Histórias mínimas
Pedro resolveu morar em Londres e mal falava inglês. Aprendeu na marra, trabalhou como garçom de restaurante sujo, de prédio chique, aguentou muita encheção de saco, mas com as boas gorjetas viajou de navio e ajudou a família. Hoje, quer voltar, não aguenta o clima úmido e as noites às 15h30 da capital britânica.
Elena é européia, bem européia, passou um tempo numa boa escola nos EUA, aprendeu espanhol e italiano com extrema facilidade. Faltava um desafio: com um dinheiro juntado sem grandes esforços, viajou então ao Brasil, passou um mês perdida pelas ruas, mas aprendeu português e se encantou. Mas se desencantou mais tarde por esses desencontros da vida e dificilmente fará outra aventura dessas.
Carlota, parisiense convicta, está em dúvida, mas ela não estava pouco tempo atrás. Culpa do seu namorado, que a deixou sozinha e voltou para casa. O João, brasileiro típico, tentou, tentou, mas ele também se desencantou por aqui, com o clima (que parece o da capital britânica), com a falta de calor humano. A Carlota agora está pensando no que fazer porque se sente sozinha, mas não sabe se tem o mesmo ímpeto da Elena para largar tudo e viver este amor, que cresce pela saudade, mas que talvez nem seja tão grande assim.
Leco é um cara inteligente e que nem era tanto assim na época da escola. Mas virou um intelectual, discute política em inglês, espanhol, francês e, claro, português. Está bem, feliz ao lado da sua alma gêmea e, ao contrário do João, só volta ao Brasil para a festa do casamento (e para curtir um solzinho).
Audrey, francesa mas não de Paris, também arriscou, foi para o Brasil e conheceu seu grande amor, o Paulo. Hoje eles estão juntos na França, bem, mas discutem frequentemente se vale a pena ficar ou voltar. Ela quer ficar, tem a familia por aqui, mas de algum jeito adoraria poder conversar mais em português no dia a dia – culpa do Paulo que passou a falar francês – e dançar, dançar, dançar.
Cleber vem pra França a cada duas semanas. Vem para comprar produtos e revender no Brasil. E ganha dinheiro assim. Ele é amigo do Dacio, que trabalhou no metrô, nos esgotos e comeu o pão que o diabo amassou antes de se dar bem. Os dois se encontram sempre por aqui, enchem a cara e soltam boas risadas.
O Fernando, o Joca, a Claudia, a Joana, a Ana Paula, o Vladimir estão de malas pronta para a Europa, para Londres ou Paris, acham que é lá que está a vida boa, porque no Brasil não dá mais. A Sophie, o Mathieu, o Christian, a Oxana e o Antoine estão loucos para ir para o Brasil. Na Europa eles têm tudo, mas a vida ainda assim não é fácil. Falta tempero. E disseram para eles que no Brasil isso é o que mais tem.
Le truc
Em uma semana completarei um ano aqui em Paris e posso dizer que sigo cada vez mais tranquilo na língua. Afinal, troquei de vez o inglês pelo francês com a Manue em setembro do ano passado e o progresso foi visível. Obviamente que nada é tão perfeito assim e de vez em quando solto pérolas ou engasgo em simples descrições ao me deparar com palavras bizarras para alguém que não cresceu na França (ou você acha que te ensinam nas escolas como dizer pia, panela de pressão, ralador, tomada…e por aí vai).
Mas tal como no Brasil, aqui na França existe um termo que quer dizer tudo (e às vezes nada): truc, que é nada mais, nada menos que treco, coisa. E isso é de uma valia enorme para o dia a dia, acreditem em mim. Foi assim que hoje consegui encher o pneu da minha nova bicicleta.
Ao perceber que ele estava meio murcho, fui a uma bicicletaria e, ao entrar, no meu já bom nível, soltei com toda a pompa: “Bonjour, vous avez le truc-là pour gonfler le pneu?” (Bom dia, você tem aquele treco para encher o pneu?) Reparem que “le truc-là” é um linguajar chulo, de malandro, embora o “vous” tenha caráter de educação ao falar com alguém que você não conhece.
O homem obviamente estranhou e me respondeu com cara feia: “Le truc?“. Envergonhado, voltei ao meu mundo de estrangeiro e admiti sem problemas: “Desculpa, eu não sou francês. Não sei como se fala ‘le truc pour gonfler le pneu‘”. No final, tudo deu certo, falei que era brasileiro, ele ainda brincou com nosso futebol e voltei para casa com pneu cheio. Ah, e “le truc-là” se chama pompe, como bomba.
