantar para 6 ou 7 pessoas acaba saindo o mesmo preço do Brasil. Vale a dica.
O orgulho de ser (quase) francês
Tudo ia bem, sem acidentes de percurso, sem encheções de saco, sem perguntas intrusivas, sem taxas para pagar. Mas como diz o velho e bom ditado, “esmola demais o santo desconfia”. Tanto que na última quinta-feira, um dia depois de passar pela entrevista na Polícia Federal daqui, recebi uma carta me convocando para uma visita médica, junto de um papel intitulado “Contrato de recepção e integração” e um boleto bancário com o valor de 275 euros a ser pago em nome do Estado da França.
Para explicar melhor, retorno ao Brasil, mês de julho. Na preparação para o casamento, fomos ao Consulado da França em São Paulo e passamos por duas entrevistas com a responsável pela união civil de franceses e brasileiros. Fomos armados até os dentes de papéis, provas, cartas de amor, fotos, mas nada foi preciso. Por incrível que pareça, a moça não só nos acolheu com sorrisos, como agiu de forma competente e rápida.
Mesmo com as idas e vindas dos papéis para a França, conseguimos acertar tudo em tempo recorde, tirei meu visto de conjoint de français e parti tranqüilo para Paris. Na primeira ida à polícia – novamente preparados para a guerra -, fomos surpreendidos com nova boa recepção, mais sorrisos e uma carte de séjour temporária, que me dava o direito inclusive de trabalhar e viver normalmente.
Veio, finalmente, a entrevista que cito no primeiro parágrafo. A mais importante, a definitiva. Mais uma vez quase nada a declarar – com exceção das duas horas de espera – e apenas a indicação : ”Você deverá passar pela visita médica e aí sim pegará tua carte de séjour definitiva”. Simples assim ? E mais : “Sua carte de séjour deverá ser renovada a cada ano e, após três renovações, ela valerá por 10 anos”. Mas vocês são muito bonzinhos !
No fatídico dia seguinte, abro o envelope com meu nome e me deparo com os formulários e o boleto bancário. Obviamente o valor abusivo me choca (são 275 euros apenas na primeira vez ; depois, cai para simbólicos 70 euros. Ufa !), mas o tal “contrat d’accueil et d’intégration“, imposto pelo então Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, é de um teor ofensivo. Vamos, então, a ele e na íntegra.
Na capa, abaixo do título e da imagem da Liberté (a mesma da estátua de Manhattan, o que explica muita coisa), temos o texto : “Você está autorizado a morar na França. Para facilitar sua integração, o Estado propõe que você assine o contrato de recepção e integração.“
No verso, seguimos com os esclarecimentos : Você irá se beneficiar de – uma reunião de recepção coletiva (oba, festa !! Eu levo os brigadeiros) ; de uma visita médica, que permitirá a entrega de sua carte de séjour ; de uma entrevista individual permitindo neste caso particular de conhecer seu nível de conhecimento da língua francesa ; de uma reunião de formação cívica, que apresentará os direitos fundamentais, os princípios e valores da República Francesa ; de uma sessão de informações sobre a vida na França ; eventualmente, de uma entrevista com um assistente social e de informações sobre o acesso ao emprego e à formação profissional (reparem que em um dos itens mais importantes, o acesso ao trabalho, há anteriormente o termo “eventualmente”).
Você se responsabilizará por : participar da reunião de formação cívica e da sessão de informações sobre a vida na França ; por seguir a formação linguística que convier a seu caso específico e a se apresentar ao exame para a obtenção do diploma inicial de língua francesa (DILF).
Ao cumprir estes pontos, voce receberá um atestado de presença.
Em caso de não respeitar estas obrigações, o responsável poderá anular o contrato, recusar a renovação de sua carte de séjour ou a entrega da carta de residente.
