Um brasileiro de sucesso no país da gastronomia

abril 28, 2009 at 9:01 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Da primeira vez que preparou um prato simples para um coronel do exército em Florianópolis até se tornar chef e sócio de um dos restaurantes em Paris do estrelado Christian Constant apenas 11 anos se passaram. Uma ascensão meteórica, como o próprio Eduardo Jacinto gosta de ressaltar. Mas para ganhar o respeito da exigente clientela francesa e ter hoje uma menção no Guia Michelin, este catarinense de 29 anos teve de suar, ser persistente e também contar com um pouco de sorte.

Em 2003, após voltar de cursos na Itália e na França, Jacinto encontrou o renomado chef francês em semana de palestras no Hotel Gran Melia, em São Paulo. Por falar a língua do mestre, foi convidado a ajudá-lo na preparação dos pratos e ganhou sua confiança. Tanto que seis meses depois ele embarcava para a França com vaga na cozinha do Violon D’Ingres, uma das jóias do império de Constant na Rue Saint Dominique, no nobre 7º arrondissement de Paris, ao lado da Torre Eiffel.

Mesmo sob a tutela do patrão, Jacinto não teve vida fácil no início, sofreu com a língua, pensou em desistir. Mas ficou, superou preconceitos e aos poucos se estabeleceu, passando pelo Le Tables de la Fontaine – outra casa do chef na mesma rua – e chegando enfim ao Café Constant, do qual hoje é sócio. No charmoso bistrô, a menção de Bib Gourmand no Michelin – de ótima cozinha a preço justo – fez com que a ocupação dobrasse e os lucros triplicassem, trouxe ministros, embaixadores e até estrelas de Hollywood. E, claro, fez aumentar ainda mais o número de habitués.

Confira o bate-papo com este chef que hoje se orgulha em carregar o nome do Brasil no centro da culinária mundial. E que também começa a virar celebridade após a publicação de um livro ao lado de Constant e de participações em programas de televisão.

O restaurante tem nome de Café, mas de café ele não tem nada. Os pratos são excelentes e de alto nível. Não é estranha essa relação?
Eduardo Jacinto - Na verdade é só o nome mesmo. No menu, trabalhamos com produtos de luxo, como lagosta, crab royal, cordeiro de leite, em época de caça temos pombo e coelho selvagens, veado, que são até atípicos para um restaurante deste tipo. Temos o mesmo nível de um restaurante gastronômico, mas mantivemos o preço e nossa clientela é fiel. É uma cozinha de alto nível num ambiente simples. Acho que esta é a força do Café.

Qual o papel do Constant hoje no restaurante?
Jacinto
- Hoje ele nem cuida mais da cozinha. Por isso tem um responsável para cada casa dele. Eu sou o do Café, faço o menu, coordeno tudo. Mas é claro que o Constant tem uma força enorme, tudo começou diretamente com ele. Como os restaurantes são próximos, ele aparece sempre, o que acaba sendo importante. Ele traz o respaldo do cliente, dá dicas e óbvio que a gente respeita. Na França, ele é um dos três chefs mais influentes ao lado do Alain Ducasse e do Joël Robuchon. É um orgulho enorme fazer parte disso.

Em época de crise e contenção de gastos, o francês tem ido menos a restaurantes?
Jacinto
- O que sabemos é que os restaurantes 3 estrelas acabaram perdendo metade da clientela habitual. Não existem mais as grandes reuniões de negócios neles, os preços são muito altos. Os clientes passaram então para os 2 estrelas. Os de 2 estrelas foram para o 1 estrela ou para nossa casa. E o lucro triplicou, ainda mais depois da menção no Michelin. Antes servíamos 40 pessoas no almoço e 70, 80 à noite. Agora fazemos 80 no meio-dia e 120 no jantar. Temos uma clientela de alto nível, mas que se adaptou à fase. E temos os habitués, que são exigentes, clientes de 60, 70 anos que comem aqui há muito tempo.

