Sarkozy e a política da ereção permanente
Transcrevo abaixo um texto publicado no Courrier International – traduzido de uma publicação argentina – sobre o ilustríssimo presidente da República da França, monsieur Nicolas Sarkozy. Não que não tenha novidades minhas daqui, mas achei oportuno dividir estas sábias palavras. E aproveito também para estudar, já que o texto não é nada fácil. Então vamos a ele.
“No meio do século passado, um frustrado candidato à presidência colombiana se perguntava: ‘Poder, para que ele serve?’ Aparentemente, ele nunca obteve a resposta para esta questão e morreu sem ter resolvido o enigma. Hoje, o presidente francês parece não ter a menor dúvida: o poder serve para gozar (aqui um jogo de palavras com jouir, que pode ser também desfrutar, usufruir), inclusive na cama, com lençóis em desordem como testemunhas de jogos amorosos.
No tabuleiro de xadrez da política mundial, não parece existir um chefe de Estado mais satisfeito, um homem que aproveita bem sua exposição na mídia, um macho exultante de suas conquistas. Nicolas Sarkozy se diverte como nunca e quer mostrar até que ponto o poder lhe enche de energia, para desejar mais e ser desejado, para fazer de seu mandato uma festa permanente, uma embriaguez dele próprio, uma ereção.
Na França e nos quatro cantos do mundo, o último episódio de felicidade sarkoziana eclipsou os deleites anteriores. Seu prazer atual é infinito, profundo, franco e massivo. Graças ao poder, o presidente está, de novo, apaixonado: ele conseguiu seduzir Carla Bruni, uma ex-top model e cantora de segunda linha, importante ícone da elite cultural (jet-set, na verdade, algo mais popularesco como “chiques e famosos”) parisiense e com quem passeia de mãos dadas à luz do dia e à frente das câmeras dos jornalistas.
(…) Sarkozy escolheu a decoração perfeita para revelar seu novo idílio: junto de sua radiante acompanhante, ele se deixou filmar num mundo de fantasia plena, de mocinhos e bandidos, onde a realidade é tão fácil, tão infantil, tão propícia ao sentimentalismo: a Disneylândia. É, então, em um local senão falso, mas virtual, que Mickey Sarkozy quis viver seu sonho. Lá, num universo colorido e eficaz, onde tudo funciona maravilhosamente, onde a justiça é verdadeiramente justa e o amor é melado (sirupeux, algo que vem de xarope e é mais que doce), onde a gente pode esquecer que os adultos são enviados ao Iraque para matar os vilões.
Mas, evidentemente, como um bom exemplo de homem de direita que é, Sarkozy recusa o conceito de luta de classes herdada do século 19. O que lhe interessa é mesmo o conceito pré-histórico de “luta dos sexos”, segundo o qual os machos que dominam um território fértil têm direito a todas as mulheres que estejam ao seu alcance. Com ou sem Carla, Sarkozy terá sempre a seu dispor algumas belas jornalistas da imprensa parisiense que não hesitarão em conhecer sua rica casa (grotte, no sentido literal, gruta).
O segundo capítulo da novela entre Nicolas e Carla aconteceu no fim de 2007, diante de outros céus. O presidente escolheu a decoração suntuosa (e talvez holywoodiana) de Louxor, no Egito. O mais bonito templo da antiguidade, Karnak, e as tumbas dos faraós serviram como pano de fundo para mais uma rodada de sorrisos, passeios, mãos dadas, tudo, evidentemente, com a presença de uma câmera e de fotógrafos. Um festa digna de alguém que se ama como Nicolas Sarkozy. Em resumo, depois de saber que Sarkozy aprecia a felicidade e o prazer que o poder proporciona, acabamos de descobrir que ele não tem nenhum senso de ridículo.
Os franceses se perguntam com todo direito quanto vai lhes custar esta viagem de Sarko ao Egito, com seus vinte quartos alugados em um hotel de luxo e aviões de caça escoltando o jato presidencial. Porque para ir, Sarkozy e Carla estiveram a bordo de um jato particular pertencente a Vincent Bolloré, um dos chefes de um instituto de pesquisa que continua a colocar Sarkozy no primeiro lugar das personalidades preferidas dos franceses. Aliás, o primeiro lugar é o único que vale para um homem que se move como uma marionete, avança como um tanque de guerra e ama como uma máquina de dinheiro (aquelas máquinas de bingo, com uma alavanca). Porque, enfim, sozinhos os sortudos faturam o grande prêmio. Os outros olham Nicolas Sarkozy triunfar pela televisão.
