Batismo de gelo

Março 25, 2008 at 11:53 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Em 3 dias, Elói vai ver a neve. Elói viu a neve duas vezes em sua vida, a primeira em Gramado, em 1990, mas que nem chegou a ser uma neve, neve. E outra em Berlim, no dia 17 de janeiro de 2007. Aquela sim foi uma nevasca. Agora, Elói vai (tentar) esquiar, numa viagem que tem tudo para ser inesquecível, porém nada barata. Assim, ele trará certamente belas fotos, mas não dicas de como pagar pouco ou pegar carona em estação de esqui. Isso, ao que lhe parece, é impossível.

Nevou bastante em toda a França nas últimas semanas, obviamente que não em Paris. Assim, Elói espera não afundar nos flocos brancos e não estar no caminho daquelas bolas de neve que rolam desde o pico da montanha e vão crescendo, crescendo, tal como…bolas de neve. E para isso, ele promete não assobiar, não estourar uma garrafa de champagne e nem uma banana de TNT.

Pelo cronograma, serão duas rodadas de esqui, uma no sábado de manhã, seguido por um passeio de raquetes (provavelmente não as de tênis), e outra no domingo, dia inteiro, até o trem sair. Pelo que contaram, esquiar é mais fácil que patinar no gelo, coisa que o Elói fez uma vez só, recentemente, e achou bem difícil: ele tomou um baita tombo e quase quebrou o joelho e a cabeça. Por isso tudo, vamos torcer por ele.

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Meu amor, minha lata de lixo

Março 24, 2008 at 12:07 am (Casa e Familia) (, , , , , , )

Seguindo na linha de dois posts abaixo, relato outra senhora gafe, esta contada pelo meu querido primo Coaty. Também durante seus estudos para evoluir nesta língua complicada que é o francês, ele soltou uma que se não fosse tão engraçada, colocaria em risco um romance de mais de 45 anos com a Arlette.

Ao querer dizer que ele a achava a mulher “mais bonita“, ou “la plus belle“, ele se embaralhou todo e soltou um estranho: “Mon amour, tu es la poubelle!“, ou “Meu amor, você é a lata de lixo“.

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Os três estrelas do Paris na Linha

Março 21, 2008 at 12:00 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Ainda não é o artigo completo, mas vou falar melhor de dois restaurantes que citei rapidamente na matéria da Próxima Viagem e que “testei” com a Manue. Duas excelentes opções, uma para o almoço, outra para o jantar, uma bem simples, outra um pouco mais requintada (mas não necessariamente cara). Tratam-se do Le Baratin e do Au Bon Accueil.

Seguindo o sentido lógico, começo pelo primeiro. Vi inicialmente o Le Baratin folheando o Guia Lebey de Bistrôs Parisienses, que havia acabado de alugar na biblioteca. Buscava os bistrôs 3 caçarolas (e não estrelas como o Michelin) a bom preço e o encontrei isoladão no 20° arrondissement, um quartier distante e sem o mesmo charme dos do centro. Mas as críticas eram excelentes (“talvez o melhor bistrô de Paris“, dizia o Lebey) e resolvi ir atrás de mais informações.

Descobri comentários positivos do Saul Galvão, jornalista do Estado de S. Paulo, que morreu de amores pela casa. Depois, li em matéria do Le Figaro que o Le Baratin merecia ao menos uma estrela no Michelin, mas que era esquecido exatamente por estar fora do “miolo” de Paris. Questão de marketing. Fui, então, checar.

Realmente, ele está longe do charme, mas a proximidade a Belleville o torna interessante. Vale como dica um passeio pelo parque ao final da rua Jouye-Rouve e outro pelas ruas em sobe-e-desce do bairro. E como é um estabelecimento simples, você ao menos sabe que está comendo em lugar típico, com clientela assídua e que lê tranquilamente o jornal no balcão ou entra sem cerimônias na cozinha para dar um “oi” ao chef.