Quando você fala em clientela de nível, você quer dizer quem exatamente?
Jacinto
- Muito chef de cozinha francês já veio. O Eric Fréchon (que acabou de receber a terceira estrela do Michelin) foi um. Ele foi sub-chefe do Constant. Veio também o Yannick Alleno (do Le Meurice), o Ducasse, o Robuchon…Todos saíram satisfeitos e vieram agradecer. Recentemente também vieram ex-embaixadores do Brasil, o ministro Xavier Bertrand (ministro do Trabalho na França) e a atriz de Hollywood Eva Mendes. E esse respaldo desde o cliente normal até o mais importante me motiva muito. Quero ouvir que eles passaram um momento gostoso aqui.

Mas se chefs famosos saíram contentes, não seria o caso de o Café Constant ter um ou duas estrelas no Michelin? Isso te atrai?
Jacinto
- Na publicação do último Guia Michelin, o diretor fez um comentário interessante que acabei guardando como inspiração para mim. Ele foi em um restaurante Bib Gourmand, do mesmo nível do nosso, e explicou o conceito, que era um lugar para as pessoas que querem comer muito bem e pagar pelo que vem no prato. Não talvez pela toalha de mesa, pelo copo de cristal, pelo serviço de sommelier ou pelos 15 garçons. E em relação ao prato, na ocasião, ele falou: ‘Para mim, o que estou comendo aqui é 3 estrelas’. É isso que a gente quer, por isso não temos intenção de mudar. A estrela, claro que é importante. Qualifica o tipo de produto, de serviço, o ambiente. Mas a cozinha, em si, é como a nossa que gosto.

Você contou que teve problemas de adaptação, pela língua, pelo nome dos produtos. Hoje que domina o assunto. Quando foi que percebeu que estava pronto para encarar de frente os melhores chefs franceses?
Jacinto
- Acho que o fato de ter passado muito tempo ao lado do Constant ajudou demais. Você aprende na prática o cozimento perfeito de uma lagosta, de um terrine de foie gras, de um boeuf bourguignon. Mas o prato que me deixou mais orgulhoso foi o lièvre à la royale. O grande chef que se preze sabe fazer. E não é me gabar (risos), mas tê-lo feito com perfeição, para mim foi primordial. Ouvi de outra personalidade, o critico gastronômico Jean Luc Petitrenaud, do canal 5, que talvez tivesse sido o melhor que ele já havia comido. E ele fez outro comentário curioso: ‘O que mais me impressionou é que foi feito por um brasileiro’. Fiquei super orgulhoso. Hoje sou conhecido por ser um chef brasileiro e quero sempre ser vinculado ao meu país.

Fale enfim do seu livro. Você assinou junto com o Constant?
Jacinto
- Sim. Tivemos a ideia de fazer um livro com os quatro chefs responsáveis pelos restaurantes do Constant. Cada um colocou suas receitas em cada volume. E eu fiz do Café. Foi lançado numa espécie de caixa, com o nome La Maison Constant. Foi um sucesso, por enquanto já vendemos mais de 20 mil cópias.

Link original na Wish: http://wishreport.ig.com.br/?p=17532

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Paris Zen

abril 21, 2009 at 5:11 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , , , )

Tantos são os lugares maravilhosos a conhecer em Paris que uma simples visita pode deixar o turista cansado. E se a agenda permite, por que não quebrar o ritmo de museus, castelos e restaurantes com uma passagem por um dos diversos spas da cidade? A opção tem atraído cada vez mais a nata da sociedade local e pode deixar sua próxima viagem ainda mais especial.

No Triângulo de Ouro, um dos pontos mais chiques da cidade, boas opções não faltam. Ao lado da Champs Elysées e não muito longe do Arco do Triunfo, por exemplo, se encontra o Espace Payot, da famosa marca de cosméticos. Um complexo idealizado pelo arquiteto Joseph Caspari com 1.200 m² de luxo, bom gosto e paz para clientes de um dia ou de um ano.

