Passeio 3: trajeto circular de Saint Lazare à Opera

Junho 7, 2008 at 9:28 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Um roteiro recheado de monumentos e belas vistas do centro de Paris

Conhecer o centro de Paris pegando metrô pode ser uma boa pedida para quem quer ganhar tempo. Subir naqueles tradicionais ônibus de dois andares de empresas especializadas em city tours também não chega a ser uma má idéia. Afinal, o pacote com os principais monumentos já vem todo mastigadinho. Mas ao seguir nossa (esta) sugestão, o viajante certamente encerrará o dia com a impressão de que viu “quase tudo” da capital e o que é melhor: fazer isso de bicicleta é ainda mais prazeroso.

Apesar de ser o menor em extensão, o terceiro passeio talvez seja o mais intenso em termos de pontos turísticos e pode se tornar longo exatamente pelo número de paradas a serem feitas. Assim, fica a cargo do visitante dosar as pausas para fotos, lanches e exclamações admiradas. Num trajeto quase circular, a saída é logo em frente à Gare Saint Lazare, no 8º arrondissement, numa estação de Velib na Rue de l’Isly.

De cara, na Rue du Havre, uma idéia do que se seguirá: como andaremos pelo centro, o movimento de carros, ônibus e pessoas será sempre intenso. Muito cuidado nos grandes cruzamentos e atenção redobrada à sinalização. O primeiro “teste” é logo ao atravessar o Boulevard Haussmann, em sentido à Rue Tronchet. Já ao final avista-se a igreja de Madeleine (1), com suas 52 colunas e em forma de templo.

Contorne a praça e siga na Rue Royale, até a Place de la Concorde (2), de onde é possível ver a Torre Eiffel e a Champs Elysées, à direita, o Jardin des Tuileries, à esquerda, e a Assembléia Nacional, ao fundo. Com atenção ao fluxo desordenado, vá sempre beirando a calçada da direita até chegar ao Quai des Tuileries, entre o jardim e o Sena. Na avenida, já com ciclovia, percorra em alta velocidade toda a extensão do Museu do Louvre (3), enquanto na outra margem observe a aproximação do Museu D’Orsay.

A longa reta se encerra no momento em que a Île de la Cité corta o Sena ao meio. A hora é de virar à direita, chegando à ilha pela Ponte Neuf (4), a mais antiga de Paris, datada de 1607. Como opção, pode-se descer com ou sem a bicicleta para dar uma espiada no jardim na pontinha da ilha. Do contrário, avance pelo Quai des Orfevres, passando ao lado do agitado bairro de Saint Michel, até chegar à praça da igreja Notre Dame (5).

Drible os milhares de turistas com cuidado e, sempre lentamente, entre pelo jardim ao lado da catedral, admirando seus quase 850 anos de história. Espalhados pelo local, os bancos convidam a uma pausa com um bônus: a vista. Aproveite: estamos quase na metade do passeio.

A próxima maravilha é a Île Saint Louis (6), a irmã menor e mais acolhedora da Île de la Cité. Sempre reto pela Rue Saint Louis en Île descubra o charme do local e o porquê de seus habitantes serem considerados privilegiados (se é que algum outro de Paris não o seja).

Se o dia estiver quente, nada melhor que provar um sorvete da Bertillon, considerado o melhor da cidade, e continuar calmamente até a Ponte Sully. Lá, a tranqüilidade dá novamente lugar ao tráfego intenso, mas não se desespere: mantenha-se nas ciclovias e vire à esquerda no Quai des Celestins e à direta na Rue Saint Paul, já na região do Marais (7), outra pérola de Paris.

Novamente com duas pequenas curvas – na Rue Saint Antoine e na Rue Beautreillis Birague -, cruza-se os prédios que cercam a Place des Vosges (8 ), onde é permitido – e obrigatório - sentar na grama. Depois de admirar a arquitetura que a envolve, pegue a Rue de Turenne apenas para aproveitar melhor a descida na Rue Vieille du Temple. Acreditem, vale bastante a pena para conhecer melhor o Marais, ver construções que se assemelham a castelos, ruas estreitas e confusas (propositalmente, talvez) e pequenas lojas com gastronomia de todas as regiões da França.

Ao término, vire à direita na Rue de Rivoli, e veja uma longa seqüência de monumentos importantes. Pela ordem, o maravilhoso Hôtel de Ville (9), sede da prefeitura e talvez um dos prédios mais lindos da cidade; a torre de Chatêlet, recém-reformada; e, finalmente, o Louvre. Desta vez, porém, entre e dê uma volta pela Place Carré (10), avance até as pirâmides de vidro do museu e confira o contraste que gerou enorme polêmica durante sua construção.

Na seqüência, complete o trajeto pela Rue de Rivoli e veja agora uma série de hotéis, com destaque para o Le Meurice e seu restaurante três estrelas no Guia Michelin. A região é uma das mais chiques e caras de Paris e tem como símbolo a Place Vendôme (11), alcançada após curva à direita na Rue Castiglione. Com uma enorme coluna ao centro e em forma octogonal, é “fechada” por joalherias, grifes importantes e pelo Hotel Ritz, talvez o mais célebre da capital francesa.

Mais à frente, a Rue de la Paix indica o fim do passeio. Mas não antes de ver a Opera (12) e seus anjos dourados nas extremidades. Para deixar a bicicleta, vire à direita no Boulevard des Capuccines: uma estação estará à espera logo à frente de um cinema da esquina. Para fechar o dia em alto estilo, reserve o jantar no Café de la Paix, um dos restaurantes mais tradicionais de Paris, freqüentado no século 19 por Oscar Wilde e outros cidadãos ilustres, ou procure um bistrô na região dos Grands Boulevards.

1 - Igreja de Madeleine

Igreja de Madeleine

2 - Place de la Concorde

Place de la Concorde

3 - Museu do Louvre

Museu do Louvre

4 - A Pont Neuf

A Pont Neuf

5 - Notre Dame

Notre Dame

6 - Ilha Saint Louis

Ilha Saint Louis

7 - O Marais

Marais

8 - Place des Vosges

Place des Vosges

9 - Hôtel de Ville

Hôtel de Ville

10 - Place Carré

Place Carré

11 - Place Vendôme

Place Vendôme

12 - Opera

Opera

A rota

Rota

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Passeio 2: de La Vilette ao Sena

Maio 26, 2008 at 9:43 am (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Que tal descobrir a Paris do dia-a-dia e ainda curtir um maravilhoso pôr-do-sol no Sena?

Falar de Paris é pensar automaticamente na Torre Eiffel, Arco do Triunfo, Notre Dame e nos cafés e prédios construídos na metade do século 19 pelo Barão de Haussmann. Com este novo passeio, porém, o visitante é convidado a conhecer uma parte nova da capital francesa, dois bairros periféricos e de certa forma segregados. Pelo caminho, teremos a chance de ver o dia-a-dia de um parisiense de classe média e ainda assim encontrar um charme bem diferente daquele do centro.

E se o trajeto for feito no verão, a dica é sair no início da tarde, para que ainda seja possível apreciar um lindo pôr-do-sol em nosso ponto de chegada.

Para partir, proponho uma estação de Velib na Rue d’Hautpoul, próximo à Avenue Jean Jaurès e à estação Ourcq. O local não chega a ser dos mais bonitos da cidade, mas fica bem no coração do 19° arrondissement, um dos que foram anexados a Paris apenas em 1860. Certamente um lugar deixado de lado pelo visitante “comum”. Entre os prédios altos, de arquitetura típica dos anos 70, está o Canal de L’Ourcq, primeira parada interessante do percurso.

