França, um país do futuro

Abril 30, 2008 at 10:54 pm (Casa e Familia) (, , , , , , )

Passei hoje na banca pra saber se tinha saído aquela página de protesto no Le Monde ou se eles estavam em greve. Acabei não achando o jornal desta quarta, mas arregalei os olhos quando vi o de sexta !!! Peguei, analisei bem, olhei pra cima pra ver se não tinha uma câmera do Sergiô Malandrô querendo me pegar, mas acabei não resistindo e perguntei pra vendedora :
- Olá, esse jornal é mesmo de sexta-feira ?
- Isso.
- Sexta-feira, dia 2 de maio ?
- Isso.
- Mas hoje é quarta, dia 30 de abril.
E veio a explicação (ou não).
- Certo, é que amanhã é dia 1° de maio, o único dia do ano que nenhum jornal sai. Aí eles aproveitaram e adiantaram o de sexta.

Bom, comprei o jornal mais por curiosidade de saber o que ia acontecer no futuro. Vai que eles já haviam conseguido um furo de reportagem e divulgado o número da loteria que ainda ia ser sorteado. Mas não, o máximo que daria para falar com certeza era que na sexta ia chover e fazer frio.

 O Le Monde de sexta

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E o circo pega fogo

Abril 29, 2008 at 6:36 pm (Política) (, , , , , , )

Três matérias hoje no Libération mostram que o clima por aqui anda agitado em vários setores. Na política, o gênio do Le Pen atacou de novo. O líder da extrema direita daqui, que faz o Maluf parecer um Fidel Castro, reafirmou na última sexta-feira uma frase polêmica dita por ele mesmo em 1987. Tão horrível é esse cara que o próprio partido que ele fundou em 1972, o Front National, divulgou uma carta afirmando que esta opinião não refletia o ideal do grupo. Ah, a frase? Que as câmaras de gás não passavam de “um detalhe da história da Segunda Guerra Mundial”.

Já o Le Monde anda mal das pernas. Depois de os funcionários entrarem em greve há duas semanas e o jornal não sair apenas pela segunda vez em mais de 60 anos de história, nesta terça o mesmo grupo que liderou as paralisações exigiu da direção uma página inteira da edição de amanhã para explicar aos leitores o que está acontecendo por de verdade. Isso ou nova greve. A direção bateu o pé, disse que não aceita a idéia e que não tem outra solução para conter a crise do jornal a não ser demitir 129 funcionários.

Por fim, o Libé também traz um artigo sobre a crise do futebol francês. É que hoje tem rodada da Copa dos Campeões e eles mais uma vez têm de engolir três times ingleses (malditos ingleses !!). Agora, o ministro do esporte e ex-técnico da seleção de rúgbi (praticamente um gênio da estratégia) exigiu um estudo completo sobre a “competitvidade do futebol profissional francês”. E ele vai mais longe, quer que uma lei padronize os salários astronômicos dos jogadores em toda a Europa.

Bom, enquanto o Lyon luta para passar das oitavas, o Marselha perde pro Zenith na Copa da Uefa e o PSG luta pra não cair pra série B, eu vou pegar minha cerveja e torcer pro Manchester. Allez, Christiano Ronaldô !

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Cúmulo do brega

Abril 28, 2008 at 3:02 pm (Casa e Familia) (, , , , , , )

No parque, primeiro grande dia de sol do ano, o cara pega o violão e canta em alto e bom som para sua namorada:

Baby can I hold you tonight ?!

Francês cantando Tracy Chapman no parque !?!? Quase pedi para o inverno voltar.

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Parisiense, mal-humorado por natureza

Abril 27, 2008 at 9:49 am (Brasil - França) (, , , , , , )

Seja em posts de outros blogs, seja em conversas “secretas”, os brasileiros que moram aqui acabam uma hora concordando que parisiense é um povinho chato que vive mal-humorado. Eu não fujo da regra, tenho a convicção de que falta um pouco de vida nos coraçõezinhos dos meus vizinhos, talvez em parte pela falta de sol.

Para corroborar essa tese, uma propaganda da Citroën me chamou a atenção, porque resume bem esse estilo. Num posto de gasolina, dois homens enchem o tanque de seus carros, um chique e outro bem simples. O dono do carro pequeno canta sem parar e encerra a tarefa bem antes. É quando o outro solta aquela bufada típica do francês emburrado: “Pffff, ça va, c’est bon….p**tain!“, deixando claro que, aqui, ninguém tem direito de estar feliz e de cantar sozinho.