Desde a recepção, o serviço personalizado traz a certeza de que, nas próximas horas, o único compromisso inadiável é com o relaxamento. E para isso, o spa conta com uma piscina equipada com “zonas de massagem” e música debaixo d’água, uma jacuzzi e duas grandes saunas, tudo sincronizado com sistema de iluminação especial. Afinal, segundo o ideal do Dr. Payot, a cromoterapia faz parte dos cuidados com o corpo.

O local ainda funciona como centro fitness, com aparelhos de última geração, e, claro, como espaço de culto à massagem. São cinco cabines especiais, isoladas do mundo e que podem ser reservadas para uma ou duas pessoas, em caso de surpresa romântica em grande estilo. Opções de tratamentos não faltam. Por massagem com pedras preciosas, limpeza de pele ou banhos terapêuticos, o cliente não desembolsará menos de 150 euros. Num caso mais específico e longo, como o “My Day”, de seis horas, os preços podem atingir 700, 800 ou mais de 1.000.

Valores que não chegam a incomodar aqueles que prezam pelo bem-estar. “Temos no momento duas clientes brasileiras no sistema anual, mas recebemos muitos outros ao longo do ano”, revela Nadia Seri, chefe da recepção do Espace Payot.

Não muito longe, na conceituada rua Faubourg Saint-Honoré, o Instituto Sothys conta com área mais modesta (400 m²), mas reconhecida de longe pela emblemática deusa da fachada e pelo manobrista em trajes de gala. Dentro, a ordem é se deixar levar pelas “escapadas” que podem durar de três a seis horas, com opções de escolha de luzes, da música relaxante e dos produtos e técnicas a serem utilizadas. Isso após um programa personalizado estabelecido pelos técnicos do centro.

Já em Bercy, bairro afastado do centro glamoroso de Paris, está o Omnisens, criado exatamente para que a fuga do barulho e do estresse seja total. Com ideal de “estar no campo”, o espaço não é menos luxuoso e foi escolhido como um dos 100 melhores spas do mundo por dois guias de prestígio. No “menu”, ideias curiosas como uma noite de massagens, regada a champagne, outras à tarde, com degustação de guloseimas e chás, e tratamentos específicos para homens, gestantes e a descoberta da aromaterapia. E melhor: com valores acessíveis.

Espace Payot
62, rue Pierre Charron
0145614208
www.espacepayot.com

Institut Sothys
128, rue du Faubourg-Saint-Honoré
0153939153
www.sothys.com

Omnisens
Bercy Village
0143419696
www.omnisens.fr

Link original na Wish:
http://wishreport.ig.com.br/?p=16714

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Turismo personalizado

abril 15, 2009 at 9:48 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , , )

 Você escolhe e empresa especializada na história de Paris abre portas de lugares especiais (de acordo com sua vontade)

Uma Paris original. Uma Paris de acordo com o que você quer ver. Se as opções clássicas de turismo na Cidade-Luz já foram esgotadas, a boa pedida em uma próxima visita é sair do tradicional. Que tal, então, fazer isso com classe? É o que propõe a empresa Le Paris De. Criada em 2007 e dirigida por Veronique Reynaud, ela une história e organização de eventos e tem como lema “abrir as portas de lugares que você nunca imaginou”.

Para pequenos ou grandes grupos, de aniversários a reuniões de negócios, o que basta é ter uma boa ideia. Foi assim que uma empresa ligada à bolsa de Paris presenteou alguns de seus diretores em 2008. Ao invés de festa tradicional, um coquetel, seguido de jantar e champagne no jardim e salão principal da casa de um antigo funcionário do imperador Napoleão Bonaparte, com decoração típica do século 19. Tudo como o cliente havia desejado.

“Sempre pensamos no lado histórico também, por isso contamos com guias e gente especializada. Mas se a ideia é apenas estar em um belo lugar, onde pessoas em geral não podem ir, a gente pode fazer”, garante Reynaud. “Queremos mostrar uma Paris secreta, fora do que todo mundo vê e sob medida”, completa.