Mensagens rápidas
- Fui parado de novo nesta terça por um policial porque estava infringindo os códigos de trânsito. Com minha bicicleta! Isso mesmo, uma viatura se aproximou ao ver que eu furava lentamente um farol vermelho e me deu um baita sermão. Falou em 80 euros de multa, pra depois dizer que eu não repetisse o erro. Ô falta do que fazer!
- Disse “de novo” porque já havia me acontecido uma outra vez aqui em Paris, mas jurava que não tinha feito nada errado. O guarda insistiu, falou em multa mais leve, mas finalizou com um: “Não faça mais isso!”.
- Em Londres, em 2005, dias depois do atentado de julho, fui tirar fotos das estações que tinham sido atacadas. Idéia mais estúpida impossível…Fui abordado por dois guardas, acusado de terrorismo e só depois de muita conversa um deles descobriu que eu era brasileiro e aproveitou para perguntar coisas do Rio de Janeiro, porque o irmão dele estava indo para lá. Detalhe: o Jean Charles ainda não havia sido assassinado.
- Advinhem onde fui comer com a Manue na semana passada? Lá mesmo, no Nazista do Couscous. É que fui apresentar para um casal de amigos…E descobri o nome da pocilga: “Le Petit Blue“, que originalidade! O garçom/gerente, diga-se de passagem, estava um amor, mas descobri um nazista mais nazista do que ele: o cozinheiro. Ao final do jantar, ele interrompeu a produção dos pratos e veio gentilmente nos pedir para sair porque uma dezena de pessoas esperava lá fora e não tinha mais mesa. O verdadeiro nazista até com vergonha ficou.
- A Manue está jogando tênis cada vez melhor. Claro que pego leve, mas ela me fez correr neste domingo.
- Meu pudim de leite e meu feijão preto merecem destaque. Estão cada vez melhor. O strogonoff também arrancou suspiros.
- No último domingo estendi a cadeira de praia na sala, fiz pipoca, abri uma cerveja e assisti ao jogo do São Paulo na televisão da internet (AJTV, no Sopcast, pra quem quiser a dica). Gol aos 44 do segundo. Domingo tem mais contra o Corinthians.
- Vimos também dois programas na televisão sobre o Brasil. Um sobre comunidades nos Lençóis Maranhenses e outro sobre o Rio e a cultura do corpo. E já dá para ver que o Carnaval não passará batido, ao menos em menções nos jornais.
- Que dureza de semana. Trabalho pesado e sempre cedo por causa do Aberto da Austrália, curso de francês e noites curtas de sono. Quem acaba pagando é o blog.
Nazista do couscous
Antes de mais nada, duas rápidas considerações:
1- não, eu não errei a forma escrita do prato em questão. Aqui, couscous é assim mesmo, com dois “ous-ous”.
2 – tão diferente do nosso cuscuz em termos de gramática, o couscous marroquino não tem nada a ver com aquela torta de farinha de milho. Trata-se de uma refeição completa, com semoule – uma farinha, mas em grãos -, muito legume cozido e muita carne, variando entre carneiro, porco e frango.
Dito isso, passo à proposta do texto, que remete ao saudoso seriado norte-americano Seinfeld. Em um de seus melhores episódios (aliás, o quarto segundo eleição do “Bebê Diabo” Lello Lopes), os protagonistas encontram um restaurante tosco que vende a sopa mais deliciosa de toda Nova York. O problema é que o vendedor é um carrasco e exige respeito e regras durante a compra.
Assim, após enfrentar longa fila, é preciso ser rápido, praticamente jogar o dinheiro no balcão, falar sem gaguejos o sabor da sopa e passar rapidamente ao lado, sem mais perguntas. E aquele que ousa pedir pão recebe como resposta: “No soup for you!!!“, e o dinheiro de volta, sem dó.