O respeito ao contrato e às obrigações é de extrema importância para que você encontre seu lugar dentro da sociedade francesa.
Ao ler tudo isso, me lembrei daquela cena do Tropa de Elite em que o Capitão Nascimento diz aos berros aos candidatos a entrar no Bope: “NUNCA SERÁ!!!”. Mas no fundo, no fundo, só posso me sentir honrado de fazer parte de um país tão íntegro e acolhedor. Obrigado, França ! Obrigado Monsieur Le Présidente de la Republique ! Vocês salvaram mais um ser humano da miséria e da ignorância.
Quem é vivo…
Boas pessoal.
Depois de uma breve parada de quase 4 meses (!!!), estou de volta. Na verdade estou de volta a Paris já faz um bom tempo, mas estava e estou meio atabalhoado, tentando me reorganizar e planejar algumas coisas. Só nesse retorno me inscrevi em dois cursos, de foto e de francês, então pretendo me manter bem ocupado.
Neste tempo também, como muitos sabem, estive pelo Brasil. Vivi momentos extremos por lá, algumas tristezas, algumas felicidades. Acho que no geral, foi positivo, porque também pude curtir bastante minha família. Sei que nesta nova parte da minha vida ficarei muito mais por aqui e vai ser um pouco mais difícil revê-los e também meus amigos. Mas são as escolhas que você faz.
Daqui, além dos cursos, posso dizer que vivi recentemente algo bem legal numa viagem pelo Sul da França. Eu e a Manue alugamos um carro-furgão, um Renault Traffic, preparamos colchão inflável, botijão de gás, cobertores e fomos andando por aí, dormindo onde dava, acordando e decidindo pra onde ir, meditando em montanhas, conhecendo as riquezas e exuberâncias da Côte d’Azur. O que fez a gente querer muito ir pra lá perto um dia, numa cidadezinha mais calma e, sobretudo, mais quente e com tempo melhor que aqui.
Obviamente que a gente perderia, por exemplos, coisas que só Paris proporciona, como a própria cidade, linda como poucas outras, as facilidades de transporte, as 1000 possibilidades de coisas a fazer, os cinemas, os cursos praticamente de graça, os amigos…Mas sonho é sonho, vamos ver no que dá.
Coloco aqui o link das fotos que tiramos na viagem com o Francky Passe Partout (nosso Renault). Nas Gorges du Verdon, vivi um dos momentos mais especiais da minha, que entraram de cara nos top dos lugares que conheci, ao lado de Machu Picchu, Lençóis Maranhenses e Chapada Diamantina.
Espero reencontrar o ritmo, com dicas daqui também.
Passeio 3: trajeto circular de Saint Lazare à Opera
Um roteiro recheado de monumentos e belas vistas do centro de Paris
Conhecer o centro de Paris pegando metrô pode ser uma boa pedida para quem quer ganhar tempo. Subir naqueles tradicionais ônibus de dois andares de empresas especializadas em city tours também não chega a ser uma má idéia. Afinal, o pacote com os principais monumentos já vem todo mastigadinho. Mas ao seguir nossa (esta) sugestão, o viajante certamente encerrará o dia com a impressão de que viu “quase tudo” da capital e o que é melhor: fazer isso de bicicleta é ainda mais prazeroso.
Apesar de ser o menor em extensão, o terceiro passeio talvez seja o mais intenso em termos de pontos turísticos e pode se tornar longo exatamente pelo número de paradas a serem feitas. Assim, fica a cargo do visitante dosar as pausas para fotos, lanches e exclamações admiradas. Num trajeto quase circular, a saída é logo em frente à Gare Saint Lazare, no 8º arrondissement, numa estação de Velib na Rue de l’Isly.
De cara, na Rue du Havre, uma idéia do que se seguirá: como andaremos pelo centro, o movimento de carros, ônibus e pessoas será sempre intenso. Muito cuidado nos grandes cruzamentos e atenção redobrada à sinalização. O primeiro “teste” é logo ao atravessar o Boulevard Haussmann, em sentido à Rue Tronchet. Já ao final avista-se a igreja de Madeleine (1), com suas 52 colunas e em forma de templo.
