Dicas para melhor usar o Vélib

Outubro 24, 2008 at 9:25 am (Dicas e Passeios) (, , , , )

Aproveitando que eu voltei a fazer do vélib meu transporte número 1 e que o Jamal me avisou sobre algumas novidades que não sabia, resolvi juntar alguns conselhos práticos para você usar melhor o sistema de bicicletas públicas de Paris.

- Começando pela dica do Jamal, pegar uma bicicleta no plano e devolver no alto garante 15 minutos grátis na próxima locação. Para ganhar o bônus, basta devolver a bicicleta nas estações marcadas com V+ (no 5°, 9°, 13°, 14°, 15°, 16°, 18°, 19° e 20° arrondissements). Essas estações estão localizadas no mínimo a 60 metros de altitude.

- Se os 30 minutos do aluguel estiverem acabando e você só encontrar estações lotadas, pare e passe seu cartão ou credite o número do bilhete. Aparecerá no visor a opção: “Validar seus 15 minutos gratuitos“. Você valida e ganha um tempinho a mais para achar outra estação.

- Essa outra dica é do Daniel. De tempos em tempos, novas bicicletas são colocadas à disposição. E como elas são numeradas, dá para ter uma idéia de quais são as mais novas e, em teoria, têm maior possibilidade de estarem em bom estado. Assim, procure sempre as de número acima de 20 mil.

- Existe uma linguagem de sinais entre usuários de vélib. Se a bicicleta está ruim, devolva-a e vire o assento para trás.

- Alguns passos são importantes pouco antes de pegar a bicicleta. Primeiro, verifique se os pneus não estão furados, dê leves chutes nas rodas. Em seguida, passe ao assento, verifique se ele tem o regulador de altura. É válido ainda levantar a bicicleta e dar uma pedalada para ver se as correntes e as marchas funcionam. Por fim, mas menos importantes, cheque a “buzininha”.

- Na teoria, as regras para carros são as mesmas para as bicicletas. Ou seja, se você passar um sinal vermelho, multa. Eu já fui parado algumas vezes, mas na “hora H” os policiais nunca me obrigaram a pagar. Por isso, o que vale mesmo é verificar se não existem guardas ao redor, se carros não estão cruzando e passar. A estratégia é a mesma para quem está acostumado a dirigir em São Paulo à noite.

- Verifique bem o caminho a ser percorrido antes de se aventurar por aí. Existem mapas com as ciclovias. Outro dia eu fui cruzar Paris achando que sabia tudo de cabeça, errei inúmeras vezes e quase estourei o tempo em algumas ocasiões.

- Já o que não é mentira é sinalizar. Isso vale e é importante para a segurança. Se for cruzar uma avenida, uma rua, não tenha tanto medo, mas gesticule, erga o braço indicando para qual lado você vai virar e vá aos poucos.

- Na época de frio, proteja-se extremamente bem, sobretudo com algo para pescoço e mãos. Como diz o Jamal, apague o cigarro e deixe o celular quietinho. Em relação a ouvir música, tem gente que não se sente segura e prefere prestar atenção no caminho. Para mim, saída sem música é tão ruim quanto cruzar Paris de metrô sem ter nada para ler.

- Claro que tem que entender francês, mas o blog do vélb é bem legal e prático. Dêem uma olhada: http://blog.velib.paris.fr/blog/

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Outros momentos…

Outubro 23, 2008 at 7:20 am (Dicas e Passeios) (, , , )

Na última Festa da Colheita das uvas de Montmartre, o bairro ficou cheio. E claro que enfrentar uma multidão nunca é algo agradável. Mas aqui no quartier nem isso chega a incomodar tanto. Ao contrário, quanto mais visitante, mais artista de rua, mais festa, mais alegria…

Os desenhistas

Os desenhistas

O desenhista vai à caça

O desenhista vai à caça

O cantor

O cantor

Por baixo da saia da Ginette

Outro café famoso de Montmartre, com nome engraçadinho. Acho que daria para ser encarado como: Por baixo da saia da Ginette

Praça Marcel Aymé, Le Passe-Muraille (O Passa Muros). Louco para jogar futebol com o garoto.

Praça Marcel Aymé. Le Passe-Muraille (O Passa Muros) observa o menino e cruza até a parede para jogar um pouquinho de futebol.