Depois de enormes explicações, o fato é que encontrei o Soup Nazi francês. Descobri a pocilga que ele dirige e que nem nome tem em 2006, com meu primo Coaty. Fiquei encantado: quanta comida, quanto legume, quanta carne! Era um prato de caminhoneiro de luxo.
Em 2007 voltei aqui para morar e logo no primeiro dia com a Manue, passeando em Montmartre, lembrei daquela biboca e a convidei para comer. Sucesso! Ela comeu metade, mas adorou e ainda me achou super “cool” por conhecer a vida alternativa de Paris (mal sabia ela). E viramos cliente assíduos.
Com o passar do tempo, porém, começamos a perceber que o dono/garçom não era dos mais simpáticos. E a revelação veio num belo dia em que tivemos a idéia de pedir apenas um prato para dois, já que a Manue insistia em nunca terminar. Ao ouvir tal ousadia, o moço deu as primeiras mostras da alcunha que lhe viria a ser dada mais tarde.
Olhou feio, reclamou, disse que o prato já era barato e que não aceitaria. Insistimos também e falamos que pediríamos uma garrafa de vinho inteira, o que fez ele ceder e o que, depois, percebemos ter sido besteira em termos de preço. Ainda magoado, o nazista não se deu por vencido e nos trouxe um prato mixuruca, bem inferior ao normal. E no final ainda teve a cara de pau de perguntar se estava bom.
Ficamos bem p… e começamos a colocar em dúvida nossa volta. Mas não resistimos. Voltamos, duas, três vezes e recomendamos e levamos amigos, os pais da Manue também provaram, até que veio o dia em que a história mudou de vez. Na segunda passagem de uma amiga por aqui, ela mesmo sugeriu de retornar lá. E até reservamos, porque era verão e a biboca tem 6 mesas e está sempre lotada.
Chegamos no horário marcado e nada de mesa. Nós éramos três e ele nos ofereceu uma do lado da geladeira de vinhos, com dois lugares. Disse não e fomos convidados gentilmente a esperar. Havia mesas fora e sugerimos então sentar lá mesmo, o que ele não gostou nada. Se passasse a fiscalização, era multa na certa.
Ficamos bem uma hora até que ele, contrariado, aceitou a idéia. Pedimos e previmos novamente a tal “vingança”, mas vitória! Desta vez tudo certo, a delícia de sempre. O problema veio logo depois: mal terminávamos de raspar o prato (no meu caso, porque claro que a Manue deixou metade) e o nazista se aproximou com a conta e ficou resmungando do nosso lado. E como na época meu francês já estava afiado, entendi bem que ele falava da gente e chegou até pedir, nunca olhando no nosso olho, como todo nazista faz, que saíssemos rápido, porque ele estava correndo riscos de tomar multa.
Pagamos, disse um obrigado irônico e saímos pedindo desculpas à amiga. Foi a gota d’água. Decidimos nunca mais voltar e até achamos um ótimo japonês, não tão caro, que substituiu à altura. E passados cinco meses de jejum de comida marroquina, estávamos lá de novo, bem dizer à contra-gosto, após a estúpida idéia de mostrar a uns amigos um couscous maravilhoso e barato perto de casa.
Comemos e nos esbaldamos. Que saudade! Quase pedi desculpas ao nazista pela longa ausência. O Cabeção, meu amigo, passou mal por comer tão rápido e, mesmo tendo sido obrigado a visitar o banheiro da espelunca, coisa que eu nunca fiz, saiu rasgando elogios e falando que a passagem por Paris já estava ganha. E a gente nem tinha ido à Torre ainda.
Assim, fica a dica (ou não) para quem vier me visitar. O couscous é logo ao lado.
PS: aqui o link do post do Lello do Soup Nazi (http://bebediabo.zip.net/arch2008-01-01_2008-01-31.html#2008_01-08_00_55_57-3739347-0)

Carla Bruni e a noiva do vampiro
Como estou fazendo uma seção de notícias curtas para a Revista Brazuca, ando fuçando em sites de tudo quanto é tipo, sejam eles bons ou ruins. E entre os da França que mais se orgulham em postar fofocas e notícias quentes dos chiques e famosos está o da Paris Match, uma das publicações mais importantes do mundo no gênero desde 1945.
