Greve na França
Hoje foi dia de greve geral na França. Em Paris, a manifestação saiu da Praça da Bastilha rumo à Opéra. Tudo correu bem, com muita ordem e reivindicações justas até alguns manifestantes se exaltarem e a policia entrar em ação. Algumas fotos que fiz do momento da intervenção. Não houve nada de mais grave, mas as cenas foram impressionantes.

Sarkozy, pauv' thon

Grève Générale, Rêve de Changements

Na caida da noite

Começando a esquentar

Sarkozy, démission!!

Riots on the streets of Paris

Esquentando a noite fria


Allez, allez, allez à l'Elysée

O orgulho de ser (quase) francês
Tudo ia bem, sem acidentes de percurso, sem encheções de saco, sem perguntas intrusivas, sem taxas para pagar. Mas como diz o velho e bom ditado, “esmola demais o santo desconfia”. Tanto que na última quinta-feira, um dia depois de passar pela entrevista na Polícia Federal daqui, recebi uma carta me convocando para uma visita médica, junto de um papel intitulado “Contrato de recepção e integração” e um boleto bancário com o valor de 275 euros a ser pago em nome do Estado da França.
Para explicar melhor, retorno ao Brasil, mês de julho. Na preparação para o casamento, fomos ao Consulado da França em São Paulo e passamos por duas entrevistas com a responsável pela união civil de franceses e brasileiros. Fomos armados até os dentes de papéis, provas, cartas de amor, fotos, mas nada foi preciso. Por incrível que pareça, a moça não só nos acolheu com sorrisos, como agiu de forma competente e rápida.
Mesmo com as idas e vindas dos papéis para a França, conseguimos acertar tudo em tempo recorde, tirei meu visto de conjoint de français e parti tranqüilo para Paris. Na primeira ida à polícia – novamente preparados para a guerra -, fomos surpreendidos com nova boa recepção, mais sorrisos e uma carte de séjour temporária, que me dava o direito inclusive de trabalhar e viver normalmente.
Veio, finalmente, a entrevista que cito no primeiro parágrafo. A mais importante, a definitiva. Mais uma vez quase nada a declarar – com exceção das duas horas de espera – e apenas a indicação : ”Você deverá passar pela visita médica e aí sim pegará tua carte de séjour definitiva”. Simples assim ? E mais : “Sua carte de séjour deverá ser renovada a cada ano e, após três renovações, ela valerá por 10 anos”. Mas vocês são muito bonzinhos !
No fatídico dia seguinte, abro o envelope com meu nome e me deparo com os formulários e o boleto bancário. Obviamente o valor abusivo me choca (são 275 euros apenas na primeira vez ; depois, cai para simbólicos 70 euros. Ufa !), mas o tal “contrat d’accueil et d’intégration“, imposto pelo então Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, é de um teor ofensivo. Vamos, então, a ele e na íntegra.
Na capa, abaixo do título e da imagem da Liberté (a mesma da estátua de Manhattan, o que explica muita coisa), temos o texto : “Você está autorizado a morar na França. Para facilitar sua integração, o Estado propõe que você assine o contrato de recepção e integração.“
No verso, seguimos com os esclarecimentos : Você irá se beneficiar de – uma reunião de recepção coletiva (oba, festa !! Eu levo os brigadeiros) ; de uma visita médica, que permitirá a entrega de sua carte de séjour ; de uma entrevista individual permitindo neste caso particular de conhecer seu nível de conhecimento da língua francesa ; de uma reunião de formação cívica, que apresentará os direitos fundamentais, os princípios e valores da República Francesa ; de uma sessão de informações sobre a vida na França ; eventualmente, de uma entrevista com um assistente social e de informações sobre o acesso ao emprego e à formação profissional (reparem que em um dos itens mais importantes, o acesso ao trabalho, há anteriormente o termo “eventualmente”).
Você se responsabilizará por : participar da reunião de formação cívica e da sessão de informações sobre a vida na França ; por seguir a formação linguística que convier a seu caso específico e a se apresentar ao exame para a obtenção do diploma inicial de língua francesa (DILF).