O pé-frio
Só uma última passagem antes de ir dormir: depois de três partidas, o Paris Saint Germain ganhou. Fez 3 a 2 no Auxerre no Parc des Princes e foi à final da Copa da Liga, mesmo com uma falha bisonha do goleiro Landreau. E não que eu tenha participação direta no resultado, mas nas duas últimas vezes em casa, o PSG havia empatado. E foram as duas vezes que eu estive pesente no estádio. Será que depois desta classificação vão bloquear minha carteira de jornalista internacional?
E por fim, o glorioso Souza começou no banco hoje. Tá feio o negócio, três jogos e já perceberam que o investimento de 3,5 mi de euros foi exagerado. Ele anda apagadinho, não sei se vai conseguir virar a fase. Será que um dia o PSG vai contratar alguém decente de novo pra que eu possa virar correspondente internacional? Nessa fase, até o Ronaldo podia ficar por aqui…
Veja o lance bisonho do Landreau. E reparem também na narração, o tradicional “Oh la la la la”, frase preferida de 10 entre 10 franceses.
Estacionar em Paris: missão impossível
Na última sexta-feira, saí de carro por aí com um amigo de um amigo que estava de passagem e havia alugado um pequeno Citroën. Foi divertido porque foi a primeira vez em 1 ano que fiz isso, mas era justamente sexta à noite e percebi que uma das coisas mais terríveis em Paris é tentar estacionar um carro.
A guerra por vagas é feroz, ao ponto de se andar na contra-mão ou realmente empurrar o carro da frente e dar pancadas (e não o famoso totózinho) no de trás. Felizmente o dele era pequeno ao ponto de caber em qualquer espaço de moto. Incrível.
Hoje, voltei a tocar no assunto ao ver três policiais gastando a caneta em multas a carros estacionados em lugares absurdos, como na frente de uma garagem, em cima da faixa de pedestre, bem na esquina de uma rua já apertada e por aí vai. A pegunta é : para onde será que vai esse dinheiro ? Porque se ele for realmente bem empregado, está aí uma das razões para Paris ser desenvolvida.
A educação do presidente
Mais uma do Monsieur le président de la République, Nicolas Sarkozy. Precisa dizer o burburinho que está isso aqui…?
Hoje cedo, na padaria, um senhor comenta o caso e volta a tocar no ponto “crucial” da questão: “Não existe mais a educação de outrora, ninguém mais fala bonjour, merci, ou te trata com respeito”. E não é com o Sarkozy que isso vai voltar.
Como tradução do que se passou, Sarkozy vai ao Salão da Agricultura, distribui sorrisos falsos e apertos de mão até que um homem se recusa a retribuir o gesto e diz: “Não me toque, você me suja”. É então que ele responde: “Saia daqui, pobre bastardo!” (ou algo com ainda maior desprezo que a censura desse blog vetou).
A felicidade está numa panela de feijão
Outros prêmios de fotografia
Para uma época de silêncio prolongado, seguem novas imagens da França. Uma do metrô, outra do passeio às margens do Marne, um afluente do Sena. Em pleno inverno, a primavera chega com estilo e esbanja cores. Obrigado poluição ! Obrigado camada de ozônio e viva os que desmatam a Amazônia ! O inverno nunca foi tão quente por aqui.





Furo furado
Enquanto escrevo aqui, provavelmente outros jornalistas que passaram frio e ficaram o dia todo no hospital La Pitié Salpetrière estão enviando suas matérias assinadas para jornais, rádios ou televisões importantes do mundo todo. Do Brasil dá para dizer quem estava lá: Globo (óbvio), ESPN Brasil, Folha, Estado, O Dia, RFI e talvez algum outro que tenha esquecido. Já eu, faço um artigo exclusivo para o meu blog, furo de reportagem especialmente para vocês, meus queridos leitores.
Como todos sabem, o Ronaldo esteve hoje em Paris para fazer mais uma cirurgia no joelho, desta vez no esquerdo, mas de mesma intensidade que a de 2000. Ruptura total do tendão patelar, coisa para nove meses no mínimo de recuperação. E detalhe, como bem o médico Gerard Saillant lembrou: “Ele tem agora 31 anos e com 31 anos você está mais perto do fim da carreira do que você estava com 20. Claro que ele não está velho, mas a recuperação é diferente”.