Para ter essa Paris “à la carte”, no entanto, é imprescindível reservar um bom orçamento. Dependendo do tamanho do pedido, os custos de aluguel e preparação do local podem ser altos, mas “negociáveis”, segundo Reynaud. Um dos importantes eventos realizados recentemente, por exemplo, fechou o tradicional Hôtel Carnavalet, construído no final do século 16, para 150 pessoas. “Fizemos uma reconstituição da época de Luís 14 e organizamos um coquetel e jantar no jardim. Foi um momento muito interessante, bem parisiense”, conta Reynaud.

Aliás, ser “bem parisiense” é o que faz com que a Le Paris De consiga personalizar as visitas e abrir algumas portas. “Trabalho há 30 anos aqui e tenho um boa rede de contatos. Todos são fanáticos por esta cidade”, encerra Reynaud. Para ela, só não vale pedir a Torre Eiffel ou a Opéra Garnier para uma noite a dois.

http://wishreport.ig.com.br/?p=16317

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A estrela anti-crise de Fréchon

abril 6, 2009 at 10:37 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Chefe agraciado com a 3ª estrela do Guia Michelin quer voltar a encher o Le Bristol

Em época de crise, nem mesmo o status de restaurante preferido do presidente Nicolas Sarkozy garantia ao Le Bristol o sucesso de público. Mas os tempos de ocupação relativamente baixa deste “palácio parisiense” devem chegar ao fim. Ao receber a terceira estrela do Guia Michelin, o chefe Eric Fréchon reconheceu que espera a partir de agora ver as mesas de seu estabelecimento totalmente tomadas.

Bastante procurado pela imprensa francesa nesta semana em que brilhou praticamente sozinho na centésima edição do guia mais tradicional do mundo, Fréchon mostrou-se aliviado e duplamente satisfeito pela honraria. “Esta terceira estrela vem na hora certa. Ela vai salvar o nosso ano”, reconheceu o chefe de 45 anos, até então preocupado com os modestos 50% de freaquência da casa.

A esperança da nova sensação da culinária francesa não vem à toa. Mesmo que nenhum estudo oficial sobre o tema tenha sido realizado até hoje, comenta-se que o aumento do faturamento médio de um restaurante gire em torno de 30 a 40% por estrela recebida no “guia vermelho”. Com o Le Bristol não foi diferente. “Mesmo antes da confirmação meu telefone não parava de tocar. E as reservas aumentaram sensivelmente. Estava realmente ansioso para ver este resultado”, continuou Fréchon.

Décimo três estrelas de Paris, o Le Bristol é o quarto deles no chique oitavo arrondissement da cidade, juntando-se ao Ledoyen, ao Pierre Gagnaire e ao Alain Ducasse. Os outros também não estão muito longe: o Le Meurice está no primeiro, o L’Ambroisie no quarto, o L’Arpège no sétimo, o L’Astrance e o Le Pré Catalan no 16° e o Guy Savoy no 17°. Ao todo, a França soma agora 26 restaurantes com cotação máxima.

http://wishreport.ig.com.br/?p=15394

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A Torre e o Arco

fevereiro 15, 2009 at 9:24 pm (Dicas e Passeios, fotos) (, , , )

Vista do lado oposto.

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Greve na França

janeiro 29, 2009 at 10:32 pm (Política)

Hoje foi dia de greve geral na França. Em Paris, a manifestação saiu da Praça da Bastilha rumo à Opéra. Tudo correu bem, com muita ordem e reivindicações justas até alguns manifestantes se exaltarem e a policia entrar em ação. Algumas fotos que fiz do momento da intervenção. Não houve nada de mais grave, mas as cenas foram impressionantes.

Sarkozy, pauv' thon

Sarkozy, pauv' thon

Grève Générale, Rêve de Changements

Grève Générale, Rêve de Changements

Na caida da noite

Na caida da noite

Começando a esquentar

Começando a esquentar

Sarkozy, démission!!

Sarkozy, démission!!