Vi a cena, aliás, porque sentamos de frente para a cozinha, que passou a tarde com a porta aberta. No almoço, um menu entrada + prato + sobremesa saiu por 15 euros, difícil de encontrar mais barato. Para acompanhar, um copo de ótimo vinho, recomendado pela dona argentina. Comemos um delicioso peixe com salada e molho de limão e ervas de entrada, um fricassê de frango e de sobremesa um pudim de leite diferente, especialidade de casa. E saímos bem felizes com a relação custo-benefício.

Obviamente que não fomos na mesma noite conhecer o Au Bon Accueil, mas se um viajante com budget razoável quer ter a certeza de comer bem nas duas refeições, a indicação é correr para o 7° arrondissement lá pelas 20h, 20h30. O restaurante fica na rua Montessuy, uma das que dão de cara para a Torre Eiffel. E a chegada no restaurante já é com sorriso no rosto, mas uma dúvida: ficamos lá fora vendo a vista, ou entramos para comer?

Desta vez, preferimos comer. Neste outro bistrô 3 caçarolas no Lebey, o estilo muda completamente. A clientela também: não existe balcão e provavelmente o segurança seria chamado caso você fosse dar um “alô” ao chef. Assim, como as mesdames e messsieurs do chique bairro, aceite as honras do metre e deixe suas jaquetas na entrada com ele, sem cerimônias.

Apesar da pompa aparente, a decoração é sóbria e aconchegante. Como estamos no jantar (o que em muitos casos significa triplo do preço do almoço), o mesmo menu completo sai por 31 euros, nada tão absurdo devido à localização, à qualidade da comida e à boa apresentação das mesas. E também por se tratar de um “restaurante gastronômico”, o garçom fica ao seu lado em caso de dúvida no menu.

Após dar uma olhada nas entradas e não entender muito, peço ajuda e decido pela friture d’éperlans en escabeche et salade de légumes, ou uma porção de peixinhos fritos. Como prato principal, um bom pedaço de carne: pavé de rumsteack Charolais, ragoût de lentilles vertes du Puy et légumes. Já a Manue vai com a combinação Caille de Dombes farcie aux petits légumes et vinagrette au jus de viande, seguido por Fillet de daurade grise à l’huille d’olive et radis noir confit (?!)

Como perderia linhas para explicar a composição dos pratos, resumo em duas palavras: bom demais! Vem a hora da sobremesa e opto pelo Tiramisu, enquanto ela vai de Ananas rôti et pain d’épice aux pommes, sauce caramel. Ufa! O meu é delicioso e tão surpreendentemente grande que até o garçom chega a mim e diz: “Eu adoro, mas acho um pouco pesado, não?” Verdade, mas raspo a tigela sem o menor problema.

Foram sem dúvida dois dos melhores restaurantes nos quais estivemos (e, para não ser injusto, cito o Le Queniau e o Le Salon, que certamente falarei mais tarde). E claro que optei por lugares mais em conta, afinal (ainda) não tenho intenção de torrar 150, 200 euros num jantar apenas por causa das estrelas do Michelin. Vale bem a idéia do Saul Galvão de se concentrar no Guia Lebey de Bistrôs Parisienses. Bem mais pés-no-chão.

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Two days in Paris e as gafes

Março 19, 2008 at 8:50 am (Casa e Familia) (, , , , , , , )

Esses dias vimos o filme aí do título do post, uma história água-com-açúcar da Julie Delpy sobre um casal de namorados, ela francesa e ele americano, que passam por Paris antes de voltar a Nova York. Nem entrarei em méritos sobre a qualidade do filme, porque nem vale tanto a pena. A moça quis fazer uma mistura de Amélie Poulin com Antes do Pôr-do-Sol mas errou a mão e exagerou absurdamente nos clichês sobre os parisienses. Dá realmente a impressão de que ela não gosta do país-natal.