As semelhanças das lesões são curiosas: a primeira veio 6 minutos após ele entrar no jogo. Naquela ocasião, ele voltava aos gramados depois de parar por quase 4 meses, também com problema no joelho direito. Agora, sofreu a lesão 2 minutos depois de entrar em campo, no outro joelho, um fato incomum, segundo o mesmo médico. “É raro, mas ele já vinha com dores nos dois joelhos há muito tempo”, observou Gaillant.
Lamento pelo Ronaldo e também por eu não ter conseguido vender essa matéria. Mas paciência, vi colegas de profissão, fiz minha parte sem ser remunerado e quem sabe tiro lições e aprendo a lidar melhor com outras situações dessas. Lembrando que o Guga vai estar aqui para o fim da carreira oficial e se alguém quiser me contratar, manda um email…
E para quem viu o Jornal Nacional ou o da Globo, estava do lado da Sonia Bridi. E para quem viu ESPN Brasil, saibam que o cara que estava segurando o microfone era eu, enquanto o reporter/câmeraman João ficou de me pagar uma cerveja. Amanhã estarei lá no hospital de novo, brincando de jornalismo sério e ajudando agora o meu velho parceiro Julio Gomes, da Band.
Abaixo a transcrição da entrevista dos médicos e do Leonardo, do Milan. Se por acaso alguém pegar esse texto e usar, favor dar o crédito e, se quiser, depositar uma quantia na conta…
Gerard Saillant - (Foi) Exatamente a mesma lesão de oito anos atrás. Passou tudo bem, sem problemas. Ele vai continuar hospitalizado de oito a dez dias e a reeducação vai começar já amanhã cedo. Para qualquer questão que vocês colocarão, se ele vai voltar a jogar, se ele vai recuperar o nível de antes, a mesma resposta: se a gente diz que ele pode parar é por que ele pode parar, se a gente diz que ele vai voltar é por que ele pode voltar, vai depender dele, da reeducação, de seu plano de carreira. Mas neste tipo de lesão, o tempo de recuperação é de no mínimo 9 meses antes de querer tentar voltar a um bom nível.
A operação foi boa, mas a gente vai saber mais quando ele retomar as atividades. Mas tecnicamente foi tudo normal e dentro de boas condições.
(Sobre o tipo da lesão) É bem raro de dois lados, mas é bom observar que ele já vinha com dores nos dois joelhos há muito tempo e mesmo assim ele fez uma grande carreira. Mas acontece.
É exatamente a mesma cirurgia de oito anos atrás, então tenho as mesmas imagens na minha cabeça.
(Ao ser informado que o contrato do Ronaldo se encerraria em julho, se ele poderia jogar no Milan) Não, até julho é impossível. A recuperação é de nove meses, antes é impossível ele jogar. É só fazer as contas.
Eric Roland - Ele estava confiante, a mesma condição que antes, mesmos enfermeiros, mesmo cirurgião. A operação foi uma reinserção de um tendão que foi arrancado da rótula, que foi reinserido e protegido para permitir uma reeducação rápida. Intervenção que vem sendo feita com sucesso há muito tempo aqui no hospital por nossa equipe.
(Sobre a diferença de idade da primeira cirurgia) Faz diferença sim. Sobretudo na motivcação, se ele quer mesmo voltar ao nível de antes. Isso a gente vai ver depois.
Saillant - Mas aos 31 anos você está muito mais perto do fim da carreira que quando você tem 20 anos. Claro que a gente não está velho aos 30 anos, ele está em grande forma.
Roland - Ele começa a reeducação amanhã e a gente dará 2, 3 dias para controlar a dor, a temperatura, e aí sim autorizá-lo a andar com o andador.
Não falamos com ele direito ainda porque ele estava sob efeitos dos sedativos, um quadro normal de quem acaba de passar por uma operação. A partir de amanhã é que a gente vai poder ver algo.
Detalhe : ele usou anestesia geral.
Leonardo – O Milan vai estar perto dele, isso foi falado pelo Berlusconi, Galliani, é o estilo do Milan. Não dá para falar muito ainda, vamos passar oito a dez dias aqui e depois veremos. A recuperação começa amanhã, com pequeno movimento, inicio de tudo.