Antes mesmo de pedalar tranquilamente pela ciclovia ao lado do córrego, é possível avistar à direita o Parque de La Villete, onde fica a enorme Cité des Sciences (1). Já à esquerda, sempre pela pista exclusiva para as bicicletas, passe pelo Bassin de La Vilette, ainda mais charmoso que o primeiro e com área para jogos de pétanque - uma espécie de bocha francesa -, mesas de pingue-pongue e cinemas.

Ao fim, encontra-se novamente a Avenue Jean Jaurès, mas o caminho segue logo ao lado, pela Rue Armand Carrel, que termina no lindo Parque des Buttes Chaumont (2), maior área verde dentro de Paris. Lá, assim como no Parque Monceau, do passeio anterior, não é permitido andar de bicicleta, mas a parada é obrigatória, principalmente por conta de sua geografia curiosa: misturam-se partes baixas e subidas enormes, um pequeno lago e uma rocha gigante ao centro, com um mirante e vista para a Sacre Coeur.

Ao sair, marcha leve na Velib para subir a Rue Manin, ao lado do parque, até a Rue Simon Bolivar, que muda de nome para Rue des Pyrenées, numa homenagem adequada à cadeia de montanhas que separa a França e a Espanha. No melhor espírito “Bicicletas de Belleville”, cruze o tradicional bairro (3) com suas ruas em sobe-e-desce e encontre o tal parisiense “normal”, além de mercearias, açougues, pequenas feiras e, claro, lojas de vinhos. Tudo sempre a bom preço.

Após o pequeno morro da Simon Bolivar, descer a Rue des Pyrenées em alta velocidade é um alento, mas vale o cuidado pelo fato de não haver ciclovia na região. Ao fundo, a Place Gambetta representa bem o 20° arrondissement, com o movimento intenso de carros e ônibus que chegam das cidades vizinhas. Mantenha-se à direita e, já na Avenue Gambetta, passe ao lado do famoso Cemitério du Père Lachaise (4), que aos olhos de um viajante descuidado mais parece um parque.

Aqui, ao contrário do Buttes Chaumont, a parada fica ao gosto do freguês. Se a opção for pela continuação, a descida ainda pela Avenue Gambetta é longa e em altíssima velocidade. Vale checar bem os freios anteriormente. Sempre reto, a Rue du Chemin Vert traz restaurantes do mundo todo (que tal uma cozinha afegã na Rue Saint Maur, uma de suas travessas?) e intensa atividade cultural. Siga por ela e vire à esquerda no Boulevard Richard Lenoir, numa ciclovia que vem desde o Bassin de La Vilette.

Bem ao centro da avenida, vê-se a coluna da Bastilha (5), no local da antiga prisão que se tornou símbolo da Revolução Francesa. Pelo caminho, outro agitado mercado aberto todos os dias vale como parada antes de chegar à praça principal, que separa nada menos que quatro arrondissements (3, 4, 11 e 12). Após contornar, o percurso continua ao lado do charmoso Bassin de l’Arsenal (6), com seus barcos-casas já ao lado do Sena, um indício do fim do trajeto.

Se a tarde já estiver caindo, melhor ainda. Por ciclovias bem sinalizadas, vire à esquerda na avenida Quai de la Rapée e cruze o Rio Sena pela Ponte d’Austerlitz. Ali, ele praticamente divide a cidade: à direita, o centro e a imagem da Notre Dame. À esquerda, o bairro de Bercy, com prédios enormes e até mesmo usinas e fumaça no céu. Por tudo isso, prefira o caminho que leva à famosa igreja.

Logo em frente à Ponte d’Austerlitz aparece o Jardin des Plantes. O ciclista, porém, segue pelo Quai Saint Bernard e desce bem ao lado do rio, onde certamente verá passar alguns bateaux mouches repletos de turistas. A vista já enche os olhos e, por isso, é hora de curtir o momento. Ao ver a Île Saint Louis à direita, suba novamente em direção ao Quai Saint Bernard para devolver a bicicleta na estação do Boulevard Henri IV, próximo ao Instituto do Mundo Árabe, e volte por ele mesmo, agora sob a Ponte Sully.

O pôr-do-sol (7) é o grand finale já na Paris tradicional e romântica desenhada, fotografada e descrita em milhares de livros e poemas. Dali, boas opções para o jantar não faltam. Afinal temos à esquerda a região de Saint Germain e dezenas de bons restaurantes.

1 - Parque de La Vilette

Cité des Sciences, em La Vilette

2 - Parque des Buttes Chaumont

 As flores e a imensa rocha no meio do parque

3 - Belleville

Feira em Belleville

4 - Cemitério Père Lachaise

Cemitério do Père Lachaise

5 - Bastilha

Bastilha

6 - Bassin de l’Arsenal

Bassin de l\'Arsenal

7 - Notre Dame

Com o pôr-do-sol nas costas da Notre Dame

Mapa do trajeto

Rota do passeio 2

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Os passeios de Velib por Paris - 1

Maio 13, 2008 at 12:32 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Como citei rapidamente há um bom tempo, fiz mais uma matéria para a revista Próxima Viagem, desta vez com percursos de bicicleta por Paris. Posto, então, a primeira parte do texto original, bem modificado pelo editor da revista. É um percurso que sai de Montmartre, passa pelo Arco do Triunfo, vai ao Bois de Boulogne, Torre Eiffel, Hôtel des Invalides e termina no Petit Palais, na Champs Elysées. Eu mesmo cirei o trajeto e o fiz. Quem quiser ver a revista, ela está nas bancas neste momento. As fotos são minhas também.

Pegar uma Velib é fácil e barato

Desde o dia 15 de junho de 2007, o viajante ganhou mais uma forma de conhecer Paris. Através do sistema Velib, é possível alugar bicicletas e partir sem preocupações pelas ruas da cidade-luz. Com a diminuição da poluição, a prefeitura resolveu levar à frente o projeto, que foi bem recebido tanto pela população quanto pelos turistas. Para o lançamento, foram construídas 750 estações, com pouco mais de 10 mil bicicletas. No início de 2008 e com sucesso garantido, outros 250 postos e quase 15 mil bicicletas já eram oferecidos aos “clientes”.

A idéia, segundo a prefeitura, é ter uma base de Velib a cada 200 metros e também levar em breve a iniciativa para as cidades vizinhas a Paris. O resultado, no entanto, já é visível: hoje as milhares de bicicletas cinzas fazem parte da paisagem local e servem de transporte, para uns, e de lazer, para outros.

Para o visitante, pegar uma bicicleta é tarefa tranqüila e barata, basta encontrar uma estação e seguir os procedimentos, que podem ser lidos em 8 línguas, entre elas francês, inglês, espanhol e chinês, mas não em português. O aluguel é feito exclusivamente por cartão de crédito. Após escolher uma senha e a opção por passe de 1 dia (1 euro) ou 7 (5 euros), recebe-se um cartão e o passo seguinte é indicar a bicicleta livre (vale checar anteriormente se ela está em bom estado) e a retirar ao sinal do bipe.

Cabe, então, ao viajante regular a altura do assento, colocar seus pertences na cestinha e prestar atenção nas regras de trânsito, que valem igualmente para as bicicletas. E aproveite: são 371 quilômetros de ciclovias e, salvo raras exceções como Montmartre e os 19º e 20º arrondissement, ambos ao norte, a cidade é praticamente toda plana.

Ainda em relação às tarifas, além do cartão, paga-se 1 euro a cada meia hora de utilização, mas o usuário pode driblar este gasto devolvendo a bicicleta antes dos 30 minutos e a retirando novamente após digitar o código do cartão. Se está difícil achar uma estação ou se preferir mantê-la por todo dia, entre 5 a 10 euros deverão ser descontados na fatura do cartão. Nada assutador. E melhor: todas as Velibs vêm com cadeado e podem ser presas em postes e entradas de parques. Bom passeio!