Mas o que quero ressaltar são algumas situações que o cara passa e compará-las, porque acabei vivendo algo parecido no início, quando ainda não falava nada de francês. Uma delas por exemplo, é clássica: a apresentação aos pais e o primeiro almoço de família. E não sei todos sabem, mas aqui almoço é coisa séria, demora 2h, tem entrada, primeiro vinho, prato, segundo vinho, pão, queijo, sobremesa…Enquanto isso, o papo vai rolando na mesa (felizmente os pais da Manue são bem mais normais que os da moça do filme). Naquela ocasião, em dezembro de 2006, eu suava e minha cabeça doía porque mal compreendia o que eles falavam e as perguntas continuavam. Um sofrimento.

E nem podia ser diferente: eu era a “atração”, o namorado brasileiro num vilarejo de 350 habitantes. O problema é que fazia 2 meses que havia começado o curso básico de francês. Numa dessas perguntas veio uma das gafes que eu nunca esqueço. Ao ser questionado se no Brasil havia coelho, ou LAPIN, eu pensei, pensei, olhei feliz feliz pra Manue e disse: “Ah, pão (pain, som parecido). Claro que a gente tem. Fala pra ele, Manue. Explica que você comeu pão lá”.

Em seguida vieram as risadas e o comentário como se eu fosse um bebê: “Ai que bonitinho, ele achou que ‘lapin’ fosse ‘le pain‘” e mais risadas. Hmmmm…primeiro encontro e uma vergonha enorme, mas tudo bem, melhorei depois. Melhorei e ganhei tanta confiança que no final do ano passado já sentava na poltrona da sala com o sogrão pra assistir rúgbi ou jogo de futebol. E, confiante, saía discutindo sobre contratações, atuações e lances polêmicos.

No entanto, era começar a explicação e eu parava: “Sem dúvida que…(foi falta pra cartão…cacete, como eu digo isso?!)”…e ficava queito, ou apenas gesticulava. “Sim, o Juninho…(bate bem na bola e todas as faltas pro Lyon na entrada da área são perigosas)”…Ou então: “O goleiro do meu time é o…(que mais marca gols de falta e pênaltis no mundo, mas obviamente que aqui na Europa ninguém conhece o Rogério)”…e no final, virava a cabeça e tentava apenas aprender os termos escanteio, falta perigosa, defesa, lateral-direito, impedimento, “é teste para cardíaco, amiiiiigo” e por aí vai.

Mas segui melhorando e também evoluí nas gafes. Outro dia, assistindo a outro jogo, entendi algo bizarro e olhei pra Manue, que seguia impassível. “Manue, ele disse Faux Fillet (algo em torno de fofilê, que nada mais é que um bife como Entrecôte, Fillet Mignon)?” E ela respondeu sim. “Mas faux fillet não é uma carne?” E ela, em meio a risos: “Sim, mas nesse caso não é faux fillet, mas faufiler (fofilê), que é se esquivar, passar pelo meio de duas pessoas“…e mais risos. Não, não é fácil.

PS: nem sei se o meu blog é tão lido por quem está aqui na França, mas se alguém se interessar em mandar algum outro “causo”, publico mais tarde. Enviem aqui: eloisilveira@hotmail.com

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Um passo para a modernidade

Março 18, 2008 at 8:08 am (Casa e Familia) (, , , , , , )

Ontem foi um dia especial aqui em casa e talvez por isso não tenha escrito. É que finalmente chegou a TV a cabo completa , com vários canais interessantes como Eurosport, Eurosport 2, L’Equipe TV, TV Marseille, TV Lyon, um só de informação de esporte e alguns outros de cinema, informações, Discovery, Jamie Oliver e Al Jazeera. Comemorei vendo a rodada de Indian Wells, as melhores jogadas da rodada da NBA e os gols do Liedson na goleada do Sporting.

Curioso também é que ontem mesmo tinha saído para uma reunião da Brazuca no café do Pompidou, o museu de arte moderna. Lembrei que há um ano mesmo eu corria depois da aula para a biblioteca do museu para usar a conexão wifi e trabalhar para o Tenisbrasil, porque em casa ainda não tinha. E me bloquearam após dois dias, porque estava usando FTP, baixando fotos, usando o dreamweaver e teclando frenéticamente enquanto pessoas mais sérias estudavam.