Ao cumprir estes pontos, voce receberá um atestado de presença.
Em caso de não respeitar estas obrigações, o responsável poderá anular o contrato, recusar a renovação de sua carte de séjour ou a entrega da carta de residente.
O respeito ao contrato e às obrigações é de extrema importância para que você encontre seu lugar dentro da sociedade francesa.
Ao ler tudo isso, me lembrei daquela cena do Tropa de Elite em que o Capitão Nascimento diz aos berros aos candidatos a entrar no Bope: “NUNCA SERÁ!!!”. Mas no fundo, no fundo, só posso me sentir honrado de fazer parte de um país tão íntegro e acolhedor. Obrigado, França ! Obrigado Monsieur Le Présidente de la Republique ! Vocês salvaram mais um ser humano da miséria e da ignorância.
E o circo pega fogo
Três matérias hoje no Libération mostram que o clima por aqui anda agitado em vários setores. Na política, o gênio do Le Pen atacou de novo. O líder da extrema direita daqui, que faz o Maluf parecer um Fidel Castro, reafirmou na última sexta-feira uma frase polêmica dita por ele mesmo em 1987. Tão horrível é esse cara que o próprio partido que ele fundou em 1972, o Front National, divulgou uma carta afirmando que esta opinião não refletia o ideal do grupo. Ah, a frase? Que as câmaras de gás não passavam de “um detalhe da história da Segunda Guerra Mundial”.
Já o Le Monde anda mal das pernas. Depois de os funcionários entrarem em greve há duas semanas e o jornal não sair apenas pela segunda vez em mais de 60 anos de história, nesta terça o mesmo grupo que liderou as paralisações exigiu da direção uma página inteira da edição de amanhã para explicar aos leitores o que está acontecendo por de verdade. Isso ou nova greve. A direção bateu o pé, disse que não aceita a idéia e que não tem outra solução para conter a crise do jornal a não ser demitir 129 funcionários.
Por fim, o Libé também traz um artigo sobre a crise do futebol francês. É que hoje tem rodada da Copa dos Campeões e eles mais uma vez têm de engolir três times ingleses (malditos ingleses !!). Agora, o ministro do esporte e ex-técnico da seleção de rúgbi (praticamente um gênio da estratégia) exigiu um estudo completo sobre a “competitvidade do futebol profissional francês”. E ele vai mais longe, quer que uma lei padronize os salários astronômicos dos jogadores em toda a Europa.
Bom, enquanto o Lyon luta para passar das oitavas, o Marselha perde pro Zenith na Copa da Uefa e o PSG luta pra não cair pra série B, eu vou pegar minha cerveja e torcer pro Manchester. Allez, Christiano Ronaldô !
Estacionar em Paris: missão impossível
Na última sexta-feira, saí de carro por aí com um amigo de um amigo que estava de passagem e havia alugado um pequeno Citroën. Foi divertido porque foi a primeira vez em 1 ano que fiz isso, mas era justamente sexta à noite e percebi que uma das coisas mais terríveis em Paris é tentar estacionar um carro.
A guerra por vagas é feroz, ao ponto de se andar na contra-mão ou realmente empurrar o carro da frente e dar pancadas (e não o famoso totózinho) no de trás. Felizmente o dele era pequeno ao ponto de caber em qualquer espaço de moto. Incrível.
Hoje, voltei a tocar no assunto ao ver três policiais gastando a caneta em multas a carros estacionados em lugares absurdos, como na frente de uma garagem, em cima da faixa de pedestre, bem na esquina de uma rua já apertada e por aí vai. A pegunta é : para onde será que vai esse dinheiro ? Porque se ele for realmente bem empregado, está aí uma das razões para Paris ser desenvolvida.
A educação do presidente
Mais uma do Monsieur le président de la République, Nicolas Sarkozy. Precisa dizer o burburinho que está isso aqui…?
