A procura do inverno perfeito
Foi logo ao sair do aeroporto, no fim de novembro, que percebi que as coisas haviam mudado aqui em Paris. O relógio marcava 15h30 e o sol já dava sinais de que tinha cumprido sua meta diária e começava a se esconder atras dos prédios, baixinho e fraco. Abraços, beijos, trem e metrô - que demoraram no total uns 45 minutos - e eu saía novamente nas ruas, à noite, com um forte frio que atravessou sem dó a blusa que eu até então considerava suficiente.
Lembrei que um mês antes, quando partia para o Brasil, ainda era possível se aventurar num parque, correr na pista de atletismo ou fazer compras com luz natural por volta das 18h. Agora não mais. Para um primeiro dia, tudo bem. No segundo, de volta ao trabalho, acompanhei atento a chegada da noite pela janela de casa, mas olhava cético para o relógio da sala às 16h, 16h15, luzes acesas na rua, 16h30, 16h45, estrelas…
E admito que fiquei um pouco deprimido, tentando encontrar soluções para otimizar meus curtos dias e não bater a cabeça numa das paredes do meu apartamento de 27 metros quadrados. Ficava imaginando como as pessoas encontravam motivação para sair, fazer compras, passear com o cachorro…E é obvio que não há comparação com o verão, mas com o passar dos dias, fui me inspirando nos chavões para tentar encontrar ânimo e, voilà, funcionou !
Passear em Paris no frio e no escuro pode sim ser especial. Na Champs Elysées, as decorações de Natal enchem os olhos, assim como na Galerie Lafayette. E desculpem-me se estou sendo esnobe, mas uma simples andada pelos dois lugares ainda é gratuito. Fica ao seu cargo gastar muito, pouco ou nada.
E se você economizou, melhor ainda. Você pode parar num café e « torrar » 4, 5 euros num chocolate viennoise e sentir seu pé derreter como o chantilly dentro da caneca. Aquecido e protegido com luvas, ceroula, meias de lã, cachecol, gorro e algo que proteja o nariz, hora de pegar a bicicleta pública e dar uma volta na beira do Sena, que mostra bem por que Paris é a Cidade-Luz. Por fim, novamente congelado, patinar no gelo na frente do imponente Hôtel de Ville é um espetáculo.
Fazendo tudo isso, lembrei do verão com um pouco menos de peso na consciência. Tudo bem que o passeio de bicicleta é menor que o de 60 quilômetros que fiz com a Manue num dia de 28 graus ao longo do Sena e do Marne (um afluente). E claro que tomar um sorvete sentado na beira do Rio, às 20h, de bermuda, com a Notre Dame ao fundo, é demais. Mas agora, volto mais cedo pra casa, aproveito o quentinho da cama para escrever e estudar, sinto o cheiro da sopa reforçada prestes a sair e me alegro de vez ao preparar o áudio e legendas do dvd que vou ver. Porque lá fora deve estar um frio horroroso!

Cida Silveira disse,
Dezembro 18, 2007 às 12:24 pm
Este é mesmo o inverno com o qual você sempre sonhou !!
Que seja sempre bom !!!!
Martim S Silveira disse,
Dezembro 19, 2007 às 3:44 pm
Foto linda, como de costume. E um post muito legal também.
Marta disse,
Dezembro 19, 2007 às 3:53 pm
Engraçado, mas eu e o Martim estamos com saudades do inverno
Aproveite, cunhadinho.
Beijos
manue disse,
Dezembro 21, 2007 às 10:01 am
vou poner o copyright nessa foto o Senhor Eloi !!! essa se pode pagar…humm vamo dizer 100 euros, de acuerdo ?