Nunca mais voltei, mas também porque a Internet chegou e minha vida ficou mais fácil. Pelo pacote da Free Box com wifi potente, telefone gratuito para fixos do mundo todo e televisão pagamos 30 euros até ontem. Agora, com o pacote de canais especiais, a soma aumentou para 40. Nada mal. Um sistema conjunto que funciona e é barato, nem na Inglaterra (chupa ingleses !) se encontra.

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Ir no jogo do PSG é…

Março 15, 2008 at 11:29 pm (Esportes) (, , , , , , )

…atravessar a cidade de metrô e ainda andar 10 minutos após sair da mesma estação de Roland Garros (Porte d’Auteuil).
…sentar na tribuna de imprensa sozinho e fingir que estou lá para uma cobertura importante para um jornal importante do Brasil, como se todos os jornalistas presentes não soubessem que o Souza, que (às vezes) joga no time, não vale uma cobertura.
…fingir que você está realmente torcendo para o PSG, colocando a mão na cabeça quando o Diané perde um gol, bufando quando o Clément erra um passe e assoviando quando o péssimo Landreau falha no gol.
…aproveitar os quitutes no intervalo, como os tradicionais macarrons (que pelo amor de Deus não é macarrão) de vários sabores, sonhos, coca, café…
…curtir o belo Parc des Princes e o ambiente, porque o jogo geralmente é ruim.
…depois de ver que o PSG vai perder, no máximo empatar, tentar não rir e não se empolgar tanto com os contra-ataques dos adversários. Tem muito jornalista torcedor do PSG ao lado.
…neste mesmo item, tentar pensar positivo, porque se eles caírem, nem jogo da primeira divisão da França eu vou poder ver em 2009.
…descer com os outros jornalistas e ir para a sala de entrevistas, apresentando o meu tíquete amarelo para o seguança com cara de brabo.
…sair do estádio e ver no relógio que são 22h e que você chegará em casa às 23h, no mínimo. Isso num sábado, sendo que a Manue queria sair.
…e pior: achar que tudo valeu a pena e já programar a próxima ida daqui a duas semanas.

PS: Ficar longe da bola e do time do coração é complicado!

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Vivendo bem e barato (Parte 3)

Março 14, 2008 at 5:35 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Sigo nas recordações do ano passado para exemplificar como podemos fazer muito com pouco dinheiro aqui na França. No mesmo período em que fomos a Reffannes em julho, de carona, aproveitamos para conhecer não apenas a Île d’Oléron, mas também a linda região do Perigord, no centro do país, a umas 3h de carro da mansão Monnet. Fomos para um final de semana também, mas aproveitamos tão bem que voltamos com a impressão de ter passado uma semana inteira.

A saída foi no sábado às 6h, com tempo nublado, mas agradável. Novamente havíamos preparado os ítens básicos para uma viagem a baixo custo: a geladeira térmica repleta de guloseimas e a barraca, tudo bem guardado no porta-malas da Titine. Após longa viagem, parada para cafés, começamos a avistar a região, com cidadelas no topo ou no meio de enormes rochedos, grutas e indicações de que estávamos perto da primeira parada: Lascaux II.

Não fazia a menor idéia da existência dessa gruta, mas aparentemente ela é uma das mais conhecidas e importantes do mundo, por causa do número impressionante e pela qualidade dos desenhos ruprestes nela encontrados. De cair o queixo, mesmo sabendo que ela se chama Lascaux II por ser uma cópia da Lascaux original, que foi fechada e preservada para que os desenhos feitos há 17, 20 mil anos antes de Cristo ficassem para a eternidade.

Partindo dali, pausa para o almoço simples e mais cidadelas em topo de rochedos. Desta vez, estacionamos e subimos para ver o castelo de Beynac, às margens do Dordogne, um enorme rio que corta o meio da França. Paisagem linda do vale que ele formou durantes os séculos, ruas estreitas, casas antigas e fachadas floridas. O castelo, aliás, um dos muitos que encontramos num raio de 10, 20 quilômetros.