Ele está passando por uma coisa que ele conhece, sabe a dimensão. Não é questão de dizer se ele esta motivado ou não. Ele tinha que passar por essa operação, era o que ele tinha de viver. O Ronaldo tem força psicológica e mental e graças a Deus deu tudo certo. Vamos ver o que vai acontecer.
Viva a Revolução!
Só reportando um trecho extraído do Le Monde, de entrevista com um analista político sobre o presidente: “Hoje, ele (Sarkozy) está sendo posto à dura prova em um país acostumado aos sistemas tradicionais e sólidos e que pode não tolerar a frivolidade de seu novo presidente da República“.
E outro do Libération, de esquerda, com a palavra do líder do Partido Socialista, François Hollande: “Sarkozy nos expõe sua vida, ele a exibe, obriga os jornalistas a seguirem seus passos, ele me faz tecer comentários sobre isso…Eu não estou nem aí para seu casamento, para suas viagens, para seu relacionamento com a Carla Bruni. Peço meu direito de não saber nada sobre o assunto“. Detalhe importante: François Hollande se separou da Ségolène Royal logo depois das eleições de 2007, mas o assunto foi bem tratado de forma bem mais moderada que a separação de Sarkozy e Cecilia.
Isso tudo no mesmo dia em que um importante instituto de pesquisa aponta a queda do nível de satisfação da população em relação ao governo de Sarkozy ao patamar mais baixo desde a eleição: 39%. Viva a Revolução! Viva Maio de 68!!
A estréia de um craque
Neste final de semana fui pela primeira vez a um estádio de futebol aqui na França, graças à minha carteira de jornalista “pode tudo”. Fui acompanhar o glorioso clássico Paris Saint Germain x Le Mans, em mais uma mostra do espetacular nível do futebol francês. O jogo terminou com um placar mais do que esperado: 0 a 0, e a bola saiu de campo maltratada.
E assim como o Carnaval de Paris, valeu mais para sentir o clima e pela minha volta aos estádios após os 3 a 0 do São Paulo no rebaixado América de Natal (que brigaria pelo título aqui) em outubro. E foi ainda uma volta ao Parc des Princes, onde acompanhei em março de 1998 a vitória do PSG sobre o Lens por 2 a 1 na semifinal da Copa da Liga, quando o Raí ainda era ídolo aqui.
Deu para ver que a torcida continua em forma, gritando sem parar, enquanto os jogadores tropeçam na bola e lutam de forma desordenada para deixar a rabeira do campeonato. No setor de imprensa, ainda acompanhei os “melhores” momentos nas televisões equipadas ao lado dos bancos e fui para a sala de entrevistas tentar falar com os brasileiros que marcaram presença em campo.
Como todo grande time merece um camisa 10 de nível, o Paris Saint Germain trouxe o Souza, ex-São Paulo, pagando a fortuna de 3,5 milhões de euros. Detalhe, o Souza tem 29 anos e nunca tinha jogado no exterior, por motivos meio óbvios. Exageros à parte, ele sempre foi um carregador de piano e teve boas participações no Tricolor, mesmo que a torcida o desprezasse. Aqui, o sentimento era parecido: de descrença.
Ao conversar com um jornalista da France Footbal, ele admitiu que o investimento foi malvisto pela torcida, mas que havia ficado satisfeito com sua atuação nos primeiros 60 minutos em campo. Opinião repartida pelo técnico, Paul Le Guen. “Ele mostrou qualidade, esteve meio tímido nos primeiros 15 minutos, mas depois se movimentou bem. Precisa se entrosar mais”, disse ele, apontando ainda que o lado direito deve ficar melhor guarnecido já que ele fará dupla com o lateral Ceará (??).
Na saída do estádio, fui ver interessado uma multidão que cercava e tirava fotos com um moço em trajes de superstar. Curioso, perguntei a um torcedor do PSG quem era, e ele me respondeu: “De Melô”. Quem?? “De Melô, le brésilien”. O tal é nada menos que o Túlio de Melo, artilheiro do Campeonato Francês, que não jogou por estar contundido.
O Túlio era um mero desconhecido no Brasil que veio tentar a sorte aqui, deu certo e hoje posa de sapatos Dolce & Gabanna, cinto brilhante e óculos que o David Beckham ficaria com inveja. E ele já está de malas prontas para jogar na Itália.
Vi também na saída o habilidoso Ceará driblar os fãs do PSG com seu Audi TT preto roncando forte. Como diria o Narazaki, o Ceará deu sorte de ter jogado bem na final do Mundial contra o Barcelona, acertou um bom contrato e está aí ganhando a vida em Paris muito melhor que qualquer jornalista pé rapado que vibra ao entrar de graça no estádio. É mole?