Riots on the streets of Paris

Riots on the streets of Paris

Esquentando a noite fria

Esquentando a noite fria

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Allez, allez, allez à l'Elysée

Allez, allez, allez à l'Elysée

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Aluguel de Flat em Paris

janeiro 22, 2009 at 8:26 pm (Dicas e Passeios)

Acho que o Conexão Paris já comentou, mas como eu também recebi comentários positivos de um sistema de aluguéis de flat em Paris, acho bom compartilhá-los por aqui. Afinal, qualquer albergue médio na França (para não falar nos hotéis) não sai por menos de 22, 24 euros, são naqueles estilos “dormitórios” e ousam cobrar singelos 1, 2 euros pelos cobertores e jogo de cama. Ou seja, no final, a brincadeira acaba saindo bem cara.

Ciente dos preços, o Felipe, um conhecido daqui do Paris na Linha mesmo, me passou a dica quando veio para cá. Ele e a mulher acharam o site Rent a Flat Paris, que disponibiliza alguns pequenos studios por preços acessíveis. O Felipe admitiu que temeu cair numa daquelas ciladas da internet, tamanhas eram as comodidades. Mas veio do mesmo jeito e acabou se surpreendendo positivamente.

Apesar de ser tudo informal, nada deu errado. Ele reservou pela internet um dos seis apartamentos disponíveis (com fotos), pagou adiantado e recebeu um contrato não-oficial para ajudar caso a imigração resolvesse atrapalhar. O preço por semana varia entre 370 e 380 euros, mais ou menos uns 53 por dia e uns 26, 27 por pessoa. Ora, para pagar isso num albergue, por que não ficar numa casa?

Além da ótima localização (Le Marais e Rue de Rivoli, bem no centro), os flats (que têm cerca de 15 m²) tinham tudo que uma casinha modesta pode oferecer, com banheiro, geladeira, fogão (elétrico, com placas, como na maioria dos casos por aqui), armários e até telefone e sistema de internet. Tanto que o Felipe usou o telefone para ligar para um celular em Londres e acabou deixando 20 euros em cima da mesa, com uma notinha explicando o valor, na hora de sair.

Perguntei a ele uma coisa que vale ficar atento. Por exemplo, como ficaria a situação no caso de quebrar coisas valiosas ou no caso de coisas importantes – como o aquecimento, o chuveiro, a geladeira, etc – quebrarem se não existe o tal contrato oficial? Ele não soube responder, disse que achava que tudo seria feito na base do “bom senso”, mas que confiou e até deixou o cartão de crédito com o M. Frederic Radet, o proprietário, que foi extremamente gentil e solícito do início ao fim.

De qualquer jeito, acho que quem for tentar pode bem verificar certas cláusulas para que não aconteça nenhuma surpresa negativa. E quem quiser pode comentar aqui e dar outras dicas semelhantes.

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Valência

janeiro 16, 2009 at 5:17 pm (Dicas e Passeios) (, , , , )

Com exceção do Brasil, não sei se tinha dado espaço aqui para um outro país/cidade fora da França. Mas neste final de ano fomos para a Espanha, conhecemos a região de Castellón e Valência e achei que a ocasião era válida. A primeira é pacata, bonitinha e boa para morar. E não é à toa que meu irmão está por lá. A segunda é mais impressionante. Além de um centro histórico lindo e conservado, com torres, portas e ruas estreitas, Valência tem outros pontos excelentes que valem a visita.
 
A praia é uma delas. Os campos de tangerina também. Mas o lado moderno da cidade merece ainda mais destaque. Mais que os prédios enormes e imponentes, foi construído em 1998 a Cidade das Artes e Ciências, um projeto ambicioso, ultra-moderno (e bilionário), assinado por Santiago Calatrava. Lá temos o museu de ciências da cidade, o maior aquário  da Europa, local para concertos e imagens como essas abaixo.
Cidade hight-tech

Cidade hight-tech

Mais do prédio doidão

Palau de les Arts

A cara

Prédio doidão

Outro prédio, este em forma de olho

Outro prédio, o Hemisferic, este em forma de olho

No fundo, o aquario, que dizem ser um dos maiores da Europa

No fundo, o aquario, que dizem ser um dos maiores da Europa.