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Entrevista 2

Outubro 21, 2008 at 10:48 am (Casa e Familia) (, , , )

Faço uma pausa nos posts de Montmartre para colocar a entrevista que eu dei para o site Entrevistando Expatriados, da Mirella. Segue o link http://expatriados.wordpress.com/2008/10/20/dissecando_franca/

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As escadarias de Montmartre

Outubro 20, 2008 at 3:36 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Montmartre é o ponto mais alto de Paris, com 130 metros de altura. Logo, para chegar até o topo do morro e apreciar uma das mais belas vistas da cidade, você é obrigado a subir incontáveis degraus nas diversas escadarias espalhadas pelo quartier. E mesmo que você seja um daqueles que pega elevador pra descer do térreo ao subsolo, vai adorar sofrer um pouquinho e chegar lá em cima ofegante, mas feliz.

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Restaurantes de Montmartre: Le Cépage e Le Maquis

Outubro 16, 2008 at 4:14 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Os restaurantes Le Cépage e Le Maquis não são nem de longe os melhores exemplos da excelente gastronomia francesa. Ainda assim, merecem destaque por outro fator: a localização. Ambos estão na Rue Caulaincourt, uma das mais típicas do charmoso quartier de Montmartre, e são separados por alguns poucos metros. Neles, a comida é o de menos. Já o simples fato de ir e observar o estilo local pode ser um momento muito mais marcante.

Há décadas, o Le Cépage faz parte do cotidiano dos moradores do bairro, servindo de simples cafés a refeições completas e até ostras, a especialidade da casa (encontradas entre março e outubro). Eventualmente, concertos de jazz movimentam às noites no amplo salão interno e dão o toque requintado da região dos artistas de Paris.

Comum também é ver em suas mesas espalhadas pela calçada uma mistura de franceses e turistas. Para descobrir o primeiro é simples: basta verificar se à sua frente existe uma pequena xícara de café vazia já há um bom tempo e se um jornal aberto esconde devidamente seu rosto. O segundo é reconhecido pelos cliques que dá em sua câmera e pelo olhar curioso para as famosas escadarias ao lado.

Exatamente por estar localizado entre estações de metrô e o caminho que leva ao topo do monte e à Sacre Cœur, o Le Cépage é ponto obrigatório de parada e certamente está retratado em milhares (talvez milhões) de fotos de viajantes que pelo menos por um dia se apaixonaram pelas ruas de Montmartre.

Logo ao lado, o Le Maquis também traz esta característica de mistura. Possivelmente um turista não receberá o tratamento caloroso que um antigo morador da região terá. Por outro lado e, levando em consideração que os franceses são conhecidos mundialmente pela impaciência com visitantes, isto não chega a ser um ponto que impeça a ida ao restaurante.

No menu, pratos típicos, com massa e carne (o tradicional ossobuco italiano foi testado e aprovado) e preços variando entre 14 e 16 euros para o sistema entrada + prato ou prato + sobremesa. Se conseguir levar o patrão na lábia, pode ganhar de presente um aperitivo simples. Certamente uma experiência mais cultural do que gastronômica.

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Impressões de Montmartre

Outubro 15, 2008 at 8:28 am (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Para quem não sabe, além do Moulin Rouge e dos sex shops de Pigalle, Montmartre também é conhecido por ser o local das legítimas videiras de Paris (mesmo que o resto dos franceses menosprezem este vinho, ele tem lá sua importância). Elas datam de meados do século 19, quando Montmartre ainda nem era de Paris (foi anexado em 1860). Na época, o vinho da região fez sucesso e as pessoas saíam do centro da capital para ir lá encher a cara. E muitos bares intramuros foram à falência.

No inicio do século 20, também por causa do vinho, instalaram-se em Montmartre os cabarés como o Moulin Rouge, Au Lapin Agile e alguns outros. Artistas montaram por lá seus ateliês e o bairro ganhou fama mudial. Mais tarde, François Truffaut virou morador do “quartier“, perto da Place de Clichy, e o gravou em alguns de seus grandes filmes. Ele morreu jovem, infelizmente, e foi enterrado no cemitério de Montmartre. No século 21, uma moça boazinha, sonhadora e apaixonada imortalizou de vez a região ao mostrar o que de tão fabuloso seu destino havia reservado.