Hoje cedo, na padaria, um senhor comenta o caso e volta a tocar no ponto “crucial” da questão: “Não existe mais a educação de outrora, ninguém mais fala bonjour, merci, ou te trata com respeito”. E não é com o Sarkozy que isso vai voltar.
Como tradução do que se passou, Sarkozy vai ao Salão da Agricultura, distribui sorrisos falsos e apertos de mão até que um homem se recusa a retribuir o gesto e diz: “Não me toque, você me suja”. É então que ele responde: “Saia daqui, pobre bastardo!” (ou algo com ainda maior desprezo que a censura desse blog vetou).
Outros prêmios de fotografia
Para uma época de silêncio prolongado, seguem novas imagens da França. Uma do metrô, outra do passeio às margens do Marne, um afluente do Sena. Em pleno inverno, a primavera chega com estilo e esbanja cores. Obrigado poluição ! Obrigado camada de ozônio e viva os que desmatam a Amazônia ! O inverno nunca foi tão quente por aqui.





Viva a Revolução!
Só reportando um trecho extraído do Le Monde, de entrevista com um analista político sobre o presidente: “Hoje, ele (Sarkozy) está sendo posto à dura prova em um país acostumado aos sistemas tradicionais e sólidos e que pode não tolerar a frivolidade de seu novo presidente da República“.
E outro do Libération, de esquerda, com a palavra do líder do Partido Socialista, François Hollande: “Sarkozy nos expõe sua vida, ele a exibe, obriga os jornalistas a seguirem seus passos, ele me faz tecer comentários sobre isso…Eu não estou nem aí para seu casamento, para suas viagens, para seu relacionamento com a Carla Bruni. Peço meu direito de não saber nada sobre o assunto“. Detalhe importante: François Hollande se separou da Ségolène Royal logo depois das eleições de 2007, mas o assunto foi bem tratado de forma bem mais moderada que a separação de Sarkozy e Cecilia.
Isso tudo no mesmo dia em que um importante instituto de pesquisa aponta a queda do nível de satisfação da população em relação ao governo de Sarkozy ao patamar mais baixo desde a eleição: 39%. Viva a Revolução! Viva Maio de 68!!
Sarkozy e a política da ereção permanente
Transcrevo abaixo um texto publicado no Courrier International – traduzido de uma publicação argentina – sobre o ilustríssimo presidente da República da França, monsieur Nicolas Sarkozy. Não que não tenha novidades minhas daqui, mas achei oportuno dividir estas sábias palavras. E aproveito também para estudar, já que o texto não é nada fácil. Então vamos a ele.
“No meio do século passado, um frustrado candidato à presidência colombiana se perguntava: ‘Poder, para que ele serve?’ Aparentemente, ele nunca obteve a resposta para esta questão e morreu sem ter resolvido o enigma. Hoje, o presidente francês parece não ter a menor dúvida: o poder serve para gozar (aqui um jogo de palavras com jouir, que pode ser também desfrutar, usufruir), inclusive na cama, com lençóis em desordem como testemunhas de jogos amorosos.
No tabuleiro de xadrez da política mundial, não parece existir um chefe de Estado mais satisfeito, um homem que aproveita bem sua exposição na mídia, um macho exultante de suas conquistas. Nicolas Sarkozy se diverte como nunca e quer mostrar até que ponto o poder lhe enche de energia, para desejar mais e ser desejado, para fazer de seu mandato uma festa permanente, uma embriaguez dele próprio, uma ereção.
Na França e nos quatro cantos do mundo, o último episódio de felicidade sarkoziana eclipsou os deleites anteriores. Seu prazer atual é infinito, profundo, franco e massivo. Graças ao poder, o presidente está, de novo, apaixonado: ele conseguiu seduzir Carla Bruni, uma ex-top model e cantora de segunda linha, importante ícone da elite cultural (jet-set, na verdade, algo mais popularesco como “chiques e famosos”) parisiense e com quem passeia de mãos dadas à luz do dia e à frente das câmeras dos jornalistas.