E a última do tema mais badalado do momento aqui na França, o noivado do presidente Sarkozy com Carla Bruni, é a reprodução do anel de compromisso que ele deu à italiana. Trata-se de um Dior de valor simbólico de 20 mil euros chamado de “A Noiva do Vampiro“.Abaixo a reprodução do texto da Paris Match.
“É um presente que pode ser gótico e romanesco e que Nicolas Sarkozy ofereceu ao seu grande amor Carla Bruni: uma pedra Dior em ouro branco, diamantes e turmalina rosa. No valor aproximado de 20 mil euros, foi criada por Victoire de Castellane para a coleção “Noiva do Vampiro” e traz esta idéia: ‘Amor eterno entre um vampiro e uma jovem filha’. Sabíamos que o presidente tinha origem húngara, mas não conhecíamos suas raízes na Transilvânia“.
Coincidentemente ou não, essa última frase resume bem o governo do Sarkozy por enquanto.
A desmitificação das Havaianas

Além de abaixar a temperatura do aquecedor e colocar uma blusa, temos outras artimanhas aqui para combater o frio. Os famosos “chaussons” (que de jeito nenhum, mas NENHUM, significa pantufa. E só para deixar claro, NENHUM!!!). E também para evitar brincadeirinhas infames que certos amigos sempre fazem, afirmo que as minhas são as da dir…digo, esquerda.
São chaussons de macho, em comemoração ao título da África do Sul na Copa do Mundo de Rúgbi (?!). Presente do sogrão, diga-se de passagem. E para os que não resistiram e estão a ponto de mandar uma mensagenzinha tirando sarro, vou ainda mais longe e afirmo publicamente que nunca mais usarei Havaianas, nem mesmo no verão, nem mesmo na praia. Andarei, a partir de agora, de pant…digo, chaussons.
Reciclagem de árvore de natal
Francês é tão organizado e tão preocupado com o meio ambiente que até os pinheiros de Natal “usados” recebem tratamento diferenciado. Como informa o site da Prefeitura de Paris, dia 20 é a data-limite para você deixar a seu querida arvorezinha nas ruas para que ela seja reciclada. Isso mesmo, até o momento mais de 4.000 já foram replantadas num parque aqui dentro da cidade.
Vejam este trecho que encontrei lá: “Eles serão reciclados para que recuperem a umidade e evitem as doenças e as ervas daninhas”. Extremo zelo. E a palavra de um monsieur de 59 anos que levou sozinho ao parque seu sapin de Noël. “E uma questão de civismo trazer seu proprio pinheiro e uma maneira de ser respeitoso com o meio ambiente”.
O site da prefeitura ainda traz outra dica para ajudar a não poluir, pedindo que as pessoas não abusem dos aquecedores das casas, que nestas épocas de frio são muito mais importantes que as duchas. Isso porque quando você aumenta demais a temperatura, a quantidade de dioxido de carbono emitida ultrapassa um limite aceitavel. Assim, o ideal, segundo eles, é manter a casa a 19 graus e os quartos a 17 graus.
Mais do que isso, um grau de temperatura a menos equivale a 7% de economia. Curioso o slogan do site, que adotei a partir de agora: “Se estou com frio, eu ponho uma blusa !”.
Próxima Viagem
Escrevi, em outubro do ano passado, uma matéria para uma edição especial da Revista Próxima Viagem, de São Paulo. Era para dar dicas de Paris para diversas faixas etárias, de 8 a 80 anos, tentando fugir do tradicional. Foi capa, junto com outras sete cidades do mundo. Coloco aí em baixo para quem não viu e o link: http://www.proximaviagem.com.br/revista/96/textos/164
Paris
No programa, um museu tão interativo que simula vôos do Super-Homem. Para dormir, o hotel com cursos de charutos
Elói Silveira
COM 8 – Voe como o Super-Homem
Além de divertido, o parque Cité des Sciences e de l’Industrie (foto) é instrutivo. Reúne salas com lições interativas sobre o corpo humano, técnicas de vídeo e simulações de vôos como o do Super-Homem. São mais de 150 jogos em que pais e filhos brincam juntos, por 6 euros. Que tal levar seus filhos para um bar, com shows ao vivo? Se a idéia parece estranha, acalme-se. O tal bar não permite fumantes, bebidas alcoólicas e gente sozinha com mais de 16 anos. O Cafezoïde é o único café para crianças em Paris. No menu, além de sucos e doces, há jogos, concertos de artistas juvenis, ateliês e acesso à internet. Ingressos a apenas 1,50 euro.