Depois de passar por La Roque Gageac, outra cidade incrustada em montanha, paramos no nosso camping, um centro equestre, aparentemente um dos mais baratos da região: 4,50 por pessoa. Dos lados do cavalos e perto da piscina, armamos a barraca, tomamos um banho e partimos para outra cidade da região: Sarlat, onde comemos um tradicional Foie Gras do Perigord e ainda conhecemos um centrinho agitado, medieval e com muito teatro de rua.

No dia seguinte, aproveitamos ao máximo novamente. Parada inicial em Rocamadour, vilarejo construído numa rocha altíssima e que abriga igrejas e faz parte do caminho de Santiago de Compostela. Simplesmente impressionante! Descemos, subimos, pegamos a estrada à frente para tirar fotos e partimos para almoçar num Logis de France que encontramos no caminho.

O selo Logis de France indica qualidade e como estávamos numa cidadezinha pequema, pagamos apenas 15 euros o menu completo, com buffet de saladas, queijo, sobremesa e mais vinho. Quase morremos de comer. E mesmo estufados e loucos de vontade de fazer uma sesta, seguimos para a Gouffre de Padirac, a mais profunda e larga da região, com salões de estalagmites e estalactites, lagos enormes e um passeio de barco dentro dela. Ufa!

Teve de tudo, do começo ao fim. Não paramos, mas é assim que se faz uma boa viagem. Na volta ao camping ainda resolvemos dormir mais uma noite por lá, a Manue caiu na piscina, ficamos tranquilos e só voltamos a Reffannes no dia seguinte, antes parando para comprar um vinagre típico da região e outros presentinhos.

Tem fotos no link do finado fotolog, com a mesma indicação de clicar em proxima (http://www.fotolog.com/eloisilveira/19469676). Mas seguem outras abaixo.

O vilarejo de Beynac

O Dordogne e o vale

As ruas estreitas e as belas casinhas de Beynac

O camping dos cavalos. Ao fundo, Titine e a barraca.

A parada no pôr-do-sol antes de Sarlat

A linda Rocamadour, pena foi o dia nublado.

Rocamadour, vista de frente.

A Gouffre de Padirac, enorme!

Um dos salões da gruta.

O passeio da balão, que ainda vamos fazer um dia.

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Futebol decadente e orgulho ferido

Março 13, 2008 at 2:59 pm (Brasil - França, Esportes) (, , , , , , , , )

Vi dois jogos de futebol nesta quarta-feira, ambos lamentáveis. Mas vamos nos ater principalmente ao primeiro deles, o da volta das oitavas-de-final da Copa da Uefa: Olympique de Marselha x Zénith. Lembro bem que a imprensa francesa foi ao delírio na partida de ida, vitória dos donos da casa, 3 a 1, com show de bola do quarteto Nyang-Cissé-Valbuena-Nasri. Só lamentaram um golzinho no final dos russos, nada que estragasse a festa e a boa série dos sulistas.

Ontem, entraram recuados e tomaram pressão do início ao fim. Era para ser uns 4 a 0, mas foi apenas 2 a 0, o suficiente para que o poderoso Zénith passasse às quartas e eliminasse o time de maior torcida da França. Que beleza!! E engraçado é ouvir e ler os jornais de hoje. A imprensa aqui é ainda mais coruja que no Brasil, fato até explicável: futebol também é paixão nacional, bons jogadores aparecem constantemente, mas a má fase é proporcional. E entra em jogo um outro problema: o orgulho francês.

Como é que uma nação poderosa, rica, com ilustres pensadores, centro do mundo (pelo menos para eles mesmo) não consegue ter times fortes como os da Inglaterra (malditos inlgeses!!), da Espanha, da Itália…e agora até da Rússia? Como é que os clubes daqui não têm dinheiro para nada e perdem seus maiores craques para Chelsea, Manchester, Real Madri, Bayern, Juventus, Milan, Barcelona, etc, etc ? Complicado. E solução a curto prazo parece não existir.