(…) Sarkozy escolheu a decoração perfeita para revelar seu novo idílio: junto de sua radiante acompanhante, ele se deixou filmar num mundo de fantasia plena, de mocinhos e bandidos, onde a realidade é tão fácil, tão infantil, tão propícia ao sentimentalismo: a Disneylândia. É, então, em um local senão falso, mas virtual, que Mickey Sarkozy quis viver seu sonho. Lá, num universo colorido e eficaz, onde tudo funciona maravilhosamente, onde a justiça é verdadeiramente justa e o amor é melado (sirupeux, algo que vem de xarope e é mais que doce), onde a gente pode esquecer que os adultos são enviados ao Iraque para matar os vilões.
Mas, evidentemente, como um bom exemplo de homem de direita que é, Sarkozy recusa o conceito de luta de classes herdada do século 19. O que lhe interessa é mesmo o conceito pré-histórico de “luta dos sexos”, segundo o qual os machos que dominam um território fértil têm direito a todas as mulheres que estejam ao seu alcance. Com ou sem Carla, Sarkozy terá sempre a seu dispor algumas belas jornalistas da imprensa parisiense que não hesitarão em conhecer sua rica casa (grotte, no sentido literal, gruta).
O segundo capítulo da novela entre Nicolas e Carla aconteceu no fim de 2007, diante de outros céus. O presidente escolheu a decoração suntuosa (e talvez holywoodiana) de Louxor, no Egito. O mais bonito templo da antiguidade, Karnak, e as tumbas dos faraós serviram como pano de fundo para mais uma rodada de sorrisos, passeios, mãos dadas, tudo, evidentemente, com a presença de uma câmera e de fotógrafos. Um festa digna de alguém que se ama como Nicolas Sarkozy. Em resumo, depois de saber que Sarkozy aprecia a felicidade e o prazer que o poder proporciona, acabamos de descobrir que ele não tem nenhum senso de ridículo.
Os franceses se perguntam com todo direito quanto vai lhes custar esta viagem de Sarko ao Egito, com seus vinte quartos alugados em um hotel de luxo e aviões de caça escoltando o jato presidencial. Porque para ir, Sarkozy e Carla estiveram a bordo de um jato particular pertencente a Vincent Bolloré, um dos chefes de um instituto de pesquisa que continua a colocar Sarkozy no primeiro lugar das personalidades preferidas dos franceses. Aliás, o primeiro lugar é o único que vale para um homem que se move como uma marionete, avança como um tanque de guerra e ama como uma máquina de dinheiro (aquelas máquinas de bingo, com uma alavanca). Porque, enfim, sozinhos os sortudos faturam o grande prêmio. Os outros olham Nicolas Sarkozy triunfar pela televisão.
Carla Bruni e a noiva do vampiro
Como estou fazendo uma seção de notícias curtas para a Revista Brazuca, ando fuçando em sites de tudo quanto é tipo, sejam eles bons ou ruins. E entre os da França que mais se orgulham em postar fofocas e notícias quentes dos chiques e famosos está o da Paris Match, uma das publicações mais importantes do mundo no gênero desde 1945.
E a última do tema mais badalado do momento aqui na França, o noivado do presidente Sarkozy com Carla Bruni, é a reprodução do anel de compromisso que ele deu à italiana. Trata-se de um Dior de valor simbólico de 20 mil euros chamado de “A Noiva do Vampiro“.Abaixo a reprodução do texto da Paris Match.
“É um presente que pode ser gótico e romanesco e que Nicolas Sarkozy ofereceu ao seu grande amor Carla Bruni: uma pedra Dior em ouro branco, diamantes e turmalina rosa. No valor aproximado de 20 mil euros, foi criada por Victoire de Castellane para a coleção “Noiva do Vampiro” e traz esta idéia: ‘Amor eterno entre um vampiro e uma jovem filha’. Sabíamos que o presidente tinha origem húngara, mas não conhecíamos suas raízes na Transilvânia“.
Coincidentemente ou não, essa última frase resume bem o governo do Sarkozy por enquanto.