PARA OS DE 18 – Jantar de graça!
Vários restaurantes de Paris oferecem o famoso cuscuz marroquino sem que você precise tirar 1 centavo do bolso. A consumação de bebida é obrigatória, mas nada que afete o orçamento da viagem. O pioneiro é o Les Taïs, com ambiente movimentado. Além da iguaria, oferecida às sextas-feiras e sábados, a partir das 19 h, há música ao vivo de quinta a domingo, por volta das 19h. Um lugar para dormir? O Paris – Le d’Artagnan é o maior albergue da cidade. Curtir o bar e a área de lazer faz parte da estada. Jovens de todas as nacionalidades se encontram para cervejas e partidas de sinuca e ainda podem usar a internet gratuita.
AOS 28 – Pedale e badale
Alugar uma das 20.000 bicicletas do programa Vélb é a novidade. O sistema tornou-se comum na Europa, mas foi inaugurado na Cidade Luz em agosto. O turista só precisa de um cartão de crédito e de 1 euro para pedalar por 30 minutos. Se quiser continuar, ou paga a cada meia hora, ou segue trocando de bicicleta em um dos diversos postos. Outra vantagem é o sistema de pistas exclusivas para ciclistas. São mais de 350 quilômetros. A sugestão é um passeio de três horas, começando em La Villette, no caminho para o Rio Sena. À direita, chega-se à Catedral de Notre-Dame. Mais para a frente, aos museus Louvre e D’Orsay e, por fim, à Torre Eiffel. Mas lembre-se: é preciso conhecer bem as leis de trânsito.
Se o caixa estiver em dia, passeie à noite pelos Champs-Elysées e tente um dos restaurantes-clubs da região. Em especial, La Casa del Fox, que oferece jantar com uma pista de dança fervendo como sobremesa. Tudo na casa dos 40 euros e aberto até as 5 h. Para quem prefere o bom e velho rock’n'roll, recomenda-se o La Fleche d’Or. Abre de domingo a domingo, sempre com quatro a cinco shows por noite. Passaram por lá bandas indies inglesas que hoje são sucesso. A entrada é gratuita e a cerveja não custa os olhos da cara.
NOS 38 – Jantar romântico e All That Jazz
Paris é, sim, uma das cidades mais caras do mundo. Mas dá para comer bem a preço justo. Uma opção é o restaurante Le Salon. Fica fora dos centros turísticos, no sudeste da cidade. É perfeito para os casais. Fazendo uma reserva, garante-se sala privativa e fica-se à vontade, com música lounge, menu variado, entradas, carnes e boa carta de vinhos. A sobremesa famosa é o moelleux tiède au chocolat, parecida com o petit gâteau. Os donos se dividem no atendimento, na preparação da comida e são supersimpáticos. Um casal gasta em média 60 euros. Gosta de jazz, ao estilo de Dexter Gordon, que morou em Paris? Então, vá ao Les 7 Lézards. É também restaurante e casa de chá, com ambiente tranqüilo, sofás aconchegantes, onde se degusta vinho do Porto, enquanto se escuta boa música todos os dias, a partir das 18 h. Aos domingos, por volta das 22 h, músicos da cidade se encontram para a jam session.
AOS 48 – Puro conforto e tudo sobre os puros
Investir de uma só vez numa boa estada e num curso de charutos é a proposta do Hotel Castille, um quatro-estrelas próximo da badalada Place Vendôme. Além da certeza do conforto, as aulas incluem um jantar, a história e a produção dos charutos e, claro, degustação e dicas de bebidas como acompanhamento. Tudo em três horas, por 95 euros. Há uma charutaria perto, a Drugstore, na Avenida des Champs- Elysées. Já que o assunto é compras, lembre-se da Passage du Grand Cerf. Também no Centro, próximo da prefeitura, reúne 33 butiques de grande estilo, comandadas por artesãos, decoradores, designers e estilistas. São três andares.