Contorne a praça e siga na Rue Royale, até a Place de la Concorde (2), de onde é possível ver a Torre Eiffel e a Champs Elysées, à direita, o Jardin des Tuileries, à esquerda, e a Assembléia Nacional, ao fundo. Com atenção ao fluxo desordenado, vá sempre beirando a calçada da direita até chegar ao Quai des Tuileries, entre o jardim e o Sena. Na avenida, já com ciclovia, percorra em alta velocidade toda a extensão do Museu do Louvre (3), enquanto na outra margem observe a aproximação do Museu D’Orsay.
A longa reta se encerra no momento em que a Île de la Cité corta o Sena ao meio. A hora é de virar à direita, chegando à ilha pela Ponte Neuf (4), a mais antiga de Paris, datada de 1607. Como opção, pode-se descer com ou sem a bicicleta para dar uma espiada no jardim na pontinha da ilha. Do contrário, avance pelo Quai des Orfevres, passando ao lado do agitado bairro de Saint Michel, até chegar à praça da igreja Notre Dame (5).
Drible os milhares de turistas com cuidado e, sempre lentamente, entre pelo jardim ao lado da catedral, admirando seus quase 850 anos de história. Espalhados pelo local, os bancos convidam a uma pausa com um bônus: a vista. Aproveite: estamos quase na metade do passeio.
A próxima maravilha é a Île Saint Louis (6), a irmã menor e mais acolhedora da Île de la Cité. Sempre reto pela Rue Saint Louis en Île descubra o charme do local e o porquê de seus habitantes serem considerados privilegiados (se é que algum outro de Paris não o seja).
Se o dia estiver quente, nada melhor que provar um sorvete da Bertillon, considerado o melhor da cidade, e continuar calmamente até a Ponte Sully. Lá, a tranqüilidade dá novamente lugar ao tráfego intenso, mas não se desespere: mantenha-se nas ciclovias e vire à esquerda no Quai des Celestins e à direta na Rue Saint Paul, já na região do Marais (7), outra pérola de Paris.
Novamente com duas pequenas curvas – na Rue Saint Antoine e na Rue Beautreillis Birague -, cruza-se os prédios que cercam a Place des Vosges (8 ), onde é permitido – e obrigatório – sentar na grama. Depois de admirar a arquitetura que a envolve, pegue a Rue de Turenne apenas para aproveitar melhor a descida na Rue Vieille du Temple. Acreditem, vale bastante a pena para conhecer melhor o Marais, ver construções que se assemelham a castelos, ruas estreitas e confusas (propositalmente, talvez) e pequenas lojas com gastronomia de todas as regiões da França.
Ao término, vire à direita na Rue de Rivoli, e veja uma longa seqüência de monumentos importantes. Pela ordem, o maravilhoso Hôtel de Ville (9), sede da prefeitura e talvez um dos prédios mais lindos da cidade; a torre de Chatêlet, recém-reformada; e, finalmente, o Louvre. Desta vez, porém, entre e dê uma volta pela Place Carré (10), avance até as pirâmides de vidro do museu e confira o contraste que gerou enorme polêmica durante sua construção.
Na seqüência, complete o trajeto pela Rue de Rivoli e veja agora uma série de hotéis, com destaque para o Le Meurice e seu restaurante três estrelas no Guia Michelin. A região é uma das mais chiques e caras de Paris e tem como símbolo a Place Vendôme (11), alcançada após curva à direita na Rue Castiglione. Com uma enorme coluna ao centro e em forma octogonal, é “fechada” por joalherias, grifes importantes e pelo Hotel Ritz, talvez o mais célebre da capital francesa.
Mais à frente, a Rue de la Paix indica o fim do passeio. Mas não antes de ver a Opera (12) e seus anjos dourados nas extremidades. Para deixar a bicicleta, vire à direita no Boulevard des Capuccines: uma estação estará à espera logo à frente de um cinema da esquina. Para fechar o dia em alto estilo, reserve o jantar no Café de la Paix, um dos restaurantes mais tradicionais de Paris, freqüentado no século 19 por Oscar Wilde e outros cidadãos ilustres, ou procure um bistrô na região dos Grands Boulevards.
1 – Igreja de Madeleine