Em outra série, agora do jornal Le Parisien, eles próprios tiram sarro de tal chatice. Pra entender o comercial, é bom explicar apenas a frase final, em que o locutor diz: “Parisien, vale mais ter em jornal”. Cliquem e vejam.

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Paris em estado de alerta

Abril 26, 2008 at 10:57 am (Casa e Familia) (, , , , , , )

Atenção mesdames e messieurs, Paris está em estado de alerta! Neste sábado, uma estranha bola amarela ainda não identificada pelas autoridades apareceu no alto do céu, causando espanto e medo na população. Enquanto a polícia tenta acalmar os ânimos, o presidente Nicolas Sarkozy convocou uma entrevista coletiva no Palácio do Eliseu para comentar o assunto.

Ainda é cedo para analisar os efeitos deste fenômeno, mas poucas horas após seu aparecimento foi possível constatar um forte aumento na temperatura (que romperam a casa dos 20° pela primeira vez em mais de 7 meses), no número de bicicletas pelas ruas, na venda de camisetas e trajes leves e sorvetes na tradicional casa Berthillon. Mais do que isso, pessoas foram vistas nas ruas sorrindo sem motivo, causa que preocupa também o prefeito da cidade, Bertrand Delanoë.

Segundo o Centro de Estudos de OVNIS de Paris (CEO), a bola amarela já havia aparecido nos céus da capital francesa no ano passado, mas sem causar o mesmo impacto. Já o Instituto de Doenças Tropicais (IDT) vai mais longe e garante que ela pode ter origem na América do Sul ou África, o que explicaria certas reações como transpiração e aceleração dos batimentos cardíacos. Apesar de pedir calma aos habitantes, o IDT admite estar preparado no caso de uma epidemia.

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De onde vêm as comidas estranhas da França

Abril 22, 2008 at 5:06 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Voltei à mansão Monnet depois de 4 meses e, mesmo já conhecendo a região de cabo a rabo, mais uma vez saí de lá com um novo aprendizado. Desta vez, aproveitamos o final de semana de “fermes ouvertes“, época em que as fazendas da região abrem as portas para mostrar suas produções. Entre as mais requisitadas pelos visitantes, as de foie gras, de queijo de cabra e de escargot, alimentos para os os quais normalmente você entortaria o nariz caso o gosto não fosse bom demais.

Visitamos as três, começando pela de foie gras. No entanto, não pudemos acompanhar o processo de “estufamento” do ganso, que, segundo os que já viram, é interessante, porém cruel. Para resumir, os animais são forçados a abrir a boca, enquanto uma máquina empurra um bloco de comida goela abaixo. Após alguns dias neste regime, o fígado não aguenta a quantidade de comida e apodrece, indicando a hora em que o ganso está pronto para o abate.

Neste momento, as aves são eletrocutadas e morrem instantaneamente e sem dor (ufa!), como garantiu o monitor da nossa visita. Na mesma sala, o sangue é drenado, ele é depenado e aberto para a retirada da carne e do fígado, que recebem tratamento diferentes. Enquanto a carne é vendida em filés ou utilizada nos patês, o órgão é preparado até virar aquilo que comemos (ou comíamos) com enorme prazer. O preço é altíssimo: 80 euros o quilo quando ele é fresco, metade se é cozido e por aí vai.

Fazenda de cabrasDali vamos para a fazenda de cabras, onde as emoções são menores. Encontramos dezenas delas espalhadas, devidamente numeradas e “vigiadas” por um simpático cachorro. O interessante é que, ao contrário dos gansos, nossas amiguinhas aqui são bem tratadas, comem um pasto de ótima qualidade e trabalham com alegria. Na hora da retirada do leite, caminham sem problemas para a salona especial e entram em compartimentos reservados enquanto desfrutam de um selecionado de grãos aparentemente apetitoso.

Nesta salona, cerca de 100 cabras se espremem e posicionam a parte traseira do corpo para o ar, de modo que o responsável da fazenda possa conectar os tubos das máquinas em suas tetas. A partir dali é um espetáculo de sucção e leite partindo diretamente para o reservatório, enquanto o homem segue colocando os tubos em outras cabras quando a máquina acende uma luz indicando que uma “fonte” secou.