Na minha primeira vinda a Paris, em 1998, guardei boas memórias do bairro. Após 10 anos, posso dizer que sou um de seus felizes moradores. Neste último final de semana, aqui também, aconteceu a Festa da Colheita, no topo da montanha. Na verdade, a colheita da uva já havia acontecido em setembro, mas a festa foi somente agora. Nestes dias, o bairro fica mais cheio do que o normal, mas ainda assim não perde seu charme.

Abaixo, algumas impressões do bairro (observação: o WordPress é o pior lugar do mundo pra postar foto):

Montmarte, a inspiração
Montmarte, a inspiração
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As vinhas e a (o) Sacré Coeur ao fundo     As vinhas e a (o) Sacré Coeur ao fundo

 

 

 

 

 

 

 

Rua e Sacré Coeur ao fundo  Rua e Sacré Coeur ao fundo
 
 

 

 
 
 

 

 

 

 

 

O bar e senhora

O bar e a senhora

 

Vista de Paris do topo do morro

Vista de Paris do topo do morro

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Paris tem comida japonesa acessível. Só não tem rodízio.

Outubro 4, 2008 at 11:19 am (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

A primeira experiência não foi das mais bem-sucedidas. Resolvi testar um restaurante japonês ao lado da minha casa e, para meu dissabor, tudo que havia ouvido sobre eles em Paris fez sentido: paguei caro e comi pouco. Exatamente o contrário do que acontece no Brasil, país da fartura, até em se tratando de comida japonesa.

Mas se por aqui não existem os maravilhosos rodízios, ao menos em alguns restaurantes pode-se comer extremamente bem. Insistindo, encontrei boas opções. O melhor na relação custo-benefício entre o 17º e 18º arrondissement fica no metrô La Fourche, o Thé Vert. A decoração é de bom gosto, moderna e com mesas, talheres e copos de qualidade (provavelmente comprados na Ikea). Os banheiros são limpos e os garçons dão “oi” e “tchau” quando você entra e sai. Algo que até mesmo os franceses estranham.

No Thé Vert o cardápio é ao menos bem variado. E os clássicos menus dominam os pedidos. Para o leigo, em um restaurante japonês de Paris, pedir um menu significa ter como entrada uma sopa de peixe, com tofu e algas, além de uma saladinha de repolho com tomate e pepino antes do prato. Uma porção de sashimi com arroz custa 10,50 euros. Por um prato com 12 sushis, sendo 6 de abacate, salmão e ovas de peixe, o tal california, 6 de cream-cheese e salmão e mais dois espetos de salmão na chapa, paga-se 15,00.

Tudo, porém, é bem preparado, em bom tamanho, o que deixa ao menos a impressão de que o número limitado não é tão pouco quanto você pode imaginar.

Existem outros restaurantes mais chiques – e caros – e com muito mais variedade. Um dos mais conhecidos é o Matsuri, que foi pioneiro no estilo balcão e esteira rolante. Ou seja, você se senta à frente do sushiman e ao lado passa uma esteira com todos os pratos e tipos de comidas, seja o sushi básico, sashimi, hot-rolls, tempurás, saladas, sobremesas e outros. Cada prato tem uma cor, cada cor tem um preço. E você paga pelo que come.

A idéia é excelente e funciona bem, tanto que diversas outras casas copiaram o formato. O problema é que a cor mais barata, a do prato com 6 sushis básicos, por exemplo, custa 4 euros. Hot-rolls estão na faixa dos 5 euros. Outros pratos mais incrementados, entre 6 e 7.

Vale a pena pela experiência, por ver o trabalho do sushiman e porque o restaurante é superbem frequentado (os endereços variam entre as proximidades da Champs Elysées, a Bolsa de Paris e o 16° arrondissement). Em relação aos valores totais, dificilmente o cliente desembolsará menos de 40 euros. Dependendo do apetite, aliás, a conta pode aumentar consideravelmente.

E que tal fazer em casa ?
Fazer uma “soirée sushi” também não é uma má idéia na França. Basta apenas conhecer as técnicas, ter bons aparelhos – sobretudo uma boa faca – e escolher um bom lugar para comprar o peixe. O quilo do salmão escocês custa entre 18 e 20 euros. O pavê de salmão, que se encaixa melhor para as “brochettes” e pratos quentes, entre 10 e 12. O atum é caro : cerca de 30 euros o quilo.

De resto, algas, molhos, arroz, vinagre e outros aparatos são relativamente baratos. No geral, um jantar para 6 ou 7 pessoas acaba saindo o mesmo preço do Brasil. Vale a dica.