Vamos ter que continuar acompanhando e vibrando com um 0 a 0 entre Sochaux e Valenciennes (??), uma vitória emocionante por 1 a 0 do Rennes contra o Lille e o jogo mais empolgante em anos, o 3 a 2 do Le Mans contra o Toulouse, com golaço no último minuto de uns dos craques do campeonato, o brasileiro De Melo (???). Meu jesus!

 O outro jogo desta quarta….melhor nem se estender. São Paulo 2 a 1 no Barueri. Fui dormir tarde de novo, irritado e cada vez mais consciente de que esse ano já está perdido. Tanto aqui como no Brasil.

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A polêmica

Março 12, 2008 at 11:28 pm (Casa e Familia) (, , , , , )

Pelas mensagens do post anterior deu para perceber que o texto criou uma polêmica enorme aqui em casa. Achei sinceramente que enumerando as coisas bonitas da França ia me sair superbem, mas esqueci de um detalhe importante: a própria Manue. Felizmente compensei com um belo buquê de rosas que ela adorou. E mais: prometi que não comeria queijo de cabra por uma semana!

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Necessidades primárias

Março 11, 2008 at 1:07 am (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , , , , )

Curiosamente, foi a Manue que voltou a citar meu aniversário de um ano aqui em Paris. Ontem, quando falei que nem havia me dado conta do fato, ela me exigiu uma lista curta e sem muita enrolação das coisas que eu não conseguiria mais viver sem. Então, sem enrolação, reproduzo-a:

1 – O metrô parisiense (acho que nem preciso explicar o porquê, certo?)
2 – Bicicleta. E aqui, adoraria ter escrito Velib, mas como vocês sabem, acabei de comprar uma novinha e ando todo pimpão. O fato de Paris ser plana, pequena, ter bastante ciclovias e ser linda me deu uma motivação incrível e fez com que eu conseguisse esquecer daquele tal de carro, tão fundamental no Brasil.
3 – A maneira de comer. Claro que eu ainda choro quando vejo feijão, mas nunca pensei que fosse mudar tanto meu jeito de comer. E também de montar o prato, a mesa, o vinho, de exigir um pedaço de pão…hmmm, deu fome.
4 – Falando nele, o pão. Não dá, pão francês é só na França. Aqui, aliás, até português come baguete e não ousa abrir padaria.
5 – Queijo de cabra. A Manue tem ciúme de queijo de cabra desde o tempo em que eu disse que a verdadeira razão de eu estar aqui não era ela, e sim esta maravilhosa iguaria.
6 – Futebol brasileiro. Eu estou tentando ver os jogos aqui, mas com exceção do Lyon, o resto é sofrível. Foram mais quatro 0 x 0 na última rodada e o PSG que tá seguindo os mesmos passos do Curíntia. E antes de mais nada, outro viva aos criadores do SopCast e da AJTV.

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São as águas de março, fechando o inverno…

Março 10, 2008 at 6:02 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , , )

Cheguei a uma constatação interessante hoje: independentemente de ser inverno ou verão no mundo, março é mês de chuva. No Brasil teve até música pra isso, afinal, a gente samba e toma uma gelada pra celebrar ou afogar mágoas. Aqui na França, as pessoas apenas sabem desta condição de março e se deprimem calados. E eu me integro nesta lista.

E ainda olho os sites e vejo que a parte norte da França está em estado de atenção por causa das tempestades que vêm da Inglaterra (malditos ingleses). Chuva forte e ventos de 140 km/h que assustam. No meu caso, só me deixou ainda mais frustrado, para não dizer outra coisa.

Ontem, pela segunda vez na semana, resolvi sair de bicicleta num dos poucos momentos em que o mau tempo deu trégua. Resultado: cinco minutos depois de sair com céu azul e escalar o morro de Montmartre, veio um pé d’água que me fez dar meia-volta e descer voando, quase sem conseguir frear. E mais uma vez cheguei molhado e de mau-humor triplicado. Haja paciência pra tanto tempo ruim.

