Venha descongelar você também
Passada uma semana desde que as temperaturas insistiram em continuar negativas, o branco ainda predominava em Paris. Nevou um dia, só isso. Mas foi o suficiente para deixar uma bela herança. Mais impressionante ainda foi constatar que dois canais superfamosos daqui, o Saint Martin e o Bassin de La Villette estavam congeladinhos da Silva. Incrível!
Mas depois de algum tempo os passeios de bicicleta a -5°C acabaram. A temperatura subiu consideravelmente desde segunda-feira, chegando aos tais tropicais 5°C!! O suficiente para tirar a poeira das havaianas, pegar aquela bermuda florida que estava no fundo do armario e passar um pouco de protetor solar para não correr riscos. Estamos torrando, suando e dando cambalhotas nas ruas outrora brancas.
Sem mais comentarios esdruxulos, seguem as derradeiras fotos da passagem da camada polar pela França.

Canal St Martin congelado


O resto de neve ao lado do Bassin, também congelado

Apesar da cor em excesso, a prova de que o Bassin tbm virou pedra

As mesmas vinhas que em um outro posto estavam verdinhas, verdinhas


Na Butte Montmartre, a neve, a torre e o pôr-do-sol
Promessa cumprida
Acordar foi até fácil. O difícil foi se preparar para sair. Duas calças, três blusas, meia de lã, cachecol, gorro, câmera na mão e alguns passos na rua para registrar a temperatura às 8h. Consegui um -7º (segundo o jornal Le Parisien, o pico foi de -10º nesta madrugada), voltei e descongelei enquanto a Manue me dizia que na linha de trem que ela pega para a escola até o trilho tinha congelado e que fora de Paris realmente a espessura da neve ainda era grande.
No perímetro urbano as crostas vão aos poucos diminuindo. Mesmo com Paris estando praticamente dentro de uma geladeira, o calor das pessoas, dos carros, das lojas derrete o gelo. Na televisão, reportagens sobre o pessoal da Cruz Vermelha que segue tentando convencer os mendigos a irem dormir em abrigos. E muitos não aceitam. Incrível.
Quem deve estar lucrando é a empresa de energia. Ontem, com o pico de frio, veio o pico de utilização de aquecedores nas casas e quase houve uma pane geral, porque a produção está no limite. Por enquanto, está sol lá fora, o que impede de nevar. É frustrante, porque faz tempo feio e cinza o ano todo. Justo quando a temperatura abaixa consideravelmente, faz sol e não neva mais. Vai entender.
Pelo que diz a previsão, a temperatura deve subir um pouco até o final de semana, chegando a tropicais 0º. Vou esquentar o chá.

Não deu pra ser às 7h, mas às 8h13 era essa a temperatura
Frio Ano Novo
Depois que a crise esfriou, esfriou também o tempo. 2009 começou na França com temperaturas polares graças à uma camada de ar fria vinda da terra do Papai Noel. Na segunda-feira nevou o dia todo, o suficiente para deixar a cidade branca. Até no jornal daí do Brasil deve ter saído. Nesta terça-feira, o frio se manteve e às 19h o relógio em frente à prefeitura do bairro marcava -5º.
Não chega a ser um Canadá, ou uma Sibéria, mas é um frio que nem o pessoal daqui está acostumado. Um rapaz na rua fez um comentário curioso. Ele trabalha fora de Paris, a cerca de 30 quilômetros, e disse que por lá a situação é ainda pior, que parecia “uma estação de esqui, com alguns centímetros de neve no chão”.
Hoje a situação está até mais perigosa por causa das crostas de gelo que se formaram da neve que derreteu. A atenção ao sair na rua tem de ser total. Hoje me peguei algumas vezes andando como um pinguim, ou como uma criança que aprende a andar.
Amanhã será ainda mais frio, apesar de que não deverá nevar. A previsão é de sol e singelos -8º. Fiz uma promessa: vou acordar amanhã às 7h com a Manue e ir ver a temperatura na rua. Tirarei uma foto.
Por enquanto, seguem umas próprias e um vídeo tosco que eu fiz pra mostrar a surpresa.
http://www.youtube.com/watch?v=y1lr0Q94xk4



No início da neve

Ok, não é tanta neve assim, mas quem nunca quis fazer isso?