Passeio 1: de Montmartre à Champs Elysées
Que tal conhecer o lado chique e até sair de Paris quase sem perceber?

Uma das boas dicas para iniciar passeios de bicicleta em Paris é partir de uma das poucas partes altas da cidade: Montmartre. Afinal, como diz o ditado, “para baixo, todo santo ajuda”. E se o turista está longe de ser um maratonista, nada melhor que descer tranqüilo, quase sem pedalar. Antes de iniciar o trajeto, porém, vale a pena conferir no topo do “monte” a linda e imponente Basílica de Sacre Coeur. Logo ao lado fica a Praça des Abesses (1), ponto inicial do percurso.

Após pegar a bicicleta, suba um pouco pela Rue des Abesses e vire à esquerda na Germain Pillon, uma descida brusca até o Boulevard de Clichy. À direita, atravesse a rua com cuidado e siga tranqüilamente pela ciclovia, passando pelas curiosas casas de Pigalle, entre elas o famoso Moulin Rouge. Ao fim, contorne à esquerda, atravesse a sempre animada Place de Clichy e desça por outra ciclovia no meio do Boulevard des Batignoles (2). O caminho é agradável, quase uma alameda exclusiva para ciclistas, e vai tranqüilo e sinalizado até o metrô Villiers.

Sempre reto, chega-se ao coração do 17º arrondissement, um dos mais chiques de Paris. Ao lado esquerdo, o belo Parque Monceau (3), que vale uma espiada, mas com a bicicleta ao lado: lá a preferência é dos pedestres. Ao seguir pelo Boulevard de Courcelles, o lado chique mostra suas caras, principalmente próximo à Praça de Ternes, de onde já é possível avistar o Arco do Triunfo (4). Por ali, aliás, o momento é propício a uma pausa em algum gostoso café com terraço da região, algo que não se encontrará tão facilmente mais à frente.

Na seqüência, a pausa é rápida para fotos do Arco e da Torre Eiffel, bem ao fundo. No entanto, a continuação exige cuidado, pois a rotatória da Praça Charles de Gaulle talvez seja uma das maiores e mais complexas do mundo. Se o viajante é do tipo prudente e não gosta de se arriscar, não tenha vergonha e cruze pelas faixas de pedestres da Avenue de Wagram até a Avenue Foch, onde se segue numa ciclovia até o Bois de Boulogne, atravessando o ainda mais chique 16º arrondissement.

No fim da larga avenida, chega-se ao interessante contraste do passeio: enquanto atrás ainda é possível avistar o Arco do Triunfo e a movimentação do centro, à frente cruzamos os limites da capital e fazemos uma pequena “viagem” até Boulogne Billancourt, uma das cidades da Grande Paris. É lá que passaremos pelo Bois de Boulogne (5), um dos pulmões da metrópole juntamente com o Bois de Vincennes. Ao passar pela Porte de Dauphine e seguir pela Route de Suresnes, já é possível respirar um ar mais puro e sentir a tranquilidade do campo.

O ciclista aqui é chamado a curtir o momento, a sentar perto do lago e a ver os pequenos barcos singrarem o espelho d´água. Igualmente agradável é prosseguir o passeio com calma, em ziguezague pelas alamedas, tendo como base a volta a Paris pela Porte de la Muette. Novamente dentro da capital, o caminho é a longa Avenue Henri Martin, que ainda mistura um clima bucólico com o vaivém de carros e ônibus. Num dos pontos mais chiques do percurso, passa-se pela Mairie do 16°, uma espécie de sede de regional, e chega-se à praça do Trocadero.

O endereço é famoso e a vista talvez seja uma das mais belas do planeta: entre o Palais de Chaillot e o prédio que abriga o Museu do Homem aparece a Torre Eiffel (6), com seus 320 metros de altura, monumento mais visitado do mundo. E fica uma dica importante ao cruzar a praça: mesmo que o momento seja de contemplação, não perca de vista a rua, afinal, os parisienses que avançam em carros não parecem se importar muito com a grandeza do que está ao lado.

Na Praça do Trocadero, duas opções para descer até as margens do Sena: uma delas é pelo próprio parque ao lado, passando pelas pequenas rampas nas extremidades de cada lado. Outra é seguir as ruas que contornam o Palácio, chegando na mesma Praça de Varsovie, à frente da Torre. Cruzando o rio, contorne pela parte esquerda, mais agradável, e avance devagar pelo Champs de Mars, sempre tomando cuidado com os milhares de turistas que estarão olhando para cima.

Após paradas - e muitas fotos -, vá ao fim do parque, à frente da Ecole Militaire, e vira à esquerda, onde já será possível ver a maravilhosa cúpula dourada do Hôtel des Invalides (7). No cruzamento, siga pela Avenue de Tourville até mais um dos prédios de cair o queixo de Paris. Lá, por exemplo, pode-se visitar o museu do Exército e a sala com as cinzas de Napoleão. Já na Rue de la Tour Maubourg, deve-se parar em uma das boas brasseries do 7° arrondissement, caso a fome esteja apertando. Mas não se preocupe: o passeio está quase no fim.

Um pouco à frente, a dica é virar à direita na Rue Saint Dominique e atravessar a Esplanade des Invalides. Subindo em direção ao Sena, chegamos à famosa Ponte Alexandre III, com seus ornamentos dourados, e passamos em seguida entre o Grand e o Petit Palais (8 ). Neste último, a visita das exposições permanentes é gratuita e um gostoso café perto do jardim serve como ótima pedida para encerrar a tarde. E para devolver a bicicleta, é só contornar o prédio à direita: já na Champs Elysées há uma estação. Nada mais prático.

1 - Place des Abesses

o ponto inicial do percurso

2 - Boulevard des Batignoles

a descida na alameda exclusiva para bicicletas

3 - Parque Monceau

cruzando a região chique do 17º arrondissement

4 - Arco do Triunfo

vista da Avenue Foch, em direção ao Bois de Boulogne

5 - Bois de Boulogne

o pulmão de Paris

6 - Torre Eiffel

nada melhor que contornar o incr�vel monumento numa bicicleta

7 - Hôtel des Invalides

com sua cúpula inconfund�vel. Dentro, as cinzas de Napoleão.

8 - Grand Palais

parada final. Na frente, o Petit Palais tem um café agradável.

Mapa do Trajeto

Mapa do trajeto

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Paris tem 7 entre os 50 melhores restaurantes do mundo

Maio 5, 2008 at 9:59 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Foi divulgada no início da semana a lista dos 50 melhores estabelecimentos gastronômicos do mundo feita pela tradicional Restaurant Magazine, de Londres. No pódio, nada de mudanças, sendo que o El Bulli, de Barcelona, segue intocável pelo segundo ano consecutivo. Logo atrás aparecem o inglês The Fat Duck e o parisiense Pierre Gagnaire.

Paris, aliás, segue prestigiada, com 7 indicações entre 50 primeiros. A boa notícia foi a subida de 10 posições do L’Astrance, agora o 11° colocado. O restaurante vem em alta, um ano após ser finalmente contemplado com a terceira estrela do Guia Michelin. Mais abaixo, o L’Atelier de Joël Robuchon caiu uma, mas vem em 14°. Curioso é que no mesmo Guia Michelin, ele acabou de ganhar “apenas” a segunda estrela.

