Batismo de gelo
Em 3 dias, Elói vai ver a neve. Elói viu a neve duas vezes em sua vida, a primeira em Gramado, em 1990, mas que nem chegou a ser uma neve, neve. E outra em Berlim, no dia 17 de janeiro de 2007. Aquela sim foi uma nevasca. Agora, Elói vai (tentar) esquiar, numa viagem que tem tudo para ser inesquecível, porém nada barata. Assim, ele trará certamente belas fotos, mas não dicas de como pagar pouco ou pegar carona em estação de esqui. Isso, ao que lhe parece, é impossível.
Nevou bastante em toda a França nas últimas semanas, obviamente que não em Paris. Assim, Elói espera não afundar nos flocos brancos e não estar no caminho daquelas bolas de neve que rolam desde o pico da montanha e vão crescendo, crescendo, tal como…bolas de neve. E para isso, ele promete não assobiar, não estourar uma garrafa de champagne e nem uma banana de TNT.
Pelo cronograma, serão duas rodadas de esqui, uma no sábado de manhã, seguido por um passeio de raquetes (provavelmente não as de tênis), e outra no domingo, dia inteiro, até o trem sair. Pelo que contaram, esquiar é mais fácil que patinar no gelo, coisa que o Elói fez uma vez só, recentemente, e achou bem difícil: ele tomou um baita tombo e quase quebrou o joelho e a cabeça. Por isso tudo, vamos torcer por ele.
Meu amor, minha lata de lixo
Seguindo na linha de dois posts abaixo, relato outra senhora gafe, esta contada pelo meu querido primo Coaty. Também durante seus estudos para evoluir nesta língua complicada que é o francês, ele soltou uma que se não fosse tão engraçada, colocaria em risco um romance de mais de 45 anos com a Arlette.
Ao querer dizer que ele a achava a mulher “mais bonita“, ou “la plus belle“, ele se embaralhou todo e soltou um estranho: “Mon amour, tu es la poubelle!“, ou “Meu amor, você é a lata de lixo“.
Um passo para a modernidade
Ontem foi um dia especial aqui em casa e talvez por isso não tenha escrito. É que finalmente chegou a TV a cabo completa , com vários canais interessantes como Eurosport, Eurosport 2, L’Equipe TV, TV Marseille, TV Lyon, um só de informação de esporte e alguns outros de cinema, informações, Discovery, Jamie Oliver e Al Jazeera. Comemorei vendo a rodada de Indian Wells, as melhores jogadas da rodada da NBA e os gols do Liedson na goleada do Sporting.
Curioso também é que ontem mesmo tinha saído para uma reunião da Brazuca no café do Pompidou, o museu de arte moderna. Lembrei que há um ano mesmo eu corria depois da aula para a biblioteca do museu para usar a conexão wifi e trabalhar para o Tenisbrasil, porque em casa ainda não tinha. E me bloquearam após dois dias, porque estava usando FTP, baixando fotos, usando o dreamweaver e teclando frenéticamente enquanto pessoas mais sérias estudavam.
Nunca mais voltei, mas também porque a Internet chegou e minha vida ficou mais fácil. Pelo pacote da Free Box com wifi potente, telefone gratuito para fixos do mundo todo e televisão pagamos 30 euros até ontem. Agora, com o pacote de canais especiais, a soma aumentou para 40. Nada mal. Um sistema conjunto que funciona e é barato, nem na Inglaterra (chupa ingleses !) se encontra.
Ir no jogo do PSG é…
…atravessar a cidade de metrô e ainda andar 10 minutos após sair da mesma estação de Roland Garros (Porte d’Auteuil).
…sentar na tribuna de imprensa sozinho e fingir que estou lá para uma cobertura importante para um jornal importante do Brasil, como se todos os jornalistas presentes não soubessem que o Souza, que (às vezes) joga no time, não vale uma cobertura.
…fingir que você está realmente torcendo para o PSG, colocando a mão na cabeça quando o Diané perde um gol, bufando quando o Clément erra um passe e assoviando quando o péssimo Landreau falha no gol.
…aproveitar os quitutes no intervalo, como os tradicionais macarrons (que pelo amor de Deus não é macarrão) de vários sabores, sonhos, coca, café…
…curtir o belo Parc des Princes e o ambiente, porque o jogo geralmente é ruim.
…depois de ver que o PSG vai perder, no máximo empatar, tentar não rir e não se empolgar tanto com os contra-ataques dos adversários. Tem muito jornalista torcedor do PSG ao lado.
…neste mesmo item, tentar pensar positivo, porque se eles caírem, nem jogo da primeira divisão da França eu vou poder ver em 2009.
…descer com os outros jornalistas e ir para a sala de entrevistas, apresentando o meu tíquete amarelo para o seguança com cara de brabo.