Na terça, perto da Bastilha

As guloseimas francesas e o cuscuz mais caro do mundo
Tentativas, algum trabalho, talvez não a melhor técnica e a Manue conseguiu. A massa estava pronta, um pouco disforme, mas de gosto delicioso. O resultado vai abaixo.
O curso de foto
Foi descoberto recentemente que o brasileiro Vandiscleisson (mudamos seu nome verdadeiro para preservar sua integridade) estaria fazendo um curso de fotografia em Paris, com um professor francês, numa classe só com franceses, numa cidade que fala apenas francês. O resultado foram algumas stuações comprometedoras as quais o Paris Na Linha teve acesso e relata com exclusividade abaixo.
Antes da sessão de revelação do filme, em frente a todos os coleguinhas.
- Vandiscleisson, você trouxe o seu filme?
- Sim, professor, mas eu não consegui tirá-lo da câmera. Sabe, a minha digital não tem filme e essa aqui é meio complicada.
- É mesmo, Vandiscleisson?!
Na hora de comprar um filme, na loja mais chique de Paris.
- Meu professor pediu um filme diapô. Você tem?
- Sim, claro, 400 ASA ou 800 ASA?
- Não obrigado, isso ele não pediu.
Na outra loja, agora muito mais inteirado sobre o assunto.
- Você tem filme diapô, né?
- Sim, claro. Temos…
- …400 ASA ou 800 ASA, já sei.
- Exatamente.
- Sem querer parecer muito leigo, mas qual a diferença?
- Com o 400 ASA você pode tirar as fotos num dia de luz normal. Ele custa 8 euros. O 800 ASA é para situações de menos luz, mas você pode tirar fotos mais rápidas. Custa 13 euros.
- Entendi. Então quero dois do mais barato.
Na sala, com uma amiguinha que não parava de olhar em sua direção.
- Você é brasileiro, né Vandiscleisson?
- Sim, sim. Como você descobriu, pelo sotaque?
- Não, não, é que tem monte de erro no teu caderno.
Na sessão de fotos fora da classe, primeiro contato com a câmera de filme.
- Professor, professor, o ponteirinho do lado do visor não pára de mexer.
- A cellule, Vandislceisson, serve para verificar a boa exposição, como te expliquei na aula teórica.
- Imaginei.
- Agora, se ela não se mexer, você vai precisar de um pose-mèttre.
- Xiiii…
Ao apresentar a câmera ao amiguinho que sabe muito mais de foto do que ele.
- Caramba, sua objetiva tem uma abertura máxima de diafragma de 1,8, sensacional!
- A câmera é do meu sogro, boa né?
- Sim, sim. E ainda tem uma tele-objetiva de 135 mm fixa, que espetáculo!
- É, mas cuidado pra não deixar ela cair se não eu que pago.
De volta à sala de aula, com o professor fazendo a lista do que seria preciso para a outra sessão de revelação.
- Papel de foto (óbvio)
- Negativos (dãã)
- Pano (ok)
- Tesoura (belê)
- Trombones* (???)
- Chemise cartonée rouge* (hein??)
- Scotch non-invisible* (tô frito…)
Ao chegar em casa, após a sessão de revelação.
- E aí, meu amor, foi tudo bem?
- Queimei um monte de papel.
* Mais tarde, o Vandiscleisson descobriu que trombone é clipe, chemise cartonée rouge é uma pasta comum com elastico e, neste caso, vermelha e que scotch non-invisible é um durex diferente. Boa Vandiscleisson!
Luz, câmera e ação!
Acordei cedo hoje, abri a janela e, por mais incrível que possa parecer, um tímido raio de luz acertou meu rosto em cheio. Para aproveitar ao máximo o raro momento, fingi que ele me cegava. Era o sol, cortando o até então impenetrável bloco de nuvens cinzas que dominou Paris nas últimas três semanas. E quase copiando uma cena de um filme do Godard que eu não vi, pensei: “D 5,6 – V 250″. E fui bater fotos.
Entrevista 2
Faço uma pausa nos posts de Montmartre para colocar a entrevista que eu dei para o site Entrevistando Expatriados, da Mirella. Segue o link http://expatriados.wordpress.com/2008/10/20/dissecando_franca/
Quem é vivo…
Boas pessoal.
Depois de uma breve parada de quase 4 meses (!!!), estou de volta. Na verdade estou de volta a Paris já faz um bom tempo, mas estava e estou meio atabalhoado, tentando me reorganizar e planejar algumas coisas. Só nesse retorno me inscrevi em dois cursos, de foto e de francês, então pretendo me manter bem ocupado.
Neste tempo também, como muitos sabem, estive pelo Brasil. Vivi momentos extremos por lá, algumas tristezas, algumas felicidades. Acho que no geral, foi positivo, porque também pude curtir bastante minha família. Sei que nesta nova parte da minha vida ficarei muito mais por aqui e vai ser um pouco mais difícil revê-los e também meus amigos. Mas são as escolhas que você faz.
Daqui, além dos cursos, posso dizer que vivi recentemente algo bem legal numa viagem pelo Sul da França. Eu e a Manue alugamos um carro-furgão, um Renault Traffic, preparamos colchão inflável, botijão de gás, cobertores e fomos andando por aí, dormindo onde dava, acordando e decidindo pra onde ir, meditando em montanhas, conhecendo as riquezas e exuberâncias da Côte d’Azur. O que fez a gente querer muito ir pra lá perto um dia, numa cidadezinha mais calma e, sobretudo, mais quente e com tempo melhor que aqui.
Obviamente que a gente perderia, por exemplos, coisas que só Paris proporciona, como a própria cidade, linda como poucas outras, as facilidades de transporte, as 1000 possibilidades de coisas a fazer, os cinemas, os cursos praticamente de graça, os amigos…Mas sonho é sonho, vamos ver no que dá.
Coloco aqui o link das fotos que tiramos na viagem com o Francky Passe Partout (nosso Renault). Nas Gorges du Verdon, vivi um dos momentos mais especiais da minha, que entraram de cara nos top dos lugares que conheci, ao lado de Machu Picchu, Lençóis Maranhenses e Chapada Diamantina.
Espero reencontrar o ritmo, com dicas daqui também.
Rápido adendo
Estive bem ausente do blog por uma série de razões. A principal delas é que meus pais estiveram por aqui e fizemos uma bela viagem para que eles vissem coisas que só conheciam por fotos. Mas infelizmente eles tiveram que voltar às pressas ao Brasil por conta de um problema de saúde na família, o que também me deixou sem motivação para escrever.
Para complicar ainda mais, começou Roland Garros e estou fazendo a cobertura in loco do encerramento da carreira de Gustavo Kuerten para o Tenisbrasil. Anda tudo uma correria, mas estou tentando ao menos reencontrar o rumo.
Ainda publicarei quando der o terceiro passeio para fechar a série do que está publicado na revista. Talvez mais tarde coloque um roteiro do que fiz com meus pais também, o que recomendo enormemente para um viajante com um pouco mais de folga e vontade de não ficar apenas em Paris. Para ressaltar, a Próxima Viagem com minha matéria dos passeios ainda deve estar nas bancas, com texto diferente, mas meu.
Acabou a gasolina do carro? Põe na tomada.
Tudo bem que a busca por combustíveis alternativos segue a todo vapor, mas admito que não sabia que os carros elétricos já estavam tão na moda assim. E como aqui é realmente um país do futuro, postos para carregar a bateria do seu carro se espalham cada vez mais pela cidade. Imagino até a cena:
- Bom dia senhor. O que vai ser ?
- Completa com energia aditivada. Mas quando a bomba bater, pára. Se não pode dar curto-circuito.