NOS 58 – Para navegar pelo Rio Sena com todas as regalias
Nada melhor do que comer bem e ainda aproveitar o que a cidade tem de melhor: o charme insuperável do Rio Sena e dos monumentos que o cercam. Navegando em um dos bateaux mouches é possível encontrar tudo isso a partir de 50 euros por pessoa. No caso dos mais chiques – com direito a apresentações ao vivo e passeios mais longos -, o preço chega a 135 euros. Ainda na sessão “jantar”, mas em terra firme, aproveite a cidade com o maior número de restaurantes três-estrelas do Guia Michelin. Entre os mais aclamados está o L’Astrance, próximo da Torre Eiffel. Aberto em 2000, foi elevando o nível ano a ano até receber a condecoração máxima em 2007. Mas vá preparando o bolso. Um jantar completo sai entre 150 e 250 euros.
COM 68 – Um hino à grande Piaf
Édith Piaf mantém sua força mesmo 44 anos após sua morte. Em especial, no museu reservado à cantora. Instalado num apartamento do 11o arrondissement, traz fotos e objetos da artista, que teve vida conturbada. O acesso é gratuito. Ainda no campo da música, a passagem por Paris ficaria mais completa com um concerto no teatro da Maison de Radio-France, “às margens do Rio Sena”, como diz o jornalista Reali Júnior. A rádio mantém quatro orquestras que podem, ou não, atuar juntas. Os concertos ocorrem só num final de semana por mês.
AOS 80 – Em Notre-Dame
A ida a Paris indica o passeio pela Île de la Cité e pela Catedral de Notre-Dame. Se não chega a ser uma dica surpreendente, é importante ressaltar que, aos domingos, a partir das 16 h, há apresentações com cantos gregorianos e concertos com a utilização do magnífico órgão do templo. Os turistas e as multidões predominam, mas a beleza do espetáculo compensa. Outra pedida: o Jardin du Luxembourg, o mais renomado parque do Centro. Tem áreas interessantes para jogos, que podem resultar em boas companhias. É comum encontrar senhores travando disputas de pétanque. O jogo é uma espécie de bocha local. Se o objetivo for apenas descansar, há cadeiras para se largar ao sol e observar o movimento.
8 DICAS QUE ILUMINAM SEUS DIAS NA CIDADE LUZ
- “Como se pode governar um país com mais de 325 tipos de queijo?”, alarmou-se De Gaulle. Hoje, são mais de 500. Compre os seus nas fromageries.
- Há mercados ao ar livre em três ruas adoráveis: Rue de Buci, Cler e Mouffetard.
- A visita à Île de la Cité fica melhor tomando um sorvete no Quai d’Orléans.
- Andar pelo Marais para apreciar os palacetes melhora ainda mais com almoço em um bistrô.
- Na entrada do Louvre são distribuídos mapas do museu em nove idiomas. Não tem em português! O jeito é se virar com o mapa em espanhol.
- Paris é cortada pelo Rio Sena. Ao norte do rio fica a Rive Droite (margem direita) e, ao sul, a Rive Gauche.
- A cidade é quase toda plana. Mas subir a colina de Montmartre é obrigatório. É o bairro dos artistas.
- É proibido subir a Torre Eiffel levando bolsas grandes e sacolas. E não há onde deixá-las! Não se esqueça!
Lamento e consolo
Depois de ver que os dois dias de show do Radiohead em junho estavam esgostados, fiquei indignado. Como assim um show num ginásio enorme como o de Bercy esgota com mais de seis meses de antecedência? Sei que aqui na Europa tudo tem de ser feito com muito plano, como a própria Manue me mostra, ao comemorar insistentemente as reservas pra gente esquiar no final de março (!!). Mas acabar ingressos assim para o show que eu queria mesmo ver é lamentável.
E andando pelos metrôs de Paris entendi porque isso acontece e ainda dobrei minha indignação. É que uma das estrelas daqui, o inigualável Johnny Halliday (!!), é o destaque do momento, porque anunciou que vai fazer sua turnê de despedida. Em 2009 !!! E os ingressos já estão à venda, indo até a 120 euros (o Radiohead era 50). De chorar aos prantos.