Imaginando a saida dos guardas brancos do Star Wars

Imaginando a saída dos guardas brancos do Star Wars

Mais prédios e com a cidade iluminando o céu ao fundo

Mais prédios e com a cidade iluminando o céu ao fundo

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Venha descongelar você também

janeiro 14, 2009 at 10:52 am (Casa e Familia, Dicas e Passeios)

Passada uma semana desde que as temperaturas insistiram em continuar negativas, o branco ainda predominava em Paris. Nevou um dia, só isso. Mas foi o suficiente para deixar uma bela herança. Mais impressionante ainda foi constatar que dois canais superfamosos daqui, o Saint Martin e o Bassin de La Villette estavam congeladinhos da Silva. Incrível!

Mas depois de algum tempo os passeios de bicicleta a -5°C acabaram. A temperatura subiu consideravelmente desde segunda-feira, chegando aos tais tropicais 5°C!! O suficiente para tirar a poeira das havaianas, pegar aquela bermuda florida que estava no fundo do armario e passar um pouco de  protetor solar para não correr riscos. Estamos torrando, suando e dando cambalhotas nas ruas outrora brancas.

Sem mais comentarios esdruxulos, seguem as derradeiras fotos da passagem da camada polar pela França.

 

Canal St Martin congelado

Canal St Martin congelado

Canal St Martin 2

O resto de neve ao lado do Bassin, também congelado

O resto de neve ao lado do Bassin, também congelado

 

Apesar da cor em excesso, a prova de que o Bassin tbm virou pedra

Apesar da cor em excesso, a prova de que o Bassin tbm virou pedra

 

As mesmas vinhas que em um outro posto estavam verdinhas, verdinhas

As mesmas vinhas que em um outro posto estavam verdinhas, verdinhas

Vinhas 2

Na Butte Montmartre, a neve, a torre e o pôr-do-sol

Na Butte Montmartre, a neve, a torre e o pôr-do-sol

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Promessa cumprida

janeiro 7, 2009 at 8:54 am (Casa e Familia) (, , , , , )

Acordar foi até fácil. O difícil foi se preparar para sair. Duas calças, três blusas, meia de lã, cachecol, gorro, câmera na mão e alguns passos na rua para registrar a temperatura às 8h. Consegui um -7º (segundo o jornal Le Parisien, o pico foi de -10º nesta madrugada), voltei e descongelei enquanto a Manue me dizia que na linha de trem que ela pega para a escola até o trilho tinha congelado e que fora de Paris realmente a espessura da neve ainda era grande.

No perímetro urbano as crostas vão aos poucos diminuindo. Mesmo com Paris estando praticamente dentro de uma geladeira, o calor das pessoas, dos carros, das lojas derrete o gelo. Na televisão, reportagens sobre o pessoal da Cruz Vermelha que segue tentando convencer os mendigos a irem dormir em abrigos. E muitos não aceitam. Incrível.

Quem deve estar lucrando é a empresa de energia. Ontem, com o pico de frio, veio o pico de utilização de aquecedores nas casas e quase houve uma pane geral, porque a produção está no limite. Por enquanto, está sol lá fora, o que impede de nevar. É  frustrante, porque faz tempo feio e cinza o ano todo. Justo quando a temperatura abaixa consideravelmente, faz sol e não neva mais. Vai entender.

Pelo que diz a previsão, a temperatura deve subir um pouco até o final de semana, chegando a tropicais 0º. Vou esquentar o chá.