São cerca de 300 litros por ordenhada. Em outra sala, o leite é tratado e começa, então, o processo de fabricação do queijo, que utiliza cerca de 1,3 litro cada. São salas climatizadas, na temperatura certa para que as bactérias possam trabalhar tranqüilamente para apodrecer o queijo e deixar aquele gosto delicioso e inconfundível. Enquanto a moça explicava tudo isso, eu degustava o queijo aux echalottes, uma espécie de cebolinha. Comprei dois.

Sala de reprodução dos escargotsNo outro dia, fechamos a série de visitas com a ida à escargolândia, talvez a mais interessante de todas. A fazenda é uma mina de ouro, já que a produção dos caramujos é absurdamente fácil: é só separar alguns bons espaços de terra e deixar que os bichinhos cresçam felizes enquanto comem uma espécia de farinha molhada (sim, os escargots comem farinha). Naquela fazenda, eram 5 campos nem tão grandes, mas que somavam cerca de 250 mil bichinhos.

E o processo nunca pára. Quando eles atingem a idade adulta, são retirados e levados à sala de reprodução, toda preparada para que eles não falhem na “hora H”. E curiosidade: o escargot é hermafrodita e se reproduz conectando uma vagina localizada no pescoço ao mesmo órgão do parceiro e injetando os espermatozóides. Devidamente grávidos, os escargots depositam ovos na terra, colhidos por um vovô narigudo que trabalha na fazenda.

Os ovinhos são enviados para a vovó, em outra sala, que os coloca em pequenas caixas de queijo e os divide em dois serviços: uns são enviados por correio (sim por correio) para fazendas que só têm o trabalho de fazer crescer o animal; outros seguem para a sala de crescimento, onde ganham a forma para aí sim seguir para os campos de dois parágrafos acima. Está fechado o ciclo.

E vejam se não é uma mina de ouro: um pacote com escargots já cozidos e temperados custam uns 18 euros. Patês e outras iguarias são um pouco mais baratas, mas ainda assim fazem a vida daquela fazenda bastante agradável. Desta vez não precisamos comprar nada, porque o sogrão já havia colhido os escargots há muito tempo, recheado e só teve o trabalho de assar. E o bicho estava bom!

Escargot tranquilo

A vovó com os ovinhos de escargots

O campo de crescimento

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Le Salon, clima romântico e boa comida

Abril 20, 2008 at 10:02 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

De fora, a impressão é a de que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa se volta a mim e à minha parceira com um largo sorriso, como se pressentisse a chegada de alguém importante. “Ah, o casal da mesa especial!”

Descubro, então, que o homem é ninguém menos que o dono do Le Salon e que ataca de cozinheiro e garçom. O acúmulo de funções não lhe tira o sorriso do rosto e ele nos leva à sala reservada, passando por outra muito mais ampla. Ficamos separados dos demais, em espaço bem confortável, com a mesa e ainda um pequeno divã ao lado. A decoração é sóbria e a música lounge é perfeita para o clima romântico que já estava criado.

Recebemos também um sino, no caso de sermos “esquecidos” pelos garçons. Mas nem o usamos, pois o atendimento é preciso: sem longas esperas, nem muita intromissão. Pedido feito, vinho no copo e aproveitamos o tempo para sentarmos no divã e conversar, como se estivéssemos numa festa tranqüila na casa de amigos.

Em seguida chegam os pratos, com boa apresentação, e a comida completa o clima. Como já conhecia a “especialidade” em carne bovina da casa, ataco de Faux Fillet Henri VIII, com duas guarnições e um molho de queijo roquefort. Uma delícia. E na frente, olho também com água no boca o tagliatelle com salmão da minha parceira. Comemos bem, bebemos bem e talvez a única coisa que atrapalhe um pouco seja a repetição ininterrupta do mesmo cd de quando chegamos. Mas tudo bem, a boa impressão já havia ficado.

Para fechar, a sobremesa é o tradicional moelleux au chocolat, mas muito bem servido. Na conta, 27 euros por pessoa, com o prato a 15 euros em média, a sobremesa a 7,50 e mais um pichet de vinho.

Ao final de quase duas horas, nos levantamos e nos damos conta de que o restaurante já está vazio. O dono, então, se aproxima e nos surpreende com sua franqueza: “Ufa! Fiquei com medo de ir até a sala porque achei que vocês poderiam estar pelados!“. Frase um tanto quanto bizarra, mas até que a pedida não era uma má idéia. Afinal, a noite romântica no Le Salon ficaria ainda melhor.

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Que dureza, PSG!