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Vivendo bem e barato (Parte 2)

Março 9, 2008 at 3:42 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , )

Quase dois meses depois do primeiro post, retorno com a “seção” Bom e Barato, revivendo algumas das trips de 2007 pela França. Depois de Rennes, St. Malo e Mont St. Michel, concentramos nossas caronas para ir a Reffannes, na gloriosa mansão Monnet. E nestes trechos, encontramos gente de todos os tipos e apenas uma vez tivemos que voltar pra casa porque realmente ninguém parou para nos ajudar.

Entre os personagens curiosos, o senhor rico num Audi, que nos levou até o pedágio e ia escutando nossas histórias com atenção e soltando a cada cinco minutos : “Puxa, parabéns, muito legal o que vocês fazem”. E detalhe que ele morava em Chartres, perto da maravilhosa catedral, e tinha uma casa na Córsega. Cheio da grana. Outro bem bacana foi o romeno que passou todos os 45 minutos da ida de Paris ao pedágio dando uma aula de história e política do país dele.

Já não tão memorável foi a ida com o pai playboy e suas duas filhas de 13 e 10 anos que em breve se tornarão outros exemplares dos típicos franceses chatos e arrogantes. Tinham acabado de voltar do Senegal, de safáris, iam ver a vovó no campo. O pai, chefão de uma importante cadeia de celulares, falava com um empregado no viva-voz, mesmo estando em férias. E ainda quis contratar a Manue para trabalhar de vendedora, mas ela rejeitou.

Entre boas e más companhias, ao menos nunca chegamos atrasados em nosso destino. Falávamos pro senhor Jack Monnet: “Devemos aparecer por aí por volta das 21h”. Et voilà, 21h15 lá estávamos. Em julho, passamos três semanas na mansão e aproveitamos para fazer duas belas viagens em finais de semana. Conto uma delas, para a Île d’Oléron, a cerca de 1h30 de viagem de Reffannes, ilha no litoral centro-oeste da França perto da linda La Rochelle, pra quem quiser tentar se aventurar.

Aproveitando mais uma vez da geladeira repleta de guloseimas, preparamos nossa comida para 2 dias, colocamos dentro daquelas enormes geladeiras térmicas e partimos na finada Titine, o Peugeot 107 verde-escuro da Manue, que foi vendido recentemente. Saímos cedo e encontramos um bom sol pelo caminho, chegamos à ilha no horário previsto e fomos procurar o camping para montar nossa barraca. Tão organizado o sistema que parecia até hotel, com mapa dos espaços vazios e as árvores embaixo das quais poderíamos nos abrigar.

Calejados do trauma de tentar montar a barraca no escuro e quase sem lanterna (o que contarei em outro post), desta vez quebramos o recorde francês de instalação. E fomos felizes dar uma volta pelas redondezas, aproveitando aquele sol lindo e os quase 23 graus de intenso verão. Entrar na água, só pra refrescar depois do frescobol, porque a maré era ainda mais fria.

Mas valeu. No camping ainda jogamos a partida decisiva do playoff melhor-de-sete de pétanque (a bocha francesa), que me rendeu o título e o jantar na faixa. A noite fomos comer no centrinho típico de cidadezinha à beira-mar, que me lembrou um pouco o de São Sebastião no início dos anos 90. No dia seguinte, café-da-manhã na praia, com nossos cereais preferidos, um toddynho ainda fresco do bom armazenamento e uma vista sensacional.

À tarde, passeio pelo outro lado da ilha, almoço com arroz, atum, salada e ovo das galinhas da mansão Monnet e um sol desta vez mais intenso e que até deu pra bronzear. Pra fechar, banho num camping que não era o nosso, mas cujo o segurança nem se deu conta da na nossa entrada. E volta triunfal a Reffannes no cair da noite.

Mais abaixo seguem as fotos. E em breve falo sobre outro lugar, outra viagem a preços baixos e novamente partindo de caronas.