O Johnny é uma figuraça. Como trouxe a Revista Brazuca, a qual participo com alguns freelas, em um bom artigo do mês passado, este senhor de hoje 64 anos seria o nosso Roberto Carlos, com o mesmo início roqueiro/bad boy/galã e que agora apela para músicas românticas bregas. Aliás, parênteses: música francesa romântica e brega é um pleonasmo pior que cair pra baixo e entrar pra dentro.
Após toda a indignação, o consolo foi ter achado um vídeo de 52 minutos (repito, 52 minutos) do Radiohead tocando em estúdio no Youtube. Sei que ninguém vai ter paciência para vê-lo inteiro, mas vai o link. É pérola.
Rolê à noite
Não me contentando em passar o inverno dentro de casa, encarei os 2°, 3° da noite parisiense e saí de bike para admirar o caminho até o centro. Admito que foi uma empreitada complicada, porque, além do frio, não tenho bike fixa e preciso ficar de 30 em 30 minutos procurando uma estação das já famosas Velib, as bicicletas públicas. No primeiro dia saí a esmo – apesar de conhecer bem os caminhos -, apenas para esfriar a cabeça após um dia de trabalho e foi a maior besteira que poderia ter feito. Na verdade, serviu como aprendizagem.
No dia seguinte, fiz a nova empreitada, desta vez devidamente aparelhado, com lanchinho a tira colo e um mapa traçado das ciclovias. Saí de Montmartre, onde moro, passei por Barbès Rochechuart e desci em alta velocidade pelo Boulevard de Magenta. Virei na Rue Saint Denis e entrei no antigo perímetro urbano da cidade, passando pelo arco que pode ser visto no filme Paris Je t’Aime (história do rapaz cego e da Nathalie Portman). Em seguida cheguei a Les Halles, centro comercial desde os séculos 1 e 2 depois de Cristo.
La devolvi a primeira bicicleta, peguei outra e fui fotografar as margens do Sena em Chatelêt, bem no centro. Outra parada, nova bike na frente do Hôtel de Ville para ver a pista de patinação. Mais tarde, cruzei o rio e fui para trás da Ponte Neuf, a mais antiga de Paris, uma das que passam por cima da Île de la Cité, berço da cidade no século 3 antes de Cristo. Com a mão praticamente congelada, saquei do bolso o sanduba de queijo em situação semelhante e segui o caminho entrando pela praça do Museu do Louvre, que, vazia, é impressionante.
Outra paradinha para fotos, troca de bike perto da Rue de Rivoli e continuação a caminho da Place Vendôme e suas caras joalherias. La também fica o Hotel Ritz, das estrelas e milionários, onde estava hospedada, por exemplo, a Princesa Diana nos dias antes de seu acidente fatal. A praça é linda, ainda mais se ornada com luzes de Natal. Logo acima, Opera Garnier e uma pausa para um café no Starbucks mais chique que eu já vi. Gás renovado, encarei a subida até Montmartre, passando pela Place de Clichy.
No primeiro dia, sem parada para fotos, fiz tudo em 1h45, mas no segundo deu mais de 3h. E voltei de metrô, porque já não aguentava mais. Abaixo uma mostra das fotos. Outras, em resolução menor, podem ser vistas no meu fotolog (http://fotolog.terra.com.br/eloi_londres/).


O cigarro fora de moda
Tinha em mente fazer um texto jornalistico para abordar o tema, mas não consegui conter a adjetivação logo no inicio. Então vai ai uma mescla. É que o cigarro foi finalmente banido dos lugares publicos, incluindo bares, cafés, restaurantes e danceterias. A medida, que ja havia sido aprovada no meio do ano passado, entrou em vigor agora no dia 1° de janeiro e trouxe polêmica em Paris.A principal diz respeito ao lugar do cigarro na cultura francesa.
Um artigo do Le Monde baseado em repercussões internacionais, ressaltou que literatura, musica e cinema daqui não seriam os mesmos sem eles, ja que eram parceiros inseparaveis de nomes como Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Serge Gainsbourg, Jean-Paul Belmondo, Edith Piaf, Jeanne Moreau entre outros. Gainsbourg, alias, teria imortalizado o Gauloise sem filtro, enquanto Moreau fazia apologia aos lights americanos.