Abril 15, 2008 at 8:10 am (Esportes) (, , , , , , )

Desta vez não fui ao Parc des Princes, afinal, o jogo foi no domingo às 21h (e há quem ainda reclame dos horários esdrúxulos no Brasil). Preferi ver o show do Tricolor contra o Palmeiras, com gol de mão do Adriano e três milagres do Rogério. Sorte que o Galvão narrava o chocolate do Botafogo no Flamengo, por que se não, ele diria que era um “verdadeiro teste pra cardíaco, amiiiiiigo!!!” (aliás, ele ainda fala isso?).

Mas enfim, enquanto isso, aqui ao lado, o PSG parecia dar sinal de vida aos torcedores ao virar o jogo contra o perigoso Nice (sexto do campeonato) no meio do segundo tempo. Mas foi só o Pauleta (sim, ele ainda joga e carrega a tocha em Paris) fazer 2 a 1, e os defensores levam dois dribles por baixo das pernas e permitem a virada.

Um dos gols foi do glorioso Ederson, aquele mesmo que jogava no…no….Bom, 3 a 2 Nice e o PSG segue na zona do rebaixamento, com míseros 35 pontos e faltando só cinco rodadas para o fim. Hoje, o mesmo PSG “papa-copas” (já venceu neste ano a Copa da Liga), joga as quartas da Copa da França contra o inexpressivo Carquefou, uma equipe amadora que está mal na quinta divisão. E ainda assim o jogo é perigoso, porque o Carquefou eliminou nas oitavas o Olympique de Marselha.

Que beleza o futebol francês!

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Auto-promoção 1

Abril 14, 2008 at 8:20 am (Brasil - França) (, , , , , )

Vai, quem não gosta de fazer uma propagandinha pessoal? Segue aí a matéria que saiu no site Comunique-se (http://www.escoladecomunicacao.com.br/news/news.asp?id=107) com alguns blogueiros do mundo todo, incluindo eu.

Jornalistas brasileiros usam blogs para contar experiências no exterior

Num país distante, com língua e sociedade diferentes, o blog é uma opção para o jornalista se aproximar do seu idioma nativo e compartilhar com seus leitores as experiências de lidar com uma nova cultura.

Foi assim que o blog do freelancer, Richard Amante, há quase um ano na China, ficou conhecido. Amante na China, traz posts sobre a experiência do jornalista neste país, além da Mongólia. “Só fiz divulgação para os meus amigos. Hoje tenho acessos do mundo inteiro, recebo mensagens diariamente, e quem quer vir pra China encontra no blog um espaço pra tirar dúvidas e preparar melhor a viagem”, relata.

A partir da próxima semana Amante deve lançar outro blog, o Amante em Pequim, parte do trabalho que faz como freelancer para o SporTV e Globoesporte.com.

Para Amante, a liberdade de expressão, que sempre esteve atrelada aos blogs, na China é algo frágil. Conta que a cobertura é muito limitada no país. “A Internet é muito censurada, sites e blogs saem do ar a todo instante sem explicação nenhuma. Revistas são distribuídas com páginas arrancadas, canais de TV são bloqueados, mas já me disseram que foi pior”, relata.

Paris na Linha, o blog de Elói Silveira, conta as experiências do jornalista na capital francesa. Elói já trabalhou no UOL Esporte, Gazeta Esportiva, Tenisbrasil e agora é freelancer da área esportiva e de revistas de viagem.

“Acho que todo jornalista é, naturalmente, um aficionado por escrever, então ter um blog de assuntos diversos pode ser importante para que ele quebre a seriedade de sua profissão, explorar temas diferentes e que às vezes ficavam guardados no fundo da pasta de idéias da cabeça “, afirma ele.

A jornalista Manoela Maia trocou Maceió por Nova York e atualmente posta o NYC Week, e conta detalhes da imigração e da adaptação no novo país, além de histórias curiosas da cidade. “Estou muito feliz porque tenho recebido muitos elogios. Algumas pessoas estão me incentivando a escrever um livro”, conta ela.

Blogs e carreira
Muitos jornalistas afirmam que os blogs podem ajudar a se projetar na carreira. Leila Couceiro, que atualmente vive na Califórnia, e posta no Stuck in Sac, acredita que as empresas de comunicação estão atentas aos blogs e que a audiência deles pode atrair propostas de trabalho na mídia.

“Eles percebem que o autor tem possibilidade de atrair audiência para o seu veículo. Além disso, pessoas que não estão empregadas em nenhum veículo de destaque, e conseguem fazer um nome na blogosfera, muitas vezes acabam ganhando convites para trabalhos freelance ou mesmo empregos tradicionais na mídia”, afirma Leila.