O cigarro fora de moda
Tinha em mente fazer um texto jornalistico para abordar o tema, mas não consegui conter a adjetivação logo no inicio. Então vai ai uma mescla. É que o cigarro foi finalmente banido dos lugares publicos, incluindo bares, cafés, restaurantes e danceterias. A medida, que ja havia sido aprovada no meio do ano passado, entrou em vigor agora no dia 1° de janeiro e trouxe polêmica em Paris.A principal diz respeito ao lugar do cigarro na cultura francesa.
Um artigo do Le Monde baseado em repercussões internacionais, ressaltou que literatura, musica e cinema daqui não seriam os mesmos sem eles, ja que eram parceiros inseparaveis de nomes como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Serge Gainsbourg, Jean-Paul Belmondo, Edith Piaf, Jeanne Moreau entre outros. Gainsbourg, alias, teria imortalizado o Gauloise sem filtro, enquanto Moreau fazia apologia aos lights americanos.
Outros dois pontos foram trazidos à tona pela BBC e pelo Washington Post. A primeira se pergunta como ficara a situação dos pequenos bares do interior francês, que se tornaram, ao longo dos anos, centros de reuniões amigaveis dos habitantes locais. Ja o segundo aborda a saida das companhias de cigarro para paises agora mais rentaveis em termos de vendas e com mão-de-obra mais barata, como Espanha e Portugal.
Por outro lado, a passagem da lei é considerada uma vitoria importante do governo. Logo no dia 1° (apesar de eu mesmo ter presenciado dois cafés com gente fumando dentro), a ministra Roselyne Bachelot, seguindo os moldes da politica espalhafatosa do Sarkozy, fez um tour pelos cafés e restaurantes de Paris cercada de jornalistas e câmeras interpelando alguns clientes. Para um deles, perguntou : “Não acha que esta melhor assim? Não é melhor respirar e sentir o cheiro da comida? Ah, você fuma? Então faça de 2008 o ano em que você deixara de fumar. Você vera como a vida é mais saudavel”.
Em Lyon, a policia entrou no show e fez nesta sexta-feira uma batida com direito a policiais à paisana e diversas viaturas, numa operação digna de BOPE em dia de baile funk nas favelas do Rio de Janeiro. Tudo isso para multar um unico cidadão em 68 euros por estar fumando dentro do bar. O dono, que se prontificou a pagar a taxa, correu o risco de desembolsar 750 para cada cinzeiro encontrado nas mesas e mais 135 por ter permitido o fumo, mas escapou ileso sob a condição de não repetir o erro.
Em pesquisas em sites daqui, a recepção da lei foi positiva para mais de 80% dos votantes, enquanto outra enquete aponta que 97% dos estabelecimentos ja respeitam a medida. Por fim, a Espanha aproveitou o embalo e divulgou numero interessante: 1.2 milhão de pessoas deixaram de fumar apos a proibição de 2006. E a Alemanha também deve aderir completamente à nova onda até o meio do ano.
Experiência propria – Andando pelas ruas de bairros calmos como Montmartre, a cena mais marcante é o acumulo de pessoas nas portas de bares e cafés. Todas fumando, amontoadas e encarando um frio nada acolhedor. So faltava agora essas mesmas pessoas cortarem o alcool e voltarem para casa nas bicicletas publicas. Ai ja é pedir demais.
2008 ne passera pas!
Aqui um pedaço da engraçada manifestação nas ruas de Montmartre, pertinho da praça da Sacre Coeur.
A saga continua…
Só pra matar o assunto sobre quem é mais inteligente, transformei em post o link que o Jamal, um amigo meu francês, me mandou nas mensagens abaixo.