O Carnaval de Paris
E fui lá domingão acompanhar o Carnaval de Paris, equipado com minha câmera, minhas luvas e um bom gorro pra me proteger do frio. É, realmente não dava pra pedir um autêntico desfile de escolas de samba (como o de Amparo), ou uma galera caindo de bêbada na rua, vendedores de Skol e recolhedores de latinhas, ou mesmo alguns raios de sol pra esquentar a festa.
Não teve nada disso, mas também não foi assim tão mal. Eu e mais três amigos até que conseguimos nos manter com sorrisos nos rostos – e isso sem colocar uma gota de álcool na garganta, diga-se de passagem. Seguimos o cortejo desde Belleville até o Hôtel de Ville, sede da prefeitura, num total de 6, 7 estações de metrô e cerca de duas horas de batucadas estranhas e blocos sem muito padrão.
No começo, quando ainda não havíamos entrado no “ritmo” e ríamos das pífias representações dos grupos, fomos severamente repreendidos por um local, mas depois entendemos a magia do espetáculo local e seus mais de 500 anos de história, muito mais antigo e tradicional que aquele outro da Sapucaí. A riqueza, a beleza e a organização do desfile, então, nem se fala. Dá de 10!
Como não poderia faltar, a brasileirada marcou presença e fechou o cortejo com dois blocos, algo menos triste que o resto, muito em parte pela presença de uma cuíca e de uma moça com apito que corria de um lado pro outro tentando organizar 12 meninas em uma coreografia de dois passos. Outras alas marcantes foram a de Cusco (??), a de Napoleões retintos (como na música do Chico) e uma que fazia batucada pós-moderna que o até o Joãozinho Trinta ficaria com inveja.
Mas para não ser completamente injusto, guardo um parágrafo para bons comentários. Foi divertido ao menos ver aquele mundaréu de gente seguindo a música por ruas tradicionais e entre prédios do século 19. Foi interessante ver o Brasil lá, muito melhor representado que aquele lixo do Balé do Rua. O desfile ao lado do Centro Pompidou (o museu de arte moderna) e sua armações de ferros gigantescas valeu pelo contraste. E terminar na praça do Hôtel de Ville, o prédio mais espetacular de Paris, diria que é mais legal até que aquele lá na Praça da Apoteose.







O Carnaval e a gripe
Escrevo rápido de novo porque hoje é domingo de Carnaval e aqui na França a promessa é de muita farra…ok, piadinha ridícula para animar. Mas é fato, estou de saída para ver o Carnaval parisiense, que, segundo conta história, existe há mais de 500 anos. O cortejo percorre algumas boas ruas de Paris e termina no Hôtel de Ville, a sede da Prefeitura. Mesmo que seja debaixo de um baita frio, vale conferir e prometo algumas fotinhos.
Fotos que como essa ao lado explicam muitas coisas: os franceses estão realmente incomodados com a proibição de fumar nos bares e continuam se amontoando nas portas dos estabelecimentos. É a cena mais comum ao passar pelas ruas de bairo à noite. É por isso, aliás, que há no momento uma epidemia de gripe em todo o país. Imagina sair do quentinho da sua mesa e ir fumar num frio de 4 graus, com uma blusinha fina, e ainda fingir que não tá pegando nada.
O texto ao lado estava numa espécie de placarzão eletrônico na frente da Mairie du 18eme, e é mais uma demonstração do civismo francês. Depois de reafirmar a interdição de fumar, o aviso pede aos que vão se aventurar na parte de fora a manter “calma e higiene nas ruas”, porque as reclamações haviam aumentado consideravelmente.



Como está nos principais guias de Paris, o Chartier é tomado por turistas, principalmente num sábado à noite, exatamente quando resolvemos ir. O resultado óbvio é uma fila enorme, uma espera considerável e um atendimento nas coxas. Mas vamos aos fatos por partes, como diria Jack.
Como bons “franceses”, abusamos, pedimos pão, água, recebo de volta minha carne em bem melhor estado e a Manue até que gosta do choucroute alsacien. Mas os vizinhos…eles seguem lutando com a carne, lamentando a má escolha e a falta de um tradutor para que eles possam xingar o último dos quatro donos que o Chartier teve em mais de 100 anos.