A lista segue com o Alain Ducasse (18°), Le Cinq (24°), Les Amabassadeurs (45°) e L’Aperge (46°). Ainda na linha de comparações com o Michelin, Paris possui nove três estrelas no tradicional Guia Vermelho, sendo que o Le Meurice, o Le Pré Catelan, o Ledoyen, o Guy Savoy e o L’Ambroisie não chegaram no top 50 da revista inglesa. Do lado contrário, o Le Cinq e o Les Ambassadeurs são top 50, mas não têm três estrelas.

Nesta importante listagem, o Brasil não fica de fora. Mesmo que os europeus menosprezem o título de “capital gastronômica do mundo” obtido por São Paulo há alguns anos, a cidade é a única da América do Sul a colocar um estabelecimento, com o Dom, hoje o 40° melhor do mundo, queda de duas posições em relação ao ano passado. Por outro lado, em 2007 ele havia dado grande salto, do 50° ao 38°.

Clique AQUI e confira a lista completa da Restaurant Magazine.

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De onde vêm as comidas estranhas da França

Abril 22, 2008 at 5:06 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Voltei à mansão Monnet depois de 4 meses e, mesmo já conhecendo a região de cabo a rabo, mais uma vez saí de lá com um novo aprendizado. Desta vez, aproveitamos o final de semana de “fermes ouvertes“, época em que as fazendas da região abrem as portas para mostrar suas produções. Entre as mais requisitadas pelos visitantes, as de foie gras, de queijo de cabra e de escargot, alimentos para os os quais normalmente você entortaria o nariz caso o gosto não fosse bom demais.

Visitamos as três, começando pela de foie gras. No entanto, não pudemos acompanhar o processo de “estufamento” do ganso, que, segundo os que já viram, é interessante, porém cruel. Para resumir, os animais são forçados a abrir a boca, enquanto uma máquina empurra um bloco de comida goela abaixo. Após alguns dias neste regime, o fígado não aguenta a quantidade de comida e apodrece, indicando a hora em que o ganso está pronto para o abate.

Neste momento, as aves são eletrocutadas e morrem instantaneamente e sem dor (ufa!), como garantiu o monitor da nossa visita. Na mesma sala, o sangue é drenado, ele é depenado e aberto para a retirada da carne e do fígado, que recebem tratamento diferentes. Enquanto a carne é vendida em filés ou utilizada nos patês, o órgão é preparado até virar aquilo que comemos (ou comíamos) com enorme prazer. O preço é altíssimo: 80 euros o quilo quando ele é fresco, metade se é cozido e por aí vai.

Fazenda de cabrasDali vamos para a fazenda de cabras, onde as emoções são menores. Encontramos dezenas delas espalhadas, devidamente numeradas e “vigiadas” por um simpático cachorro. O interessante é que, ao contrário dos gansos, nossas amiguinhas aqui são bem tratadas, comem um pasto de ótima qualidade e trabalham com alegria. Na hora da retirada do leite, caminham sem problemas para a salona especial e entram em compartimentos reservados enquanto desfrutam de um selecionado de grãos aparentemente apetitoso.

Nesta salona, cerca de 100 cabras se espremem e posicionam a parte traseira do corpo para o ar, de modo que o responsável da fazenda possa conectar os tubos das máquinas em suas tetas. A partir dali é um espetáculo de sucção e leite partindo diretamente para o reservatório, enquanto o homem segue colocando os tubos em outras cabras quando a máquina acende uma luz indicando que uma “fonte” secou.

São cerca de 300 litros por ordenhada. Em outra sala, o leite é tratado e começa, então, o processo de fabricação do queijo, que utiliza cerca de 1,3 litro cada. São salas climatizadas, na temperatura certa para que as bactérias possam trabalhar tranqüilamente para apodrecer o queijo e deixar aquele gosto delicioso e inconfundível. Enquanto a moça explicava tudo isso, eu degustava o queijo aux echalottes, uma espécie de cebolinha. Comprei dois.

Sala de reprodução dos escargotsNo outro dia, fechamos a série de visitas com a ida à escargolândia, talvez a mais interessante de todas. A fazenda é uma mina de ouro, já que a produção dos caramujos é absurdamente fácil: é só separar alguns bons espaços de terra e deixar que os bichinhos cresçam felizes enquanto comem uma espécia de farinha molhada (sim, os escargots comem farinha). Naquela fazenda, eram 5 campos nem tão grandes, mas que somavam cerca de 250 mil bichinhos.

E o processo nunca pára. Quando eles atingem a idade adulta, são retirados e levados à sala de reprodução, toda preparada para que eles não falhem na “hora H”. E curiosidade: o escargot é hermafrodita e se reproduz conectando uma vagina localizada no pescoço ao mesmo órgão do parceiro e injetando os espermatozóides. Devidamente grávidos, os escargots depositam ovos na terra, colhidos por um vovô narigudo que trabalha na fazenda.

Os ovinhos são enviados para a vovó, em outra sala, que os coloca em pequenas caixas de queijo e os divide em dois serviços: uns são enviados por correio (sim por correio) para fazendas que só têm o trabalho de fazer crescer o animal; outros seguem para a sala de crescimento, onde ganham a forma para aí sim seguir para os campos de dois parágrafos acima. Está fechado o ciclo.

E vejam se não é uma mina de ouro: um pacote com escargots já cozidos e temperados custam uns 18 euros. Patês e outras iguarias são um pouco mais baratas, mas ainda assim fazem a vida daquela fazenda bastante agradável. Desta vez não precisamos comprar nada, porque o sogrão já havia colhido os escargots há muito tempo, recheado e só teve o trabalho de assar. E o bicho estava bom!

Escargot tranquilo

A vovó com os ovinhos de escargots

O campo de crescimento

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Le Salon, clima romântico e boa comida

Abril 20, 2008 at 10:02 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

De fora, a impressão é a de que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa se volta a mim e à minha parceira com um largo sorriso, como se pressentisse a chegada de alguém importante. “Ah, o casal da mesa especial!”

Descubro, então, que o homem é ninguém menos que o dono do Le Salon e que ataca de cozinheiro e garçom. O acúmulo de funções não lhe tira o sorriso do rosto e ele nos leva à sala reservada, passando por outra muito mais ampla. Ficamos separados dos demais, em espaço bem confortável, com a mesa e ainda um pequeno divã ao lado. A decoração é sóbria e a música lounge é perfeita para o clima romântico que já estava criado.

Recebemos também um sino, no caso de sermos “esquecidos” pelos garçons. Mas nem o usamos, pois o atendimento é preciso: sem longas esperas, nem muita intromissão. Pedido feito, vinho no copo e aproveitamos o tempo para sentarmos no divã e conversar, como se estivéssemos numa festa tranqüila na casa de amigos.

Em seguida chegam os pratos, com boa apresentação, e a comida completa o clima. Como já conhecia a “especialidade” em carne bovina da casa, ataco de Faux Fillet Henri VIII, com duas guarnições e um molho de queijo roquefort. Uma delícia. E na frente, olho também com água no boca o tagliatelle com salmão da minha parceira. Comemos bem, bebemos bem e talvez a única coisa que atrapalhe um pouco seja a repetição ininterrupta do mesmo cd de quando chegamos. Mas tudo bem, a boa impressão já havia ficado.

Para fechar, a sobremesa é o tradicional moelleux au chocolat, mas muito bem servido. Na conta, 27 euros por pessoa, com o prato a 15 euros em média, a sobremesa a 7,50 e mais um pichet de vinho.

Ao final de quase duas horas, nos levantamos e nos damos conta de que o restaurante já está vazio. O dono, então, se aproxima e nos surpreende com sua franqueza: “Ufa! Fiquei com medo de ir até a sala porque achei que vocês poderiam estar pelados!“. Frase um tanto quanto bizarra, mas até que a pedida não era uma má idéia. Afinal, a noite romântica no Le Salon ficaria ainda melhor.