Elói Silveira também vê os blogs como uma boa opção para encontrar novas oportunidades na carreira. “É, sem dúvida, um dos melhores cartões de visita que você pode ter”.

O estímulo
Amante afirma que começou a escrever para relatar suas experiências na China e na Mongólia. Para ele, o blog possibilita a publicação de material que não foi veiculado nos veículos tradicionais, além de contado com o público. “O blog é uma ferramenta que coloca o jornalista mais perto do leitor, é onde ele tem um retorno mais efetivo e imediato sobre o que publicou. Também serve pra mostrar que o nosso trabalho é maior que aquilo que aparece na mídia”, afirma.

“No meu caso específico, o blog serve muito para que eu mantenha ‘contato’ com a escrita. Como moro na França e estudo a nova língua desde que cheguei, é natural que deixe de lado um pouco o português para me dedicar ao francês, então o blog acaba sendo uma forma de exercitar meu texto”, afirma Elói Silveira.

Já Leila começou a escrever em blogs em 2004, por conta da mobilização gerada pelos blogs de política americanos, cobrindo a disputa entre Kerry e Bush. “O fenômeno que ocorreu, a partir de 2004, é que milhões de pessoas passaram a usar os blogs como fonte diária de informação, leitura, debate, expressão. O blog deu mais poder ao cidadão comum, jornalista ou não, de influenciar a opinião pública”, conta ela.

Manoela criou seu blog de uma forma bem espontânea, para informar a família e os amigos das novidades. “Criei o blog porque sentia a necessidade de compartilhar as experiências vividas aqui em Nova York. No início mandava e-mails enormes para minha família como forma de diminuir as saudades e também para contar as novidades. Então os textos foram ficando interessantes e eu resolvi criar o blog”, conta ela.

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Mise à jour

Abril 10, 2008 at 5:29 pm (Brasil - França) (, , , , , , , , )

Alguns dos posts que escrevi no passado já merecem atualização. É o caso daquele sobre o show do Radiohead, que está esgostado há meses. Conversando com o Daniel ”Chéri à Paris”, descobri que vou tentar a tática dele e de um amigo de entrar em shows que já têm ingressos esgotados. É o básico de comprar com cambista, mas se aproveitando do desespero dos caras em ficar com um ingresso caro na mão. Ele fez isso no Gilberto Gil da última semana e deu bem certo.

Naquele outro sobre as gafes, um amigo me disse que passou uma incrível vergonha ao entrar numa loja especializada em cinema e pedir um pôster do filme “La Honte” (A vergonha), enquanto ele queria mesmo dizer “La Haine” (O ódio). O vendedor ainda tentou consertar, fez cara de dúvida e perguntou gentilmente se não era a segunda opção. “Quel honte !”, como eles dizem aqui.

Já para lista das coisas que não vivo mais sem, incluo a biblioteca pública. Como é bom ter uma dessas perto de casa e ir lá ler ou alugar livros, quadrinhos e até cds e dvds. Na última vez, fiz a rapa e peguei dois filmes “Intervention Divine” e “Meu nome é Tsostie”, além de cds do Gil, Siba e a Fuloresta e Toquinho.

Outra é mais obre a série polêmica de comentários de um post do Paris Saint Germain. Falaram mal do meu São Paulo e o time está melhorando, mesmo que ainda sem brilho. Podemos até levar outra piaba do Palmeiras, mas pelo menos chegamos à semifinal do Paulixão.

Por fim, o do cotidiano non sense mal entrou e já merece atualização. É que o tempo anda non sense aqui. Semana passada quis melhorar, fez dois dias de sol, quinta e sexta, 16 graus, mas no final de semana caiu a temperatura e choveu. No domingo, piorou e chegou ao cúmulo de nevar. Por isso, repito : haja saco pra aguentar o clima aqui.

Neve no telhado da frente

Mais neve nos carros

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Cotidiano non sense

Abril 9, 2008 at 10:53 pm (Brasil - França) (, , , , , , )

- Estava voltando de bicicleta para casa, lentamente porque conversava com um amigo, quando avisto não tão longe um grupo de manos ao redor de um banco. E percebo que um deles vem em minha direção, me encarando, situação que eu já considero bastante estranha e um tanto perigosa. Afinal, estou de bicicleta e eles são uns 8. O mano então pede para que eu pare, eu finjo que não escuto e ele finalmente me segura e interrompe minha passagem. E eu penso : “F… !”