…sair do estádio e ver no relógio que são 22h e que você chegará em casa às 23h, no mínimo. Isso num sábado, sendo que a Manue queria sair.
…e pior: achar que tudo valeu a pena e já programar a próxima ida daqui a duas semanas.
PS: Ficar longe da bola e do time do coração é complicado!
Futebol decadente e orgulho ferido
Vi dois jogos de futebol nesta quarta-feira, ambos lamentáveis. Mas vamos nos ater principalmente ao primeiro deles, o da volta das oitavas-de-final da Copa da Uefa: Olympique de Marselha x Zénith. Lembro bem que a imprensa francesa foi ao delírio na partida de ida, vitória dos donos da casa, 3 a 1, com show de bola do quarteto Nyang-Cissé-Valbuena-Nasri. Só lamentaram um golzinho no final dos russos, nada que estragasse a festa e a boa série dos sulistas.
Ontem, entraram recuados e tomaram pressão do início ao fim. Era para ser uns 4 a 0, mas foi apenas 2 a 0, o suficiente para que o poderoso Zénith passasse às quartas e eliminasse o time de maior torcida da França. Que beleza!! E engraçado é ouvir e ler os jornais de hoje. A imprensa aqui é ainda mais coruja que no Brasil, fato até explicável: futebol também é paixão nacional, bons jogadores aparecem constantemente, mas a má fase é proporcional. E entra em jogo um outro problema: o orgulho francês.
Como é que uma nação poderosa, rica, com ilustres pensadores, centro do mundo (pelo menos para eles mesmo) não consegue ter times fortes como os da Inglaterra (malditos inlgeses!!), da Espanha, da Itália…e agora até da Rússia? Como é que os clubes daqui não têm dinheiro para nada e perdem seus maiores craques para Chelsea, Manchester, Real Madri, Bayern, Juventus, Milan, Barcelona, etc, etc ? Complicado. E solução a curto prazo parece não existir.
Vamos ter que continuar acompanhando e vibrando com um 0 a 0 entre Sochaux e Valenciennes (??), uma vitória emocionante por 1 a 0 do Rennes contra o Lille e o jogo mais empolgante em anos, o 3 a 2 do Le Mans contra o Toulouse, com golaço no último minuto de uns dos craques do campeonato, o brasileiro De Melo (???). Meu jesus!
O outro jogo desta quarta….melhor nem se estender. São Paulo 2 a 1 no Barueri. Fui dormir tarde de novo, irritado e cada vez mais consciente de que esse ano já está perdido. Tanto aqui como no Brasil.
A polêmica
Pelas mensagens do post anterior deu para perceber que o texto criou uma polêmica enorme aqui em casa. Achei sinceramente que enumerando as coisas bonitas da França ia me sair superbem, mas esqueci de um detalhe importante: a própria Manue. Felizmente compensei com um belo buquê de rosas que ela adorou. E mais: prometi que não comeria queijo de cabra por uma semana!
Necessidades primárias
Curiosamente, foi a Manue que voltou a citar meu aniversário de um ano aqui em Paris. Ontem, quando falei que nem havia me dado conta do fato, ela me exigiu uma lista curta e sem muita enrolação das coisas que eu não conseguiria mais viver sem. Então, sem enrolação, reproduzo-a:
1 – O metrô parisiense (acho que nem preciso explicar o porquê, certo?)
2 – Bicicleta. E aqui, adoraria ter escrito Velib, mas como vocês sabem, acabei de comprar uma novinha e ando todo pimpão. O fato de Paris ser plana, pequena, ter bastante ciclovias e ser linda me deu uma motivação incrível e fez com que eu conseguisse esquecer daquele tal de carro, tão fundamental no Brasil.
3 – A maneira de comer. Claro que eu ainda choro quando vejo feijão, mas nunca pensei que fosse mudar tanto meu jeito de comer. E também de montar o prato, a mesa, o vinho, de exigir um pedaço de pão…hmmm, deu fome.
4 – Falando nele, o pão. Não dá, pão francês é só na França. Aqui, aliás, até português come baguete e não ousa abrir padaria.
5 – Queijo de cabra. A Manue tem ciúme de queijo de cabra desde o tempo em que eu disse que a verdadeira razão de eu estar aqui não era ela, e sim esta maravilhosa iguaria.
6 – Futebol brasileiro. Eu estou tentando ver os jogos aqui, mas com exceção do Lyon, o resto é sofrível. Foram mais quatro 0 x 0 na última rodada e o PSG que tá seguindo os mesmos passos do Curíntia. E antes de mais nada, outro viva aos criadores do SopCast e da AJTV.
São as águas de março, fechando o inverno…
Cheguei a uma constatação interessante hoje: independentemente de ser inverno ou verão no mundo, março é mês de chuva. No Brasil teve até música pra isso, afinal, a gente samba e toma uma gelada pra celebrar ou afogar mágoas. Aqui na França, as pessoas apenas sabem desta condição de março e se deprimem calados. E eu me integro nesta lista.