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As listas dos percursos

Abril 5, 2008 at 12:11 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Terminei nesta sexta os três percursos de bike por Paris que eu mesmo criei para a matéria que estou escrevendo. Não foi fácil, porque ao mesmo tempo em que pedalava, tinha que ir parando para tirar fotos, gravar comentários e tentar não ser atropelado. Graças aos céus que meu pedido surtiu efeito e consegui correr nos dois únicos dias de sol dos últimos 6 meses para aproveitar.

E graças aos céus também que meu Ipod renasceu das cinzas após um blackout da última semana. Eu andava tristonho, mas ele voltou a funcionar e pude sair pimpão pelas ruas ouvindo minhas músicas preferidas. Dito tudo isso, sigo abaixo com uma pequena lista do que aconteceu nestes últimos e como foram meus passeios.

- Cinco sessões de rolê, sendo quatro de manhã/tarde e uma de noite. Ao todo, 15 horas gastas e não faço idéia de quantos quilômetros, porque sempre que acabava um percurso tinha que voltar pra casa de bicicleta também. Um saco.

- Mais de 500 fotos, sendo que muitas delas inaproveitáveis. Quatro pares de pilhas.

- Três recargas do Ipod, com uma lista enorme de bandas ouvidas. Destaco minha lista com 52 preferidas (ou as que consegui dar nota e que ficam rodando no shuffle). Entre elas, destaco as “óperas” Thick As Brick, do Jethro Tull, Stairway to Heaven e Achiles Last Stand (do Led), duas do Scenes From a Memory, do Dream Theater, e The End, do The Doors. Todas com cerca de 10 minutos pra mais.

- Menções também para Refazenda, Construção, Killers, muitas do Mates of State, Everlong e I’ll Stick Around, do Foo Fighters, um monte do Dave Matthews, Dave Brubeck, Moacir Santos (e a expecional Rota), The Smiths e até Faith No More, com Digging a Grave.

- Mas no último dia, em particular, larguei de Saint Lazare com White Album, dos Beatles (com ressalvas para minhas favoritas Helter Skelter, Everybody’s Got Something to Hide Except For Me And My Monkey e Rocky Racoon. Sendo que um francês me olhou de forma bizarra quando gritei o refrão de “Why Don’t We Do It In The Road“. Ao menos fosse uma francesa…). Teve também The New Pornographers e discografia de Los Hermanos, porque estava sem criatividade e não queria ficar trocando de grupo.

- A lista de monumentos / parques / lugares também não é pequena. Resumo por passeio: 1 - Sacre Coeur, Parque Monceau, Arco do Triunfo, Bois Boulogne, Torre Eiffel, Hôtel des Invalides, Grand e Petit Palais. 2 - La Vilette, Parque Buttes Chaumont, Cemitério Père-Lachaise, Bastilha, Instituto do Mundo Árabe e Sena. 3 - Madeleine, Place de la Concorde, Pont Neuf, Notre Dame, Ile Saint Louis, Place des Vosges, Le Marais, Hôtel de Ville, Louvre, Place Vendôme, Opera.

- Uma tentativa bizarra de “assalto“. Uma moça (muito provavelmente romena) veio me oferecer um anel, eu disse que não era meu, ela insistiu, disse que minha bicicleta era bonita e perguntou se podia andar nela. É mole?

- Um momento bizarro. Estava eu andando tranquilamente nas proximidades da Place de Clichy, ouvindo música, quando uma mulher na calçada se aproxima aos gritos: “Você está procurando emprego ?” … “Péra, eu estou andando de bicicleta e ouvindo música, o que leva a crer que eu esteja procurando emprego?…Mas mesmo assim, obrigado pela oferta” .

- 127 avanços de semáforos vermelhos, mas NENHUMA perseguição de policial dessa vez. Mandei bem.

- Cada vez conhecendo melhor Paris, mas cada vez mais triste pelo clima aqui.

Em breve posto aqui o texto final também.

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Cuidado: brasileiro esquiando!

Abril 1, 2008 at 10:04 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Não chegou a ser um sucesso minha “estréia” no esqui. E por “não chegou a ser um sucesso”, por favor não leiam fracasso. Fracasso é uma palavra pesada, usada apenas em casos extremos. Aqui, prefiro ressaltar termos técnicos como “erro de cálculo”, “crise de pânico” e “tentativa abortada”. Pois é, minha primeira vez foi meio caótica e só mesmo paisagens maravilhosas, a neve (ela mesmo!) e um tal de Mont Blanc me fizeram voltar pra casa feliz da vida.

Por que esquiar que é bom, isso ficou como promessa de ano novo, mesmo faltando praticamente um ano para que essa mesma época de 2009 chegue. Mas vamos aos fatos. Fomos para St Gervais, uma cidadezinha ao pé dos Alpes, quase na divisa entre França-Itália-Suíça. Ali, atrás do nosso hotel, desde o início da nossa estada, o Mont Blanc ficou parado, lindo, com mais de 4.800 metros, soberano em toda Europa.

Na chegada, sexta à noite, ainda tivemos um pouco de tempo para ver o centrinho da cidade, comer um fondue e descansar para a jornada do dia seguinte, que prometia ser longa. E seguindo milimetricamente o planejamento feito pela Manue, partimos sábado cedo para a montanha, subimos o teleférico e enfim vimos a neve. Mas vimos de passagem, porque logo subimos de novo, já com esquis em mãos, até o topo do monte.

E é aí que volto aos termos do primeiro parágrafo. Talvez por não ter explicado direito para a Manue a importância da neve e de uma montanha toda branca para um brasileiro, ela achou que eu realmente já sairia fazendo manobras radicais com aquelas pranchas estranhas e assustadoras. De jeito nenhum. No momento em que subíamos e que comecei a entender que teríamos que descer tudo aquilo deslizando, a tal “crise de pânico” me acometeu.

E olha que ainda tentei, domei a fera, peguei impulso com os bastões, fui para frente e busquei frear no tal “chasse neige”, movimento básico que as crianças francesas aprendem logo após perceberem que engatinhar é coisa para bebês. Mas como um bom brasileiro, meia-esquerda e adorador do mar, o tal “chasse neige” não funcionou. A montanha descia muito e a neve derrapava mesmo, numa relação proporcional ao quanto minhas pernas bambeavam.

Suei, suei e cheguei à conclusão que seria melhor descer de teleférico. Um acidente sério colocaria em risco todo o final de semana. A Manue, coitada, ficou frustrada porque havia pensado em tudo exaustivamente desde dezembro e queria mesmo esquiar comigo. Mas entendeu que aquilo que nos cercava já era o suficiente para me deixar boquiaberto e celebrou atacando bolas de neve em mim. Com volta, é claro.

O passeio de raquetes
Então descemos. E chegamos de teleférico, para surpresa de muitos. Afinal, por que raios não descemos esquiando ? E mesmo que minha auto-confiança tenha ido para o espaço ao ver a vovó deslizar suave, o menininho dar piruetas com o esqui maior que ele, saí feliz para fazer um tranquilo passeio de raquetes até um vilarejo vizinho. Para dar nome aos bois, fomos de Bettex a St Nicolas, em cerca de 5 quilôemtros.

Pelo caminho, tivemos sempre a companhia do Mont Blanc, às vezes à frente, em outras à esquerda. Mas sempre imponente e branco. Paramos para comer, me joguei na neve, fizemos bolas e soltamos montanhas abaixo, mas elas incrivelmente não cresceram. Ao final do trajeto, teleférico aberto para o vilarejo e volta para o hotel, onde uma jacuzzi no terraço e a 40 graus nos esperava. Que mamata!