2 – Place de la Concorde

3 – Museu do Louvre

4 – A Pont Neuf

5 – Notre Dame

6 – Ilha Saint Louis

7 – O Marais

8 – Place des Vosges

9 – Hôtel de Ville

10 – Place Carré

11 – Place Vendôme

12 – Opera

A rota

Rápido adendo
Estive bem ausente do blog por uma série de razões. A principal delas é que meus pais estiveram por aqui e fizemos uma bela viagem para que eles vissem coisas que só conheciam por fotos. Mas infelizmente eles tiveram que voltar às pressas ao Brasil por conta de um problema de saúde na família, o que também me deixou sem motivação para escrever.
Para complicar ainda mais, começou Roland Garros e estou fazendo a cobertura in loco do encerramento da carreira de Gustavo Kuerten para o Tenisbrasil. Anda tudo uma correria, mas estou tentando ao menos reencontrar o rumo.
Ainda publicarei quando der o terceiro passeio para fechar a série do que está publicado na revista. Talvez mais tarde coloque um roteiro do que fiz com meus pais também, o que recomendo enormemente para um viajante com um pouco mais de folga e vontade de não ficar apenas em Paris. Para ressaltar, a Próxima Viagem com minha matéria dos passeios ainda deve estar nas bancas, com texto diferente, mas meu.
Passeio 2: de La Vilette ao Sena
Que tal descobrir a Paris do dia-a-dia e ainda curtir um maravilhoso pôr-do-sol no Sena?
Falar de Paris é pensar automaticamente na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame e nos cafés e prédios construídos na metade do século 19 pelo Barão de Haussmann. Com este novo passeio, porém, o visitante é convidado a conhecer uma parte nova da capital francesa, dois bairros periféricos e de certa forma segregados. Pelo caminho, teremos a chance de ver o dia-a-dia de um parisiense de classe média e ainda assim encontrar um charme bem diferente daquele do centro.
E se o trajeto for feito no verão, a dica é sair no início da tarde, para que ainda seja possível apreciar um lindo pôr-do-sol em nosso ponto de chegada.
Para partir, proponho uma estação de Velib na Rue d’Hautpoul, próximo à Avenue Jean Jaurès e à estação Ourcq. O local não chega a ser dos mais bonitos da cidade, mas fica bem no coração do 19° arrondissement, um dos que foram anexados a Paris apenas em 1860. Certamente um lugar deixado de lado pelo visitante “comum”. Entre os prédios altos, de arquitetura típica dos anos 70, está o Canal de L’Ourcq, primeira parada interessante do percurso.
Antes mesmo de pedalar tranquilamente pela ciclovia ao lado do córrego, é possível avistar à direita o Parque de La Villete, onde fica a enorme Cité des Sciences (1). Já à esquerda, sempre pela pista exclusiva para as bicicletas, passe pelo Bassin de La Vilette, ainda mais charmoso que o primeiro e com área para jogos de pétanque – uma espécie de bocha francesa -, mesas de pingue-pongue e cinemas.
Ao fim, encontra-se novamente a Avenue Jean Jaurès, mas o caminho segue logo ao lado, pela Rue Armand Carrel, que termina no lindo Parque des Buttes Chaumont (2), maior área verde dentro de Paris. Lá, assim como no Parque Monceau, do passeio anterior, não é permitido andar de bicicleta, mas a parada é obrigatória, principalmente por conta de sua geografia curiosa: misturam-se partes baixas e subidas enormes, um pequeno lago e uma rocha gigante ao centro, com um mirante e vista para a Sacre Coeur.