É incrível, realmente incrível…
Um banho de informação
Logo no segundo dia que saí com a Manue ela me perguntou qual era a imagem dos franceses no Brasil. Caramba, segundo dia e uma pergunta complicada como essa ! Ia falar o quê ? Que todo mundo pensa que francês é afeminado e que não toma banho? Para ser o menos vulgar possível, optei pela primeira opção, tentando amenizar ao máximo, e ela caiu e ainda achou graça. Como são bons os primeiros dias…
E mais tarde, foi só eu falar que ia morar na França para as piadinhas começarem: “Ah, entendi, você que nunca foi chegado num banho escolheu o país a dedo, né ?” ; ou então “Nossa, como o aluguel é caro lá ! Ainda bem que com água você não gasta, né ?”. E pior eram aqueles que não queriam fazer piada, mas me perguntavam com um sorrisinho de ironia no canto da boca : “Cá pra nós, é verdade mesmo que eles não tomam banho?”.
Como resposta, sempre variei entre os palavrões e os exemplos que conheço : “Bom, pelo menos a Manue toma banho normalmente. Mas não sei se ela é uma exceção”, ou ainda “Na Inglaterra é a mesma coisa. No verão, o prefeito pediu para os usuários do metrô para por favor tomarem banho todos os dias”.
Aqui em Paris, o assunto veio à tona pela primeira vez há muito tempo, mas comecei a recolher informações só agora. Um dia eu e a Manue fomos a uma danceteria que se chama Bain Douches e nem me dei conta do que era até ela me explicar. O local no passado havia sido nada mais, nada menos que uma casa de banho, onde os parisienses iam para fazer a higiene corporal e relaxar.
Com o passar do tempo, descobri também que muitos dos apartamentos de Paris, em geral superpequenos, não tinham antes o banheiro completo dentro, apenas privada e pia. Assim, era preciso mesmo ir a uma casa de banho fora do prédio para se lavar. E imagine o inverno com temperaturas negativas e imagine ainda se você gostaria de pegar sua toalhinha, seu patinho de borracha, seu esfregão e sua bela touca e ir se deliciar num lugar com monte de gente e sair mais tarde de cabelo molhado na rua.
Eu tomaria um banho por inverno e olhe lá !
Fuçando ainda mais, achei endereços de casas de banho aqui em Paris. Veja o que diz o site da prefeitura :
“Atenção : os kits de higiene estão à disposição dentro das casas de banho municipais mediante uma quantia módica. Entretanto, você deve, em todos os casos, vir munido de uma toalha.“
E um site sobre a história do banho diz isso, achei genial :
“Na França, foi preciso esperar o fim do século 18 para que a higiene do banho e das duchas fizesse sua aparição. Efetivamente, a partir da Idade Média, corpo e higiene são tabus. Todos eram aconselhados a não utilizar a água, mas a se esfregar com ajuda de panos secos. Falava-se também que alguns hábitos “sujos” protegiam as pessoas contra certas doenças…Assim, temos as primeiras casas de banho municipais apenas nos anos 20 e os banheiros completos (dentro das casas) a partir dos anos 60. Não é de se surpreender que não sejamos os campeões mundiais da higiene. Lembramos que um francês em 4 toma banho todos os dias e este hábito é mais entre os jovens. A bom entendedor…“
E bom banho !
Antes, para situar, falo mais do Samwaad, projeto que teve como idéia central mostrar a música brasileira e indiana ao mesmo tempo, conduzida pelo pianista Benjamin Taubkin, por um grupo de percussão nos moldes de uma escola de samba e por músicos indianos. A dança, com adolescentes oriundos de ONGs, uma delas a Gol de Letra, entrou mais tarde e deu corpo (literalmente), fazendo o que já era bom ficar completo.
Pouco a pouco perdi a paciência, fiquei extremamente chateado e só não saí após 10 minutos em respeito à minha namorada e porque incomodaria toda uma fila que mantinha os olhos fixos à frente. Entre outras coisas ruins que se seguiram, um funk cantado ao vivo e ressaltando a dureza da vida na favela, mais gritos estúpidos e inoportunos, a trilha que seguia com a variação de apenas uma música (e só podia ser Aquarela do Brasil), mais obviedades sobre nossas origens africanas e nada nem tão bonito visualmente, a não ser umas rosas gigantes fosforescentes e um canhão de luz.