A festa da neve
O domingo começou mais tranquilo, afinal não iríamos mais esquiar o dia todo como havíamos programado. Subimos desta vez só até a primeira parte da montanha, onde nos divertimos fazendo um boneco de neve. A Manue levou na boa a iniciativa madura e ficava olhando com cara de cachorro pidão sempre que passava algum louco a 100 por hora na pista de esqui ao lado. Mas eu estava empenhado e pouco me importei. Afinal, aos 27 anos, fabricava meu primeiro Abominável Homem das Neves.

Mas a vontade dela era tanta que conseguiu me convencer a tentar de novo, desta vez o esqui de fundo, aparentemente mais tranquilo, e numa pista nível fácil-sorvete-na-testa. E conhecia o tal esporte de jogos de Olimpíadas de Inverno do Mega Drive, mas não sabia que era uma prática para sexagenários. Logo na saída, ao colocar o equipamento, recebemos uma vaia de um playboy loiro e arrogantemente francês que descia com toda pompa uma pista nível eu-me-acho-profissional.

E nem demos bola. Saímos aos trancos e barrancos, caindo e lavantando, para o outro lado da estação, num caminho de 7 quilômetros até Princesses. Mas como disse o assistente da loja, era questão de “pegar o ritmo” e lá pelo quilômetro 2 já estávamos bem melhores, deslizando pelos traços já definidos e curtindo bastante a paisagem diferente do dia anterior.

Curtimos tanto que a Manue se deslumbrou em certo momento. Ao tirar o esqui e se virar para fazer algo, ela não percebeu que um deles começava a escapar. E quando nos demos conta, o esqui pegou velocidade e desceu livre, leve e solto montanha abaixo, deixando apenas um leve traço na neve fofa. Ele havia desaparecido! O esqui era alugado e custava ao menos uns 80 euros, então tivemos que sair atrás.

E fomos no desconhecido, a Manue desesperada e se xingando por todo caminho, enquanto eu tentava manter a tranquilidade para organizar a busca. E descemos, depois escalamos a quase 75 graus, com neve até os joelhos, fomos por dentro de umas árvores e eis que o encontramos, de cabeça para baixo, fincado no terreno, numa sensação de vitória inigualável. E comemoramos com um almoço numa cabana perdida, pão, queijo e presunto e muita satisfação.

Era hora de partir e retornamos tranquilamente até o nosso vilarejo para devolver os esquis, ainda mais afiados que antes e felizes da vida pelas aventuras. O final de semana já estava no fim, incrível como passou rápido. Logo depois já estávamos na cabine do trem, com mais dois barulhentos casais, que ao menos não me impediram de dormir até a moça anunciar : “Gare d’Austerlitz, parada final”.

E assim como havíamos previsto, de longe não foi uma viagem barata, mas talvez a que tenha trazido mais momentos marcantes e fotos impressionantes. Elas seguem no fotolog atualizado. http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres:99

Teleférico de St Gervais

O topo da montanha

A festa da neve (Parte 1)

As paisagens durante a caminhada de raquete

A escalada

A jacuzzi na volta

O Abominavel Homem das Neves

A vista no passeio de esqui de fundo

O as (no) esqui

Mais paisagens

Na região de Princesses

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Batismo de gelo

Março 25, 2008 at 11:53 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Em 3 dias, Elói vai ver a neve. Elói viu a neve duas vezes em sua vida, a primeira em Gramado, em 1990, mas que nem chegou a ser uma neve, neve. E outra em Berlim, no dia 17 de janeiro de 2007. Aquela sim foi uma nevasca. Agora, Elói vai (tentar) esquiar, numa viagem que tem tudo para ser inesquecível, porém nada barata. Assim, ele trará certamente belas fotos, mas não dicas de como pagar pouco ou pegar carona em estação de esqui. Isso, ao que lhe parece, é impossível.

Nevou bastante em toda a França nas últimas semanas, obviamente que não em Paris. Assim, Elói espera não afundar nos flocos brancos e não estar no caminho daquelas bolas de neve que rolam desde o pico da montanha e vão crescendo, crescendo, tal como…bolas de neve. E para isso, ele promete não assobiar, não estourar uma garrafa de champagne e nem uma banana de TNT.

Pelo cronograma, serão duas rodadas de esqui, uma no sábado de manhã, seguido por um passeio de raquetes (provavelmente não as de tênis), e outra no domingo, dia inteiro, até o trem sair. Pelo que contaram, esquiar é mais fácil que patinar no gelo, coisa que o Elói fez uma vez só, recentemente, e achou bem difícil: ele tomou um baita tombo e quase quebrou o joelho e a cabeça. Por isso tudo, vamos torcer por ele.

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Os três estrelas do Paris na Linha

Março 21, 2008 at 12:00 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Ainda não é o artigo completo, mas vou falar melhor de dois restaurantes que citei rapidamente na matéria da Próxima Viagem e que “testei” com a Manue. Duas excelentes opções, uma para o almoço, outra para o jantar, uma bem simples, outra um pouco mais requintada (mas não necessariamente cara). Tratam-se do Le Baratin e do Au Bon Accueil.

Seguindo o sentido lógico, começo pelo primeiro. Vi inicialmente o Le Baratin folheando o Guia Lebey de Bistrôs Parisienses, que havia acabado de alugar na biblioteca. Buscava os bistrôs 3 caçarolas (e não estrelas como o Michelin) a bom preço e o encontrei isoladão no 20° arrondissement, um quartier distante e sem o mesmo charme dos do centro. Mas as críticas eram excelentes (”talvez o melhor bistrô de Paris“, dizia o Lebey) e resolvi ir atrás de mais informações.

Descobri comentários positivos do Saul Galvão, jornalista do Estado de S. Paulo, que morreu de amores pela casa. Depois, li em matéria do Le Figaro que o Le Baratin merecia ao menos uma estrela no Michelin, mas que era esquecido exatamente por estar fora do “miolo” de Paris. Questão de marketing. Fui, então, checar.

Realmente, ele está longe do charme, mas a proximidade a Belleville o torna interessante. Vale como dica um passeio pelo parque ao final da rua Jouye-Rouve e outro pelas ruas em sobe-e-desce do bairro. E como é um estabelecimento simples, você ao menos sabe que está comendo em lugar típico, com clientela assídua e que lê tranquilamente o jornal no balcão ou entra sem cerimônias na cozinha para dar um “oi” ao chef.

Vi a cena, aliás, porque sentamos de frente para a cozinha, que passou a tarde com a porta aberta. No almoço, um menu entrada + prato + sobremesa saiu por 15 euros, difícil de encontrar mais barato. Para acompanhar, um copo de ótimo vinho, recomendado pela dona argentina. Comemos um delicioso peixe com salada e molho de limão e ervas de entrada, um fricassê de frango e de sobremesa um pudim de leite diferente, especialidade de casa. E saímos bem felizes com a relação custo-benefício.

Obviamente que não fomos na mesma noite conhecer o Au Bon Accueil, mas se um viajante com budget razoável quer ter a certeza de comer bem nas duas refeições, a indicação é correr para o 7° arrondissement lá pelas 20h, 20h30. O restaurante fica na rua Montessuy, uma das que dão de cara para a Torre Eiffel. E a chegada no restaurante já é com sorriso no rosto, mas uma dúvida: ficamos lá fora vendo a vista, ou entramos para comer?

Desta vez, preferimos comer. Neste outro bistrô 3 caçarolas no Lebey, o estilo muda completamente. A clientela também: não existe balcão e provavelmente o segurança seria chamado caso você fosse dar um “alô” ao chef. Assim, como as mesdames e messsieurs do chique bairro, aceite as honras do metre e deixe suas jaquetas na entrada com ele, sem cerimônias.

