Le truc
Em uma semana completarei um ano aqui em Paris e posso dizer que sigo cada vez mais tranquilo na língua. Afinal, troquei de vez o inglês pelo francês com a Manue em setembro do ano passado e o progresso foi visível. Obviamente que nada é tão perfeito assim e de vez em quando solto pérolas ou engasgo em simples descrições ao me deparar com palavras bizarras para alguém que não cresceu na França (ou você acha que te ensinam nas escolas como dizer pia, panela de pressão, ralador, tomada…e por aí vai).
Mas tal como no Brasil, aqui na França existe um termo que quer dizer tudo (e às vezes nada): truc, que é nada mais, nada menos que treco, coisa. E isso é de uma valia enorme para o dia a dia, acreditem em mim. Foi assim que hoje consegui encher o pneu da minha nova bicicleta.
Ao perceber que ele estava meio murcho, fui a uma bicicletaria e, ao entrar, no meu já bom nível, soltei com toda a pompa: “Bonjour, vous avez le truc-là pour gonfler le pneu?” (Bom dia, você tem aquele treco para encher o pneu?) Reparem que “le truc-là” é um linguajar chulo, de malandro, embora o “vous” tenha caráter de educação ao falar com alguém que você não conhece.
O homem obviamente estranhou e me respondeu com cara feia: “Le truc?“. Envergonhado, voltei ao meu mundo de estrangeiro e admiti sem problemas: “Desculpa, eu não sou francês. Não sei como se fala ‘le truc pour gonfler le pneu‘”. No final, tudo deu certo, falei que era brasileiro, ele ainda brincou com nosso futebol e voltei para casa com pneu cheio. Ah, e “le truc-là” se chama pompe, como bomba.
O pé-frio
Só uma última passagem antes de ir dormir: depois de três partidas, o Paris Saint Germain ganhou. Fez 3 a 2 no Auxerre no Parc des Princes e foi à final da Copa da Liga, mesmo com uma falha bisonha do goleiro Landreau. E não que eu tenha participação direta no resultado, mas nas duas últimas vezes em casa, o PSG havia empatado. E foram as duas vezes que eu estive pesente no estádio. Será que depois desta classificação vão bloquear minha carteira de jornalista internacional?
E por fim, o glorioso Souza começou no banco hoje. Tá feio o negócio, três jogos e já perceberam que o investimento de 3,5 mi de euros foi exagerado. Ele anda apagadinho, não sei se vai conseguir virar a fase. Será que um dia o PSG vai contratar alguém decente de novo pra que eu possa virar correspondente internacional? Nessa fase, até o Ronaldo podia ficar por aqui…
Veja o lance bisonho do Landreau. E reparem também na narração, o tradicional “Oh la la la la”, frase preferida de 10 entre 10 franceses.
Estacionar em Paris: missão impossível
Na última sexta-feira, saí de carro por aí com um amigo de um amigo que estava de passagem e havia alugado um pequeno Citroën. Foi divertido porque foi a primeira vez em 1 ano que fiz isso, mas era justamente sexta à noite e percebi que uma das coisas mais terríveis em Paris é tentar estacionar um carro.
A guerra por vagas é feroz, ao ponto de se andar na contra-mão ou realmente empurrar o carro da frente e dar pancadas (e não o famoso totózinho) no de trás. Felizmente o dele era pequeno ao ponto de caber em qualquer espaço de moto. Incrível.
Hoje, voltei a tocar no assunto ao ver três policiais gastando a caneta em multas a carros estacionados em lugares absurdos, como na frente de uma garagem, em cima da faixa de pedestre, bem na esquina de uma rua já apertada e por aí vai. A pegunta é : para onde será que vai esse dinheiro ? Porque se ele for realmente bem empregado, está aí uma das razões para Paris ser desenvolvida.