Mas nos dois segundos que se seguiram – e que foram suficientes para lembrar de dois roubos de bicicleta em São Paulo - tudo mudou. O mano me pergunta com um grande sotaque típico de mano: “Te dou 100 conto se você arrebentar aquele cara”, apontando para outro mano, logo à sua frente, que sorria.

Ainda com a adrenalina em alta, mas já bem mais tranquilo, digo que “sem chance, mano”, enquanto o outro me propõe “mesmo 1.000″ . Eles riem, eu rio, meu amigo ri e todos continuam o que faziam antes da intervenção. Conclusão: mano de primeiro mundo é outra coisa.

- Hoje, saindo da biblioteca, vejo uma família simpática falando com seus filhinhos e os amiguinhos deles. O Jean Pierre, um gordinho com seus 10 anos, queria ir para a casa dos amiguinhos, mas o problema é que ele já tinha almoçado e os amiguinhos não.

Então o pai, obviamente, disse que o Jean Pierre poderia esperar e ir mais à tarde. E o Jean Pierre fala: “Mas eu podia realmoçar com eles”. Conclusão: Gordinho é gordinho em qualquer lugar do mundo e inventa até palavras para comer mais.

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As listas dos percursos

Abril 5, 2008 at 12:11 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Terminei nesta sexta os três percursos de bike por Paris que eu mesmo criei para a matéria que estou escrevendo. Não foi fácil, porque ao mesmo tempo em que pedalava, tinha que ir parando para tirar fotos, gravar comentários e tentar não ser atropelado. Graças aos céus que meu pedido surtiu efeito e consegui correr nos dois únicos dias de sol dos últimos 6 meses para aproveitar.

E graças aos céus também que meu Ipod renasceu das cinzas após um blackout da última semana. Eu andava tristonho, mas ele voltou a funcionar e pude sair pimpão pelas ruas ouvindo minhas músicas preferidas. Dito tudo isso, sigo abaixo com uma pequena lista do que aconteceu nestes últimos e como foram meus passeios.

- Cinco sessões de rolê, sendo quatro de manhã/tarde e uma de noite. Ao todo, 15 horas gastas e não faço idéia de quantos quilômetros, porque sempre que acabava um percurso tinha que voltar pra casa de bicicleta também. Um saco.

- Mais de 500 fotos, sendo que muitas delas inaproveitáveis. Quatro pares de pilhas.

- Três recargas do Ipod, com uma lista enorme de bandas ouvidas. Destaco minha lista com 52 preferidas (ou as que consegui dar nota e que ficam rodando no shuffle). Entre elas, destaco as “óperas” Thick As Brick, do Jethro Tull, Stairway to Heaven e Achiles Last Stand (do Led), duas do Scenes From a Memory, do Dream Theater, e The End, do The Doors. Todas com cerca de 10 minutos pra mais.

- Menções também para Refazenda, Construção, Killers, muitas do Mates of State, Everlong e I’ll Stick Around, do Foo Fighters, um monte do Dave Matthews, Dave Brubeck, Moacir Santos (e a expecional Rota), The Smiths e até Faith No More, com Digging a Grave.

- Mas no último dia, em particular, larguei de Saint Lazare com White Album, dos Beatles (com ressalvas para minhas favoritas Helter Skelter, Everybody’s Got Something to Hide Except For Me And My Monkey e Rocky Racoon. Sendo que um francês me olhou de forma bizarra quando gritei o refrão de “Why Don’t We Do It In The Road“. Ao menos fosse uma francesa…). Teve também The New Pornographers e discografia de Los Hermanos, porque estava sem criatividade e não queria ficar trocando de grupo.

- A lista de monumentos / parques / lugares também não é pequena. Resumo por passeio: 1 - Sacre Coeur, Parque Monceau, Arco do Triunfo, Bois Boulogne, Torre Eiffel, Hôtel des Invalides, Grand e Petit Palais. 2 - La Vilette, Parque Buttes Chaumont, Cemitério Père-Lachaise, Bastilha, Instituto do Mundo Árabe e Sena. 3 - Madeleine, Place de la Concorde, Pont Neuf, Notre Dame, Ile Saint Louis, Place des Vosges, Le Marais, Hôtel de Ville, Louvre, Place Vendôme, Opera.

- Uma tentativa bizarra de “assalto“. Uma moça (muito provavelmente romena) veio me oferecer um anel, eu disse que não era meu, ela insistiu, disse que minha bicicleta era bonita e perguntou se podia andar nela. É mole?