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O orgulho de ser (quase) francês

Outubro 3, 2008 at 12:33 pm (Brasil - França, Política) (, , , , , , )

Tudo ia bem, sem acidentes de percurso, sem encheções de saco, sem perguntas intrusivas, sem taxas para pagar. Mas como diz o velho e bom ditado, “esmola demais o santo desconfia”. Tanto que na última quinta-feira, um dia depois de passar pela entrevista na Polícia Federal daqui, recebi uma carta me convocando para uma visita médica, junto de um papel intitulado “Contrato de recepção e integração” e um boleto bancário com o valor de 275 euros a ser pago em nome do Estado da França.

Para explicar melhor, retorno ao Brasil, mês de julho. Na preparação para o casamento, fomos ao Consulado da França em São Paulo e passamos por duas entrevistas com a responsável pela união civil de franceses e brasileiros. Fomos armados até os dentes de papéis, provas, cartas de amor, fotos, mas nada foi preciso. Por incrível que pareça, a moça não só nos acolheu com sorrisos, como agiu de forma competente e rápida.

Mesmo com as idas e vindas dos papéis para a França, conseguimos acertar tudo em tempo recorde, tirei meu visto de conjoint de français e parti tranqüilo para Paris. Na primeira ida à polícia – novamente preparados para a guerra -, fomos surpreendidos com nova boa recepção, mais sorrisos e uma carte de séjour temporária, que me dava o direito inclusive de trabalhar e viver normalmente.

Veio, finalmente, a entrevista que cito no primeiro parágrafo. A mais importante, a definitiva. Mais uma vez quase nada a declarar – com exceção das duas horas de espera – e apenas a indicação : ”Você deverá passar pela visita médica e aí sim pegará tua carte de séjour definitiva”. Simples assim ? E mais : “Sua carte de séjour deverá ser renovada a cada ano e, após três renovações, ela valerá por 10 anos”. Mas vocês são muito bonzinhos !

No fatídico dia seguinte, abro o envelope com meu nome e me deparo com os formulários e o boleto bancário. Obviamente o valor abusivo me choca (são 275 euros apenas na primeira vez ; depois, cai para simbólicos 70 euros. Ufa !), mas o tal “contrat d’accueil et d’intégration“, imposto pelo então Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, é de um teor ofensivo. Vamos, então, a ele e na íntegra.

Na capa, abaixo do título e da imagem da Liberté (a mesma da estátua de Manhattan, o que explica muita coisa), temos o texto : “Você está autorizado a morar na França. Para facilitar sua integração, o Estado propõe que você assine o contrato de recepção e integração.

No verso, seguimos com os esclarecimentos : Você irá se beneficiar de – uma reunião de recepção coletiva (oba, festa !! Eu levo os brigadeiros) ; de uma visita médica, que permitirá a entrega de sua carte de séjour ; de uma entrevista individual permitindo neste caso particular de conhecer seu nível de conhecimento da língua francesa ; de uma reunião de formação cívica, que apresentará os direitos fundamentais, os princípios e valores da República Francesa ; de uma sessão de informações sobre a vida na França ; eventualmente, de uma entrevista com um assistente social e de informações sobre o acesso ao emprego e à formação profissional (reparem que em um dos itens mais importantes, o acesso ao trabalho, há anteriormente o termo “eventualmente”).

Você se responsabilizará por : participar da reunião de formação cívica e da sessão de informações sobre a vida na França ; por seguir a formação linguística que convier a seu caso específico e a se apresentar ao exame para a obtenção do diploma inicial de língua francesa (DILF).

Ao cumprir estes pontos, voce receberá um atestado de presença.

Em caso de não respeitar estas obrigações, o responsável poderá anular o contrato, recusar a renovação de sua carte de séjour ou a entrega da carta de residente.

O respeito ao contrato e às obrigações é de extrema importância para que você encontre seu lugar dentro da sociedade francesa.

Ao ler tudo isso, me lembrei daquela cena do Tropa de Elite em que o Capitão Nascimento diz aos berros aos candidatos a entrar no Bope: “NUNCA SERÁ!!!”. Mas no fundo, no fundo, só posso me sentir honrado de fazer parte de um país tão íntegro e acolhedor. Obrigado, França ! Obrigado Monsieur Le Présidente de la Republique ! Vocês salvaram mais um ser humano da miséria e da ignorância.

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