O porta-malas da Titine bem guarnecido para o final de semana

A barraca bem montada

A ilha

O café-da-manhã na praia

o vilarejo de pescadores

A longa praia deserta

A praia, de mais perto

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Presente de primeiro ano

Março 8, 2008 at 11:42 pm (Brasil - França, Casa e Familia) (, , , , , , )

Talvez em outras épocas fosse motivo para comemorar em grande estilo, mas acabei simplesmente esquecendo que completei um ano aqui na França nesta semana. E só fui lembrado pelo post do Daniel, o Chéri à Paris, que curiosamente aterrissou por aqui três dias depois de mim.

E se ele fez uma bela duma retrospectiva em números, eu fico pensando aqui sozinho porque é que esqueci da data. Será que pela semana atribulada que passou? Ou talvez pelo fato de eu me sentir realmente em casa por aqui…Mas quem sabe mesmo porque havia acabado de celebrar o “nada” com a Manue e a levado num restaurante chique do lado da Torre Eiffel.

Enfim, o fato é que passou e agora não vou ficar lembrando de cada dia maravilhoso ou de sol. Muitas das coisas estão pingadas por aí no site e amanhã posto outro bom momento. E mesmo sem festa, ganhei um baita de um presente de mim mesmo: uma passagem para o Brasil. Mais do que certo, eu e a Manue desembarcaremos em São Paulo no dia 29 de junho, para ver se ainda encontro tempo de comemorar o meu aniversário de dois dias atrás (indireta aos amigos). E ficamos 1 mês e meio, sendo que por duas semanas encararemos outra empreitada pelo nosso paízão lindo, certamente à procura do verão fora de época do Nordeste.

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Escargot show!

Março 4, 2008 at 5:46 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

Duas citações rápidas. Primeiro respondo ao Lello que sim, o Nazista do couscous estará na matéria da Próxima Viagem. E antes que as pessoas me crucifiquem e resolvam nunca mais ler a revista ou meu blog, digo que a idéia do editor era exatamente mostrar dois lados de Paris: o chique e três estrelas no Guia Michelin e o mais toscão do dia-a-dia. E volto a ressaltar: o Nazista é todo bizarrão, mas a comida é bem decente.

 A outra citação é uma foto enviada pelo meu grande amigo Jamal, o francês da minha rua. Ele encarou a pizza de escargot que vai na foto aí embaixo. Esse cara é corajoso!! 

A pizza de escargot

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A estrela cadente

Março 3, 2008 at 11:05 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Seguindo nos assuntos importantes e que arrancam manchetes por aqui, a bomba desta segunda-feira foi o fato de o Guia Michelin ter vazado. Claro que eu dei mais importância ao assunto porque escrevo no momento uma matéria sobre os grandes restaurantes de Paris, mais uma vez para a Próxima Viagem. Mas o interessante é saber o quanto isso pesa aqui.

Aparentemente, o jornal que mais ficou atento ao assunto foi o Le Figaro, que deu no sábado um panorama com os restaurantes que podiam ganhar ou perder estrelas. Nesta segunda, conseguiu o furo de que o Le Grand Véfour (como eles haviam indicado), havia deixado o grupo com cotação máxima e sido rebaixado ao de duas (que catástrofe !). Por outro lado, ganhou três estrelas o Le Petit Nice, que como nome diz, fica em Marselha.

Depois do Le Figaro, todas as televisões trouxeram com destaque a queda do Le Grand Véfour. O fato é que Paris é ainda a capital mundial da gastronomia e essa história de estrelinha no Michelin pode acabar com a reputação de um chefe. Fora os milhões de euros que elas trazem às casas – e depois novamente ao senhor Michelin. Aliás, segundo a reportagem do Le Figaro, faz tempo que o guia deixou de prestigiar realmente o que vem dentro do prato, passando a distribuir boas recomendações por puro marketing.

E engraçado, mas eu mesmo pude provar isso naquele tal de Le Chartier, cujo post está mais abaixo. Ele vive lotado porque está nos guias e porque deve pagar bem. Porque a comida, é três estrelas no Guia Michelin de Restaurantes Toscos.

PS : em breve porei a matéria aqui. Mas ao contrário do Michelin, que não conseguiu guardar segredo, a minha só entra mesmo depois que a Próxima Viagem sair nas bancas. Segredo de estado !!

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