- Um momento bizarro. Estava eu andando tranquilamente nas proximidades da Place de Clichy, ouvindo música, quando uma mulher na calçada se aproxima aos gritos: “Você está procurando emprego ?” … “Péra, eu estou andando de bicicleta e ouvindo música, o que leva a crer que eu esteja procurando emprego?…Mas mesmo assim, obrigado pela oferta” .

- 127 avanços de semáforos vermelhos, mas NENHUMA perseguição de policial dessa vez. Mandei bem.

- Cada vez conhecendo melhor Paris, mas cada vez mais triste pelo clima aqui.

Em breve posto aqui o texto final também.

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O horário de inverno

Abril 3, 2008 at 9:38 pm (Brasil - França) (, , , , , , , )

Entramos no horário de verão no último sábado, mas aqui o termo serve mesmo para indicar que as luzes das ruas serão acesas mais tarde, lá por volta das 20h30. Porque de verão, esse horário não tem nada. Conversando com amigos brasileiros igualmente decepcionados com o clima aqui, chegamos à conclusão que faz frio e tempo ruim há 6 meses, desde meados de outubro. Duro de aguentar.

Para mim, a situação tem um agravante. Nesta semana tenho que entregar mais um texto para a Próxima Viagem, com rolês de bike pela cidade, e desta vez eles precisam de fotos. Já não sou profissional e o material que tenho não é assim uma Brastemp, e para piorar só nesta quinta o sol resolveu aparecer depois de muita garoa, nuvens e céu cinza. O jeito, então, foi correr pra tentar tirar o máximo de fotos possível, mas é complicado.

Pelo que vi na previsão, a trégua de hoje é passageira e dura só até amanhã. No final de semana e na semana que vem deve voltar a chover. Não dá pra acreditar, o sentimento é de derrota em final de Copa do Mundo. Meu Deus, mande sol pra gente aqui!

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Cuidado: brasileiro esquiando!

Abril 1, 2008 at 10:04 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Não chegou a ser um sucesso minha “estréia” no esqui. E por “não chegou a ser um sucesso”, por favor não leiam fracasso. Fracasso é uma palavra pesada, usada apenas em casos extremos. Aqui, prefiro ressaltar termos técnicos como “erro de cálculo”, “crise de pânico” e “tentativa abortada”. Pois é, minha primeira vez foi meio caótica e só mesmo paisagens maravilhosas, a neve (ela mesmo!) e um tal de Mont Blanc me fizeram voltar pra casa feliz da vida.

Por que esquiar que é bom, isso ficou como promessa de ano novo, mesmo faltando praticamente um ano para que essa mesma época de 2009 chegue. Mas vamos aos fatos. Fomos para St Gervais, uma cidadezinha ao pé dos Alpes, quase na divisa entre França-Itália-Suíça. Ali, atrás do nosso hotel, desde o início da nossa estada, o Mont Blanc ficou parado, lindo, com mais de 4.800 metros, soberano em toda Europa.

Na chegada, sexta à noite, ainda tivemos um pouco de tempo para ver o centrinho da cidade, comer um fondue e descansar para a jornada do dia seguinte, que prometia ser longa. E seguindo milimetricamente o planejamento feito pela Manue, partimos sábado cedo para a montanha, subimos o teleférico e enfim vimos a neve. Mas vimos de passagem, porque logo subimos de novo, já com esquis em mãos, até o topo do monte.

E é aí que volto aos termos do primeiro parágrafo. Talvez por não ter explicado direito para a Manue a importância da neve e de uma montanha toda branca para um brasileiro, ela achou que eu realmente já sairia fazendo manobras radicais com aquelas pranchas estranhas e assustadoras. De jeito nenhum. No momento em que subíamos e que comecei a entender que teríamos que descer tudo aquilo deslizando, a tal “crise de pânico” me acometeu.

E olha que ainda tentei, domei a fera, peguei impulso com os bastões, fui para frente e busquei frear no tal “chasse neige”, movimento básico que as crianças francesas aprendem logo após perceberem que engatinhar é coisa para bebês. Mas como um bom brasileiro, meia-esquerda e adorador do mar, o tal “chasse neige” não funcionou. A montanha descia muito e a neve derrapava mesmo, numa relação proporcional ao quanto minhas pernas bambeavam.