 

Não deu pra ser às 7h, mas às 8h13 era essa a temperatura

Não deu pra ser às 7h, mas às 8h13 era essa a temperatura

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Frio Ano Novo

janeiro 6, 2009 at 10:35 pm (Casa e Familia) (, , , , , , , , )

Depois que a crise esfriou, esfriou também o tempo. 2009 começou na França com temperaturas polares graças à uma camada de ar fria vinda da terra do Papai Noel. Na segunda-feira nevou o dia todo, o suficiente para deixar a cidade branca. Até no jornal daí do Brasil deve ter saído. Nesta terça-feira, o frio se manteve e às 19h o relógio em frente à prefeitura do bairro marcava -5º.

Não chega a ser um Canadá, ou uma Sibéria, mas é um frio que nem o pessoal daqui está acostumado. Um rapaz na rua fez um comentário curioso. Ele trabalha fora de Paris, a cerca de 30 quilômetros, e disse que por lá a situação é ainda pior, que parecia “uma estação de esqui, com alguns centímetros de neve no chão”.

Hoje a situação está até mais perigosa por causa das crostas de gelo que se formaram da neve que derreteu. A atenção ao sair na rua tem de ser total. Hoje me peguei algumas vezes andando como um pinguim, ou como uma criança que aprende a andar.

Amanhã será ainda mais frio, apesar de que não deverá nevar. A previsão é de sol e singelos -8º. Fiz uma promessa: vou acordar amanhã às 7h com a Manue e ir ver a temperatura na rua. Tirarei uma foto.

Por enquanto, seguem umas próprias e um vídeo tosco que eu fiz pra mostrar a surpresa. 

http://www.youtube.com/watch?v=y1lr0Q94xk4

Parque com neve
Parque com neve

No inicio da neve

No início da neve

 

Ok, não é tanta neve assim, mas quem nunca quis fazer isso?

Ok, não é tanta neve assim, mas quem nunca quis fazer isso?

Na terça, perto da Bastilha

Na terça, perto da Bastilha

Boulevard Richard Lenoir 2

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As guloseimas francesas e o cuscuz mais caro do mundo

novembro 30, 2008 at 12:38 pm (Casa e Familia) (, , , , )

A semana passada trouxe de uma só vez na alegre Rue du Pouteau os mercadinhos de Natal e a nova edição do Beaujolais Nouuveau. Imaginem, foi uma festa só. Milhares, talvez milhões de pessoas se espremendo para provar de graça as famigeradas guloseimas francesas e um vinho com gostinho de suco de uva. Fomos lá conferir e foi um sentimento de alegria plena.
Encara um queijinho?
Encara um queijinho?
Nada como saber convencer um cliente
Nada como saber convencer um cliente
Enfim algo comivel... e olhe la.
Enfim algo comivel… e olhe la.
E esse era mais caro!!
Isso é um quejio.
Na mesma semana, a Manue resolveu fazer um cuscuz, desta vez não o árabe, mas o brasileiro. Lista de receitas na mão, fui lá procurar as farinhas de milho e de mandioca, que por aqui não são coisas simples a achar. A de milho até que foi tranquilo, comprei num pequeno mercadinho árabe. A de mandioca foi mais duro. Andei, andei e achei num africano, que cobrou nada menos que 4,50 euros o pacote. Um roubo! Somados os camarões, uns 8 tipos de legumes incluindo o palmito, outro produto deveras caro, deve ter dado uns 20 euros. Mas estava tudo lá, pronto para virar uma receita.

Tentativas, algum trabalho, talvez não a melhor técnica e a Manue conseguiu. A massa estava pronta, um pouco disforme, mas de gosto delicioso. O resultado vai abaixo.

Tentando não destruir
Tentando não destruir
...mas tava dificil

...mas tava dificil

 

Cuidado!!

Cuidado!!

Beleza, vai assim mesmo

Beleza, vai assim mesmo

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O curso de foto

novembro 26, 2008 at 11:56 pm (Casa e Familia) (, , , , , )

Foi descoberto recentemente que o brasileiro Vandiscleisson (mudamos seu nome verdadeiro para preservar sua integridade) estaria fazendo um curso de fotografia em Paris, com um professor francês, numa classe só com franceses, numa cidade que fala apenas francês. O resultado foram algumas stuações comprometedoras as quais o Paris Na Linha teve acesso e relata com exclusividade abaixo.