Apesar da pompa aparente, a decoração é sóbria e aconchegante. Como estamos no jantar (o que em muitos casos significa triplo do preço do almoço), o mesmo menu completo sai por 31 euros, nada tão absurdo devido à localização, à qualidade da comida e à boa apresentação das mesas. E também por se tratar de um “restaurante gastronômico”, o garçom fica ao seu lado em caso de dúvida no menu.

Após dar uma olhada nas entradas e não entender muito, peço ajuda e decido pela friture d’éperlans en escabeche et salade de légumes, ou uma porção de peixinhos fritos. Como prato principal, um bom pedaço de carne: pavé de rumsteack Charolais, ragoût de lentilles vertes du Puy et légumes. Já a Manue vai com a combinação Caille de Dombes farcie aux petits légumes et vinagrette au jus de viande, seguido por Fillet de daurade grise à l’huille d’olive et radis noir confit (?!)

Como perderia linhas para explicar a composição dos pratos, resumo em duas palavras: bom demais! Vem a hora da sobremesa e opto pelo Tiramisu, enquanto ela vai de Ananas rôti et pain d’épice aux pommes, sauce caramel. Ufa! O meu é delicioso e tão surpreendentemente grande que até o garçom chega a mim e diz: “Eu adoro, mas acho um pouco pesado, não?” Verdade, mas raspo a tigela sem o menor problema.

Foram sem dúvida dois dos melhores restaurantes nos quais estivemos (e, para não ser injusto, cito o Le Queniau e o Le Salon, que certamente falarei mais tarde). E claro que optei por lugares mais em conta, afinal (ainda) não tenho intenção de torrar 150, 200 euros num jantar apenas por causa das estrelas do Michelin. Vale bem a idéia do Saul Galvão de se concentrar no Guia Lebey de Bistrôs Parisienses. Bem mais pés-no-chão.

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Vivendo bem e barato (Parte 3)

Março 14, 2008 at 5:35 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Sigo nas recordações do ano passado para exemplificar como podemos fazer muito com pouco dinheiro aqui na França. No mesmo período em que fomos a Reffannes em julho, de carona, aproveitamos para conhecer não apenas a Île d’Oléron, mas também a linda região do Perigord, no centro do país, a umas 3h de carro da mansão Monnet. Fomos para um final de semana também, mas aproveitamos tão bem que voltamos com a impressão de ter passado uma semana inteira.

A saída foi no sábado às 6h, com tempo nublado, mas agradável. Novamente havíamos preparado os ítens básicos para uma viagem a baixo custo: a geladeira térmica repleta de guloseimas e a barraca, tudo bem guardado no porta-malas da Titine. Após longa viagem, parada para cafés, começamos a avistar a região, com cidadelas no topo ou no meio de enormes rochedos, grutas e indicações de que estávamos perto da primeira parada: Lascaux II.

Não fazia a menor idéia da existência dessa gruta, mas aparentemente ela é uma das mais conhecidas e importantes do mundo, por causa do número impressionante e pela qualidade dos desenhos ruprestes nela encontrados. De cair o queixo, mesmo sabendo que ela se chama Lascaux II por ser uma cópia da Lascaux original, que foi fechada e preservada para que os desenhos feitos há 17, 20 mil anos antes de Cristo ficassem para a eternidade.

Partindo dali, pausa para o almoço simples e mais cidadelas em topo de rochedos. Desta vez, estacionamos e subimos para ver o castelo de Beynac, às margens do Dordogne, um enorme rio que corta o meio da França. Paisagem linda do vale que ele formou durantes os séculos, ruas estreitas, casas antigas e fachadas floridas. O castelo, aliás, um dos muitos que encontramos num raio de 10, 20 quilômetros.

Depois de passar por La Roque Gageac, outra cidade incrustada em montanha, paramos no nosso camping, um centro equestre, aparentemente um dos mais baratos da região: 4,50 por pessoa. Dos lados do cavalos e perto da piscina, armamos a barraca, tomamos um banho e partimos para outra cidade da região: Sarlat, onde comemos um tradicional Foie Gras do Perigord e ainda conhecemos um centrinho agitado, medieval e com muito teatro de rua.

No dia seguinte, aproveitamos ao máximo novamente. Parada inicial em Rocamadour, vilarejo construído numa rocha altíssima e que abriga igrejas e faz parte do caminho de Santiago de Compostela. Simplesmente impressionante! Descemos, subimos, pegamos a estrada à frente para tirar fotos e partimos para almoçar num Logis de France que encontramos no caminho.

O selo Logis de France indica qualidade e como estávamos numa cidadezinha pequema, pagamos apenas 15 euros o menu completo, com buffet de saladas, queijo, sobremesa e mais vinho. Quase morremos de comer. E mesmo estufados e loucos de vontade de fazer uma sesta, seguimos para a Gouffre de Padirac, a mais profunda e larga da região, com salões de estalagmites e estalactites, lagos enormes e um passeio de barco dentro dela. Ufa!

Teve de tudo, do começo ao fim. Não paramos, mas é assim que se faz uma boa viagem. Na volta ao camping ainda resolvemos dormir mais uma noite por lá, a Manue caiu na piscina, ficamos tranquilos e só voltamos a Reffannes no dia seguinte, antes parando para comprar um vinagre típico da região e outros presentinhos.

Tem fotos no link do finado fotolog, com a mesma indicação de clicar em proxima (http://www.fotolog.com/eloisilveira/19469676). Mas seguem outras abaixo.

O vilarejo de Beynac

O Dordogne e o vale

As ruas estreitas e as belas casinhas de Beynac

O camping dos cavalos. Ao fundo, Titine e a barraca.

A parada no pôr-do-sol antes de Sarlat

A linda Rocamadour, pena foi o dia nublado.

Rocamadour, vista de frente.

A Gouffre de Padirac, enorme!

Um dos salões da gruta.

O passeio da balão, que ainda vamos fazer um dia.

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Vivendo bem e barato (Parte 2)

Março 9, 2008 at 3:42 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Quase dois meses depois do primeiro post, retorno com a “seção” Bom e Barato, revivendo algumas das trips de 2007 pela França. Depois de Rennes, St. Malo e Mont St. Michel, concentramos nossas caronas para ir a Reffannes, na gloriosa mansão Monnet. E nestes trechos, encontramos gente de todos os tipos e apenas uma vez tivemos que voltar pra casa porque realmente ninguém parou para nos ajudar.

Entre os personagens curiosos, o senhor rico num Audi, que nos levou até o pedágio e ia escutando nossas histórias com atenção e soltando a cada cinco minutos : “Puxa, parabéns, muito legal o que vocês fazem”. E detalhe que ele morava em Chartres, perto da maravilhosa catedral, e tinha uma casa na Córsega. Cheio da grana. Outro bem bacana foi o romeno que passou todos os 45 minutos da ida de Paris ao pedágio dando uma aula de história e política do país dele.

Já não tão memorável foi a ida com o pai playboy e suas duas filhas de 13 e 10 anos que em breve se tornarão outros exemplares dos típicos franceses chatos e arrogantes. Tinham acabado de voltar do Senegal, de safáris, iam ver a vovó no campo. O pai, chefão de uma importante cadeia de celulares, falava com um empregado no viva-voz, mesmo estando em férias. E ainda quis contratar a Manue para trabalhar de vendedora, mas ela rejeitou.