França, um país do futuro
Passei hoje na banca pra saber se tinha saído aquela página de protesto no Le Monde ou se eles estavam em greve. Acabei não achando o jornal desta quarta, mas arregalei os olhos quando vi o de sexta !!! Peguei, analisei bem, olhei pra cima pra ver se não tinha uma câmera do Sergiô Malandrô querendo me pegar, mas acabei não resistindo e perguntei pra vendedora :
- Olá, esse jornal é mesmo de sexta-feira ?
- Isso.
- Sexta-feira, dia 2 de maio ?
- Isso.
- Mas hoje é quarta, dia 30 de abril.
E veio a explicação (ou não).
- Certo, é que amanhã é dia 1° de maio, o único dia do ano que nenhum jornal sai. Aí eles aproveitaram e adiantaram o de sexta.
Bom, comprei o jornal mais por curiosidade de saber o que ia acontecer no futuro. Vai que eles já haviam conseguido um furo de reportagem e divulgado o número da loteria que ainda ia ser sorteado. Mas não, o máximo que daria para falar com certeza era que na sexta ia chover e fazer frio.

Cúmulo do brega
No parque, primeiro grande dia de sol do ano, o cara pega o violão e canta em alto e bom som para sua namorada:
“Baby can I hold you tonight ?!”
Francês cantando Tracy Chapman no parque !?!? Quase pedi para o inverno voltar.
Paris em estado de alerta
Atenção mesdames e messieurs, Paris está em estado de alerta! Neste sábado, uma estranha bola amarela ainda não identificada pelas autoridades apareceu no alto do céu, causando espanto e medo na população. Enquanto a polícia tenta acalmar os ânimos, o presidente Nicolas Sarkozy convocou uma entrevista coletiva no Palácio do Eliseu para comentar o assunto.
Ainda é cedo para analisar os efeitos deste fenômeno, mas poucas horas após seu aparecimento foi possível constatar um forte aumento na temperatura (que romperam a casa dos 20° pela primeira vez em mais de 7 meses), no número de bicicletas pelas ruas, na venda de camisetas e trajes leves e sorvetes na tradicional casa Berthillon. Mais do que isso, pessoas foram vistas nas ruas sorrindo sem motivo, causa que preocupa também o prefeito da cidade, Bertrand Delanoë.
Segundo o Centro de Estudos de OVNIS de Paris (CEO), a bola amarela já havia aparecido nos céus da capital francesa no ano passado, mas sem causar o mesmo impacto. Já o Instituto de Doenças Tropicais (IDT) vai mais longe e garante que ela pode ter origem na América do Sul ou África, o que explicaria certas reações como transpiração e aceleração dos batimentos cardíacos. Apesar de pedir calma aos habitantes, o IDT admite estar preparado no caso de uma epidemia.
Meu amor, minha lata de lixo
Seguindo na linha de dois posts abaixo, relato outra senhora gafe, esta contada pelo meu querido primo Coaty. Também durante seus estudos para evoluir nesta língua complicada que é o francês, ele soltou uma que se não fosse tão engraçada, colocaria em risco um romance de mais de 45 anos com a Arlette.
Ao querer dizer que ele a achava a mulher “mais bonita“, ou “la plus belle“, ele se embaralhou todo e soltou um estranho: “Mon amour, tu es la poubelle!“, ou “Meu amor, você é a lata de lixo“.