E ainda olho os sites e vejo que a parte norte da França está em estado de atenção por causa das tempestades que vêm da Inglaterra (malditos ingleses). Chuva forte e ventos de 140 km/h que assustam. No meu caso, só me deixou ainda mais frustrado, para não dizer outra coisa.
Ontem, pela segunda vez na semana, resolvi sair de bicicleta num dos poucos momentos em que o mau tempo deu trégua. Resultado: cinco minutos depois de sair com céu azul e escalar o morro de Montmartre, veio um pé d’água que me fez dar meia-volta e descer voando, quase sem conseguir frear. E mais uma vez cheguei molhado e de mau-humor triplicado. Haja paciência pra tanto tempo ruim.
Presente de primeiro ano
Talvez em outras épocas fosse motivo para comemorar em grande estilo, mas acabei simplesmente esquecendo que completei um ano aqui na França nesta semana. E só fui lembrado pelo post do Daniel, o Chéri à Paris, que curiosamente aterrissou por aqui três dias depois de mim.
E se ele fez uma bela duma retrospectiva em números, eu fico pensando aqui sozinho porque é que esqueci da data. Será que pela semana atribulada que passou? Ou talvez pelo fato de eu me sentir realmente em casa por aqui…Mas quem sabe mesmo porque havia acabado de celebrar o “nada” com a Manue e a levado num restaurante chique do lado da Torre Eiffel.
Enfim, o fato é que passou e agora não vou ficar lembrando de cada dia maravilhoso ou de sol. Muitas das coisas estão pingadas por aí no site e amanhã posto outro bom momento. E mesmo sem festa, ganhei um baita de um presente de mim mesmo: uma passagem para o Brasil. Mais do que certo, eu e a Manue desembarcaremos em São Paulo no dia 29 de junho, para ver se ainda encontro tempo de comemorar o meu aniversário de dois dias atrás (indireta aos amigos). E ficamos 1 mês e meio, sendo que por duas semanas encararemos outra empreitada pelo nosso paízão lindo, certamente à procura do verão fora de época do Nordeste.
A estrela cadente
Seguindo nos assuntos importantes e que arrancam manchetes por aqui, a bomba desta segunda-feira foi o fato de o Guia Michelin ter vazado. Claro que eu dei mais importância ao assunto porque escrevo no momento uma matéria sobre os grandes restaurantes de Paris, mais uma vez para a Próxima Viagem. Mas o interessante é saber o quanto isso pesa aqui.
Aparentemente, o jornal que mais ficou atento ao assunto foi o Le Figaro, que deu no sábado um panorama com os restaurantes que podiam ganhar ou perder estrelas. Nesta segunda, conseguiu o furo de que o Le Grand Véfour (como eles haviam indicado), havia deixado o grupo com cotação máxima e sido rebaixado ao de duas (que catástrofe !). Por outro lado, ganhou três estrelas o Le Petit Nice, que como nome diz, fica em Marselha.
Depois do Le Figaro, todas as televisões trouxeram com destaque a queda do Le Grand Véfour. O fato é que Paris é ainda a capital mundial da gastronomia e essa história de estrelinha no Michelin pode acabar com a reputação de um chefe. Fora os milhões de euros que elas trazem às casas – e depois novamente ao senhor Michelin. Aliás, segundo a reportagem do Le Figaro, faz tempo que o guia deixou de prestigiar realmente o que vem dentro do prato, passando a distribuir boas recomendações por puro marketing.
E engraçado, mas eu mesmo pude provar isso naquele tal de Le Chartier, cujo post está mais abaixo. Ele vive lotado porque está nos guias e porque deve pagar bem. Porque a comida, é três estrelas no Guia Michelin de Restaurantes Toscos.
PS : em breve porei a matéria aqui. Mas ao contrário do Michelin, que não conseguiu guardar segredo, a minha só entra mesmo depois que a Próxima Viagem sair nas bancas. Segredo de estado !!
Descobri comentários positivos do Saul Galvão, jornalista do Estado de S. Paulo, que morreu de amores pela casa. Depois, li em matéria do Le Figaro que o Le Baratin merecia ao menos uma estrela no Michelin, mas que era esquecido exatamente por estar fora do “miolo” de Paris. Questão de marketing. Fui, então, checar.
Apesar da pompa aparente, a decoração é sóbria e aconchegante. Como estamos no jantar (o que em muitos casos significa triplo do preço do almoço), o mesmo menu completo sai por 31 euros, nada tão absurdo devido à localização, à qualidade da comida e à boa apresentação das mesas. E também por se tratar de um “restaurante gastronômico”, o garçom fica ao seu lado em caso de dúvida no menu.
