Entre boas e más companhias, ao menos nunca chegamos atrasados em nosso destino. Falávamos pro senhor Jack Monnet: “Devemos aparecer por aí por volta das 21h”. Et voilà, 21h15 lá estávamos. Em julho, passamos três semanas na mansão e aproveitamos para fazer duas belas viagens em finais de semana. Conto uma delas, para a Île d’Oléron, a cerca de 1h30 de viagem de Reffannes, ilha no litoral centro-oeste da França perto da linda La Rochelle, pra quem quiser tentar se aventurar.

Aproveitando mais uma vez da geladeira repleta de guloseimas, preparamos nossa comida para 2 dias, colocamos dentro daquelas enormes geladeiras térmicas e partimos na finada Titine, o Peugeot 107 verde-escuro da Manue, que foi vendido recentemente. Saímos cedo e encontramos um bom sol pelo caminho, chegamos à ilha no horário previsto e fomos procurar o camping para montar nossa barraca. Tão organizado o sistema que parecia até hotel, com mapa dos espaços vazios e as árvores embaixo das quais poderíamos nos abrigar.

Calejados do trauma de tentar montar a barraca no escuro e quase sem lanterna (o que contarei em outro post), desta vez quebramos o recorde francês de instalação. E fomos felizes dar uma volta pelas redondezas, aproveitando aquele sol lindo e os quase 23 graus de intenso verão. Entrar na água, só pra refrescar depois do frescobol, porque a maré era ainda mais fria.

Mas valeu. No camping ainda jogamos a partida decisiva do playoff melhor-de-sete de pétanque (a bocha francesa), que me rendeu o título e o jantar na faixa. A noite fomos comer no centrinho típico de cidadezinha à beira-mar, que me lembrou um pouco o de São Sebastião no início dos anos 90. No dia seguinte, café-da-manhã na praia, com nossos cereais preferidos, um toddynho ainda fresco do bom armazenamento e uma vista sensacional.

À tarde, passeio pelo outro lado da ilha, almoço com arroz, atum, salada e ovo das galinhas da mansão Monnet e um sol desta vez mais intenso e que até deu pra bronzear. Pra fechar, banho num camping que não era o nosso, mas cujo o segurança nem se deu conta da na nossa entrada. E volta triunfal a Reffannes no cair da noite.

Mais abaixo seguem as fotos. E em breve falo sobre outro lugar, outra viagem a preços baixos e novamente partindo de caronas.

O porta-malas da Titine bem guarnecido para o final de semana

A barraca bem montada

A ilha

O café-da-manhã na praia

o vilarejo de pescadores

A longa praia deserta

A praia, de mais perto

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Escargot show!

Março 4, 2008 at 5:46 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Duas citações rápidas. Primeiro respondo ao Lello que sim, o Nazista do couscous estará na matéria da Próxima Viagem. E antes que as pessoas me crucifiquem e resolvam nunca mais ler a revista ou meu blog, digo que a idéia do editor era exatamente mostrar dois lados de Paris: o chique e três estrelas no Guia Michelin e o mais toscão do dia-a-dia. E volto a ressaltar: o Nazista é todo bizarrão, mas a comida é bem decente.

 A outra citação é uma foto enviada pelo meu grande amigo Jamal, o francês da minha rua. Ele encarou a pizza de escargot que vai na foto aí embaixo. Esse cara é corajoso!! 

A pizza de escargot

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A estrela cadente

Março 3, 2008 at 11:05 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Seguindo nos assuntos importantes e que arrancam manchetes por aqui, a bomba desta segunda-feira foi o fato de o Guia Michelin ter vazado. Claro que eu dei mais importância ao assunto porque escrevo no momento uma matéria sobre os grandes restaurantes de Paris, mais uma vez para a Próxima Viagem. Mas o interessante é saber o quanto isso pesa aqui.

Aparentemente, o jornal que mais ficou atento ao assunto foi o Le Figaro, que deu no sábado um panorama com os restaurantes que podiam ganhar ou perder estrelas. Nesta segunda, conseguiu o furo de que o Le Grand Véfour (como eles haviam indicado), havia deixado o grupo com cotação máxima e sido rebaixado ao de duas (que catástrofe !). Por outro lado, ganhou três estrelas o Le Petit Nice, que como nome diz, fica em Marselha.

Depois do Le Figaro, todas as televisões trouxeram com destaque a queda do Le Grand Véfour. O fato é que Paris é ainda a capital mundial da gastronomia e essa história de estrelinha no Michelin pode acabar com a reputação de um chefe. Fora os milhões de euros que elas trazem às casas - e depois novamente ao senhor Michelin. Aliás, segundo a reportagem do Le Figaro, faz tempo que o guia deixou de prestigiar realmente o que vem dentro do prato, passando a distribuir boas recomendações por puro marketing.

E engraçado, mas eu mesmo pude provar isso naquele tal de Le Chartier, cujo post está mais abaixo. Ele vive lotado porque está nos guias e porque deve pagar bem. Porque a comida, é três estrelas no Guia Michelin de Restaurantes Toscos.

PS : em breve porei a matéria aqui. Mas ao contrário do Michelin, que não conseguiu guardar segredo, a minha só entra mesmo depois que a Próxima Viagem sair nas bancas. Segredo de estado !!

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O Carnaval de Paris

Fevereiro 6, 2008 at 10:30 am (Brasil - França, Dicas e Passeios) (, , , , , )

Ala brasileiraE fui lá domingão acompanhar o Carnaval de Paris, equipado com minha câmera, minhas luvas e um bom gorro pra me proteger do frio. É, realmente não dava pra pedir um autêntico desfile de escolas de samba (como o de Amparo), ou uma galera caindo de bêbada na rua, vendedores de Skol e recolhedores de latinhas, ou mesmo alguns raios de sol pra esquentar a festa.

Não teve nada disso, mas também não foi assim tão mal. Eu e mais três amigos até que conseguimos nos manter com sorrisos nos rostos - e isso sem colocar uma gota de álcool na garganta, diga-se de passagem. Seguimos o cortejo desde Belleville até o Hôtel de Ville, sede da prefeitura, num total de 6, 7 estações de metrô e cerca de duas horas de batucadas estranhas e blocos sem muito padrão.

No começo, quando ainda não havíamos entrado no “ritmo” e ríamos das pífias representações dos grupos, fomos severamente repreendidos por um local, mas depois entendemos a magia do espetáculo local e seus mais de 500 anos de história, muito mais antigo e tradicional que aquele outro da Sapucaí. A riqueza, a beleza e a organização do desfile, então, nem se fala. Dá de 10!

Como não poderia faltar, a brasileirada marcou presença e fechou o cortejo com dois blocos, algo menos triste que o resto, muito em parte pela presença de uma cuíca e de uma moça com apito que corria de um lado pro outro tentando organizar 12 meninas em uma coreografia de dois passos. Outras alas marcantes foram a de Cusco (??), a de Napoleões retintos (como na música do Chico) e uma que fazia batucada pós-moderna que o até o Joãozinho Trinta ficaria com inveja.

Mas para não ser completamente injusto, guardo um parágrafo para bons comentários. Foi divertido ao menos ver aquele mundaréu de gente seguindo a música por ruas tradicionais e entre prédios do século 19. Foi interessante ver o Brasil lá, muito melhor representado que aquele lixo do Balé do Rua. O desfile ao lado do Centro Pompidou (o museu de arte moderna) e sua armações de ferros gigantescas valeu pelo contraste. E terminar na praça do Hôtel de Ville, o prédio mais espetacular de Paris, diria que é mais legal até que aquele lá na Praça da Apoteose.

 A moça do apito

 A ala dos Napoleões retintos

Outro bloco brasileiro

 A gloriosa ala de Cusco (??)

O cuspidor de fogo

Ao lado do Pompidou

Hôtel de Ville, a apoteose

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