Antes da sessão de revelação do filme, em frente a todos os coleguinhas.
- Vandiscleisson, você trouxe o seu filme?
- Sim, professor, mas eu não consegui tirá-lo da câmera. Sabe, a minha digital não tem filme e essa aqui é meio complicada.
- É mesmo, Vandiscleisson?!

Na hora de comprar um filme, na loja mais chique de Paris.
- Meu professor pediu um filme diapô. Você tem?
- Sim, claro, 400 ASA ou 800 ASA?
- Não obrigado, isso ele não pediu.

Na outra loja, agora muito mais inteirado sobre o assunto.
- Você tem filme diapô, né?
- Sim, claro. Temos…
- …400 ASA ou 800 ASA, já sei.
- Exatamente.
- Sem querer parecer muito leigo, mas qual a diferença?
- Com o 400 ASA você pode tirar as fotos num dia de luz normal. Ele custa 8 euros. O 800 ASA é para situações de menos luz, mas você pode tirar fotos mais rápidas. Custa 13 euros.
- Entendi. Então quero dois do mais barato.

Na sala, com uma amiguinha que não parava de olhar em sua direção.
- Você é brasileiro, né Vandiscleisson?
- Sim, sim. Como você descobriu, pelo sotaque?
- Não, não, é que tem monte de erro no teu caderno.

Na sessão de fotos fora da classe, primeiro contato com a câmera de filme.
- Professor, professor, o ponteirinho do lado do visor não pára de mexer.
- A cellule, Vandislceisson, serve para verificar a boa exposição, como te expliquei na aula teórica.
- Imaginei.
- Agora, se ela não se mexer, você vai precisar de um pose-mèttre.
- Xiiii…

Ao apresentar a câmera ao amiguinho que sabe muito mais de foto do que ele.
- Caramba, sua objetiva tem uma abertura máxima de diafragma de 1,8, sensacional!
- A câmera é do meu sogro, boa né?
- Sim, sim. E ainda tem uma tele-objetiva de 135 mm fixa, que espetáculo!
- É, mas cuidado pra não deixar ela cair se não eu que pago.

De volta à sala de aula, com o professor fazendo a lista do que seria preciso para a outra sessão de revelação.
- Papel de foto (óbvio)
- Negativos (dãã)
- Pano (ok)
- Tesoura (belê)
- Trombones* (???)
- Chemise cartonée rouge* (hein??)
- Scotch non-invisible* (tô frito…)

Ao chegar em casa, após a sessão de revelação.
- E aí, meu amor, foi tudo bem?
- Queimei um monte de papel.

* Mais tarde, o Vandiscleisson descobriu que trombone é clipe, chemise cartonée rouge é uma pasta comum com elastico e, neste caso, vermelha e que scotch non-invisible é um durex diferente. Boa Vandiscleisson!

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Paris é cinza

novembro 21, 2008 at 6:47 pm (Dicas e Passeios) (, , , , , )

Não que mereça prêmios, mas essas fotos são um exercício de P&B feitas pelo Bruno com minha câmera. Na verdade, eu estava no mesmo local, testando a câmera de filme do sogrão (que é genial, diga-se de passagem). E temos cada vez mais a consciência de que Paris é P&B. Com esse céu lindo e inspirador, só tirando a cor mesmo.

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Luz, câmera e ação!

novembro 19, 2008 at 10:48 am (Casa e Familia) (, , , , , , , , , , , , )

Acordei cedo hoje, abri a janela e, por mais incrível que possa parecer, um tímido raio de luz acertou meu rosto em cheio. Para aproveitar ao máximo o raro momento, fingi que ele me cegava. Era o sol, cortando o até então impenetrável bloco de nuvens cinzas que dominou Paris nas últimas três semanas. E quase copiando uma cena de um filme do Godard que eu não vi, pensei: “D 5,6 – V 250″. E fui bater fotos.

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