Suei, suei e cheguei à conclusão que seria melhor descer de teleférico. Um acidente sério colocaria em risco todo o final de semana. A Manue, coitada, ficou frustrada porque havia pensado em tudo exaustivamente desde dezembro e queria mesmo esquiar comigo. Mas entendeu que aquilo que nos cercava já era o suficiente para me deixar boquiaberto e celebrou atacando bolas de neve em mim. Com volta, é claro.

O passeio de raquetes
Então descemos. E chegamos de teleférico, para surpresa de muitos. Afinal, por que raios não descemos esquiando ? E mesmo que minha auto-confiança tenha ido para o espaço ao ver a vovó deslizar suave, o menininho dar piruetas com o esqui maior que ele, saí feliz para fazer um tranquilo passeio de raquetes até um vilarejo vizinho. Para dar nome aos bois, fomos de Bettex a St Nicolas, em cerca de 5 quilôemtros.

Pelo caminho, tivemos sempre a companhia do Mont Blanc, às vezes à frente, em outras à esquerda. Mas sempre imponente e branco. Paramos para comer, me joguei na neve, fizemos bolas e soltamos montanhas abaixo, mas elas incrivelmente não cresceram. Ao final do trajeto, teleférico aberto para o vilarejo e volta para o hotel, onde uma jacuzzi no terraço e a 40 graus nos esperava. Que mamata!

A festa da neve
O domingo começou mais tranquilo, afinal não iríamos mais esquiar o dia todo como havíamos programado. Subimos desta vez só até a primeira parte da montanha, onde nos divertimos fazendo um boneco de neve. A Manue levou na boa a iniciativa madura e ficava olhando com cara de cachorro pidão sempre que passava algum louco a 100 por hora na pista de esqui ao lado. Mas eu estava empenhado e pouco me importei. Afinal, aos 27 anos, fabricava meu primeiro Abominável Homem das Neves.

Mas a vontade dela era tanta que conseguiu me convencer a tentar de novo, desta vez o esqui de fundo, aparentemente mais tranquilo, e numa pista nível fácil-sorvete-na-testa. E conhecia o tal esporte de jogos de Olimpíadas de Inverno do Mega Drive, mas não sabia que era uma prática para sexagenários. Logo na saída, ao colocar o equipamento, recebemos uma vaia de um playboy loiro e arrogantemente francês que descia com toda pompa uma pista nível eu-me-acho-profissional.

E nem demos bola. Saímos aos trancos e barrancos, caindo e lavantando, para o outro lado da estação, num caminho de 7 quilômetros até Princesses. Mas como disse o assistente da loja, era questão de “pegar o ritmo” e lá pelo quilômetro 2 já estávamos bem melhores, deslizando pelos traços já definidos e curtindo bastante a paisagem diferente do dia anterior.

Curtimos tanto que a Manue se deslumbrou em certo momento. Ao tirar o esqui e se virar para fazer algo, ela não percebeu que um deles começava a escapar. E quando nos demos conta, o esqui pegou velocidade e desceu livre, leve e solto montanha abaixo, deixando apenas um leve traço na neve fofa. Ele havia desaparecido! O esqui era alugado e custava ao menos uns 80 euros, então tivemos que sair atrás.

E fomos no desconhecido, a Manue desesperada e se xingando por todo caminho, enquanto eu tentava manter a tranquilidade para organizar a busca. E descemos, depois escalamos a quase 75 graus, com neve até os joelhos, fomos por dentro de umas árvores e eis que o encontramos, de cabeça para baixo, fincado no terreno, numa sensação de vitória inigualável. E comemoramos com um almoço numa cabana perdida, pão, queijo e presunto e muita satisfação.

Era hora de partir e retornamos tranquilamente até o nosso vilarejo para devolver os esquis, ainda mais afiados que antes e felizes da vida pelas aventuras. O final de semana já estava no fim, incrível como passou rápido. Logo depois já estávamos na cabine do trem, com mais dois barulhentos casais, que ao menos não me impediram de dormir até a moça anunciar : “Gare d’Austerlitz, parada final”.

E assim como havíamos previsto, de longe não foi uma viagem barata, mas talvez a que tenha trazido mais momentos marcantes e fotos impressionantes. Elas seguem no fotolog atualizado. http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres:99

Teleférico de St Gervais

O topo da montanha

A festa da neve (Parte 1)

As paisagens durante a caminhada de raquete

A escalada

A jacuzzi na volta

O Abominavel Homem das Neves

A vista no passeio de esqui de fundo

O as (no) esqui

Mais paisagens

Na região de Princesses

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