Outros dois pontos foram trazidos à tona pela BBC e pelo Washington Post. A primeira se pergunta como ficara a situação dos pequenos bares do interior francês, que se tornaram, ao longo dos anos, centros de reuniões amigaveis dos habitantes locais. Ja o segundo aborda a saida das companhias de cigarro para paises agora mais rentaveis em termos de vendas e com mão-de-obra mais barata, como Espanha e Portugal.
Por outro lado, a passagem da lei é considerada uma vitoria importante do governo. Logo no dia 1° (apesar de eu mesmo ter presenciado dois cafés com gente fumando dentro), a ministra Roselyne Bachelot, seguindo os moldes da politica espalhafatosa do Sarkozy, fez um tour pelos cafés e restaurantes de Paris cercada de jornalistas e câmeras interpelando alguns clientes. Para um deles, perguntou : “Não acha que esta melhor assim? Não é melhor respirar e sentir o cheiro da comida? Ah, você fuma? Então faça de 2008 o ano em que você deixara de fumar. Você vera como a vida é mais saudavel”.
Em Lyon, a policia entrou no show e fez nesta sexta-feira uma batida com direito a policiais à paisana e diversas viaturas, numa operação digna de BOPE em dia de baile funk nas favelas do Rio de Janeiro. Tudo isso para multar um unico cidadão em 68 euros por estar fumando dentro do bar. O dono, que se prontificou a pagar a taxa, correu o risco de desembolsar 750 para cada cinzeiro encontrado nas mesas e mais 135 por ter permitido o fumo, mas escapou ileso sob a condição de não repetir o erro.
Em pesquisas em sites daqui, a recepção da lei foi positiva para mais de 80% dos votantes, enquanto outra enquete aponta que 97% dos estabelecimentos ja respeitam a medida. Por fim, a Espanha aproveitou o embalo e divulgou numero interessante: 1.2 milhão de pessoas deixaram de fumar apos a proibição de 2006. E a Alemanha também deve aderir completamente à nova onda até o meio do ano.
Experiência propria – Andando pelas ruas de bairros calmos como Montmartre, a cena mais marcante é o acumulo de pessoas nas portas de bares e cafés. Todas fumando, amontoadas e encarando um frio nada acolhedor. So faltava agora essas mesmas pessoas cortarem o alcool e voltarem para casa nas bicicletas publicas. Ai ja é pedir demais.
A boa e a má do início do ano
A boa - Se a neve não vem ao Eloi, o Eloi vai à neve…hoje fechei passagens pra (tentar) esquiar no final de março. Cidadezinha perto do Mont Blanc. Genial!
A má – Descobri que o Radiohead vem a Paris em julho para dois dias de shows. Detalhe: ingressos esgotados.
2008 ne passera pas!
Aqui um pedaço da engraçada manifestação nas ruas de Montmartre, pertinho da praça da Sacre Coeur.
A entrevista foi para mais uma edição da Revista Brazuca :
- Encontramos posts muito interessantes e diferentes. Tem alguma história curiosa sobre bandas “perdidas”? Aliás, quais para você foram as mais estranhas até agora?
Antes, para situar, falo mais do Samwaad, projeto que teve como idéia central mostrar a música brasileira e indiana ao mesmo tempo, conduzida pelo pianista Benjamin Taubkin, por um grupo de percussão nos moldes de uma escola de samba e por músicos indianos. A dança, com adolescentes oriundos de ONGs, uma delas a Gol de Letra, entrou mais tarde e deu corpo (literalmente), fazendo o que já era bom ficar completo.
Pouco a pouco perdi a paciência, fiquei extremamente chateado e só não saí após 10 minutos em respeito à minha namorada e porque incomodaria toda uma fila que mantinha os olhos fixos à frente. Entre outras coisas ruins que se seguiram, um funk cantado ao vivo e ressaltando a dureza da vida na favela, mais gritos estúpidos e inoportunos, a trilha que seguia com a variação de apenas uma música (e só podia ser Aquarela do Brasil), mais obviedades sobre nossas origens africanas e nada nem tão bonito visualmente, a não ser umas rosas gigantes fosforescentes e um canhão de luz.