Ao sair, marcha leve na Velib para subir a Rue Manin, ao lado do parque, até a Rue Simon Bolivar, que muda de nome para Rue des Pyrenées, numa homenagem adequada à cadeia de montanhas que separa a França e a Espanha. No melhor espírito “Bicicletas de Belleville”, cruze o tradicional bairro (3) com suas ruas em sobe-e-desce e encontre o tal parisiense “normal”, além de mercearias, açougues, pequenas feiras e, claro, lojas de vinhos. Tudo sempre a bom preço.
Após o pequeno morro da Simon Bolivar, descer a Rue des Pyrenées em alta velocidade é um alento, mas vale o cuidado pelo fato de não haver ciclovia na região. Ao fundo, a Place Gambetta representa bem o 20° arrondissement, com o movimento intenso de carros e ônibus que chegam das cidades vizinhas. Mantenha-se à direita e, já na Avenue Gambetta, passe ao lado do famoso Cemitério du Père Lachaise (4), que aos olhos de um viajante descuidado mais parece um parque.
Aqui, ao contrário do Buttes Chaumont, a parada fica ao gosto do freguês. Se a opção for pela continuação, a descida ainda pela Avenue Gambetta é longa e em altíssima velocidade. Vale checar bem os freios anteriormente. Sempre reto, a Rue du Chemin Vert traz restaurantes do mundo todo (que tal uma cozinha afegã na Rue Saint Maur, uma de suas travessas?) e intensa atividade cultural. Siga por ela e vire à esquerda no Boulevard Richard Lenoir, numa ciclovia que vem desde o Bassin de La Vilette.
Bem ao centro da avenida, vê-se a coluna da Bastilha (5), no local da antiga prisão que se tornou símbolo da Revolução Francesa. Pelo caminho, outro agitado mercado aberto todos os dias vale como parada antes de chegar à praça principal, que separa nada menos que quatro arrondissements (3, 4, 11 e 12). Após contornar, o percurso continua ao lado do charmoso Bassin de l’Arsenal (6), com seus barcos-casas já ao lado do Sena, um indício do fim do trajeto.
Se a tarde já estiver caindo, melhor ainda. Por ciclovias bem sinalizadas, vire à esquerda na avenida Quai de la Rapée e cruze o Rio Sena pela Ponte d’Austerlitz. Ali, ele praticamente divide a cidade: à direita, o centro e a imagem da Notre Dame. À esquerda, o bairro de Bercy, com prédios enormes e até mesmo usinas e fumaça no céu. Por tudo isso, prefira o caminho que leva à famosa igreja.
Logo em frente à Ponte d’Austerlitz aparece o Jardin des Plantes. O ciclista, porém, segue pelo Quai Saint Bernard e desce bem ao lado do rio, onde certamente verá passar alguns bateaux mouches repletos de turistas. A vista já enche os olhos e, por isso, é hora de curtir o momento. Ao ver a Île Saint Louis à direita, suba novamente em direção ao Quai Saint Bernard para devolver a bicicleta na estação do Boulevard Henri IV, próximo ao Instituto do Mundo Árabe, e volte por ele mesmo, agora sob a Ponte Sully.
O pôr-do-sol (7) é o grand finale já na Paris tradicional e romântica desenhada, fotografada e descrita em milhares de livros e poemas. Dali, boas opções para o jantar não faltam. Afinal temos à esquerda a região de Saint Germain e dezenas de bons restaurantes.
1 – Parque de La Vilette

2 – Parque des Buttes Chaumont

3 – Belleville

4 – Cemitério Père Lachaise

5 – Bastilha

6 – Bassin de l’Arsenal

7 – Notre Dame

Mapa do trajeto



















As vinhas e a (o) Sacré Coeur ao fundo

